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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Abr08

Chaves, Valpaços e Companhia...



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Antes de entrarmos no post de hoje vou passar ao devido esclarecimento, que nesta altura do campeonato quase já nem é necessário, mas como há sempre um ou outro distraído, é sempre necessário. Pois ontem foi 1 de Abril e,  manda a tradição que se pregue uma mentira a alguém. Resolvi brincar um bocadinho com a nossa Top Model, que felizmente se mantém ainda (toda) de pé, tendo em conta, claro, a sabedoria popular que a vou beber sempre ao nosso maior poeta da especialidade,  António Aleixo:

 

Pra mentira ser segura

E atingir profundidade

Tem de trazer à mistura

Qualquer coisa de verdade.

 

Vamos então ao post de hoje.

 

A foto de hoje já foi tomada há uns meses atrás. Na busca diária de uma foto para o post, parava sempre breves instantes nesta foto, até hoje, sem saber porque.

 

A não ser que uma imagem esteja aldrabada, como a de ontem, vale sempre por mil palavras e transmite sempre a realidade possível e actual.

 

Inicialmente pensei que era a nesga do Deus Larouco (por detrás da coluna de fumo) que me atraía e me despertava para a costela barrosã. Depois comecei a pensar que seria o vale e as sarapintas das casinhas  que mais pareciam um rebanho a pastar nos campos. Depois comecei por pensar que talvez fossem as torres de betão ou talvez o entardecer de uma cidade, mas só hoje me dei conta que são as placas da estrada, com a indicação de Chaves para um lado e Valpaços para o outro.

 

Em síntese esta foto diz e transmite toda a realidade de Chaves actual em que, tal como as placas, também a cidade está de costas voltadas para todos os seus vizinhos.

 

Em Chaves sempre tivemos a mania e o orgulho provinciano da grandeza e na realidade sempre tivemos condições para que isso acontecesse, mas uma grandeza dependente e medida à nossa escala, que em vez de eternamente rivalizarmos com Vila Real, deveríamos ter dado mais atenção aos nossos vizinhos, que são os que sempre nos acodem nas aflições.

 

Vila Pouca de Aguiar sempre esteve virada para Vila Real. Ribeira de Pena, nunca esteve virada para Chaves, mas com Valpaços, Boticas e até Montalegre (pondo de parte a sua paixão longínqua com Braga), e ainda com os nossos amigos galegos de Verin e todas as aldeias raianas galegas, sempre houve afinidades, amizades e até muitos laços familiares.

 

Tudo isto vem a respeito da placa da estrada com Chaves e Valpaços de costas voltadas.

 

O pessoal do meu tempo de Liceu e da Escola Industrial e Comercial também, lembram-se perfeitamente que metade dos alunos desses dois estabelecimentos de ensino eram de Valpaços (Carrazedo incluído) e Boticas. Hoje, à excepção de meia dúzia de alunos de Boticas, é tudo pessoal cá da terra, e porquê!?

 

- É simples, e tal como com os estudantes, também o resto nos abandonou, até o famoso presunto de Chaves (que vinha dessas terras) nos abandonou e hoje temos que gramar com o espanhol e tudo porque Chaves durante estes trinta e tal anos de oportunidades nunca se soube afirmar como líder da região do Alto Tâmega, e andou distraída consigo própria e esquecendo que os concelhos vizinhos tinham vida própria e também oportunidades de se desenvolverem e optarem por outros destinos.

 

Um bom exemplo das costas voltadas é Valpaços que nos últimos anos além de passar de vila a cidade também tem passado os seus interesses (segundo me dizem) de Chaves para Mirandela e tudo graças aos bons acessos criados entre as duas cidades, enquanto que Chaves, com o resto das sedes dos nossos concelhos vizinhos, continua com as ligações deprimentes do tempo de Salazar, pois para além de se por asfalto e tapar os buracos nas ligações antigas, mais nada se tem feito. Um bom exemplo disso, são as actuais obras na estrada entre Chaves e Valpaços, pois para além de retirar asfalto e por asfalto, retirar passeios e refazer passeios, para não falar do transtorno diário das obras,  nada mais se faz por esta ligação para além de se gastarem uns bons milhões de Euros. Alguém lucrará com estas obras, mas pela certa não seremos nós flavienses nem valpacences.

 

Dizem-me os entendidos em política (particularmente ou por recados) que eu nada percebo destas coisas nem de prioridades, pois há que aproveitar os fundos (seja lá isso o que for). Pois eu que nada percebo, acho que cá debaixo (desde a minha ignorância), que às vezes mais valia estar quietinho, do que andar a desbaratar dinheiro para ficar tudo na mesma. Ou como dizia a canção da revolução “pra melhor está bem, está bem. Pra pior, já basta assim”.

