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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Vista Geral

29.03.07 | Fer.Ribeiro

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Acho que devo uma explicação pela ausência de textos nos posts. Fiquem descansados que não há boicote nem censura aos textos, trata-se apenas de uma pequena “maleita” mas chata, a que os médicos chamam tendinite, e que me irá obrigar a manter afastado de teclados, ratos e computadores durante uns dias. Só isso! Prometo no entanto vir por aqui às escondidas, quando a disposição o permitir, e só por uns minutinhos, publicar uma foto diária.

 

Quanto a fotos, até amanhã, quanto a textos, até um dia destes.

 

Chaves - Olhares do Tabolado

26.03.07 | Fer.Ribeiro

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Está a decorrer neste preciso momento um programa-concurso televisivo na RTP1 sobre os Grandes Portugueses. Ao longo de alguns meses tem-se vindo a discutir os grandes portugueses e de votação em votação chegou-se aos dez finalistas, dos quais hoje será votado apenas um.

 

Confesso que foi hoje a primeira vez que vi o programa e surpreendeu-me na lista dos dez mais, ver alguns nomes, uns pela positiva e outros pela negativa… mas não é por aí que quero ir... O que eu quero mesmo é acrescentar um nome à lista dos dez mais dos Grandes Portugueses, que é o do povo transmontano e de entre estes o povo do alto-tâmega e o povo flaviense, onde afinal começa Portugal

 

Mas como o nosso povo transmontano povo não está em votação, não votei nele, nas votei (pela primeira vez neste tipo de concursos) e ao ver a lista dos dez mais o coração ditou-me logo o voto em Fernando Pessoa, por isso votei D. Afonso Henriques. Por aqui já se pode ver que seja quem for o vencedor, estando o povo transmontano de fora, a eleição vale o que vale.

 

Claro que preciso de fazer uma declaração de voto e justificá-lo. Pois é assim: A foto de hoje convenceu-me, se não fosse o D.Afonso Henriques, estes senhores que ontem descansavam um final de tarde num banco do Tabolado, em vez de estarem a desfrutar de uma linda paisagem da madalena, do lado de lá do rio e bem flaviense, pela certa que estavam a olhar para paisagem, linda na mesma, mas espanhola.

 

Claro que como todos os políticos, não interessa sé é verdadeira ou não a minha declaração de voto, mas para a posteridade, será esta a que constará.

 

Haver vamos que é afinal o Grande Português.

 

 

No publica e não publica este post, saiu o vencedor – António de Oliveira Salazar.

 

Tal como o meu voto de Fernando Pessoa foi para D. Afonso Henriques, também o da maioria do eleitorado deste concurso, neste país democrático foi para Salazar.

 

Acho que este concurso e esta votação valem o que valem,  mas isto quererá dizer alguma coisa! E pela certa que irá correr muita tinta a respeito do assunto…

Há no entanto nesta votação de hoje um voto justo, o do 3º Grande Português - Aristides de Sousa Mendes.

 

Mas e para rematar, que fique bem presente que o meu Grande Português é o Povo Transmontano e o Povo Flaviense e viva o triste fado do ser portugues e o futebol e a vitória de ontem da nossa selecção.

 

Até amanhã em Chaves!

 

Chaves rural - Bustelo

25.03.07 | Fer.Ribeiro

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Ontem prometi que hoje ia ser breve e vou sê-lo, tal como breve foi ontem a visita de fim de tarde que fiz a Bustelo à procura de uma foto para hoje.

 

Na brevidade da visita deu para ver que Bustelo é aldeia a visitar novamente, com muito mais tempo para vos poder trazer aqui alguns pormenores e um pouco da sua história, onde pela certa abordarei a Fonte do cruzeiro a Capela do Senhor dos Aflitos e as suas gentes.

 

Fica a promessa de uma nova passagem por aqui.

 

Entretanto fica uma imagem, ao acaso, daquilo de bom que se vai fazendo por lá, a recuperação de antigas construções. Nota-se a proximidade de Chaves (6 km) e a aldeia rural que é também dormitório da cidade.

 

Até amanhã, de novo em Chaves cidade.

 

Chaves - Moreiras e Miguel Torga

24.03.07 | Fer.Ribeiro

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Quem tem acompanhado este blog sabe que o dedico à cidade, um pouco também às nossas aldeias e a todos os flavienses e amigos de Chaves, principalmente aos ausentes que são os que mais sentem o que é ser flaviense. Embora esta “responsabilidade” que eu próprio vesti, é também um blog pessoal onde às vezes me dou ao luxo de alguns devaneios, confidências e confissões pessoais.

