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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Depois das chuvas, o frio...

30.11.06 | Fer.Ribeiro
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Mesmo ao lado do actor principal o cenário está montado. Há dias um novo actor entrou em cena, um novo mas velho actor consagrado pelos anos – o Outono. Ontem foi a vez de outro actor entrar em cena, um actor bem conhecido dos flavienses, tão velho e consagrado como o Outono e que além da consagração, quando sobe ao palco chama a sí todo o protagonisto. É o nosso velho “amigo” e conhecido nevoeiro que com ele trás sempre por companhia o frio e o prenúncio do Inverno.

Sinceramente, depois de tanta chuva, já tinha saudades de um bom nevoeiro, de uma boa geada e de um bom frio, até as nossas carnes já estavam a ficar molengas com tanta ausência, mas pior que o molengar das carnes, é que sem umas boas geadas, nem o vinho limpa nem o reco vai à faca, principalmente quando sabemos como ambas as coisas são importantes para a travessia do Inverno.

Até amanhã. Vemo-nos por aí, se o nevoeiro deixar, claro!

Em Chaves os galos já não cantam...

29.11.06 | Fer.Ribeiro
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O Galo já há muito que não canta e já há muito que é indiferente a ventos e tempestades, venham elas de Norte de Sul ou de onde vierem. O peso dos anos enferrujou-lhe e silenciou-lhe o canto, o andar e nem sequer desnorteado anda, calou-se porque o tempo não gala, mas cala. Mantém a pose e é tudo, já não vale a pena estar alerta numa clarabóia que apenas ilumina silêncios, possivelmente os silêncios de umas escadas que já ninguém sobe…

Na cidade antiga que está a ficar velha, os galos e as clarabóias ainda vão estando por lá, mas apenas isso e só até ao dia em que um outro galo qualquer, cá de baixo, lhe dite a sua morte.

Chaves, uma carta enquanto espero...

28.11.06 | Fer.Ribeiro
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Enquanto espero escrevo-te uma carta., aquela carta que sempre te quis escrever com as palavras que sempre te quis dizer. Palavras de sonho, palavras de paixão, palavras que nunca se dizem e que as queremos dizer a todo o momento, porque são palavras íntimas, mais íntimas ainda que a nossa intimidade. Palavras puras que me saem do coração e que no entanto o invadem e o proíbem de as pronunciar. Quero-te dizer aquelas palavras que nunca te disse e que sempre as tive comigo para tas dizer. Palavras que na tua ausência dão liberdade à pena com que as escrevo e dão sentido à pena de nunca tas ter dito, palavras que enquanto espero por ti, aqui sozinho, sentado neste banco de madeira, me flúem espontaneamente como a água que nasce nas fontes ou como se estivesses sentada ao meu lado e tas estivesse a sussurrar ao ouvido a caminho de um beijo adivinhado e desejado…

O banco está lá, sempre, entregue à sua solidão. O marco do correio também, a convidar qualquer um à escrita de uma carta de amor e de saudade, mas já ninguém se senta, já ninguém escreve cartas de amor e no entanto o cenário está montado, à espera de alguém….

Chaves ainda tem momentos e pequenos pormenores românticos, basta descobri-los para serem vividos… por mim, às vezes, vou por aí fora e vivo estes pequenos momentos no meu imaginário e dou comigo a dizer: - como é bom viver aqui! Éh! Éh! Éh!

Desculpem, mas hoje deu-me para isto, para o momento de poesia que a imagem convida!

Até amanhã com mais poesia flaviense!

Chaves - Jardim Público mais uma vez...

27.11.06 | Fer.Ribeiro
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Todos os flavienses têm bons momentos ligados a este jardim.

