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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Jan08

Em Chaves, há poesia feita de momentos...

 

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Este blog acontece um pouco como um poema, em que a espontaneidade do surgir das palavras vão ditando os momentos e as imagens da alma do momento. Claro que o momento, é feito de muitos momentos de todo um dia que ditam o estado de espírito com que chegamos até aqui.
 
A minha vida é feita de todos esses pequenos momentos que me ditam o presente e meditam no passado. O futuro, esse, fica para mais logo ou amanhã.
 
Momentos e pormenores que os fazem. Na realidade a vida, as nossas, não passam de um momento no tempo feito de alguns pormenores. Os pormenores de uma e, numa pessoa, que faz com que lhe concedamos a nossa amizade, os pormenores de uma mulher que se ama ou aprecia, os pormenores de um sabor, os pormenores de um aroma… e porque é de Chaves que este blogue trata, temos também os pormenores de uma cidade, que nos dão aqueles momentos que nos faz gostar dela, ou não.
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A nossa cidade de Chaves está cheia desses pormenores que fazem a diferença. Pequenos pormenores que são verdadeiros momentos de pura poesia (pura), principalmente os pormenores da nossa cidade antiga ou dos nossos antigos bairros tradicionais ou aldeias. São esses pormenores, e as gentes que habitam esses pormenores,  que fazem muitos dos momentos dos meus passos, dos meus momentos e onde os meus olhares gostam de se fixar e repousar.
 
Pormenores como os que hoje vos deixo em imagem, tomados em pleno centro da cidade, fazem aqueles momentos singulares que me dizem o porquê de Chaves ser a minha cidade, ou a nossa, se comungarem dos meus sentimentos.
 
Até amanhã, com outros discursos sobre a cidade, de Chaves, claro!
30
Jan08

Bairro do Caneiro - Chaves - Portugal

 

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Já sabem de que vez em quando faço um regresso às origens, ao lado de lá do rio, à veiga. No caso de hoje o regresso é até ao Bairro do Caneiro, por onde passaram muitos dos meus passos a caminho da escola primária do Professor Lareno.
 
Era no tempo em que o caminho da escola primária nos era mostrado no primeiro dia, na companhia do pai ou da mãe, e todos os restantes dias e anos eram por nossa conta e risco. Claro que estas contas e riscos eram bem medidos, pois sair fora da linha previamente traçada, dava direito às devidas repreensões e castigos caseiros, além de termos de privar de perto com uma menina redondinha de madeira, com cinco buraquinhos, guardada na gaveta do professor. Nunca cheguei a entender para que eram os cinco buraquinhos, mas que doíam, lá isso doíam. Privei de perto algumas vezes com ela…
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A minha linha ia desde a Casa Azul até à Escola e diga-se que nunca saí dela. Tomava às vezes caminhos alternativos, mas dentro do permitido. Um deles, passava por chegado à casa do Dr. Castro, virar pelo caminho em direcção ao rigueiro do Caneiro para levar a curta companhia de alguns colegas até à escola, principalmente a do meu parceiro de carteira, o Zé Borges, inventor e mais tarde músico, o qual já há muito tempo não vejo por estas paragens. No tempo ainda não existia o actual pontão, e atravessávamos o rigueiro por umas poldras mal amanhadas que mais não eram que pedras soltas que se mostrava acima da linha de água. De verão era mais fácil, mas de Inverno, com as chuvas, às vezes era mesmo impossível.
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Pois há poucos dias, a caminho de casa (mantenho a fidelidade de viver do lado de lá do rio) fui de súbito invadido pelas recordações de infância dos anos 60, e fiz uma breve passagem pelo miolo do Caneiro, inclusive até atravessei o rigueiro.
 
Excluindo duas ou três casas novas, tudo continua lá como nos meus tempos de infância. As pessoas já são outras, pois não reconheci ninguém e não são assim tantas, as hortas também, embora não sejam cultivadas e a maioria das casas também ainda existem, mas metades estão abandonadas e em ruínas.
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Ao entrar no bairro do Caneiro, fez-me lembrar os bairros antigos da cidade, em que cada bairro era como uma aldeia dentro da cidade. Os putos brincavam na rua e havia sempre muitos para brincar e o mais curioso é que, tirando o peão o espeto ou os cromos da bola para os rapazes e os elásticos para as raparigas, não havia brinquedos, e se os havia, eram fabricados e imaginados por nos.  Mas com ou sem brinquedos, éramos felizes na nossa rua.
 
O Caneiro, talvez seja dos velhos bairros da cidade, aquele que ainda mantém alguma identidade do bairro antigo, com pessoas e a passarada na Rua, estendal à porta de casa e só faltam mesmo os putos a brincar na rua. Todos os outros velhos bairros que viviam à volta do “centro social, recreativo e cooperativo” na altura conhecido por tabernas, deram lugar a edifícios ou a novas moradias protegidas por altas sebes e muros.
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Perdeu-se o espírito de bairro dos velhos bairros como o meu bairro da Casa Azul, o do Campo da Fonte, o do Stº Amaro, o de S,Roque, dos Codeçais, do Campo da Roda e embora ainda existam algumas das velhas casas, estão desabitadas, em ruínas e sem putos na Rua.
 
O Caneiro é quase uma excepção, pelo menos no seu miolo, não fosse estar entalado entre duas bombas de gasolina, os 4 grandes edifícios de betão, a grande superfície comercial as hortas desertas, e o Caneiro mantinha a sua originalidade dos anos 60.
 
Claro que a evolução, dada a sua proximidade da cidade, seria mesmo a do aparecimento de novas construções e só não cresceu mais porque estamos a falar de um bairro da veiga, mas mesmo assim, às vezes ainda fico surpreendido como é que o Caneiro ainda mantém as suas velhas casas.
 