 

Hoje confesso-me de novo por causa de um nome grande – Miguel Torga.

 

Confesso que embora amante de poesia nunca fui Torgómano que é como quem diz amante de Torga. Penso que comprei o primeiro livro seu aí pelos meus 16 ou 17 anos no mesmo dia em que sem saber me cruzei com ele na Rua de Stº António e alguém murmurou “ Olha o Miguel Torga!”.  Olhei para trás, para o homem,  com olhos de ver, que afinal poeta afamado não era todos os dias que se viam por Chaves, e tirei-lhe as “medidas”. Confesso que fiquei desiludido com a figura. Imaginava que um poeta tinha de usar óculos, vestir diferente e ter todos os ares de intelectualidade (mesmo sem saber o que isso fosse). Afinal era um homem simples, de aspecto rude e campesino, de vestimenta tão comum como a de qualquer normal transmontano e não usava óculos.

 

Mas se o homem tinha fama havia que comprar um livro dele. Confesso que a imagem que tenho do que li então,  caía perfeitamente na figura que tinha conhecido na rua. Uma poesia sem óculos, vestida de ruralidade e de ares intelectuais - nem vê-los. Tal como o homem, a sua escrita desiludiu-me.

 

Conheci mais tarde, um ou dois anos depois, um Torgómano à séria, o Fernão de Magalhães Gonçalves (prof. do Liceu, ainda eu aluno daquela casa), que lia e devorava Torga e até escrevia manifestos sobre o Poeta. Pela poesia viemo-nos a tornar amigos e não havia dia que passasse em que Torga não fosse (por ele) falado e admirado. Mesmo assim, eu continuava a não gostar da escrita de Torga. Infelizmente Fernão de Magalhães Gonçalves já há muito que nos abandonou, pois hoje iria gostar de ter com ele conversas sobre Torga.

 

Pois é, nunca ninguém diga que desta água não beberá.

 

Há coisa de 6 anos atrás, de tanto Torga se falar, resolvi comprar a sua obra completa e aos poucos comecei-o a ler,  decorridos que eram 20 anos sobre as primeiras leituras e 5 após a sua morte. De pé atrás quanto ao gosto, fui entrando nas suas palavras e, os dias iam-se sucedendo e ia lendo, não num acto contínuo, mas ia lendo,  e aos poucos comecei a dar-me conta que começava a ficar viciado na leitura das suas palavras, na simplicidade e grandeza das suas palavras, no requinte e afinadas que eram. Ainda hoje o vou lendo e relendo, sempre aos poucos e pela certa que o farei por toda a minha vida. Afinal Torga em palavras é um GD (GRANDE HOMEM) com maiúsculas claro.

 

Aprendi a lição de talvez não ter a idade certa quando o comecei a ler e de tão injusto que fui com ele e comigo próprio durante 20 anos.

 

Mas o GD não são só pelas palavras do Poeta Miguel Torga, pela certa que também o são pelo médico Adolfo Rocha (o seu verdadeiro nome) e pelo amor e fidelidade que tinha à cidade de Chaves, além da inspiração que por cá bebia. Basta conhecer um bocadinho da sua obra para saber como Chaves está reflectida ao longo da sua vida poética e pessoal, principalmente nos seus últimos diários, tanto assim que não me custa nada em afirmar que Torga era flaviense de alma e coração, mesmo que tivesse nascido em S. Martinho de Anta, lá para os lados de Vila Real.

 

Acho que a cidade de Chaves e as Termas de chaves lhe devem uma homenagem digna e justa e não falo em nomes de avenidas, ruas ou travessas, que essas já as tem, mas numa homenagem idêntica à homenagem que ele faz a Chaves, às suas aldeias e às suas gentes e que para sempre ficarão perpetuadas na sua obra.

 

Pela minha parte, a partir de hoje, de quando em vez, vou trazer por aqui um pouco de Torga e da escrita dedicada ou inspirada na nossa cidade e aldeias.

