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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Ago06

Chaves e a Top Model

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Como diz o companheiro de viagem do blog do Beto, eis a nossa Top Model, a Top Model de sempre e, pela aparência, Top Model por muitos e muitos mais anos.

Quanto a mim, já o disse aqui repetidamente, não me canso de a fotografar. Com sol, de noite, de Inverno, de verão, com chuva, com nevoeiro, do lado de lá, do lado de cá, no seu todo, em pormenor e, pela certa que continuarei a fotografá-la até conseguir aquela fotografia… vocês sabem, aquela fotografia… nem eu sei bem qual. Queira Deus que nunca o consiga, pois assim terei o prazer de a continuar a fotografar, repetidamente, como repetidamente se fotografam as Top Model.

Mas, e como diz o provérbio chinês, mais vale uma imagem que mil palavras, por isso acho que me vou ficar por aqui.

Até amanhã, com outra imagem da terrinha.
30
Ago06

Chaves - Madalena - Entrada do Jardim Público

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A passadeira bem que podia ser vermelha para se fazer uma entrada triunfal no Jardim Público.

Este jardim foi oferecido pelo banqueiro Cândido Sotto Mayor ao Município de Chaves, no ano de 1901. Como já em tempos aqui afirmei, como flaviense, agradeço o espaço que doou ao município, mas dói saber que teve de ser destruída a muralha e respectivo fosso, então ainda existentes, para que o actual jardim exista. Políticas de então em que o património já era sacrificado em nome do progresso.

Bem, como sou fruto da boa colheita de 60, só conheço a tal muralha por uma fotografia que chegou até aos nossos dias (já publicada no blog Chaves Antiga), e como tal já nasci com o jardim, um espaço que tão bons momentos me proporcionou na infância e adolescência e que ainda hoje aprecio pela sua beleza e bem estar que o espaço ainda tem para oferecer.

Falta a banda no coreto, foi destruído o parque infantil da minha infância, que ficava logo aqui do lado esquerdo desta entrada principal que hoje reproduzo em fotografia, e está carente de atenção, de tratamento e da vida que lhe é devida, mas ainda continua a ser um belíssimo espaço, fresco e que se recomenda.

Não conheço o projecto, mas já foi anunciado que este espaço vai entrar em obras de requalificação e remodelação brevemente. Espero que impere o bom senso nas obras que vão ser levadas a efeito e que não seja desvirtuado o Jardim Público que eu, e suponho que todos os flavienses, temos guardado na secção das boas memórias.

Vamos acreditar que não atormentamos mais a paz de Cândido Sotto Mayor. Para tormento já lhe basta o mamarracho que lhe plantaram junto ao seu antigo palacete (ver post no blog do Beto de 28 de Agosto). Vamos acreditar que a sua entrada vai continuar a merecer um passadeira vermelha.

Até amanhã, do lado de cá ou de lá do rio, com ou sem passadeira.
29
Ago06

Chaves - Madalena

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Parte 1

Hoje em conversa de café com amigos, recordávamos tempos passados, do que nós éramos como filhos a ouvir os nossos pais e de como somos como pais a contar (hoje) aos nossos filhos. Somos a mesmíssima coisa, os mesmos argumentos, o mesmo “paleio”, só muda é o tempo e as coisas que com ele mudaram. Quando o meu pai me falava de uma infância com socos, candeias de petróleo ou azeite, o custo das coisas em tostões ou em mil reis… eu agora, aos meus filhos, falo-lhes em escudos ou contos, em bicicletas, máquinas de escrever, no ir a pé e sozinho para a escola, e nos jogos de infância do espeto, do peão, do “trinca sebada”, dos carrinhos de arame… etc. coisa e tal, em suma, sigo religiosamente os mesmos passos que o meu pai seguiu, claro que, com a devida diferença temporal.