Claro que falta a imagem das antigas hortas bem tratadas, povoadas de verde, o caminho das poldras e as próprias poldras (do Tâmega) já há muitos anos que não são atravessadas como era habitual, mas ainda se vai mantendo um pequeno espírito de bairro, nem que seja e só no decorar do pontão com lampiões e vasos que se enchem de vida nas primaveras. Tudo o resto, as hortas, as velhas casas em ruínas e o rigueiro entre o pontão e o Tâmega, são a cidade triste dotada ao abandono, esquecida por todos e sem ninguém que as cuide. Dá uma maravilhosa imagem para quem entra na cidade pela ponte Nova.
 
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Um abraço para os sobreviventes do velho bairro do Caneiro do qual guardo muitas e boas recordações nas minhas passagens para a escola do Professor Lareno. Um abraço também para todos os antigos putos da nossa escola dos anos 60 e de repente veio-me à memória também o saudoso e belíssimo parque infantil do Jardim Público com guarda à porta, as avelãs do rigueiro a língua grossa com que ficávamos quando desviávamos os diospiros das Freiras e o respeito que metiam os Agentes Andrade e Ribeiro (mais um gordito que não recordo o nome) Polícias de Viação montados nas suas “brutas” motos.
 
Às vezes gosto de fazer estes regressos às origens e esquecer as crispações da cidade, das gentes da cidade e dos moços de recados actuais. Faz-nos bem regressar a pureza das recordações de infância.
 
Até amanhã, de novo na cidade.
29
Jan08

O Olhar de Martinetnoir23/JF sobre a cidade

Foto de Martinetnoir/JF

 

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Acabamos de chegar a mais uma Terça-Feira em que as imagens que passam por aqui não são de minha autoria, mas de alguém que passou por Chaves e levou o registo fotográfico da nossa cidade.
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Foto de Martinetnoir23/JF
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São fotografias que descubro na Internet, geralmente no flickr e de cujo autor só conheço o nick, às vezes o nome e a cidade de origem ou nacionalidade. Mas é sempre de alguém que concerteza passou por Chaves, como turista, em visita ou de simples passagem e leva um registo fotográfico daquilo que visitou e apreciou, suponho.
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Foto de Martinetnoir23/JF
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São sempre fotos curiosas (para mim flaviense) pois gosto sempre de saber o que é que quem nos visita leva registado em imagem e também o que lhes despertou a atenção e o interesse para o click fotográfico e, diga-se, que muitas fotos e boas são levadas por quem nos visita.
 
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Foto de martinetnoir23/JF
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Pois sobre o meu convidado de hoje, como quase sempre, apenas sei o que está disponível sobre ele no Flickr.
 
O seu nick é  martinetnoir23/JF e de nome apenas as iniciais JF e regista-se como sendo de Guéret, France e pelo que deixou na sua galeria de fotos, parece-me ser um turista de visita a Portugal, que visitou as principais cidades portuguesas, entre elas, a cidade de Chaves.
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E aqui fica a prova, mais uma vez, de que é o nosso Centro Histórico o que desperta a atenção de quem nos visita. Descobertas, concerteza, feitas por conta própria, mas que são sempre interessantes descobertas que tão bem nos representam.
 
E só resta mesmo agradecer a martinetnoir23 / JF de Guéret, France, estas belas imagens.
 
Da minha parte, até amanhã, em Chaves.
28
Jan08

Segunda-Feira em Chaves...

 

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E já estamos de novo em Segunda-Feira, o dia em que regresso à cidade, um dia complicado que até dói.
 
E porquê custam tanto as Segundas-Feiras?
 
Por várias razões. Pelo regresso à cidade, é a primeira razão e no entanto regressar à cidade é sempre bom. Talvez o que mais incomoda neste regresso, é a rotina dos dias, os horários e os mesmos lamentos de sempre. Lamentamos a nossa condição de cidade interior de província, lamentamos ser deixados de lado, lamentamos que nos roubem, lamentamos que nada façam por nós, lamentamos os políticos que temos, lamentam-se os negócios que não vendem, lamenta-se a chuva que não chove, lamenta-se o frio que é demais, lamentamos ter de ir meter gasolina a Espanha, lamentamos não ganhar como eles, lamentamos os resultados do futebol, lamentamos não ter onde estacionar o carro de borla, lamentamos a falta de dinheiro, lamentamos o dinheiro mal gasto … enfim, principalmente durante as manhãs, vamos pondo a conversa em dia com lamentos e por nada de novo acontecer, a não ser fechar mais um serviço público ou ser aberto um grande negócio e ainda bem que abrem grandes negócios cá na terrinha, pois ao que parece é o único divertimento que vamos tendo nos fins-de-semana, senão a cidade (centro) quase se tornava numa cidade fantasma.
 
Mas nem há como uma boa mesa à moda cá da terrinha e um bom copinho de tinto (só um ou dois, pois os rapazes da BT estão sempre atentos) para que os ânimos da rapaziada levante um bocado e assim, a parte da tarde das Segundas já é menos lamechas e até se contam umas anedotas na zona dos fumadores, enquanto se “esgana” mais um cigarro ou alguém (geralmente político ou tachista) que mereça ir à forca.
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Claro que o meu mundo é pequenino e provinciano, mesquinho até, mas mesmo assim, em Chaves, para além da boa mesa, da boa pinga, da história da cidade, do nosso centro histórico, da nossa Top Model, dos bons ares, boas águas quente e frias, boa gente e bons amigos, das montanhas e serras, do rio…de toda esta “qualidade de vida” como dizem, gostava de ter mais um pouco vida na cidade e acontecimentos, eventos… e outros (v)entos que acontecessem ou soprassem a sério.
 
