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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Nov07

O lamento das Sextas - A las malas lengoas estas figas

 

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          LEGENDA
 
          1 – A LAS MALAS LENGOAS ESTAS FIGAS
          2 – Caretas
          3 – Imagem de Santa Maria Maior a padroeira de Chaves
          4 – Um pouco de luz
          5 – Pedra da região
 
O lamento de hoje era para ser outro, mas calhou este, e também calha bem.
 
Então o lamento de hoje vai para as más-línguas de Chaves.
 
Chaves, por muito que se esforce, é provinciana e não passa de uma aldeia cheia de aldeãos. Uma aldeia grande, é certo, mas que comunga todo o ser das aldeias mais profundas da montanha. Toda a gente conhece toda a gente, é uma terra de comadres e compadres, vizinhos do lado, de cima ou de baixo, de primos carnais ou afastados e, também tem os seus senhores, os seus doutores, o padre, o presidente, os pobres e netos dos nobres…
 
Claro que como aldeia que é (grande é certo) tem as suas virtudes, muitas até. Tem ainda uma boa qualidade de vida em termos de pacatez, ou stress, vive-se a calma dos dias, tanto que uma bicha de três carros, já é uma grande bicha…mas não é de bichas que quero hoje falar. Hoje quero mesmo é falar da nossa aldeia mental e também da nossa aldeia física, provinciana, entalada entre o mais profundo de Trás-os-Montes e o mais profundo a Galiza, que é a mesma coisa.
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Só um meio lamento antes ainda de chegar ao segundo lamento - Porque é que com tanta festa que se inventa por aí não se inventa  e dedica uma em homenagem à Padroeira de Chaves, a nossa Santa Maria Maior!?
Pois o lamento de hoje é feito de dois lamentos, o primeiro, o lamento das más línguas e o segundo, o lamento de como a nossa qualidade de vida nos sai tão cara.
 
Quanto à má língua, já todos sabemos que se por desgraça caímos nas bocas do povo, estamos desgraçados, podemos ir directamente prá cama, sem passar mesmo pela fama. A cidade é feita de um certo landainismo (com todo o respeito a quem dá o nome ao termo), mas se o landainismo puro, era mesmo puro, o que hoje se pratica já não é assim. É landainismo, de mal dizer, este sim puro, mas que disfarça interesses, ou pior que isso, invejas, ou seja, reflecte a pobreza da nossa aldeia, quer a pobreza intelectual,  quer a pobreza, ela mesma pobreza. Não admira que tantos filhos desta terra partam por esse Portugal fora, e por esse mundo adentro, à procura de alguma civilização. Claro que como em tudo há algumas excepções, que como sempre (infelizmente) são poucas.
 
Quem por cá vive, já sabe daquilo que esta aldeia gasta, e embora a esquina do Lopes já tivesse sido desactivada, ainda são conhecidos os locais de “tertúlias” de mal dizer. Esquinas de quiosques, frentes de cafés ou santas casas da praça maior, de tudo serve para quem gosta e vive do diz-que-diz. Lamentamos, é certo, mas só caí no “landainismo” quem quer, pois sempre há o opção de partir ou, se ficar, de virar a esquisito, indisposto, antipático ou então, a responder indiferente (com um sorriso nos lábios) aos cumprimentos e vénia, ignorando o adivinhado que fica entre linhas, que é como quem diz, entre dentes.
 
Mais uma vez recorro aos nossos antepassados flavienses e que deixaram para todo o sempre o registos de: “AS LAS MALAS LENGOAS ESTAS FIGAS”, já então, ao que parece, Chaves sofria dos males da má-língua. Pois, com ou sem figas, estou em acreditar que as nossas novas gerações, os nossos filhos, são temperados com outra tempera, desde que a vida os deixe viver as suas vidas!
 
Para as más línguas também eu deixo as minhas figas, mesmo que não acredite no gesto.
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Imagem de Stª Maria Maior, Padroeira de Chaves
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Então estou chegado ao segundo lamento e este, é um lamento de interioridade e de provincianismo político, económico e real.
 