 

Hoje trago-vos mais uma vez Moreiras e um pouco da sua beleza, por uma chaminé e uma casa, beleza que Torga pela certa contemplou como qualquer estranho que chega àquela aldeia pela primeira vez e, se espanta com tanta beleza escondida na montanha e não só:

 

Moreiras, Chaves, 3 de Setembro de 1990

 

Uma ara pagã romana acolhida à preservadora protecção católica da desfigurada igreja matriz, que foi românica nos bons tempos, e um velho e decrépito casal de lavradores desdentados a secar previdentemente milho na varanda de um solar desmantelado, ainda ufano da monumental chaminé que o coroa a testemunhar a opulência da cozinha senhorial de outrora, deram-me o ensejo de recapitular a lição há muito decorada e às vezes lamentavelmente esquecida: que a perenidade da fé é indiferente à circunstância do sacrário, e o império da fome à natureza das bocas.

 

Miguel Torga, In Diário XVI, 1990.

 

E por hoje é tudo neste já longo post. Prometo ser mais breve nos próximos.

 

Até amanhã em mais uma aldeia.

 

Chaves e a Água - Recomenda-se

23.03.07 | Fer.Ribeiro

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Já sei que o dia mundial da água foi ontem, mas às vezes também ando distraído. Por coincidência ontem até falei da água, mas da quente das nossas caldas, que também é água, mas não é propriamente essa que ontem era importante. Ontem o importante era mesmo a água, a fria, da qual dependemos para viver.

 

Já sei que todos os dias há dias mundiais disto e daquilo, mas há coisas que são mais importantes que outras e a água, igual a esta que corre no nosso Tâmega, é importante e para manter a sua qualidade todos somos importantes. Da nossa parte até acho que não poderá haver grande queixa. Basta olhar para a imagem de hoje e ver que a água do nosso Tâmega ainda é limpa, límpida, transparente e embora haja alguns pormenores a montante, não muito relevantes e de fácil resolução, a água do nosso rio ainda é exemplar e até se recomenda, já a jusante desta imagem, as coisas começam a complicar-se, mas também não são graves. Estou convencido que no contexto geral, o Rio Tâmega em toda a sua extensão, desde a nascente até ao seu desaguar no Douro ainda é um rio a sério, com água doce daquela cuja falta começa a preocupar quem tem ainda pelo menos um bocadinho de senso, coisa que políticos de altas estâncias nacionais e mundiais, pela certa em aspectos ambientais não têm.

 

Mas atenção que a respeito do nosso Tâmega nem sempre é assim. Na maior parte do ano, as águas recomendam-se, mas nos dias quentes de verão, naqueles de verdadeiro inferno, estas águas deixam de ser transparentes e incolores e assumem a cor de um verde doente, ao qual somos alheios (ou talvez não) mas que incomoda. Dizem ser algas e microrganismos, dizem, mas que fica com mau aspecto, fica.

 

Vão-nos valendo os 9 meses de Inverno, que mesmo assim ainda vão compensando os três de inferno, principalmente em Invernos mais chuvosos.

 

Pois embora atrasado aqui fica o meu contributo para a água, da boa, daquela com que o Tâmega em Chaves ainda nos vai brindado. Esta (a água que se vê na foto) sem dúvida que é mais uma das maravilhas flavienses. Há que cuidá-la e isso cabe-nos a todos, e já nem é para nós, mas para os nossos filhos e principalmente para os nossos netos.

 

Chaves - Termas

22.03.07 | Fer.Ribeiro

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Parte 1 – intróito

 

E agora que a vela já desapareceu e já dormimos mais descansados,  é tempo de digerir bem as digestões difíceis dos últimos dias e nem há como ir até à fonte, a das digestões difíceis ou aproveitar para fazer uns tratamentos relaxantes nas nossas caldas, que agora até já são SPA e do Imperador ao qual devemos a nossa Aquae Flaviae e o orgulho do nosso nome de flavienses.

 

Parte 2 – A Caldas e Termas de Chaves - Só para quem não sabe

 

Claro que não haverá por aí flaviense que não conheça as nossas águas termais, mas para quem não as conhece, o que vou dizer, não é publicidade, é mesmo realidade.

 

Pois trata-se de águas Hipertermais que brotam das nascentes a 73ºC que faz delas as águas bicarbonatadas sódicas mais quentes da Europa. Há que pense que são águas de origem vulcânica, mas a sua temperatura deve-se ao atravessamento de várias camadas magmáticas sucessivas.

 

Se por um lado já são mais que conhecidas por na sua buvete pública e de recolha livre serem a solução para as mais variadas digestões difíceis, principalmente após os jantares daquelas “dietas rigorosas” que por cá se usam, nos balneários são tratadas das mais variadas maleitas.

