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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Jul08

Coleccionismo de Temática Flaviense - Porta-chaves e Pin do Flavito

 

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1 - Porta-chaves em liga metálica e esmalte

 

Altura (mascote): 55mm

Gravação no verso: III Jogos do Eixo Atlântico, 6-10, Julho 99

Número de exemplares: 1.000

 

2 – Pin em liga metálica e esmalte

 

Altura: 20mm

Número de exemplares: 2.000

 

Hoje ficamos com o porta-chaves e o pin do “Flavito”.

 

E quem é/foi o Flavito?

 

Foi a mascote dos III Jogos do Eixo Atlântico que se realizaram na cidade de Chaves e que decorreram durante os dias 6 a 10 de Julho de 1999, onde participaram cerca de 1000 atletas em representação da maioria das cidade do Norte de Portugal e da Galiza, incluindo a cidade de Chaves, contando na cerimónia de abertura com o Primeiro Ministro de Portugal, António Guterres e com o Presidente da junta da Galiza,  Fraga Iribarne, além dos presidentes de Câmara das cidades participantes.

 

Desconhece-se o nome do autor da mascote, no entanto está associado aos criativos da empresa Marca-Artes Gráficas, do Porto, que deram apoio gráfico, em parceria como a Cooperativa Árvore, ao evento.

 

Associados aos jogos foram ainda cunhadas medalhas em bronze, prata e ouro  e uma escultura em bronze, reprodução de trinta exemplares do Padrão dos Povos, cuja redução e estojo foram concebidos pelo escultor Manuel Sousa Pereira. Oportunamente também passarão por aqui, nesta rubrica do coleccionismo, as medalhas e a reprodução do Padrão dos Povos.

 

Quanto ao Flavito, já perceberam pelo desenho, que alude e foi inspirado na nossa história milenar do povoamento romano e da criação de Chaves (Aquae Flaviae) como município.

 

Até amanhã, com mais um discurso sobre a cidade de autoria de Tupamaro.

30
Jul08

Chaves - Centro Histórico - Portugal

 

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Mais tarde do que é habitual, mas a vida é assim mesmo e os dias nem sempre nos correm de feição. O que interessa mesmo é cumprir o contrato que nós temos com a vida e com as coisas.
 
Prometi vir aqui todos os dias, pois cá estou com mais uma imagem do nosso Centro Histórico, com o nº 4 da Rua da Ordem Terceira, por sinal uma das ruas mais pequenas, mas que nem por isso deixa de ser interessante.
 
Mais logo, cá estarei de novo com o coleccionismo de temática flaviense.
 
Até logo!

 

29
Jul08

O olhar de Frederico Navarro/Paulo Ferreira sobre a cidade

Foto de Frederico Navarro/Paulo Ferreira

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Descobri esta foto no flickr com o título de “Chaves Ponte Romana” e com a seguinte legenda:

 

“When i arrived to this city - Chaves - i was very disappointed. It seems like any other city. But when i saw the old town;...see for yourself!”

 

As fotos e palavras são assinadas no flickr com o nick de Frederico Navarro e com o nome de Paulo Ferreira. É a única foto de Chaves que este autor (fotógrafo) tem na sua galeria e, digamos que entre todas as fotos que podem representar Chaves e a sua história milenar, esta é (sem dúvida alguma) a melhor imagem, não fosse ela a nossa Top Model, o nosso ex-libris e, tal como todas as fotos da nossa menina com olhar de fotógrafo que se preze, fotografa-a sem carros em cima dela, tal como a maioria da população flaviense anseia e deseja vê-la, sem carros, definitivamente.  Claro que nestes 34 anos de democracia, ano após ano, temos vindo a assistir que o anseio das maiorias e a decisão do seu voto, é apenas aparente e a vontade do povo, ou seja a vontade do voto, de pouco ou nada vale, principalmente quando os interesses (os económicos de quem tem plim) é que decidem, e de nada vale a palavra de político, pois já está instituído que promessa de político não é para cumprir, tal como estamos habituados ao esbanjar de dinheiro quando da obra não se tira qualquer proveito ou benefício. E, minhas senhoras e meus senhores, isto não é questão de cor da camisola, pois tenha ela a cor que tiver, todos são iguais (maioritariamente falando já que estamos em democracia) o que me leva, cada vez mais, a dar razão aos anarcas – “a merda é a mesma, as moscas é que mudam” e eu acrescentaria: e o povo é que paga… além de ser o eterno culpado de todos os males para justificar a incompetência dos políticos (além da eterna situação actual -claro).