Já entrei noite dentro, madrugada, o termómetro exterior já entrou nos graus negativos. Vivemos em Trás-os-Montes, temos frio e um pouco de calor, sai caro, Vivemos distantes do mar, do cinema, do teatro, da cultura. Não temos universidades para formar os nossos filhos, nem hospital para tratar as nossas maleitas mais graves e os horizontes deste vale, mesmo para sonhadores, limitam-se a ficar entalados entre as montanhas e até o sonho, só é possível sonhando-o….mas somos iguais ao resto deste nosso Portugal. Pagamos os mesmos impostos, recebemos os mesmos (ou até menores) vencimentos, temos menos oferta e mais despesas. Despesas para aquecer o frio, despesas para formar os nossos filhos, despesas para termos saúde e até despesas para, com sanidade física e mental, sobrevivermos no vale. Com tanta despesa, somos pobres. Temos deveres iguais ao Portugal dos grandes centros e do litoral, mas não os mesmos direitos, deste Portugal que se quer  e diz democrático, mas que é diferente.
 
Eis o meu segundo lamento, que vai direitinho para a nossa diferença, que não nos é reconhecida e também para os que daqui partiram e têm responsabilidades na vida deste país, que é desigual.
 
E para terminar ainda há um terceiro lamento, o lamento de uma opção pessoal mas que é colectiva: Hoje estou em greve e lamento-o, não só por estar em greve, mas lamento mais ainda pelos colegas que estão solidários, mas que os custos da interioridade não lhes permite os luxos da despesa de uma greve. Estou em greve pelo simples facto de não ser desculpa para as más governações da nossa geração rasca de políticos e tal como o Queirós, também eu não nasci rico nem tenho cunhas e por isso, sou trabalhador, que admite ter grandes políticos que não são grande coisa… mas aqui (valendo-me mais uma vez das bocas futebolísticas) nós somos burros e, a culpa também é nossa.  
 
E hoje não me lamento mais, embora amanhã vá até uma aldeia, que sofre dos mesmos males em relação à cidade, que nós vivemos em relação a Portugal, ou seja, duplamente “culpados”. Afinal havia outro lamento.
 
Até amanhã, por aí, numa das nossas aldeias.
 
 
29
Nov07

Praça de Camões, Chaves, Portugal

 

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Se ontem andei pelos traiçoeiros telhados da cidade, hoje desço à terra, pés bem assentes no chão e, faço uma descida em grande até a nossa praça principal.
 
Esta é a nossa praça maior, a principal, a do poeta de Portugal, do duque, das monarquias, repúblicas, do poder, ou dos poderes e onde os passos se vão repetidamente repetindo à espera de qualquer coisinha, coisa pouca, pode ser, desde que a coisa, seja qualquer coisinha.
 
Uma praça onde no dia-a-dia, vive os dias como eles são. Nos dias de sol tem sombras, nos dias de chuva molha-se, nos de nevoeiro fica húmida e um pouco embaciada e, à noite, fica escura. Alegre, só quando há festa… e os actores!? Uff! São muitos! Quase todos sem papeis principais, apenas e simples figurantes, pois uns apenas têm o papel de passar, outros de parar por breves instantes em cumprimentos ocasionais ou conversa breve, outros apenas fazem número, mas todos vivem a, e à volta da praça, da praça grande e do poder, mas quem manda mesmo, é o Sr. Duque, que de espada bem levantada, domina todos os olhares.
 
É uma praça bonita, sem qualquer dúvida, mas também cruel. Nos dias quentes de verão, é um inferno e, nos dias frios de Inverno, mirra as pessoas, murcha-as, “engrunha-as” e torna pesados os passos à espera de um pouco de sol e às vezes, um bocadinho pouco, chegava, mas o que incomoda mesmo é quando a praça fica cinzenta e sem cor.
 
Ouvi dizer nas notícias da televisão galega (que felizmente para nós nunca tem notícias desagradáveis e por isso gosto tanto dela) que anda por lá um vírus que tem andado a atacar as gentes das suas cidade. Um vírus a sério do tempo do frio (não é dos informáticos) que cria maleitas nas pessoas e tudo… Parece que também já começou a atacar em Chaves, principalmente as pessoas de mais idade. Os sintomas são vómitos, diarreias, e dores de cabeça, nos mais idosos, nos mais jovens, embora ainda não esteja provado, parece causar outros distúrbios. O mau da notícia, é que o vírus é muito incómodo, o bom, é que apenas produz maleitas por dois ou três dias.
 
E penso que vou terminar, senão, como calhou hoje em conversa com o companheiro de viagens do blog cancelas, ainda acabo por entrar em casa, abrir a porta do frigorífico e chegar à conclusão que chove em Lisboa. Mas como tal não me consta, termino mesmo, com um até amanhã, em dia de lamentos.
 