Restam-nos as imagens (mentirosas como já alguém aqui disse) que vamos tendo todos os dias, só é preciso mesmo afinar e seleccionar o olhar, porque tudo isto é real e tudo isto é Chaves.
 
Desde sempre vos disse que as minhas Segundas-Feiras não são lá grande coisa…lamento também por isso.
 
Até amanhã com outro olhar sobre a cidade de Chaves.
27
Jan08

Izei, aldeia de montanha a 6 Km de Chaves

 

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Prometi passar por todas as aldeias do concelho e continuo a cumprir a promessa.
 
Às vezes os que estão mais próximos são os últimos, é o caso de Izei, que fica aqui ao lado, a apenas 6 quilómetros de Chaves, freguesia de Samaiões.
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Pela certa que já passei umas centenas de vezes por Izei, quase sempre de passagem, pois até hoje apenas tinha parado por lá, na estrada, talvez duas a três vezes. Ontem fui lá com olhos de ver e embora a aldeia pouco mais tenha do que aquilo que se vê da estrada, há que parar para apreciar os pormenores e as belezas escondidas.
 
Izei é uma aldeia de estrada (E.N.314) e localiza-se em plena encosta da Serra do Brunheiro entre Vilar de Nantes e o Peto de Lagarelhos. Embora na encosta, suponho que a sua vida sempre foi agrícola e sempre se desenvolveu naquilo que ainda é veiga de Chaves, pois é aos pés de Izei que a Veiga termina.
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Sem qualquer apoio documental e portanto posso estar errado, mas pelas características da aldeia, nota-se ter sido aldeia agrícola e rica, mas de apenas dois ou três senhores. Testemunha disso são uma casa senhorial (junto à estrada) e uma outra solarenga, com brasão e capela, ao lado da qual ainda existe uma outra construção, completamente em ruínas, mas que ainda mantém uma entrada nobre. Tudo o resto na aldeia, são construções humildes, incluindo a pequena capela, que embora pequena e humilde, mantém a sua dignidade e beleza.
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Quanto a construções nova e recentes, apenas duas ou três e parecem-me desabitadas, concerteza de emigrantes. A casa senhorial junto à estrada, com uma lindíssima entrada por rua interior, e (pelo espreitar) uma belíssima fonte, ainda é habitada por uma senhora idosa, segundo me disse um habitante da aldeia. Será uma das 10 pessoas e três famílias que habitam a aldeia, segundo informação do mesmo habitante com quem falei.
 
A casa solarenga, com brasão e capela, propriedade da família Taveira, encontra-se aparentemente e exteriormente em razoável estado de conservação, talvez fruto de ser habitada esporadicamente pelos seus proprietários.
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Tal como me disse uma senhora da freguesia, por ali havia muitas e boas terras que eram de gente rica e que no passado eram as mais bem tratadas. Agora as terras dos ricos estão abandonadas e as dos pobres é que ainda vão sendo tratadas. Ou seja, Izei, embora próxima da cidade, sobre dos males de todas as aldeias de montanha, com a desertificação, o abandono das terras e população envelhecida.
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10 pessoas, 3 famílias. Eu pessoalmente nesta minha “incursão” à aldeia, vi 3 senhoras de idade, 1 senhor de idade, 1 homem de meia-idade, 2 pombas, e 6 cães, suponho que também haveria gatos, mas não os vi.
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Quase concluída que está a visita do blog a todas as aldeias, nota-se e é do conhecimento de todos, que a grande maioria sofre de desertificação, tem pouca população e envelhecida e os campos não são cultivados. Todos sabemos, aceitamos e compreendemos as razões do abandono das aldeias, mas custa e dói ver morrer assim as nossas aldeias e as suas tradições, mas custar mesmo, custa ver tudo isto acontecer e nada poder fazer, e quem pode fazer alguma coisa por elas, nada faz.
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Claro que os filhos das aldeias que partem e as deixam para trás, não são os culpados dos males das aldeias. Esses (que me desculpem o termo) coitados, são obrigados a partir para tratar da vidinha, para sobreviverem e para darem uma vida digna aos filhos, vida que nas aldeias nunca encontrariam. A culpa mais uma vez vai para os políticos e para Lisboa e as suas políticas de centralização. As nossas aldeias, mais que ignoradas, são desprezadas e, quase é como se não existissem no mapa político português.
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Ontem mesmo, o Bastonário da Ordem dos Advogados teve a coragem de denunciar publicamente os interesses e corrupção que vai na classe política do poder, mas e embora isso seja preocupante, as más políticas desses mesmos políticos, são bem mais preocupantes.
 
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Chaves é um concelho agrícola e até há umas dezenas de anos atrás, a grande maioria da população do concelho vivia da agricultura. Com tanto subsídio e incentivos que houve para a agricultura por parte da CEE, pergunto eu, em Chaves (concelho) onde é que esses subsídios e incentivos estão à vista? Em meia dúzia de explorações numa população com 40.000 habitantes e 150 aldeias. As más políticas dos políticos (claro) que locais, mas principalmente nacionais, é que são os culpados da desertificação e envelhecimento das nossas aldeias. Eles acabaram com a agricultura, com a pecuária, as vacas e o leite, com os grandes rebanhos, com o presunto… mas sobretudo estão a acabar com as nossas aldeias, com a sua cultura e tradições e nem sequer tem a perspicácia de ver e reconhecer as nossas potencialidades agrícolas de qualidade aliadas ao turismo rural, de montanha e belezas naturais com uma população cheia de tradições culturais e religiosas.
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Para Lisboa, turismo, é Algarve de praias e sol, agricultura, são as grandes explorações e a civilização está nos grandes centros do litoral e um bocadinho nas capitais de distrito. Tudo o resto não existe, é apenas paisagem.
 