Já várias vezes o disse neste blog que eu sou do lado de lá do rio, do lado da veiga do lado deste jardim. Por isso conheço-o desde que me lembro de existir e guardo no cantinho das boas memórias o parque infantil dos meus primeiros anos de vida (que existiu mesmo ao lado da casa do Dr. Castro), depois os passeios e traquinices adolescentes à volta do ringue, depois as verbenas com banda no coreto e conjunto no palco onde o Aquae Flaviae (entre outros) brilharam, depois alguns namoros, e nos últimos anos alguns passeios e brincadeiras com os meus filhos, embora lamentem a ausência de um parque infantil. Imagine-se que neste jardim assisti até (em finais de 60) a uma final de etapa da volta a Portugal em bicicleta em que Joaquim Agostinho depois de fazer toda a recta de Outeiro Jusão em primeiro lugar, perdeu a etapa por não ter “atinado” com a entrada do jardim (continuando em frente), enquanto grande número de ciclistas furavam na mesma entrada e continuavam a corrida com a bicicleta às costas até à meta – um caso de polícia, lembro-me, por a mesma não nos deixar fazer a curva humana para a entrada do jardim…… mas recordações, destas e doutras à parte, o que interessa mesmo é o Jardim Público, o mal-tratado ou melhor desprezado e esquecido jardim.

Mas mesmo esquecido e desprezado continua a ser um lugar interessante e a proporcionar bons momentos, nem que sejam (infelizmente) só e apenas fotográficos.

Mas vai entrar em obras e a respeito do assunto repito o que disse no meu post de 20 de Setembro – “O Jardim Público vai entrar em obras de revitalização ou requalificação, ou seja lá do que for. O que é certo é que vai entrar em obras, e só a palavra “obras” assusta. E sobre o assunto nada mais digo, (…) , só espero, sinceramente, vir a ser surpreendido pela positiva.

Se no projecto tiverem sido seguidas à risca o significado das palavras revitalização e requalificação, que trocadas em miúdos significam “dar nova vida a” e “qualificar de novo” ou “melhorar”, pela certa que vou gostar do…ia dizer novo, mas corrijo – pela certa que vou continuar a gostar do Jardim Público de sempre.”

Já agora que falo do jardim público, um pouco de policiamento ao local, também não lhe ficaria mal…

E para terminar um lamento que nada tem a ver com o post de hoje, um lamento de solidariedade para os flavienses que ontem marcaram encontro em Moscavide para ver o desportivo perder por 4 a 1. Resta-me o consolo de saber que a alma flaviense esteve bem representada na assistência com pelo menos três flavienses ausentes… para esquecer, nem há como uma visita à terrinha, que eu prometo os ossos do costume…

Até amanhã, em Chaves outonal, onde a chuva promete engrandecer ou pelo menos engrossar o Tâmega!

Chaves Rural - Oucidres

26.11.06 | Fer.Ribeiro
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E hoje vamos até ao nº 24 ou 42 de Oucidres, não sei bem, pois fiquei na dúvida.

Este 42 ou 24 é em Oucidres. Mais um daqueles pormenores das nossas aldeias, do banco à porta de casa onde se “apanha” o sol de Inverno ou a sombra de verão, mas mais do que isso, é um lugar de estar, de convívio, onde o dono(a) da casa faz o seu convívio do dia-a-dia, com os vizinhos, com os compadres, com os primos, com a sua gente… Eu diria mesmo que é o sofá da sua sala de estar, onde se têm muitas, saudáveis e longas conversas, ou às vezes só silêncio da merecida sombra ou sol…

Oucidres fica a 15 quilómetros de Chaves, é sede de freguesia, tem 236 habitantes residentes (censos 2001). Fazem parte da freguesia as aldeias de Vila Nova e Vilar de Izeu. A aldeia é tipicamente uma aldeia rural de montanha, com jovens emigrantes, pouca população residente e envelhecida que vai vivendo do que a terra dá, o costume, mas é também uma aldeia com vários pontos de interesse para além do conjunto tipificado pelas construções de granito à vista e madeira, como uma igreja, uma capela, um cruzeiro e uma casa de turismo de habitação rural.

E por hoje é tudo, na certeza de que Oucidres irá passar por aqui novamente, pois o que ficou por mostrar merece ser dado a conhecer.

Até amanhã de volta à cidade.

Chaves Rural

25.11.06 | Fer.Ribeiro
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Quando parto para uma aldeia à caça de fotografias, geralmente nunca vou com um itinerário ou um objectivo marcado. Gosto de chegar lá e ser surpreendido por isto ou por aquilo, por um pormenor, por uma conversa, por uma estória, por … qualquer coisa que me desperte a atenção.