Até amanhã!
28
Nov07

Pelas Ruas e Praças dos Gatos - Chaves - Portugal

 

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Às vezes farto-me de andar cá por baixo e até, de aturar certas baixezas dos baixos e, eis, que dou comigo subido aos telhados, às ruas e praças dos gatos, mas também por aqui as coisas não vão lá muito bem.
 
Está na moda o haver ou não química entre as pessoas, eu diria antes que é tudo uma questão de física e dos mestres da física que também se aplica aos telhados, pois também por lá, nada se perdeu e nada se criou, mas os gatos transformaram-se em pombas (desesperadas também), e o físico da física está transformado em ruínas ou quase ruínas de vidas não menos ruinosas dos que habitam as praças e ruas do chão.
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Se calhar nem a química nem a física são para aqui chamadas, mas antes a filosofia de um início de semana na cidade, entre gentes e humanos, uns mais que outros (humanos), é certo, mas humanos, porque ainda vou acreditando neles, e se às vezes se tornam traiçoeiros habitantes de telhados em ruínas, é porque alguma coisa vai mal no sistema, e aqui, acho eu, que já entramos nas matemáticas ou nos números das estatísticas, mas aqui então, penso ser já do campo da Geografia que estamos a falar. O melhor mesmo é parar por aqui, senão ainda entro por campos que não quero e que dominam e reduzem os habitantes do chão a desesperados habitantes dos telhados, onde se reflectem todas as politicas rasteiras dos que mandam nas ruas do chão. “Prontos” já disse e, valha-nos ao menos Deus, e isto, já é Teologia.
 
Até amanhã, prometo que mais “descomplicado”!
 
Até amanhã então, em Chaves, cidade com química e todo esse desencadear de reacções (químicas ou não)!
27
Nov07

Olhares sobre a cidade de OURIGO - Carlos Gonçalves

Foto de Carlos Gonçalves

 

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Como hoje é Terça-Feira já sabem que o olhar sobre Chaves não é meu, mas sim um olhar diferente de um convidado não flaviense.
 
O nosso convidado de hoje descobri-o no Flickr e dá pelo nick de OURIGO1955, mas tem nome e chama-se Carlos Gonçalves. Quanto à sua naturalidade, é barrosão de Montalegre e os seus olhares sobre a cidade, são olhares quentes, vindos da terra do frio.
 
E sobre o Carlos Gonçalves ou o OURIGO vale a pena uma vista de olhos pela sua galeria de fotos no flickr para a qual deixo aqui o devido link: http://www.flickr.com/photos/ourigo1955/
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Foto de OURIGO / Carlos Gonçalves
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Também tem blog na NET, sobre terras de Montalegre e Barroso, que ele próprio admite não lhe ter dado a devida importância, o que é pena, pelo menos lamento-o (pela minha parte) que também sou amante das terras barrosas, com costela e tudo e, além disso, amante do Deus Larouco e das suas primeiras neves que eu e a rapaziada cá da casa nunca perdemos. Fica também o link para o seu blog e talvez assim anime os seus autores a dar-lhe a continuidade que a terras de Montalegre também merecem:  www.mtr.com.sapo.pt
 
E por hoje é tudo. Ficam dois olhares de Carlos Gonçalves e a promessa de que amanhã cá estarei de novo na cidade de Chaves.
 
Até amanhã!
26
Nov07

Chaves, Largo do Postigo e muralhas medievais, Portugal

 