 

Mas antes de continuar com os meus devaneios, fica como de costume, o linck para a galeria do nosso convidado de hoje (do qual nada sei, além de ser português e isto também é suposição, pelo nome)  em: http://www.flickr.com/photos/fredericonavarro/

 

 

Continuando com os devaneios…ou talvez não!

 

Tudo isto e toda esta revolta,  (porque é verdade, eu estou revoltado) vem a respeito da nossa Top Model Ponte Romana ter ou não ter trânsito automóvel, que é apenas um pequeno exemplo (insignificante até) no contexto geral, e que demonstra bem o respeito que há pela historia milenar da nossa cidade e também  como a vontade  popular (que nos diversos meios já foi mais que manifestada) de nada vale ou poderá valer e, seja qual for a decisão, vai estar apoiada por pareceres das entidades “responsáveis” que irão ser responsabilizadas mas que não terão qualquer responsabilidade (é assim que funciona o sistema) , apoiando e justificando a decisão a tomar (seja ela qual for) . Já estamos habituados, pois já assim aconteceu com os mamarrachos do antigo mercado municipal  e da Quinta dos Machados (entre outros), aquando do reinado e do poder da ACCIOP na cidade de Chaves.

 

A história, infelizmente, também é feita de acontecimentos que a lógica e a razão nunca conseguirão explicar, nem os melhores historiadores das Universidades Públicas… o conseguirão!

 

Até amanhã!

 

28
Jul08

5 minutos de EN 213, com música para disfarçar...

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O tema já não é novo e até já passou aqui pelo blog. Trata-se das obras de beneficiação que dizem estar a acontecer na EN 213 entre Chaves e Valpaços e no qual inicialmente estava previsto gastarem-se 8.155.338 Euros, ou seja perto de um milhão, seiscentos e trinta e cinco mil Contos em moeda antiga, valor que pela certa vai ser ultrapassado e que deixa no ar a pergunta fiz há meses atrás – Para beneficiar o quê!?

 

Depois de durante alguns meses assistir a um autêntico desperdiçar de dinheiro no troço entre o Raio X e Nantes, com o levantamento de todo o pavimento, levantamento de passeios, lancis e sarjetas, num troço que estava em bom estado de conservação para reporem tudo como estava, com a agravante de que nem sequer os lancis foram aproveitados, ou seja destruir tudo para refazer tal e qual como estava.

 

Ontem resolvi subir estrada acima para ver onde estão a ser aplicados o tal milhão e seiscentos mil contos, e facilmente se verifica que também a estupidez se repete em toda a estrada nacional 213 e,  as poucas beneficiações que se tem feito, algumas sem qualquer justificação lógica e outras que se resumem apenas a um aliviar de curvas mais apertadas (sem abolição de qualquer curva), dá para dizer que assim já se compreende que a desgovernar e desperdiçar assim os dinheiros públicos, não admira que as finanças públicas estejam como estão, pois a população de Valpaços e Chaves pouco ou nada beneficiam com esta suposta beneficiação. Mas estou certo que alguém beneficiará.

 

Dir-me-ão os alinhados que as coisas não são bem assim como as pinto. Quanto ao concelho de Chaves, são-no tal e qual como as pinto, quanto ao concelho de Valpaços, as alterações são mais notórias, mas as beneficiações não o são e chega-se até ao ridículo de em Vilarandelo serem construídas 3 rotundas e uma passagem desnivelada num troço de estrada que há poucos anos atrás foi construído como variante à aldeia, ou seja, um troço para resolver problemas de trânsito e não para os criar, como pelos vistos acontece, pois só assim se justificarão 3 rotundas e uma passagem desnivelada, ainda para mais, ao que consta (pois não tive acesso ao projecto), nem sequer estava previstas e apenas foram construídas graças às interferências e pressão do Presidente da Junta de Vilarandelo e do Presidente da Câmara de Valpaços.