Mais uma vez a minha revolta vai para os políticos (sejam eles PSD’s ou PS’s) do poder, começando pelos Governos que sempre nos ignoraram, pelos nossos deputados que nunca nos representaram e pelo poder local, os autarcas, que nunca nos souberam defender nem reivindicar e se entretêm com politiquices caseiras (excepção para a maioria das juntas de freguesia que vivem e sofrem as suas aldeias). Razão tinham os anarcas do pós 25 de Abril quando diziam que “ a merda é a mesma, as moscas é que mudam”. Não admira que segundo o estudo que saiu recentemente a público a classe política seja uma das mais mal vistas em Portugal.
 
Peço desculpas a Izei e às suas gentes ou heróis que ainda têm a teimosia de a habitar por este meu desabafo, mas revolta-me entrar nas aldeias e não ver crianças, nem vida nem alegria, não ver os campos cultivados, não ver gado a pastar, nem rebanhos de ovelhas e cabras e, deparar sempre com casas, belíssimas casas da nossa arquitectura rural e tradicional, abandonadas aos lagartos, às cobras, às silvas, à ratazanas e à ruína.
 
Izei é uma aldeia pequena, interessante, de estrada, com ricas terras e montes, mas que, como todas as aldeias de montanha, está doente, sem ninguém que a cuide ou olhe por ela.
 
Até amanhã, de regresso à cidade onde, pelo menos, nos podemos orgulhar da história dos nossos antepassados flavienses.
 
26
Jan08

Granjinha, um tesouro esquecido - Chaves - Portugal

 

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Se pesquisarem no arquivo deste blog verificarão que não é a primeira vez que vamos até à Granjinha, por isso não me vou repetir dizendo de novo aquilo que já disse. Mas posso resumir dizendo que me encantou a primeira vez que lá fui e, que continua a encantar-me sempre que lá vou.
 
Claro que também sofre do abandono do seu núcleo, do envelhecimento, das inevitáveis e desajustadas intervenções novas (poucas, mas à escala da granjinha) e, do esquecimento a que já estamos habituados por parte das entidades responsáveis. Mas mesmo assim, a Granjinha é um tesouro, que até está referenciado, mas apenas isso.
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De facto o tesouro existe na sua beleza natural e ímpar, na riqueza de vestígios romanos, na riqueza da capela românica mais antiga da região, rica em pormenores e também em esquecimento e desprezo, não por parte da pouca gente local que a estima e conserva como pode, mas por parte das tais entidades responsáveis (sejam elas quem forem e que todos conhecemos) que nem sequer disponibilizam uns míseros euros para restaurar o belíssimo altar abandonado a um canto da capela. Temos pena que estes tesouros (embora referenciados nos livros e pelos historiadores) estejam abandonados à carolice dos filhos da terra e que se descubram por mero acaso, pois não há nada, nem ninguém, que nos leve até à Granjinha, à esquecida Grajinha, à abandonada Granjinha.
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Peço desculpa aos filhos da Granjinha (outro tesouro), por estas palavras. É a eles que dedico este post.
 
Mas nem há como dar a palavra aos filhos e enteados da Granjinha, para ficarmos com o seu sentir.
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Luís da Granjinha, é um dos seus filhos ausentes que a sente e a chora. Fiquemos então com as suas palavras:
 
 
 
“A MINHA ILHA “
 
1 de Janeiro de 2000, d. c.
Ontem, ao fechar o ano, apeteceu-me falar da « minha ilha ».
É única.
Ilha é uma porção de terra rodeada de água por todos os lados.
A « minha ilha » é única.
É rodeada de terra por todos os lados.
Assemelha-se ao chapéu de De Gaulle usado por um legionário.
Ligeiramente côncava, estende-se graciosa até ao vale do Tâmega – Veiga de Chaves.
Limita-a a Fonte da Moura, o “ teiro ( outeiro ) Ladrão, o Monte da Forca, a Quinta do Alvarolino, o Matadouro, a Lameira e a quinta de S. Fra(g)ústo, o caminho de Curalha e o “ Alto “ e “ A Lama “.
É um miradouro para terras de Espanha: Verin – Monterrey; para a plenitude da Veiga de Chaves; a sobranceria do Castelo de Monforte; a solenidade da serra da Abrunheira; e a importância estratégica de Outeiro Jusão.
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Distraída, complacente, « a minha ilha » deixou que « os moinantes » tomassem conta da “ Vargem “( corruptela de Várzea) e aí fundassem um Bairro que até os caminhos que levavam ao Matadouro comeu.
Recordo as vezes que vi “ o tio Quim “ a correr, de sacho no ar, atrás dos e das moinantes que andavam a roubar os quintais.
Fugiam a sete pés e saltavam como raposas « a sorreira ».
A debruar « a minha ilha », em tom azul escuro, a « estrada de Braga »; em tom anegrado, o rio Tâmega.
E era nesse rincão que proliferavam os coelhos, as lebres e raposas; os pintassilgos, melros e rouxinóis; alvéolas, pintarroxos e tentilhões; narcejas e perdizes; “ bichos-da-unha “, milhares de grilos e saltões ( gafanhotos ); cobras e cobras - licranços e víboras, até!
E Lagartos!!!
Darwin escusava de ter feito uma viagem tão longa aos Galápagos.
Ali, na « minha ilha », também encontraria importantes elementos para a sua teoria e deliciosos alimentos como iguaria - as batatas, as cerejas, os figos, as amoras e as abêboras; fartura de melancias e melões casca – de - carvalho; o pão centeio cozido no forno do pátio ou o folar de crescer água na boca; as sanchas, os tortulhos e os “ níscarros “; as febras “ dos castanheiros.
As mulheres da « minha ilha » eram óptimas governantas e excepcionais cozinheiras.
Na « minha ilha » vivia-se com paixão e gosto pela Natureza.
Era um humilde pedacinho do Céu na Terra!
Celtas, Romanos, Suevos, Visigodos e Árabes amaram-na.
E lá deixaram os sinais das saudades com que partiram: as minas de água, os poços dos quintais, as « cegonhas », A CAPELA – e quantos vestígios soterrados!...
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Os homens da « minha ilha » caminhavam com o orgulho dos Celtas, cultivavam com a paciência dos Árabes, falavam com a sonoridade dos Romanos, e contemplavam as estrelas com a elevação espiritual dos Gregos.
« A minha ilha » seduzia, cativava quem a visitava ou só ouvia falar dela.
Os despeitados - quão ignorantes, então! - chamavam-lhe « A ILHA DOS LAGARTOS »
Mas « a minha ilha » chama-se Granjinha !
Nas suas “ armas “ e sua “ bandeira “ vou chamar-lhe GRANJINHA   -   A ilha da Saudade!!!
 