 

Congratulemo-nos “ao menos” com a nossa Top Model que não caiu e com a visão afinada dos nossos comerciantes tradicionais, que tudo fazem para continuar a ver os carros a passar na ponte a caminho do “Lerque-Lerque” como por cá se diz.

 

Um abraço para o pessoal de Boticas e pelas suas afinidades ainda com Chaves e em especial para o JCB (colaborador dos discursos sobre a cidade, deste blog), para o Luís do Bloguex de Boticas que nos espreita (e espreitamos) desde as terras da Rainha e para o Cubilhas, meu antigo colega de Liceu que quis o destino que os nossos filhos também o sejam.

 

Até amanhã, que ninguém me pediu o sermão e fiquem descansados que para já, a nossa Top Model ainda não caiu e desculpem a prosa, que já vai longa!

01
Abr08

O pior aconteceu!



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Pois é, o pior aconteceu.

 

Sempre o disse por aqui que a nossa Ponte Romana deveria merecer o nosso respeito, não só pela sua beleza, mas também pela sua idade. Por muito resistente que ela aparentemente se apresentasse à vista de todos, 2000 anos deixam as sua mazelas e a sua resistência aparente não conseguiu resistir às cargas da modernidade.

 

Andava por aí na baila se a ponte deveria passar a pedonal ou manter trânsito automóvel. Os amantes da cidade e da ponte já há muito que defendiam o fecho do trânsito. Por sua vez, os comerciantes que como sempre se lamentam pelo fraco negócio, preferem ver passar carros do que pessoas. Pois agora nem carros nem pessoas, a ponte caiu. Não se adivinhava, mas já se temia.

 

Logo no inicio das obras, os técnicos do IPAR, detectaram uma fissura num dos arcos da ponte. Sem porem as obras em causa, alertaram para o risco daquele arco receber cargas pesadas e recomendaram que enquanto não se procedesse ao reforço do arco, não deveriam passar cargas sobre ele, devendo as lajes de pedra a utilizar no pavimento, serem descarregadas de um e outro lado do arco, sem passar por ele.

 

Sei que a fiscalização da obra recomendou que as descargas fossem feitas fora do tabuleiro da ponte e que as lajes de pedra fossem transportadas em pequenas quantidades até ao local da sua colocação. Pelo que sei assim tem sido feito, pelo menos durante os períodos em que a fiscalização se encontra na obra, mas ontem, pelos vistos, a recomendação não foi seguida.

 

Adivinha-se que o empreiteiro pressionado pelos comerciantes queria acelerar as obras e de vez em quando punha de parte as recomendações dos técnicos. Embora as obras tivesse parado logo após o acidente que ocorreu durante a hora de almoço (13H18 – segundo testemunhas que apanharam um susto de morte) e a ponte vedada em todo o seu tabuleiro para apuramento das causas do acidente, que segundo consta foi aberto um inquérito que irá ser conduzido pelo LNEC + IPAR, que segundo comunicado da Câmara Municipal deverá demorar de 6 a 8 meses,  logo veio a justificação para o acidente, que como sempre, tenta por o “rabo” de fora de qualquer responsabilidades de alguém. Dizem, que disseram, que era o primeiro dia de trabalho do condutor do camião (que acabou por cair com o arco) e que por avaria do camião que costumava fazer ali o serviço, cujo condutor estava avisado da fragilidade do arco, este novo condutor não estaria avisado, e daí de nada sabia.

 

Claro que desculpas há muitos, o facto é que a ponte caiu. Mas do mal o menos, pois não houve qualquer vitima, nem sequer feridos, apenas alguns sustos de morte, pois ao que dizem que disseram, o condutor do camião tinha-o saído dele para ir perguntar ao encarregado da obra onde e que queria que a descarga das lajes de pedra fosse feita. Sorte para o condutor, azar para a ponte, mas isto não deixa de fora as responsabilidades do empreiteiro, pois se o arco apresentava deficiências, deveria estar vedado a qualquer acesso, inclusive dos peões que mesmo assim continuaram a passar por lá. E digo bem, continuaram, porque agora ninguém passa, e conhecendo a burocracia dos inquéritos, a ponte vai transformar-se num segundo baluarte do cavaleiro e vai demorar anos a que tenhamos de novo o arco de pé.

 

Fica um requiem   pela nossa Top Model.

 

Prometo vir por aqui dar novidades da nossa (bi)milenar ponte.

 

Até amanhã, espero que com boas notícias.

 

 

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