 

Por serem quentes são indicadas para o tratamento de doenças reumatismais e músculo-esqueléticas. Por serem Bicarbonatadas Sódicas são especialistas em tratamento do aparelho digestivo (além das digestões difíceis). Por serem, também, Carbo-Gasosas, são aconselhadas para tratamento das vias respiratórias. Por serem Sílicas são recomendadas para tratamento de pele.

 

Se são indicadas para tanta maleita, meios de tratamento ainda há mais, numa lista de tratamentos que parece não acabar, aí ficam alguns:Banhos sub-aquáticos, Banhos de Vichy, Hidromassagem, Duches de jacto, Bertholet, Sauna, Inalações, Aerossóis, Mecanoterapia, Electroterapia e crenoterapia, claro que todos eles sujeitos a prescrição médica.

 

Se quer saber mais sobre as termas, aqui fica o Link  da sua página oficial. Se quer saber ainda mais, no Blog Chaves antiga (link aqui ), no arquivo de Fevereiro (dia 10), ficou por lá um pouco da sua história do século passado.

 

Última parte – Um apontamento pessoal

 

Claro que como flavienses sentimo-nos orgulhosos pela nossa top Model (Ponte Romana), pelo Castelo, Pelas muralhas, pelos fortes e por outras maravilhas flavienses, entre as quais também estão as nossas águas quentes das caldas. Estamos orgulhosos dos seus balneários e dos tratamentos que por lá se fazem, mas agora que até são anunciadas como SPA do imperador, porque não fazer como os nossos amigos Galegos e abrir as caldas também a quem não sofre de maleitas, a quem o quer fazer só por prazer ou simples relaxamento e diversão, sem a actual e necessária consulta médica, claro que sujeitos a algumas regras e limitados em tempo (dias) e nem sequer é preciso inventar, basta copiar o modelo dos nossos amigos Galegos. É a minha opinião.

 

Até amanhã, de novo em Chaves

 

Chaves com Urgências

21.03.07 | Fer.Ribeiro

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Embora a vela continue na foto, a chama apagou-se, é que nem todos os dias há más notícias.

 

Ao que consegui apurar, de fonte mais que bem informada, as urgências do hospital de Chaves são para manter e sem qualquer contrapartida, ou seja, vamos continuar com urgências médico-cirúrgicas no nosso hospital.

 

Um bem-haja a todo o povo Flaviense e ao povo do Alto-Tâmega por toda a união e a sua luta, afinal unidos fazemos chegar a nossa voz até Lisboa e, fazemos valer os nossos direitos.

 

Com urgências, continua a ser bom viver em Chaves!

 

Até amanhã, em Chaves e sem velas!

 

Então e que tal as Freiras vistas lá de cima!?

20.03.07 | Fer.Ribeiro

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Então e que tal as Freiras vistas lá de cima!?


Vitela Assada no Espeto
Posta à Transmontana

Ingredientes:
Para 5 a 6 pessoas

·         1 kg de lombinho de vitela, de preferência barrosã (coelho)

·         150 g de presunto de Chaves

·         sal grosso

·         2 colheres de sopa de azeite de Valpaços

·         1/2 cebola de Stº Estevão

Confecção:

Corta-se o presunto em tiras grossas e ladrilha-se (lardeia-se) com elas a carne.
Em seguida, esfrega-se o lombo de vitela com sal grosso e deixa-se ficar um bocado «a tomar de sal».


Na altura de assar a vitela, limpa-se o sal com a mão, enfia-se a carne no espeto e leva-se a assar no lume de brasas (na falta de lareira assa-se no espeto de fogão a gás ou eléctrico).


A carne deverá ser virada constantemente.


Logo que a carne esteja assada, retira-se do calor, para evitar que seque, e introduz-se imediatamente numa panela.


Rega-se com o azeite e espalha-se por cima cebola cortada em rodelas finíssimas.
Abafa-se.


Na altura de servir, corta-se em fatias, que se dispõem numa travessa.


Ao partir, a vitela deverá largar muito suco, com o qual é regada.


Sobre as fatias de carne espalham-se as rodelas de cebola crua que lhe transmitem um sabor muito especial.

*Na falta do lombinho (coelho), este prato cozinha-se com chã ou rabada.

 

Deve servir-se quente e acompanhado de um bom tinto, bem encorpado da região de Valpaços ou Murça, também pode ser do Douro, do Dão ou Alentejano, desde que seja bom.