Luís da Granginha
 
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Mas quando se fala na Granjinha e na freguesia, temos obrigatoriamente de falar também no J. Pereira (ou Zé da Arminda como carinhosamente é conhecido na freguesia), também ausente, mas que leva diariamente as terras, as gentes e as estórias da freguesia aos quatro cantos do mundo com o seu blogue valdanta .
 
Também ao J.Pereira pedi umas palavras para ilustrar este post:
 
“A Granjinha é um lugar da freguesia de Valdanta todo impregnado de História, desprezado e esquecido por toda a gente, menos pelos heróis que vão resistindo e lhe vão dando alguma vida. Sobreviventes de um abandono e desleixo por este pedacinho de céu. Implantada estrategicamente virada a Nascente – Sul, entre montes que descem em presépio para o Tâmega está rodeada de férteis terrenos agrícolas que, por mor do dinheiro estão a ser transformados em bens imobiliário.
 
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Por ali passei muitos dias da minha infância e juventude guardando gado, ora armando aos pássaros, ora tocando flauta, espantando-os, sentado na escada da casa da quinta dos Taroucos, propriedade dos meus antepassados. Bebia água da “Pipa”, comia amoras de uma amoreira que ainda existe no quintal do sr. António Guarda e guardava as batatas do abuso dos rebusqueiros.
Hoje a Granjinha é uma terra deserta com meia dúzia de moradores, mas de tão rica História que não resisto a apresentar um pequeno texto de Manuela Martins que em tempos encontrei na Wikipédia quando procurava algum assunto sobre este paraíso perdido.
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“O sítio da Granjinha situa-se numa sequência de relevos que descem para o Tâmega, a SO de Chaves, na margem direita do rio, inserindo-se já na chamada Veiga de Chaves.
Situa-se no eixo viário da estrada romana Bracara Augusta (Braga) e Acquae Flaviae (Chaves), numa zona de alta potencialidade agrícola. No perímetro desta pequena aldeia foram encontrados, em diversas ocasiões, numerosos vestígios arqueológicos, bases e fustes de coluna, bocados de mosaico, inscrições, peças de bronze, uma estátua de mármore e cerâmica, achados que apontavam para a existência de uma vila romana neste local. Em 1986, quando se realizaram obras de restauro na capela, classificada como MONUMENTO NACIONAL, descobriu-se mais uma ara romana, a servir de antiga mesa do altar. Na mesma altura foram realizadas escavações na loja de uma casa anexa à capela que permitiram pôr a descoberto alguns muros de excelente aparelho romano. Em finais de 1986 e inícios de 1987 foram realizadas novas escavações no interior da capela, prévias aos trabalhos de restauro da mesma, dirigidas por Francisco Sande Lemos. Estas escavações permitiram constatar que o sítio teria conhecido uma ocupação da Idade do Ferro anterior à instalação da vila romana, da qual foi identificado um pavimento de opus signinum. Verificou-se, também, que o local conheceu uma ocupação entre a Alta e a Baixa Idade Média, testemunhada por cerâmicas e sepulturas, estas últimas, do período tardo-medievo. Trata-se, por conseguinte, de um sítio com uma interessante sequência de ocupação entre a Idade do Ferro e a actualidade Entre os vários achados arqueológicos do sítio destacam-se as três aras votivas; uma dedicada às Ninfas, outra aos Lares Tarmucenbeacis Graveis (Encarnação 1975, 217-218) e a descoberta, em 1986, dedicada aos deuses tutelares de Acquae Flaviae por M. Ulpius Vaturninus (Encarnação 1990, pp. 454-455)”.
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Para os resistentes o meu apreço e a minha admiração e respeito por respeitarem e amarem tanto este espaço digno de ser amado.
 
J. Pereira
 
E fica por aqui a passagem alargada deste blog pela Ganjinha. Claro que muito ficou por dizer e quanto a imagem, também muita coisa ficou por mostrar, mas mais oportunidades haverá, pois a Granjinha continua a encantar.
 
Restam as despedidas. Até ao próximo Sábado, amigos da Ganjinha e até amanhã, amigos deste blog, noutra aldeia de Chaves.
 
Até amanhã!