Coisas, pormenores e estórias que não são tão inocentes ou insignificantes assim, são antes a alma e a identidade de um povo, de um povo que é real e que existe, que vive e vai vivendo longe das tecnologias de ponta e, que nem sequer sabe o que isso é, mas que vive com toda a sabedoria do mundo, daquela que o pai lhe ensinou, a mesma que o avô ensinou ao pai, e que às vezes até nem sabem ler e escrever (ainda) mas já há muito que sabem reciclar e reutilizar (porque sempre o fizeram) e que hoje vivem felizes, bem longe dos tempos difíceis, e que até já têm água canalizada, electricidade, televisão e frigorífico…

Até amanhã, por aí, algures atrás de uma montanha qualquer.

Chaves e a nova cidade do betão.

24.11.06 | Fer.Ribeiro
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Chaves e a nova cidade do betão. É assim o título do post de hoje e é assim também que inicio o texto de hoje e a razão é simples, ou melhor, não há qualquer razão, há antes uma realidade, a realidade do betão.

Este blog tem andado sempre (e continuará a andar) à volta do centro histórico de Chaves. A ponte romana, o castelo, as muralhas, os fortes militares, as igrejas, as praças, as ruas e ruelas dentro das antigas muralhas e, o que de fora se lhe aproximava. Tem andado à volta daquilo que é o nosso mais valioso património histórico e monumental, aquele património que além de flaviense é um património de todos, um património que, se devidamente cuidado e programado, poderia ser património da humanidade. Poderia, e disse muito bem, mas para isso haveria que haver o empenho de todos. O empenho dos políticos, dos comerciantes, dos intelectuais puros, dos intelectuais do Sport, de todas as forças vivas e actores desta cidade, em suma, de todos os flavienses naturais (presentes, residentes e ausentes com responsabilidades), principalmente dos flavienses, que se dizem e se sentem flavienses, quer sejam ou não naturais.

Só com um interesse mútuo é que os patrimónios são da humanidade. Pensar em nós pensando nos outros e, aí, o vice-versa até caía na perfeição – pensar nos outros a pensar em nós. Mas infelizmente as coisas (parece-me, ou melhor, tenho a certeza) têm sido só pensar em “nós”, no mais puro dos nós, os nós individual, o Eu & o Mim Ldª, ou Unipessoal Ldª.

Mas como ia dizendo e “utopias” à parte, este blog tem-se dedicado ao centro histórico de Chaves, às suas estórias e suas gentes, a um pouco que sabe da sua história e também à ruralidade do nosso concelho e, continuará assim. Mas (claro!) não podemos esquecer a realidade e, a realidade é a do betão, da expansão, do crescimento e, de tudo o que o crescimento traz agarrado a ele, que tal como na composição do betão - o cimento, os inertes e a água, se unem para fazer a força de um património, não da humanidade, mas financeiro, porque “eles” já há muito sabem (eles!) que não é o sonho que comanda a vida…

Entretanto hoje fica a imagem de onde a cidade do betão começa ou pelo menos deveria ter havido o bom senso de ter começado a nascer, não fossem os “pecados mortais” do consentimento de mamarrachos em pleno centro histórico e que o comprometeram para todo o sempre, e no entanto, tudo poderia ser perfeito, porque tudo tem o seu lugar, e em Chaves também (o poderia ter sido). Não apontem o dedo a ninguém, porque todos nós somos culpados. Claro que há uns mais culpados que outros, mas o silêncio, a indiferença, o deixa andar e o “isso-não-é-comigo”, também é uma forma de culpa…

Numa próxima reencarnação quero ser outra coisa qualquer e não esta de viver e sofrer uma cidade na qual nasci!

E por hoje tenho dito, o que vale é que amanhã vamos até ao nosso concelho rural, à descoberta, quem sabe, de mais uma aldeia.

Até amanhã.

à volta dos pormenores...

23.11.06 | Fer.Ribeiro
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Gosto de pormenores, pois gosto, às vezes até talvez exagere, mas quando o pormenor é de uma “Top Model”, não lhe resisto…

Até amanhã nesta cidade de pormenores e, a culpa não é minha!