 

 

Posso não perceber nada de arquitectura, mas sei do que gosto numa boa mesa.

 

A vela continua acesa!

 

Até amanhã, em Chaves!

 

Maravilhas de Chaves com a "coisa na mão"

19.03.07 | Fer.Ribeiro

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“Eu gosto muito da minha terra natal, mesmo muito, aliás se não gostasse assim tanto, não lhe dedicaria um blogue como este” – Era assim que o Beto, do blog do Beto, iniciava o seu post de ontem. Claro que assino por baixo as palavras do companheiro de viagem, nesta arte de bloguear Chaves por amor e de nos doer na alma os males que fazem à nossa cidade ou – Quo Vadis Aquae Flaviae – como diz o Beto. Embora o Beto seja um flaviense ausente e eu um flaviense presente, vamos convergindo no amor a nossa cidade, tal como na amizade, mas quem está ausente vive mais intensamente a terra natal e guarda no compartimento das boas memórias o melhor que Chaves tinha na altura em que eram flavienses presentes e, por isso, custa-lhes mais e sentem mais intensamente a cidade antiga que está a ficar velha e a cair aos pedaços. Nós os que cá vivemos, de irmos acompanhando em idade a idade da cidade, muitas vezes não nos vamos apercebendo do envelhecimento das coisas, é assim como quando nos vemos ao espelho e ignoramos rugas, carecas ou cabelos brancos e continuamos a ver reflectido no espelho o jovem de há vinte ou trinta anos atrás. Um bem haja para o Beto e para o seu blog por ir descobrindo os podres da nossa cidade aos quais os residentes por tão habituados que estão não lhe ligam, fazem vista grossa, só vêem o que querem ver ou que estão cegos pela paixão…

 

Mas acompanhando esta coisa dos blogues e o que se vai dizendo nos comentários, há ainda outras preocupações, que os flavienses ausentes quando nos visitam sentem. Vamos então paras os WC’s do nosso amigo Tupamaro, que certamente (suponho) em visita à cidade procurou um W.C. público e não encontrou, ou se encontrou, estava fechado. Os de cá, que temos “casinha” em casa, nos empregos ou nos serviços, não vamos notando muito “essas” ausências, mas quem nos visita, principalmente aos fins-de-semana, se tiver um “aperto” pela certa que está metido em “alhadas”, pois WC’s públicos, são coisa em desuso na cidade e os poucos que há, um está fechado para obras e o outros fecham aos fins de semana. Mas o mais caricato da questão é que há poucos dias entrou em vigor um Regulamento Municipal em que todo aquele que seja apanhado fora de “uma casinha” com a “coisa na mão” a fazer as “necessidades” paga multa.

 

Ainda bem que vou frequentado esta coisas dos blogues e comentários dos ausentes para ir sabendo o que se passa cá na terrinha, é que eu de tanto viver a cidade diariamente e de conhecer os truques para ir contornando as questões, ando perdido e apaixonado pelas nossas maravilhas, como a da imagem de hoje, que até deu para ignorar o cheiro do urinol (com direito a multa) que fazem da guarita da muralha, mesmo por trás da toma desta foto.

 

Mas a imagem de hoje compensa (suponho) todos os males que ficam escondidos. É uma maravilha de Chaves, é o nosso actor principal, imagem que dedico à dedicação por Chaves dos companheiros de viagem Beto e Tupamaro.

 

Quanto às urgências do Hospital de Chaves, mantenho a velinha acesa e já que hoje mencionei o Beto, que a velinha sirva também para o Desportivo de Chaves, que está mais condenado que as urgências do Hospital.

 

Até amanhã, em Chaves com certeza!

 

Chaves Rural - Rebordondo

18.03.07 | Fer.Ribeiro

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Confesso que andar por aqui todos os dias não é tarefa fácil. Às vezes faltam-me as horas, às vezes faltam-me as palavras para a imagem, outras, faltam-me as imagens para as palavras, às vezes ambas as coisas. Há dias assim, são os tais dias nim, em que nem sim nem sopas. Hoje estou num desses dias, nim. Tenho a imagem mas faltam-me as palavras… ainda bem que uma imagem vale mais que mil palavras e depois ainda está válido o "contrato" que tenho convosco de vir aqui todos os dias.

 

Então e sem mais demoras para não começar para aqui a dizer disparates, deixo-vos com a imagem. É de Rebordondo onde, talvez, a melodia e harmonia das casas inspira a harmonia e melodias dos músicos desta aldeia.