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Já uma vez referi aqui em tom de brincadeira que em Chaves havia muralhas com janelas. Pois hoje vou mais longe e digo-vos que em Chaves há muralhas com janelas, varandas, quartos, salas e até retretes, ou seja, temos muralhas com casas lá dentro. É o caso da foto de hoje em que as construções em segundo plano estão todas construídas dentro ou em cima das antigas muralhas medievais.
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Hoje vamos a um bocadinho de história, da possível, oferecida por um leigo na matéria (eu), que no período escolar sempre a detestou e que nos últimos anos tem andado por aí à procura da historia de Chaves e, diga-se, que para leigo a tarefa não é assim tão fácil.
Se hoje abordo este tema é precisamente pela maneira complicada como os historiadores apresentam a história e não a oferecem ao povo “descomplicada”, para toda a gente entender.
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Desde que iniciei este blog senti-me na obrigação de oferecer também um bocadinho da história da cidade e, diga-se também, que nas bibliotecas não falta matéria sobre o assunto, mas cada vez que se aborda um flaviense não historiador sobre a história da cidade, está a léguas de distância da nossa realidade passada.
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A maioria das pessoas conhecem as nossas muralhas (restos existentes) e as nossas fortificações de S.Neutel e S.Francisco, mas quando se fala em muralhas medievais e seiscentistas, aí já a porca torce o rabo, pois muralhas são muralhas e são todas iguais, são muralhas e “prontos”, mas às vezes até a tiram pela pinta, pois, as medievais deverão ser da idade média e as seiscentistas talvez dos anos 600, ou 1600 ou século XI ou então XVI… sem dúvida alguma se entrarmos pelos conhecimentos da história que os flavienses Têm sobre a história da cidade, dava pela certa para mais um capítulo da “História de Portugal em Disparates”.
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Como disse no início, também eu sou um leigo nestas matérias da história e pela certa que também contribuiria com alguns disparates, mas tenho tentado informar-me e já sei quais são as muralhas medievais e as seiscentistas e para quem quer ficar a saber qual é qual há um truque simples para as distinguir – as seiscentistas são inclinadas e as medievais não. Claro que o melhor mesmo é ter acesso a uma carta antiga da cidade onde venham projectadas as duas muralhas. No blog Chaves Antiga já deixamos por lá imagens destas.
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Mas vamos a datas e à descodificação da história complicada, começando pelas muralhas medievais e pelo antigo castelo medieval. Atenção que a partir de aqui, já não sou eu a falar, mas antes a informação dispersa ou compilada que encontrarei por aí e que transcrevo, acreditando claro, em que a escreveu.
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“O castelo medieval”
“À época da Reconquista cristã da península Ibérica, Chaves foi inicialmente tomada aos mouros por Afonso III de Leão (866-910), que teria determinado uma reconstrução de suas defesas. Esta primitiva edificação do castelo é atribuída ao conde Odoário, no século IX. No primeiro quartel do século X, entretanto, Chaves voltou a cair no domínio mouro.
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Afonso VI de Leão e Castela incluiu a povoação de Chaves no dote da princesa Teresa de Leão e Castela, quando a casou com o conde D. Henrique de Borgonha (1093), passando a integrar os domínios do Condado Portucalense. A tradição local refere, entretanto, que, por volta de 1160, os irmãos Rui e Garcia Lopes, cavaleiros de D. Afonso Henriques, conquistaram Chaves para a Coroa portuguesa.
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Por volta de 1221, Afonso IX de Leão e Castela, visando assegurar para a sua esposa, D. Teresa, infanta de Portugal, a posse dos castelos que o pai dela, Sancho I de Portugal (1185-1211) lhe legara em testamento, e que o irmão, Afonso II de Portugal lhe reivindicava, invadiu Portugal, conquistando Chaves. O domínio de Chaves só seria devolvido a Portugal entre o final de 1230 e o início de 1231, em virtude de negociações tratadas na vila do Sabugal (então leonesa), entre Sancho II de Portugal e Fernando III de Leão e Castela.
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Embora tradicionalmente se afirme que Chaves foi o local das núpcias de Afonso III de Portugal (1248-1279) com a infanta D. Beatriz, filha ilegítima de Afonso X de Castela, na realidade o soberano dirigiu-se a Santo Estevão de Chaves (1253). Foi este soberano quem, determinando a reconstrução de suas defesas, outorgou o primeiro foral a Chaves, em 1258, com direitos idênticos aos de Zamora, no reino de Leão. Data desta época, assim, o início da reconstrução do castelo com a erecção da torre de menagem.
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O seu sucessor, Dinis de Portugal (1279-1325), deu prosseguimento às obras, concluindo a torre de menagem e a cerca da vila. Afonso IV de Portugal (1279-1325), por sua vez, confirmou o foral à vila (1350).”
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Agora sou eu de novo a falar. Como se pode observar pelo texto que transcrevi, um dos muitos que andam por aí, as muralhas medievais são do ano de…bem…, talvez tivessem… ou melhor, facilmente se pode concluir que as muralhas medievais, são mesmo medievais e da época medieval.
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Quanto às muralhas Seiscentistas e, embora o nome possa induzir em erro, as coisas já são bem mais fáceis e mais recentes. Pois tratam-se de muralhas da Restauração, da mesma que se vai comemorar no próximo Sábado e que resumidamente são muralhas que foram edificadas por todo o nosso Portugal entre 1640 e 1668 para proteger o povo (português) do inimigo castelhano, ou seja, daqueles a quem hoje chamamos espanhóis. Quanto às nossas, reza a história que foram construídas a partir das medievais entre o ano de 1658 e 1662 (embora me pareça muito pouco tempo, pois actualmente para se reconstruir um só baluarte, demorou-se muito mais tempo…pormenores de um leigo).
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Quanto à Restauração, nisto já não somos leigos, pois todos sabemos que é dia feriado em Portugal e até é evocado em canção com os vivas do Rui Veloso … “e viva o Stº António, Viva o S.João, Viva o 10 de Junho e a Restauração…”
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A quem me aturou até aqui, um muito obrigado e desculpem lá a seca, com a promessa de que amanhã cá estarei de novo e se possível, mais breve em palavras.
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Até amanhã em Chaves!
25
Nov07