Um poema, desde Chaves!

22.11.06 | Fer.Ribeiro
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Confesso que gosto de poesia, de boa poesia. Nem há com um desses momentos em que um poema se saboreia palavra a palavra, verso a verso, em que o poema nos invade… é assim como saborear um bom vinho, de uma colheita excelente ou uma reserva invulgar, ou como saborear um bom charuto cubano após um refastelado banquete ou ainda como a companhia de dois ou três amigos de sempre, que já há muitos anos não vemos.

Em Chaves também acontece dessa poesia. Poesia que é servida em pequenos momentos doirados e singulares, momentos que nos invadem e merecem ser saboreados e partilhados.

Partilho convosco o poema de hoje!

Até amanhã, com ou sem a poesia de um momento, mas pela certa em Chaves cidade.

O Rei, o Deus ... ou o Brunheiro!?

21.11.06 | Fer.Ribeiro
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A foto de ontem foi tomada de lá para cá. Hoje vemos aquilo que se vê de cá para lá.

Em primeiro plano temos os jardins do castelo. Em segundo plano está o Lombo, a TRASLAR, Nantes e um bocadinho de Vilar de Nantes. De fundo temos o Brunheiro, a Serra do Brunheiro com 919 metros de altura.

Se hoje tivesse de abandonar esta cidade e me permitissem levar comigo aquelas três coisas da praxe, eu não hesitaria em incluir numa das três a Serra do Brunheiro e pelas mais variadas razões. Nasci junto ao seu sopé, cresci olhando para a sua imponência, vivo onde ela começa a sua ascensão e serve-me de referência nesta vida de viver em Chaves. É o meu barómetro, pois é nela que leio o tempo diário, é mistério no meu imaginário, descanso nela a vista e está sempre presente nesta vivência no vale.

Aqui na blogosfera, nesta coisa de bloguear Chaves, vamos baptizando ou alcunhando as coisas. O beto (do blog do beto) acha que a ponte romana é a nossa Top Model e muito bem. Eu, por minha vez, aderi ao do Top Model da ponte mas também acho que o castelo (torre de menagem) é o nosso actor principal neste palco da cidade antiga e velha. Hoje gostaria de alcunhar o Brunheiro e, pela sua imponência (à nossa escala provinciana), vem-me à ideia o Rei ou o Deus Brunheiro, ou até ambos, não sei, estou indeciso, e até aceito sugestões, estas ou outras, para este Deus que reina todo o vale que está sempre a olhar por nós ou para nós, também não sei! Lanço-vos o desafio.

Até amanhã neste vale plantado e mirado pelo tal Brunheiro.

Chaves - Vista Panorâmica

20.11.06 | Fer.Ribeiro
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Hoje quero ser breve ao deixar-vos com esta imagem pois, os sentimentos em relação a ela são contraditórios.

Gosto da imagem porque vejo nela toda a cidade, todo o vale, as montanhas de barroso e até terras galegas – isto é Chaves e o seu vale.

Já o mesmo não digo em relação ao descorar da veiga com o verde a ficar tão debotado e esbranquiçado. Gostava mais do verde puro da minha infância…

Até amanhã!

Chaves rural - Limãos

19.11.06 | Fer.Ribeiro
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E hoje vamos até Limãos.

Limãos pertence à freguesia de S.Julião de Montenegro, fica a 15 quilómetros de Chaves e o acesso é feito a partir da E.N. 213 que liga Chaves a Valpaços. Curiosamente para lá chegar-mos temos que sair do concelho de Chaves, entrar no de Valpaços, passar pelo Barracão (Valpaços) e novamente entrar no concelho de Chaves.

Ao contrário das aldeias localizadas a poente de Chaves (cidade) que começam a assumir características de Barroso (Seara Velha, Castelões, Soutelinho), Limãos começa a assumir as características da Terra Quente que lhe fica mesmo ao lado. Mas características à parte, Limãos pertence ao concelho de Chaves e as suas gentes sentem orgulho nisso, e isso é o que interessa.