Uma das coisas que aprendi e segui também dos meus pais foi o ser cliente de. Porque desde miúdo, nas compras, tinha de ir aos sítios que os meus pais eram clientes, com o passar dos anos, os meus pais passaram-me o estatuto do cliente, e hoje o cliente sou eu. Na papelaria, no talho, no banco, no pronto-a-vestir, na farmácia… Sítios onde hoje ainda vou e sou tratado como o cliente de há 50 ou 60 anos atrás, por herança de estatuto, onde me conhecem a mim e à minha família e onde, se quiser, até posso ficar a dever, como se do tempo das cadernetas de tratasse.

Parte 2

Foi precisamente quando em compras na farmácia da família, há uns meses atrás, assisti a um caso de polícia. Estava o pintor a pintar as chapas de zinco da imagem de hoje, quando 3 ou 4 putos que iam a passar comentaram em voz alta e bom som – “porra, que cor tão feia”. O pintor que pela atitude penso que também era o proprietário do imóvel, não gostou, penso mesmo que se sentiu insultado com as “bocas” dos putos. Vai daí, desce os andaimes, e com insultos, bofetadas e empurrões tenta fechar os putos no rés-do-chão do imóvel. Muitas palavras de insulto, empurrões e confusão que só terminou com a chegada da polícia e a identificação dos intervenientes. A partir de aí, nada mais sei. Agora, isso sim sei, é que a “cena” ficou registada na minha memória e também me deixou a pensar na razão de cada um. Na razão dos putos em considerarem a cor feia e na razão do proprietário em se considerar insultado na escolha da cor, que pela atitude – gostava.

Moral do acontecimento: Aquilo que para uns é feio para outros pode ser bonito.

E agora falo eu. O colorido é ousado. Quanto a sua beleza, não me pronuncio, porque eu próprio não sei se reparo e paro a olhar para todo o colorido pela beleza ou pela ousadia, agora onde não tenho dúvidas, é no colorido que chama a atenção e que até proporciona uns bons momentos fotográficos.

Parte 3

Até amanhã, com ou sem cor num qualquer lugar da cidade.
28
Ago06

Chaves à noite - Largo Caetano Ferreira

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Então de regresso à cidade, vamos até ao seu coração e à calma da noite.

Também a noite de Chaves tem os seus contrates. Quando tomei esta foto, a zona termal do Tabolado estava inundada de gente, muita gente. A mesma onda ou moda que levava milhares de pessoas às antigas noites das Freiras, agora mudou-se para o Tabolado e contra factos não há argumentos. Todos nós sabemos como os jardins são agradáveis por companhia, principalmente quando há muita oferta em bares e esplanadas com largas passerelles onde desfila gente jovem e interessante no passeio da última moda.

Aceito perfeitamente toda a vida que a zona do Tabolado tem, no entanto acho que a cidade só teria a ganhar se a concentração (às vezes excessiva) de gente no Tabolado estivesse mais distribuída, principalmente pelas ruas do centro histórico e de modo a dar-lhe alguma vida nocturna que ele merece. Claro que isso teria ou poderia passar por políticas diferentes e até ousadas de incentivo, urbanismo e planeamento, aliados aos interesses privados, que afinal são os interesses de todos nós, sem menosprezar a zona termal. Claro que é a minha opinião!

Para já vamo-nos contentando em ver um Centro Histórico nocturno quase deserto. E aqui sou obrigado a cair novamente nos contrates e/ou nas contradições: Gostava de ver este centro histórico com mais vida, mas ao mesmo tempo, também gosto de o ver assim, limpo e puro, como se fosse todo só meu ou, claro, de quem o vive quando está no seu ceio em plena noite.

Até amanhã, num qualquer lugar da cidade e de dia.
27
Ago06

Chaves Rural - Águas Frias

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Infelizmente nem sempre somos donos da nossa vontade. Queria eu actualizar este blog à hora do costume, pois queria, mas problemas informáticos alheios à minha vontade só agora me permitem publicar o post que tinha reservado para hoje Domingo, dia dedicado às freguesias.

Pois então vamos até à freguesia e aldeia de Águas Frias.