São Lourenço - Chaves - Portugal

 

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Hoje vamos mais uma vez até São Lourenço, aqui bem pertinho da cidade e de onde ela melhor se avista. Mas não são as vistas de Chaves que hoje interessam, hoje são mesmo as vistas e alguns pormenores de São Lourenço que por aqui deixo.
 
São Lourenço pertence à freguesia das Eiras, fica a 10 quilómetros de Chaves e desenvolve-se ao longo da Estrada Nacional 213 (Chaves-Valpaços) num dos contrafortes da Serra do Brunheiro entre colinas e outeiros. Mas tem um pequeno núcleo que se desenvolve à volta da capela, um núcleo com todas as características das nossas aldeias tradicionais e de montanha e onde geralmente gosto de poisar o meu olhar.
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Mas hoje até é diferente, além da vista geral da aldeia, temos também alguns dos pormenores desse núcleo, presunto e até um avião, que não voa, mas encanta com todos os seus pormenores.
 
Claro que São Lourenço já é bem conhecida de muitos flavienses amantes das merendas com bom presunto, do pão centeio, das azeitonas, da cebola e um bom vinho. Para quem é amante destas dietas, São Lourenço é um destino obrigatório e quer o presunto seja de Chaves ou não, é do bom.
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Mas a aldeia de São Lourenço está também ligada à história milenar pois está situada junto de um povoado pré-histórico, numa plataforma que se espraia até ao Penedo do Califa. Diz ainda a documentação existente sobre a aldeia, que noutro, denominado Penacova, existiu uma vasta caverna formada de penedias, que possuía bancos de pedra, pias e outros objectos graníticos, numa superfície pavimentada com mais de cinquenta metros quadrados. Por esta povoação também passava a via romana, que se dirigia até Pinetran e da qual ainda existem alguns troços, como o que é visível a partir do Miradouro de S.Lourenço e, a nascente da aldeia, ainda existe uma ponte romana com um arco.
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São Lourenço é a povoação mais importante da freguesia, possui campos férteis e muita água e embora os campos ainda se vão cultivando, alguma das suas gentes estão, naturalmente, mais virados para a cidade e segundo a história, Chaves bem lhes pode estar agradecida, pois sempre que Chaves foi palco de acontecimentos históricos, S. Lourenço desempenhou um papel relevante, dada a sua posição estratégico militar.
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A capela é de devoção a Santiago e possui um característico campanário galaico-transmontano. Pequenos mas grandes pormenores que pedem mais uma visita a São Lourenço e mais um registo fotográfico e um post futuro, pelo menos com estes ricos pormenores que a história lhes deixou.
E amanhã cá estarei de novo, de volta à nobre cidade de Chaves pelo Tâmega beijada.
Até amanhã!
 
24
Nov07

Carvela, Chaves, Portugal

 

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Hoje como o dia é dedicado às aldeias, vamos mais uma vez até Carvela, freguesia de Nogueira da Montanha, Chaves, Portugal, quase profundo ou profundo mesmo, mas lá no alto, bem o alto da serra do Brunheiro.
 