 
25
Jan08

Elogios à cidade!

 

Bem sei que hoje deveria ser dia de lamentos, mas tal como ontem disse, talvez vá mesmo para os elogios. Há dias assim…
 
Nos dias assim…gosto de me refugiar na poesia dos meus poetas e, dependendo dos dias, assim, vou puxando por um ou outro de entre os meia-dúzia que a vida me ensinou a seleccionar para ter o poeta certo no momento certo. Todos eles portugueses, e conforme o tal momento assim vou puxando por Ruy Belo, por Pessoa, por Eugénio de Andrade, por Torga ou por António Aleixo. Às vezes, há ainda momentos especiais, em que outras palavras também especiais são povoadas por outros nomes, mas são momentos raros.
 
Hoje o momento é de António Aleixo, pois este homem, em tom populacho, tem resposta para todas as questões e sentimentos…
 
Digo sempre que estou bem
- Quanto mais sofro mais canto –
P`ra quê chorar?... se ninguém
Me quer enxugar o pranto!
 
Pois também eu hoje não vou chorar nem lamentar-me. Estou com o elogio e bastou-me ver as notícias das primeiras páginas dos jornais locais de hoje para ficar assim, com o elogio.
 
Começando pelo “A Vos de Chaves” que em letra garrafais nos dá conhecimento de que a “Secção Policial de Chaves pode ter os dias contados” e continua “depois do Tribunal Administrativo e de mais, recentemente, a Maternidade, a cidade de Chaves poderá estar a ponto de perder a Secção Policial de Chaves,…”. Embora pelas notícias e pelos tempos modernos se lamente que os flavienses andem distraídos no que toca a fazer filhos, já fico satisfeito que em Chaves não haja razões para se manter um Tribunal Administrativo e, muito mais satisfeito fico em saber que a polícia também não nos faz falta. Na realidade é bom saber que ainda somos uma cidade pacata, pacífica e provinciana onde sempre se soube resolver os problemas caseiros. Em Chaves raro é o dia em que há um distúrbio da ordem pública, droga não há, assaltos há poucos e geralmente é gente carenciada e, se não fosse por de vez em quando a policia andar por aí a calçar os carros de amarelo, nem dava-mos conta da sua presença. Assim aqui fica o meu elogio para quem de Lisboa tão sabiamente decide.
 
Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência!
 
Outras das notícias que além de elogiar me orgulha, é a dos comerciantes tradicionais cá da terrinha.
 
Chaves – Comerciantes descontentes
 
Centro histórico necessita “medidas urgentes”
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Até que enfim que se dão conta de que o centro histórico necessita de medidas urgentes, e não só se dão conta disso como apontam medidas e soluções para a resolução de todos os problemas (ou alguns importantes) “ Abrir a rua direita ao trânsito automóvel, Parque de estacionamento no Largo de Camões com entrada pela Ladeira da Trindade e como há muito espaço, também um quiosque no largo. Não fechar o trânsito na Ponte Romana é outra das soluções apontada pelos comerciantes e dão-nos a todos um lição de cavalheirismo e civismo de respeito até, ao não mencionarem uma única vez as grandes superfícies comerciais. Portanto também não são invejosos.
 
Para reforçar esta luta pela revitalização comercial do Centro Histórico, a ProCentro – Associação para a Promoção do Centro Histórico, tem marcada para amanhã, Sábado, uma marcha de sensibilização pelas principais artérias comerciais da cidade que terminará num Workshop de capoeira e distribuição de T-shirts.
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Nem há como ter um comerciante descontente para que as soluções apareçam para o nosso centro histórico. Até fico sem palavras e se eu fosse do Dr. Marcelo, dava-lhes nota 20 pelas soluções encontradas.
 
É menos parvo, a meu ver,
O que o é, sem que se veja,
Do que aquele que, sem ser,
Se faz parvo, sem que o seja.
 
Um elogio também para o festival dos “Sabores e Saberes de Chaves”, pois fiquei a saber pelo Notícias de Chaves que o festival foi “Um sucesso em número de visitas e produtos vendidos” pois segundo a organização “Estima-se que, durante os três dias, tenham visitado o evento mais de 25 mil pessoas e sido vendidas mais de oito toneladas de fumeiro”
 
Eu também lá fui, vi e ouvi os Gaiteiros de Verin, que diga-se, gaitaram muito bem e comprei duas garrafas de vinho da Quinta de Arcossó, que é carote, mas muito bom, mesmo bom, aliás recomendo-o a qualquer apreciador de vinhos.
 
Penso que o Toy também foi o sucesso que se esperava!
 
Entretanto um elogio também para o Casino, que tal como prometia lá abriu as suas portas e segundo testemunhas, para abarrotar. Alguns dos meus conhecidos e amigos (quase todos) lá foram e, o discurso entre eles, era quase indêntico – “eu, com 20 Euros, estive lá meia hora” pois “eu com 10, estive lá 45 minutos” dizia outro. Houve no entanto quem tivesse a coragem de ter jogado 20 euros só de uma vez. Todos perderem, mas a verdade seja dita, todos gostaram e saíram de lá satisfeitos e também mais leves.
 
Os que vivem na grandeza
Dizem, vendo alguém subir:
- Há que manter a pobreza,
P`ra gente não cair.
 
Quem parece que se associou à festa do casino, foi a BT ao marcar presença numa das rotundas de regresso à cidade. Estes rapazes, como sempre, demonstram o seu sentido de oportunidade e dever ao mostrarem-se atentos a todas as movimentações da cidade. Um elogio e um bem-haja para eles.
 