 

E por cá, não haverá por aí um presidente da junta ou outro qualquer presidente que interfira, pressione e exija uma rotunda a sério para o cruzamento da EN 213 com a 314, o tal dos acidentes semanais. É só uma aparte, para um local onde aí sim se justificava uma rotunda a sério.

 

Toda a gente esperava que esta beneficiação da estrada fosse uma beneficiação a sério, tanto mais que é uma ligação entre duas cidades que ao longo dos tempos sempre tiveram entre elas uma ligação muito próxima e muitas afinidades, com muito movimento de população entre elas, o que só por si, já justificava uma ligação rodoviária privilegiada e digna, principalmente agora que também é a estrada que liga Valpaços à auto estrada mais próxima. Uma nova ligação com traçado de Itinerário Complementar (IC) entre as duas cidades, seria o ideal e o ansiado pelas populações que se servem desta ligação, mas pelo menos, a ser beneficiada a Nacional 213, dever-se-ia proceder ao corte de muitas curvas (e não simplesmente alivia-las como está a acontecer) e à construção de troços de ultrapassagem com terceira via (principalmente em todo o concelho de Chaves).

 

Criticamente o digo que nesta beneficiação a maior parte do dinheiro investido vai para obras inventadas e que só se justificam para gastar dinheiro, pois quanto a benefícios da beneficiação, poucos há ou nenhuns, antes pelo contrário, principalmente no troço que hoje vos deixo em imagem de vídeo entre Nantes e o Miradouro de S. Lourenço, precisamente o troço mais crítico e perigoso entre Chaves e Valpaços e no qual não há qualquer beneficiação, pois simplesmente no levantar e repor pavimento, e pavimentar valetas, não vejo qualquer beneficiação, antes pelo contrário, ou seja o transtorno que se prevê durar dois anos com obras neste troço. Mais valia terem iniciado a obra só a partir de S. Lourenço.

 

Fica a minha indignação para com esta obra e também um alerta para os responsáveis pelo nosso concelho, pois se um presidente de junta consegue 3 rotundas e uma passagem desnivelada, os nossos, com algum “barulho”, também alguma coisa conseguiriam, mas como eu nada percebo destas coisas, o melhor mesmo é calar-me.

 

Chaves sempre ansiou ser a capital do Alto-Tâmega mas (pessoalmente) penso que, cada vez mais, está longe de se afirmar como tal. Ligações rodoviárias dignas e a sério exigiam-se (já desde há muitos anos) entre Valpaços-Chaves, Montalegre-Chaves e Boticas-Chaves, e até de uma ligação que muitas vezes esquecemos, a de Chaves-Vinhais, mas nunca houve uma força conjunta entre estas autarquias, principalmente de parte de Chaves, que era a que mais beneficiaria ao ser a zona temperada entre a Terra Quente e a terra fria do Barroso, talvez quando se derem conta disso, já seja irremediavelmente tarde e, de tão entretidos que cada um anda a tentar juntar mais pontos para a sua caderneta, a região do Alto Tâmega, com Chaves como capital, não passe de um sonho de crianças ou de um campeonato que já acabou e, nos contentemos com meia dúzia de galegos que ao Domingo e nos seus feriados nacionais venham a Chaves comer um pouco de bacalau.

 

Até amanhã, com outros olhares de Chaves

27
Jul08

Quadro de honra das aldeias na blogosfera flaviense

 

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Este mundo virtual da blogosfera flaviense tem gente de carne e osso por trás da feitura de cada blog. Gente que não é virtual e por isso, também gosta de conviver e de se reunir de vez em quando, por puro convívio, troca de impressões e experiências e, sobretudo, por amizade. Duas vezes por ano, num encontro de verão e outro de Inverno, a blogosfera flaviense, colaboradores e amigos tem vindo a reunir-se à mesa, que é onde melhor se convive.

 

Pois como hoje é dia das aldeias, quero deixar aqui um sinal de gratidão para com as aldeias que através dos seus blogues e dos seus feitores ou colaboradores, sempre têm marcado presença nesses encontros, tão bem como o marcam na blogosfera, transformando-se em verdadeiros embaixadores das suas terrinhas.