No restante, Limãos não foge à regra. Pouca população e envelhecida, e quando aqui no blog digo pouca população refiro-me a duas dezenas ou uma de pessoas e às vezes, até menos. Refiro-me a população residente, claro, pois no verão e às vezes no Natal, com as férias dos emigrantes, a população cresce ligeiramente e a aldeia ganha nova vida.

Quanto à aldeia em si, é uma aldeia pequena, tem capela e durante todo o ano mantém este verde que se vê na imagem.

Até amanhã de regresso a Chaves cidade.

Chaves Rural - Carvela

18.11.06 | Fer.Ribeiro
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Hoje é dia das aldeias e a sorte cabe a Carvela.

Carvela, pertence à freguesia de Nogueira da Montanha, fica a 12 quilómetros de Chaves. O acesso é feito a partir da EN 314 que liga Chaves a Carrazedo de Montenegro, no entanto poder-se-á fazer também pela E.N. 213 (Chaves- Valpaços), via Cela e Tresmundes, sendo o acesso a partir desta última aldeia feito por estradão em terra batida, mas geralmente em bom estado, permitindo o trânsito a veículos ligeiros.

Quanto às características da aldeia, é o costume das aldeias de montanha, pouca população residente e envelhecida que vai vivendo do pouco que a terra dá . Terra de emigrantes que religiosamente em Agosto dão alguma vida e alegria à aldeia. Terra fria também, de Invernos muito rigorosos, onde o gelo alterna com nevoeiros também frios, o que fazem da lareira um “regalo” obrigatório.

Dada a sua situação geográfica, mesmo no topo da Serra do Brunheiro, onde para um lado se inicia o planalto e para o outro o Brunheiro começa a sua descida até o vale de Chaves, é ponto de partida para vários desportos radicais, como o BTT, o downhill e o parapente.

Mas hoje quero trazer-vos aqui a arte de Carvela. Há cerca de 20 anos atrás fui lá com alguém (que já não recordo quem) à procura de um artesão que fazia miniaturas em madeira de carros de bois, arados, charruas e outras alfaias agrícolas. Depois de perguntar-mos o paradeiro do artesão, de porta em porta, lá chagámos à sua oficina, no rés-do-chão da sua casa, num compartimento com apenas uma porta, sem janelas e sem luz, e ele lá estava no meio da escuridão a talhar as suas peças. Inocentemente e ainda cá fora, perguntei ao nosso guia improvisado se o senhor trabalhava às escuras e, a resposta foi pronta – “trabalha às escuras, porque é cego”. Se até aí já admirava as peças do artesão, passei a admirá-las triplamente e muito mais. Pelas próprias peças, pela maneira fiel como eram reproduzidas e pelo próprio homem e artesão que dá pelo nome de Júlio Nascimento.

Pois hoje fica aqui a fotografia de uma das suas obras de arte, propriedade da Junta de Freguesia e só não fica a fotografia do artesão-artista porque na minha deslocação à aldeia para recolha fotográfica, o artista estava ausente, mas fica prometido para uma próxima oportunidade, a fotografia e mais um pouco da sua vida e obra, e não é por favor, é pela dignidade e arte da sua obra.

Carvela passará de certo por aqui de novo, não só pelo que atrás prometi, mas também pela própria aldeia e ainda por um outro artesão, este com a arte esculpir e dar vida às pedras ou melhor ao granito.

Até amanhã, numa outra aldeia.

Chaves e a imagem do novo "cabeça de giz"

17.11.06 | Fer.Ribeiro
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A minha filha de cima dos seus 7 anos de idade, quando viu esta imagem disse simplesmente – “estranha!” - e admito que sim. Não estamos habituados a ver a realidade das coisas ao espelho. Geralmente no espelho vemos aquilo que queremos ver e raramente vemos aquilo que o espelho reflecte. O espelho engana, engana-nos, engana-vos e, no entanto está tudo lá., distorcido, é certo, mas está tudo lá e não engana ninguém. Mas o importante mesmo é, que cada um vê o que quer ver e nesta imagem, eu, vejo uma maneira diferente de ver o Arrabalde e vejo também o substituto do antigo “cabeça de giz” que de cima do seu “palco” que fazia andar o trânsito e parar as pessoas a apreciar o seu malabarismo de mãos, ou de luvas brancas, acompanhadas da música de um apito… às vezes sabe bem recordar.