Quando a noção do dever
Nos der ampla liberdade
Acabará por esquecer
A palavra «caridade»
 
E por último, outra vez as passadeiras da cidade, mas agora para dar conta aqui do que está bem feito e, por isso, fica aqui o meu elogio para os trabalhos e abolição (espero) das passadeiras da rotunda da Praça do Brasil e para as podas feitas nos arbustos que tapavam a visibilidade nas passadeiras da Escola da Estação. É um princípio.
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O que era a noite sem o dia?
E a luz sem a escuridão?...
O contrates é a razão
Por que a gente os avalia!
 
Quando os trabalhos são bem feitos, só há que elogiá-los e quando as notícias são boas, sentimos logo o enaltecer do ser flaviense.
 
 
“E prontos!”, neste último post de lamentos, pois na próxima Sexta-Feira já vai haver discursos sobre a cidade, troquei os lamentos pelos elogios, pois se Deus, que é Grande, nos deu os olhos para ver, os ouvidos para ouvir e a boca para falar e dizer, foi para realmente vermos, ouvirmos e falarmos, e daí nos lamentamos quando há que lamentar, e elogiamos quando há que elogiar.
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Também para este pensamento encontro uma quadra de António Aleixo:
 
Antes cego, surdo e mudo
Que, entre tanta gente honrada,
Ouvirmos e vermos tudo
Sem podermos dizer nada!...
 
Até amanhã, numa aldeia de Chaves próxima de si.
24
Jan08

Chaves, um livro aberto na história das cidades

 

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Já o disse aqui que quando comecei este blog não hesitei na escolha do tema: A cidade de Chaves. Levar a cidade aos flavienses era o pretexto que escondia o meu fascínio pelas cidades em geral e por Chaves em particular.
 
De facto a origem e história das cidades é fascinante. A cidade no seu todo, como facto histórico, geográfico e acima de tudo social.
 
Teríamos que regressar 6000 anos atrás para compreender como se chegou a toda esta teia de aglomerados urbanos actuais e ao homem urbano de hoje. Tudo começa com o fim da pré-história quando o homem começa a sedentarizar-se e se dão duas grandes revoluções, a agrícola e a urbana e a separação natural entre a agricultura e o pastoreio, as primeiras trocas comerciais entre ambos e a descoberta do uso do metal por parte dos pastores como uma arma que lhe dava força e o domínio sobre a população agrícola que ainda nas as usava. Assim, para as protegerem construíram cidades fortificadas em sítios elevados e, em troca da protecção militar, recebiam tributos e subserviência do povo agricultor.
 
As primeiras civilizações conhecidas desenvolveram-se junto aos vales dos rios. O Nilo, o Tigre e o Eufrates, respectivamente no Egipto e na Mesopotâmia dava origem às primeiras grandes civilizações, sendo conhecida como mais antiga a cidade de Ombos no Egipto, com os tais 6000 anos. Babilónia (4000 anos), as antigas cidades gregas e cretenses (4000 anos). Com estas grandes cidades  o facto social ganhava cada vez mais relevo, desenvolvia-se o comercio, a arte militar, a política …e com Hipódamos, nascia há 2500 anos o urbanista e a cidade planeada sendo-lhe atribuída a autoria a cidade de Mileto, como 90 hectares, dos quais 52 hectares eram parques e jardins e possuía um sistema viário projectado segundo o sistema de tabuleiro de xadrez.
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Há 1600 anos e graças ao grande desenvolvimento tecnológico da engenharia romana, a cidade de Roma tinha 1 milhão de habitantes, possuía 19 aquedutos de forneciam 1.000.000 m3 de água por dia à cidade, esgotos dinâmicos, ruas pavimentadas, cerca de 50.000 edifícios (alguns com 8 andares) 80 palácios nobres e toda ela protegida por muralhas. Tinha como características (entre outras) a criação das vias principais com colunatas, arcos e monumentos e a existência de luxuosas termas.
 
Com a queda do Império Romano a Europa entra em estado de guerra permanente e há 1500 anos começa a grande desurbanização que durou até há 900 anos. Guerra, pilhagens, a fuga dos povos das cidades. Viena, na Áustria, durante dois séculos chegou a desaparecer dos mapas europeus. Começam a surgir pequenos burgos de traçado irregular e pestilentos. Ruas estreitas e pavimentadas com um sistemas de esgotos estático. As casas não abriam janelas para as ruas defendendo-se dos maus cheiros. A Igreja é o centro da vida comunitária e aparecem de novo as muralhas. Estávamos em plena urbanização medieval que durou até à criação das monarquias e a expansão do mercantilismo.
 
Surge a cidade dos tempos modernos, a Renascença, a cidade clássica, a cidade barroca e com a revolução industrial, a cidade burguesa do capitalismo.
 
Em 1800 contavam-se apenas 20 cidades com mais de 100.000 habitantes. Em 1850 já existiam 4 cidades com mais de 1.000.000 de habitantes, em 1900 já haviam 19 cidades com este número.
 
As cidades actuais não são mais que o evoluir dessa cidade burguesa da revolução industrial.
 
E com esta nova cidade começam também os problemas urbanos e em meados do século XIX começa-se a falar em urbanização e urbanismo, temas que desde então têm sido a preocupação das cidades, bem como o planeamento urbanístico e principalmente os males que existem por falta destes.
 
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Tudo isto para chegar à nossa mui nobre cidade de Chaves, que é um bom exemplo da história das cidades e que passou por todas as fases atrás descritas da evolução das cidades. Claro que numa escala pequena. Mas desde os castros, à veiga e o rio, à romanização e cidade romana com as tais termas e ruas principais, às guerras do pós império romano, à cidade e muralhas medievais e das monarquias e suas defesas, até à cidade dos tempos de hoje, ainda de características burguesas e capitalistas, com mamarachos e problemas urbanísticos de falta de planeamento e interesses, somos um verdadeiro livro da historia das cidades.
 