Águas Frias ficam a 12 quilómetros de Chaves e é sede de freguesia. Em território, é uma das maiores freguesias do concelho e que a leva a fazer fronteira com as freguesias de Faiões, Stº Estêvão, Stº António de Monforte, Paradela, Travancas, Cimo de Vila, Tronco, Bobadela, Oucidres, S.Julião de Montenegro e Eiras. Pertencem à freguesia as aldeias de Assureiras, Avelelas, Casas de Monforte e Sobreira. Segundo o Censos de 2001, Águas Frias tem 897 indivíduos como população residente.

E embora na freguesia até haja monumentos dignos de realce, como o Castelo de Monforte de Rio Livre, hoje vamos ficar por uma vista geral sobre Águas Frias, com o verde dos castanheiros em primeiro plano, o verde da montanha onde a freguesia se desenvolve, mas quase toda ela com vistas para o vale de Chaves.

E embora hoje o post vá terminar por aqui, Águas Frias e as suas aldeias terão oportunamente e de novo a minha atenção.

Até amanhã ou até logo, de volta à cidade.
26
Ago06

Chaves Rural

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Há vezes, dias, momentos em que as palavras nos falham para transmitir os nossos sentimentos...

Conheço todas as aldeias do concelho, de Arcossó a Segirei, do Cambedo a Póvoa de Agrações. Cento e cinquenta aldeias, mais uma dúzia de lugares. Cada aldeia, cada lugar é uma realidade, tão igual ao nosso concelho, mas tão diferente de sítio para sítio, de lugar para lugar, de pessoa para pessoa.

Desde que tenho este blog, vou entrando por esses lugares e aldeias fora, com olhos ver aquilo que pode transmitir a realidade desse lugar. O casario, as pessoas, um pormenor que seja que transmita a identidade do lugar. Várias vezes fico em silêncio, em estado de espanto, deliciado com pormenores que sempre lá estiveram e me passaram despercebidos durante todos estes anos. Há no entanto lugares, aldeias, a onde chego e nada me desperta, nada acontece, geralmente penso que estou em dia não... dou meia volta e agendo a visita para uma próxima oportunidade. Quando repetidamente isto acontece com o mesmo lugar, sou invadido por um sentimento confuso de tristeza, pena e dó, não sei se do lugar ou de mim, em não conseguir ver para além daquilo que os sentimentos me transmitem... há lugares assim – tristes, sem vida, sem crianças, sem cor, onde só o luto e meia dúzia velhos resistem ao agreste da montanha e ao deserto quase total das paredes de granito e espante-se, há lugares assim a apenas uma dúzia de quilómetros da cidade.

Até amanhã, num qualquer lugar deste concelho, com luz, verde e crianças, onde a alegria se possa conjugar em verbo...
25
Ago06

Chaves - Antigo Picadeiro

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Hoje um bocadinho mais tarde que o habitual, mas como diz o ditado – “mais vale tarde que nunca”

Os atentados à cidade e as recuperações de velhos edifícios já não são de hoje.

Enquanto no Jardim do Bacalhau o edifício de cavalaria era destruídos e demolidos o antigo picadeiro era recuperado para as novas instalações da PSP, onde ainda hoje se encontra instalada.

É um edifício marcante da cidade, não só por quem lá instalada, mas pelo próprio edifício, as suas dimensões, a sua localização e a robustez das suas paredes de granito em perpianho.

Embelezado pelo jardim que acompanha todo o edifício, torna-se num conjunto interessante e numa recuperação feliz.

Até amanhã, com mais uma aldeia do concelho.
24
Ago06

A poesia de Chaves

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Ao registar esta imagem veio-me à memória um poema de Alexandre O’Neill:


“Aceita as suas próprias mãos
Sobre os seus próprios joelhos.

Donde vieram elas até ali?
De que fundotempo se apuraram as ossudas?

Armas – da guerra por travar.
Instrumentos – do trabalho saqueado.
Signos – placidamente expostos.