Até amanhã, numa aldeia do concelho de Chaves.

Chaves - Pormenor da Torre Sineira da Igreja de Stª Maria Maior - Matriz

16.11.06 | Fer.Ribeiro
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E hoje fica a imagem de mais um pormenor, neste caso da torre sineira da Igreja Matriz e da imagem de Cristo esculpida na mesma. Com a imagem do pormenor, talvez um pouco de história, para variar, não fique mal. Da documentação consultada sobre a Igreja Matriz, fico-me pelo que Pedro Verdelho publicou sobre a mesma. Em síntese, acho que está lá tudo que há de importante a dizer sobre a Matriz e passo a transcrever:

“Núcleo populacional importante, Chaves foi ao longo da história, também, um notável centro religioso. No fim do império romano aqui ficava a sede de um bispado cristão.
Foi seu bispo Idácio, o Límico, que se notabilizou por reduzir a escrito as suas impressões sobre o conturbado período histórico de então. No seu Chronicon, este romano, bispo de Chaves desde 427 d.C. e por mais de 40 anos relata as invasões suevas do noroeste peninsular. Foi feito prisioneiro por Frumário, rei bárbaro que arrasou a cidade flaviense. Apesar de ser libertado e voltar à sua igreja, que ficara muito danificada, não pôde evitar que o seu templo fosse demolido pelos visigodos. Depois da ocupação árabe, em 716, não mais houve diocese em Chaves, que se quedou como paróquia, rica em eminentes religiosos e letrados, que muito contribuíram para o engrandecimento da Igreja Católica e para o seu profícuo trabalho além-mar.

A grande herdeira deste passado é a IGREJA DE SANTA MARIA MAIOR, vulgarmente conhecida por Igreja Matriz. É possível que esteja construída no local onde existiu primeiro um templo romano e depois a igreja do bispo Idácio. Todavia, a primeira referência que há a ela é a das Inquirições Afonsinas de 1259. Terá sido reconstruída pouco antes dessa época, talvez no século XII, sobre os escombros dos templos anteriores. No contexto, seguiu os modelos do estilo românico. Dessa edificação existem ainda a torre sineira e o pórtico que lhe está na base, muito gracioso, com quatro colunelos e arquivoltas. No topo da torre está esculpida uma imagem tosca representando Cristo (o Cristo românico, em magestade, designado por Pantocrator). Nas costas da capela-mor, na parte posterior da igreja, na fachada de topo, reforçada por contrafortes, também do período românico, existe uma escultura em pedra, de Santa Maria. Já no século XVI, no tempo de D. João III, a igreja foi restaurada, seguindo-se agora os modelos renascentistas da época. Foram-lhe introduzidos os novos pórticos, em rigoroso estilo neoclássico, e foi-lhe alterada a capela-mor, cujo tecto foi feito em abóbada polinervada, como era gosto dominante. Duzentos anos mais tarde, no século XVIII, foram-lhe feitas janelas nas paredes laterais, onde foram também construídos altares. Foi ainda remodelada a capela do Santíssimo, à direita da capela-mor, que passou a estar encimada por uma lanterna.

Ainda actualmente o interior desta igreja tem três naves, separadas por robustas colunas graníticas cilíndricas, unidas, por sua vez, por arcos de volta inteira. Conserva o seu ambiente românico, escuro e recolhido. Para isso contribui também, além do demais, o tecto escuro, em madeira de castanho, à vista, que suporta o telhado. A fisionomia actual deste templo é o resultado de profundas obras de restauro, levadas a cabo em 1968.

Durante muito tempo, esta igreja de Santa Maria Maior foi a sede da única paróquia de Chaves. Assim era em 1386, altura em que, segundo as crónicas de Fernão Lopes, após conquistar a praça, o Mestre de Avis e o Condestável, aqui ouviram missa. (…)”

In “ Chaves – A Alma de Um Povo”, 1993, de Pedro Verdelho.

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