Sobre as aldeias, tudo que se diga, não é demais, mas Carvela já é aqui repetente e hoje quero privilegiar a imagem que, diga-se desde já, é de arquivo.
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O frio, o verão, as gentes de Carvela, os seus artistas e pormenores. Claro que por muito que traga aqui, nunca conseguirei trazer a aldeia de Carvela no seu todo, mas pode ajudar um pouco.
 
Carvela é terra de montanha pura, bem lá no alto, já no planalto do Brunheiro, ou seja, as terras mais altas do Brunheiro e ingratas, principalmente os Invernos, frios e secos às vezes ,mas também húmidos, frios e debaixo de nevoeiro intenso, daqueles que entram nas entranhas do corpo. Por seu lado, os verões são quentes e luminosos. Tudo isto é Carvela. Carvela aldeia que tem gente, simpática por sinal e que sabe receber.
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Da última vez que Carvela passou por aqui, deixei um pequeno texto e uma senhora a lavar no tanque público. Desta vez, e para o cenário ficar completo, deixo aqui um homem de Carvela, sorridente e a caminho do campo, fez o jeito para a fotografia, mas também era homem de conversa e quis o destino, curioso destino, que do registo humano que fiz de Carvela fotografasse marido e mulher, em locais distintos e nas distintas tarefas da aldeia.
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Também referi da última vez que Carvela é terra de artistas-artesãos. Da madeira talhadas e esculpidas na escuridão total, não só dos dias, mas também do seu autor, que embora cego, ensina o melhor vidente na arte de bem talhar a madeira. Curiosamente, encontramos também outro artista, este da pedra, que com material bem mais rude e difícil que a madeira, consegue também uma arte mais tosca, com menos pormenores, mas que é arte, uma arte de tempos livres à qual dedica o tempo em que deveria descansar.
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Também nas aldeias a realidade de cada um é uma realidade diferente da do vizinho. Todos iguais na sua rusticidade, que comungam os mesmos frios e ares, mas diferentes na, também arte, de viver a vida.
 
Situada a 874 metros de altitude, Carvela é por excelência zona de pastos e carvalheiras e também batata da boa, e deveria ser por aí que a sua maior importância haveria de se fazer sentir, mas é terra de montanha que é sinónimo de abandono de gentes mais novas e como as outras, é aldeia envelhecida e é pena, pois possui um importante casario tradicional que dadas as circunstâncias também está maioritariamente abandonado. Não é aldeia de grandes casas senhoriais, mas antes do mais tradicional que temos. Na entrada da aldeia encontra-se se a capela de Pardelhas, de razoáveis dimensões, dedicada à devoção da Senhora da Natividade. Está envolvida por um amplo adro, com um coreto, onde se realiza a festa da aldeia em 8 de Setembro, festa esta realizada em conjunto com a aldeia de Maços. Nesse perímetro, dizem os entendidos, que foram encontrados restos de cerâmicas romanas, testemunhos bem evidentes de que terá sido povoada, pelo menos, desde a povoação romana das nossas terras.
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Mas beleza mesmo é subir ao topo do Brunheiro e espraiar as vistas pelo vale de Chaves, por terras da Galiza e pelo Barroso, com o Deus Larouco a espreitar lá ao fundo e a mostrar um pouco da sua imponência, que nos dias mais frios de Inverno se vê sempre vestido de branco.
E sobre Carvela por hoje é tudo, mas sinto que vai ter mais visitas minhas, pois ainda há muitos e precisos pormenores para registar em fotografia. É uma daquelas aldeias que encanta quem gosta de fotografar o que de mais típico há nas nossas aldeias.
 
Até amanhã, por aí, numa outra aldeia de Chaves!
 
23
Nov07

O lamento das Sextas

 

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E como hoje é Sexta-Feira, é dia de lamentos.
 