É por isso que esta cidade tanto me fascina e às vezes me revolta e o blog é também um pouco desse sentimento, fascínio e revolta. Fascínio quando trago por aqui a história, o romano, o medieval, as monarquias, o rio, os montes e os vales e até as aldeias e, revolta e lamentos,  quando se traz a cidade de hoje, ainda burguesa e capitalista e que alguns entendem como falar mal da cidade e eu entendo como falar de problemas urbanísticos e sociais.
 
Pormenores, que os que gostam verdadeiramente da cidade e são flavienses entendem. Os outros, não! Paciência, pois eu vou continuar por aqui.
 
Até amanhã, em dias de lamentos e quem sabe se há também elogios.
 
 
23
Jan08

Um pequeno passeio pela cidade

 

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Os bairros novos da cidade são todos iguais. Amontoados de betão com ruas na vertical onde as pessoas mal se conhecem, ou então, amontoados de vivendas, com jardins simpáticos, muros ou sebes altas, onde as pessoas se conhecem, se cumprimentam e pouco mais, a não ser que já haja amizades de outros tempos e os putos que lá vão trocando algum convívio. É a vida moderna em que os pais trabalham, os filhos estudam e apenas os avós vão tendo algum tempo para desfrutar. Na cidade moderna de Chaves também já é assim.
 
São assim várias as razões pelas quais me gosto de perder pelas ruas do nosso Centro Histórico, principalmente por aquelas que ainda vão tendo vida, em que há vizinhos e pormenores do modo de vida que deixa ainda algumas saudades. Infelizmente também já há poucas dessas ruas, mas ainda as vai havendo com vida onde descubro alguns desses pormenores. A Rua do Sol, com todos os seus contrates, ainda é uma delas.
 
Gosto de vez em quando passar pela Rua do Sol, geralmente subi-la em direcção ao coração do nosso Centro Histórico. Vou apurando o olhar para ir descobrindo um ou outro pormenor interessante, quase sempre entalado entre outros pormenores com menos interesse, mas nem há como puxar um bocadinho pela imaginação ou então, quando consigo ver uma nesga da muralha por entre o casario, puxar ainda mais pela imaginação e sonhar com o quão interessante deveria ser a nossa cidade se tivesse todas as suas muralhas, intactas e bem visíveis sem qualquer tipo de construção adossadas a elas.
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E assim vou andando, vendo, observando, imaginando e sonhando. Chegado ao fim da rua, temos o Postigo. Aqui há que optar em subir a Travessa das Caldas para o tal coração da cidade, continuar a contornar as muralhas (que a custo ainda se vão vendo ou imaginando) em direcção ao Castelo ou por último decidirmo-nos por um passeio pelo Tabolado com o Tâmega por companhia. Qualquer um dos itinerários é interessante e recomendável, desde que feito nos vagares de um passeio ou de uma companhia também interessante.
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Do Largo do Postigo gosto de lançar um olhar até ao espreitar do Castelo. É uma daquelas imagens de marca de Chaves. Uma imagem quase igual há de 100 anos atrás, pelo menos idêntica àquela que ficou registada nas velhas fotografias. Tudo continua lá e até a recuperação e intervenção no velho Hospital da Misericórdia foi feliz e não destoa e, bem pode ser incluída como uma obra exemplar no roteiro da arquitectura moderna e das intervenções do Arquitecto Manuel Graça Dias em Chaves. Um dia fazemos um roteiro pelas “arquitecturas” de Chaves. Fica a promessa.
 
Entretanto resolvo-me seguir o caminho do Castelo pela Rua Joaquim José Delgado e terminar nos Jardins do Castelo onde do cimo da muralha gosto de lançar um olhar para as traseiras da ilha do Cavaleiro, outro para o Tabolado e para as Caldas, um mais longe para um pouco da veiga, outro para o Brunheiro e quando a vista começa a esbarrar com os mamarrachos, dou-me conta das horas e finalizo o meu passeio.
 
Até amanhã, em Chaves.
22
Jan08

Olhares sobre a cidade - de Iguana Jo/ Giorgio Raffaelli

Foto de Iguana Jo/Giorgio Raffaelli

 

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Terça-Feira é dia dos olhares diferentes (do meu) em que passa por aqui o olhar de um convidado que por sorte e à sorte vou descobrindo na NET e no Flickr.
 
Como sempre pouco ou nada sei destes convidados das Terças-Feiras e conhecer mesmo, só lhes conheço os olhares que registam em fotografia, o nick, às vezes o nome e outras vezes a origem e nacionalidade.
 
No caso de hoje o meu convidado conheci-o no Flickr, dá pelo Nick de Iguana Jo, de nome Giogio Raffaelli e tal como o nome indica é Italiano, de Modena.
 
Aqui ficam então dois registos e olhares do Giorgio sobre a cidade de Chaves. Um olhar bem atento, interessante e artístico do nosso casario centenário da Rua do Rio e, um outro olhar que já é para recordar e fazer história.
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Foto de Iguana Jo/ Giorgio Raffaelli
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Só resta mesmo agradecer ao Giorgio Raffaelli estes dois belíssimos olhares sobre a cidade que partilha no flickr com todo o mundo.
 
E para quem gosta de fotografia, nem há como espreitar a sua galeria de fotos no flickr em http://www.flickr.com/photos/iguanajo/ , pois vale a pena.
 
Até amanhã, na cidade de Chaves, como sempre.

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