As que foram blandiciosas ou rudes
Repousam, caligráficas, nas dobradiças
Dumas pernas tão alheias a ele, o velho,
Que o velho começa e acaba nessas mãos pousadas…”

In, A Saca de Orelhas, “Velhos/5”, Alexandre O’Neill

Esta é a minha imagem poética do post de hoje.

Quanto à imagem propriamente dita, foi tomada num fim de tarde quente de sábado, ali onde a Rua do Sal, a Travessa do Município e a própria Praça do Município se misturam, lugar estratégico para um merecido repouso à sombra, quando o calor o aconselha e não se quer perder pitada do ambiente da praça…

Quanto à senhora, que só conheço por “muda”, faz parte desse ambiente como a pedra faz parte das calçadas.

Até amanhã, noutro qualquer lugar da cidade.
23
Ago06

Chaves - Miradouro de S.Lourenço

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Desde que me lembro, tenho recordações e memória que o miradouro existe. O miradouro de Chaves ou de S.Lourenço (polémicas à parte), sempre foi o lugar privilegiado para se ver a cidade e a veiga no seu todo. Ainda hoje o é, claro que muito diferente de há 30 anos atrás em que o verde da veiga se impunha nas vistas e a cidade se resumia praticamente ao actual centro histórico e mais um bairro aqui ou ali. Em nome do desenfreado progresso, as más políticas não pouparam a veiga e esqueceram de aplicar uma palavra muito importante – planeamento.

Hoje já e tarde para emendar seja lá o que for, mas mesmo assim, a cidade e o que resta da veiga, vistas do miradouro, ainda merecem o nosso olhar, porque mesmo assim, a cidade vista lá de cima, continua interessante e bonita.

Já o mesmo não se pode dizer do miradouro em si. Se em tempos se acreditou que iria ser um ponto de atracção turística e até ter uma certa animação e vida, hoje não passa de um miradouro esquecido, maltratado e entregue a si próprio e, turisticamente falando, chega-se lá por mero acaso e diga-se de passagem, além das vistas, nada mais tem de atractivo, com muita pena minha e pela certa de muitos flavienses.

Até amanhã com outro olhar sobre a cidade.
22
Ago06

Chaves, a nova Biblioteca Municipal e o Mestre Nadir Afonso

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Quer queiramos ou não, a vida é feita de contrates. A bela e o mostro, por exemplo, é um dos contrates que nos povoavam o imaginário da infância. Depois, em adultos, todo o imaginário é perdido ou adulterado e às vezes, o monstro até se transforma no belo e o belo no monstro (infelizmente além dos contrates há sempre o reverso) … mas passemos o intróito e vamos directamente ao que realmente interessa e, o que interessa mesmo no post de hoje, é a recém inaugurada Biblioteca Municipal – a bela!

De facto o antigo edifício dos Bombeiros de baixo e o antigo posto da GNR deu lugar a uma moderna biblioteca, que basta visitar o seu interior para nos rendermos à recuperação do edifício. Melhor não podia ser, podia claro ser diferente, mas isso são outros assuntos, outras opiniões e outras discussões. Eu pessoalmente gosto da recuperação que foi feita. Recuperou-se todo o interior, deu-se-lhe um destino digno e manteve-se (quase na íntegra) toda a belíssima fachada exterior do edifício, incluindo a cor (ou quase) original do edifício. Quando as coisas terminam em bem, como costumo dizer, há que louvar todos os “empreiteiros” da obra, como no presente caso. Assim fosse tudo o que se recupera em Chaves (hoje prometo que não falar nas Freiras).

O “elogio” de hoje é duplo. Pois além da recuperação do edifício e instalação da biblioteca, elogio também a escolha do artista que foi escolhido para abrilhantar a sua inauguração, o Mestre Nadir Afonso, o Arquitecto-Pintor, ilustre filho da terra, que tão bom-nome tem dado a nossa cidade além de a projectar por esse mundo fora. Uma exposição digna de ser vista que estará patente ao público até ao fim deste mês. Se ainda não foi até lá, aproveite e delicie-se com a obra do mestre e, depois de estar lá dentro, veja o resto – as novas instalações da Biblioteca Municipal.

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