Ontem tive que me deslocar com um familiar ao Hospital de Vila Real. Consulta marcada para as 9 horas mas o papel dizia para se estar lá uma hora antes, 8 horas portanto. Claro que nas nossas vidas actuais cada vez nos deitamos mais tarde, e acordar cedo, é uma autêntica tortura, mas o que tem de ser, tem de ser, e lá vamos acordando, mas indispostos, é claro! Como não gosto de falar quando estou indisposto, pelo caminho, fui pensando na vida e no Hospital. Afinal tanto lutamos pelo nosso Hospital para nada ou quase nada. É claro que lá vamos mantendo as urgências (desde que não sejam para casos graves) e mais umas valências (desde que não sejam para casos graves – está repetido, eu sei) e ficamos com o edifício (um belo edifício por sinal) e a Custódia para as limpezas. Para uma consulta de especialidade (mais complicada) ou os tais casos mais graves, lá temos que ir até Vila Real! …enfim, a bem ou a mal as politicas de concentração lá se vão aplicando, e fico por aqui, que isto é caso para outro lamento, pois só lamento mesmo é ter de ir até Vila Real, não pela vila em si, que até está crescida e tem muitos mamarrachos, agora até tem mais mamarrachos que Chaves. Para quem gosta de mamarrachos e atabalhoamento, Vila Real é uma boa vila para se viver. Não tiveram um desportivo na 1ª divisão, mas têm uma universidade que serviu de pretexto para a mesma estupidez, construir mamarrachos e crescer sem qualquer planeamento. Mas também não é disto que quero falar, pois em nome do progresso já estou habituado a estas asneiras e de Vila Real a única coisa que me incomoda mesmo é trocarem os oitentas e noventas, por oitântas e novântas, mas até tem a sua graça e dá-lhes um certo ar provinciano e parolo que lhes fica bem. Estou a reinar, é claro!
 
Mas nem há como regressar à terrinha, olhar para as placas da estrada e ver Chaves estampado nelas. Até se respira fundo.
 
Mas vamos ao lamento de hoje.
 
A auto-estrada baralhou por completo as entradas da cidade. Se antigamente as entradas principais e mais nobres da cidade eram feitas (a coincidir) conforme a categoria das estradas,  Estrada Nacional 2 para receber Portugal e que nos anos 60 pasmavam ao entrarem num túnel de 2 quilómetros de amoreiras e outras árvores (quem se lembra, sabe que era uma entrada nobre), logo seguida da estrada nacional 103 para receber gentes vindas de Braga , Bragança e Espanha, a seguir a Nacional 212 para receber gentes de Valpaços, depois a E.N 314 para receber gentes de Carrazedo de Montenegro e finalmente uma estrada municipal, estreita e acidentada para receber os barrosões de Montalegre (não admira que eles sempre estivessem mais voltados para Braga, pois Chaves neste aspecto de comunicações sempre olhou para eles como o parente ou vizinho mais pobre).
 
Pois hoje com auto-estrada tudo continua na mesma, ou seja, a nobreza das entradas mantém-se como sempre e até se beneficiou a entrada da E.N. 2, que polémicas à parte, foi beneficiada e,  estou finalmente chegado ao lamento de hoje. Com tantas entradas mais ou menos nobres na cidade, o nó da auto-estrada logo havia de nos cair na entrada mais foleira que temos. É uma realidade e como flaviense sinto-me envergonhado com a actual entrada principal da cidade. Não haverá por aí alguém bom em cunhas para pedirem a mudança da placa de entrada de Chaves para Vidago ou pelo menos para Curalha, e assim sempre se ia apreciando a paisagem.
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Mas diz o ditado que mais vale uma imagem do que mil palavras e nem há como dar largas à nossa imaginação e assim sempre que saio da auto-estrada pela entrada de Chaves, tento imaginar nos pequenos pormenores obras de arte e miniaturas do Mário Valpaços, transformando charcos (por exemplo) na barragem de Curalha. Fica a explicação das fotos.
 
O que vale é que amanhã este blog descansa as urbanidade numa das nossas aldeias, esquecidas em nome das políticas das concentrações e do progresso, mas que ainda vão sendo algo de bom e genuíno, com gente também boa e genuína que o concelho tem para oferecer.
 
É nisto que dá o ter de acordar cedo para ir a Vila Real.
 
Até amanhã!
 
 
22
Nov07

Entardecer na Lapa - Chaves - Portugal

 

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E eis como da Madalena damos um pulo para um entardecer em Stª Maria Maior, que é como quem diz a cidade urbana, mas pouco, porque ainda é uma cidade pequena e, é assim, pequena, que eu gosto dela. Aliás penso mesmo que os nossos males passam por nunca nos termos contentado em ser aquilo que somos ou seja,  uma cidade pequena da província. Mas atenção que com isto não quero dizer que Chaves não seja uma cidade interessante, antes pelo contrário, ainda é uma cidade interessante onde ainda é bom viver (esquecendo alguns lamentos) e, se não tivesse sido a mania das grandezas, a cidade de Chaves poderia ser bem mais pequena, mas bem mais rica e interessante.
 