 

Até amanhã em Chaves cidade.

 

Vilar de Nantes e a velha Escola

17.03.07 | Fer.Ribeiro

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E hoje como é sábado vamos até mais uma freguesia - Vilar de Nantes.

 

A freguesia de Vilar de Nantes estende-se desde a veiga de Chaves até ao Brunheiro. Dada a sua proximidade da cidade, hoje em dia é mais uma freguesia urbana e dormitório do que propriamente rural. Segundo o censos de 2001 e com a divisão da freguesia de Outeiro Seco, Vilar de Nantes é a 2ª freguesia com mais população de Chaves, só sendo ultrapassada pela freguesia de Stª Maria Maior.

 

Fazem parte da freguesia as aldeias de Vilar,  Nantes e Vale de Zirma, mas só teoricamente, pois hoje a freguesia é um todo, um aglomerado de construções não se percebendo a separação entre lugares e aldeias, tanto mais que nos últimos 20 anos apareceram novos núcleos populacionais dentro da freguesia como a TRASLAR, o Lombo, o Bairro do Cruzeiro, o Bairro de S.José e o alargamento do Cascalho, além do crescimento natural de Nantes e Vilar que uniu também as duas aldeias.

 

Em termos de agricultura,  equipamentos, industria, hotelaria, artesanato e diversões é também uma das freguesias mais completas em diversidade no concelho de Chaves. Começando pela agricultura ainda praticada na veiga com e sem regadio, às riquezas naturais e florestais do Brunheiro passando para equipamentos como um Lar de Terceira Idade, uma Cooperativa de Habitação, ao aeródromo municipal, a instalações desportivas como o Campo de Futebol, os polivalentes de Nantes e Traslar, à pista de Karting, Aeroclube, à indústria do barro com as suas telheiras, aos afamados restaurantes e turismo rural e terminando no artesanato, na cestaria e nas peças de louça de barro preto de Vilar, mais que conhecido e também afamado.

 

Mas ainda haveria muito mais a dizer sobre a freguesia, como (segundo o censos de 2001) ser a freguesia onde há mais quadros médios, superiores e licenciados residentes a ser também a terra dos antepassados de Luís de Camões, para não falar de algumas preciosidades ou maravilhas da arquitectura, como a Quinta do Hospício, o Solar das Carvalhais, a Igreja Matriz de Vilar de Nantes/Igreja do Divino Salvador, a Capela do Espírito Santo e a antiga Escola Primária de Vilar.

 

É esta última que hoje ilustra o post e sobre a qual deixo mais alguns dados.

 

É sem dúvida um dos edifícios escolares mais bonitos do concelho e talvez só ultrapassado em beleza pela escola de Faiões e, é também talvez o edifício escolar mais desprezado, abandonado e maltratado que conheço no concelho e é pena.

 

Aqui ficam alguns dados históricos sobre a escola:

 

Em 1880 a junta Paroquial de Vilar de Nantes faz uma representação a sua majestade o rei D.Carlos I, a pedir a criação de uma Escola do Ensino Primário para o sexo masculino. Em 1926 é apresentado o projecto tipo XXV, nº46, de autoria de Eugénio Correia. Na década de 1930 inicia-se a construção da Escola, integralmente financiada pelo benemérito José Gomes, natural da freguesia e que fizera fortuna no Brasil, acção mecenática que lhe é reconhecida pela Câmara Municipal em acta de 11 de Outubro de 1935 e posteriormente pelo povo em 19 de Março de 1955 com a colocação de uma placa em mármore na torre da escola onde está inscrito “ Homenagem do Povo de Vilar ao seu Benemérito Conterrâneo José Gomes / 19-3-1955”.

Torre sineira, que possui também um belíssimo relógio que tem a inscrição de Miguel Marques/Albergaria-a-Velha. Em 1978 é construída ao lado desta, uma nova escola com mais três salas e que viria a ditar o fecho desta. A título de curiosidade o orçamento para a construção da escola (antiga) rondou os 19.000$00.

 

Recentemente, ainda não concluído, a autarquia construiu encostado a esta escola um anexo destinado a museu de louça preta. Embora a ideia da construção deste museu seja feliz, já não o é tanto a sua localização e entretanto a velha escola continua abandonada e degradada. Esperemos-lhes melhores dias!

 

Até amanhã, em mais uma freguesia.

 

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