Esta cidade existe há mais de 2000 anos e desde, pelo menos, a chegada dos romanos a estas terras que Chaves tem sido uma referência, e que me conste, não foi grandeza que os romanos viram em Chaves, no entanto, foi em Chaves que deixaram autênticas obras de arte, e estou em crer que essas obras de arte vão muito além da nossa Top Model (Ponte) e que descansa (infelizmente) a 4 ou 5 metros debaixo dos nossos pés. Mas afinal que é que os romanos encontraram em Chaves!? Estou em crer que encontraram um rio de águas puras e cristalinas, uma veiga fértil, encontraram águas quentes e termais e um ponto geograficamente estratégico, quer como encontro de vários caminhos, um ponto de passagem e de descanso. Posteriormente, também geograficamente, Chaves ganhou importância militar, e a prova está no castelo do qual ainda sobra a torre de menagem, mas muralhas medievais, nas muralhas seiscentistas e fortes de S.Francisco e S.Neutel e até nos aquartelamentos militares mais recentes que sempre tiveram em Chaves um poiso importante e que ainda hoje se mantém com um Regimento de Infantaria, onde ultimamente se preparam militares para representar Portugal em nobres missões de manutenção da paz.
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É claro que os tempos mudam, mas tudo que tínhamos há 2000 anos atrás, ainda o temos, aliás a única coisa que verdadeiramente perdemos foi a importância estratégica militar, mas, curiosamente, foi uma das que se soube adaptar aos tempos actuais.
 
Também é bem claro que não precisávamos de uma cidade tão grande (mesmo que ainda pequena) e com tantos mamarrachos, mas para isso era preciso ter havido a visão política de manter as aldeias atractivas, dando-lhes as condições necessárias, rendimentos e modos de vida necessários para não as abandonarem. Como!?, não o sei, pois não sou especialista na matéria, mas, presumivelmente, vamos depositando o nosso voto regularmente em quem supostamente deveria saber e preocupar-se com os nossos destinos, para isso é que lá têm as suas regalias e os seus vencimentos chorudos. Lamentos dos quais não me consigo desprender, mas isso, os lamentos, ficou estipulado passarem por aqui às sextas-feiras (enquanto me puder lamentar), mas hoje é quinta-feira e não quero por aqui lamentos.
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Hoje quero mesmo é um entardecer na cidade. Três olhares diferentes tomados do mesmo local. O Histórico e religioso, a poluição das comunicações e das televisões que não só poluem o convívio das famílias como poluem os olhares sobre os telhados (mas que ao entardecer dão sempre belas fotos) e por último o casario centenário a assistir à despedida de mais um dia.
 
Até amanhã, dia de lamentos sobre a cidade.
21
Nov07

Madalena, Chaves, Portugal

 

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Já sabem de  vez em quando regresso às origens, por isso hoje poiso olhares sobre a madalena, sobre pequenos pormenores e muitas recordações de infância. O marco do correio que recebeu muitas “cartinhas de Lâminas” sem remetente nem destinatário e que por telepatia de inocência de crianças lá chegaria ao destino pensado. Não há nada que se compare ao imaginário de uma criança e temos pena de adultos, ver como ficam esquecidos marcos da história e das estórias contadas nas cartas e como já nem sequer respeito há por estes símbolos, mais um bocadinho e desaparecia. Ficou anão, mas está lá a marcar presença, mesmo que não dêem por ele e já não cumpra a sua nobre missão de recolher para dar notícias ao mundo, pois hoje é mais mail’s e sms’s, tudo tecnologia de ponta, mas sem o gosto de abrir uma carta e de sentir a textura do papel ou o cheiro da tinta. Temos saudades, claro que temos!
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Sabe bem andar pelos velhos caminhos dominicais, pois por aqui era só mesmo aos Domingos, na hora da missa, vestidinho de roupinha domingueira, pois de resto era veiga, quando a veiga ainda era veiga, mas como por encanto, ainda aparecem imagens do passado, as velhas bicicletas e os sacos de couves, que estes, pela origem, ainda são certificados e vão fazer a delícia de uma mesa qualquer.
 
Hoje ficam as imagens actuais de um passado vivido intensamente no lado rural da cidade e, lá se vai recordando uma ou outra passagem que a memória ainda retem da infância, do tempo dos sonhos.
Até amanhã, em Chaves cidade.

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