 

Sobem assim ao quadro de honra deste blogue, não só pelos seus blogues mas também pela sua presença nos encontros, as aldeias de Águas Frias, Eiras, Granjinha e Valdanta. Uma palavra de apreço também para as aldeias de Segirei e Castelões, que embora nunca nos tivessem brindado com a sua presença, têm justificado as suas faltas.

 

Claro que também há uma palavra de agradecimento para os blogues que desde o primeiro encontro têm marcado sempre presença, nomeadamente o blog do Beto (Blogoflavia), o Cancelas,  o Terçolho, o Cinco de Maio & companhia, o Blog da Lai e o fotografia do Dinis Ponteira (ontem com falta justificada) e também um agradecimento para os amigos do costume.

 

Mas hoje como é Domingo, dia que este blogue dedica às aldeias, ficamos com o quadro de honra das aldeias na blogosfera flaviense e nos encontros: Águas Frias, Eiras, Granjinha e Valdanta. Obrigado pela vossa presença e amizade.

 

Até amanhã, de volta à cidade de Chaves.

26
Jul08

Travancas - Chaves - Portugal

 

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Travancas, Chaves, Portugal, o planalto ecológico, a capital da batata. É esta a nossa aldeia convidada de hoje.

 

Pela apresentação já se entende que Travancas é uma das terras do grande planalto de Chaves, com as terras galegas como fronteira a Norte, terra de contrabandistas e guardas-fiscais, vizinha das freguesias de Mairos, Paradela de Monforte, Cimo de Vila da Castanheira, Roriz e S.Vicente da Raia e que seja num único ponto, toca ainda nas freguesias de Águas Frias e Tronco.

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Travancas é uma freguesia com características únicas, quer na sua paisagem de planalto, com os seus campos sempre verdes e amarelos, numa paisagem que se perde de vista na transição entre o grande vale de Chaves e o mar de montanhas da freguesia de S.Vicente da Raia, que ainda assume um pouco deste planalto.

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Travancas é sede de freguesia, à qual pertencem as aldeias de S.Cornélio e Argemil, fica a 20 quilómetros da cidade de Chaves e está colada à Galiza, tendo como aldeia mais próxima galega a aldeia de Arzádegos do concellho de Vilardevós, terra dos Guardas-Fiscais, dizem popularmente, porque também era terra de contrabandistas e terra com visibilidade, pois através do seu seio passava-se não só para as terras de S.Vicente da Raia mas também para Espanha, vivendo com (e da) salutar promiscuidade com a Galiza, tal como todas as aldeias da raia, promiscuidade de duas nacionalidades, promiscuidade de guardas, carabineiros e contrabandistas, promiscuidade com alinhados e desalinhados do sistema e do regime, que, como terra de pulo, recebia e hospedava com a cumplicidade e hospitalidade com que o nosso povo tão bem sabia e ainda sabe receber.

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Com certeza que em coisas de contrabando, das passagens a pulo das “peles”, e da hospedagem de “clandestinos” com pensamentos diferentes do instituído,  Travancas tem muita história e terá (ou teria) muito para contar,, e que seriam dignos de muitos romances ou filmes de encantar, tal como a “Balada da Praia dos Cães”, de Cardoso Pires, que também veio a Travancas buscar um pouco do enredo e personagens.

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Talvez por ter sido uma aldeia tão importante em termos de raia e contrabando, de Guardas-Fiscais e contrabandistas que tinham por lema estudar e formar os filhos, hoje, com a abolição da fronteira e a extinção da GF, Travancas esteja entregue a alguns, (poucos) resistentes e a muitos (a maioria) de uma população idosa, que embora não seja muito notório no cultivo dos campos, que continuam a ser cultivados com a boa batata e o centeio, Travancas não deixa de ser uma aldeia despovoada e com a sua população envelhecida.

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Despovoamento que é notório também no seu casario, com muitas casas “esborralhadas”, pouca construção nova e algumas recuperações, dos tais filhos da terra que se formaram e sentimentalmente preservam a casa dos pais, mas só para passagens ocasionais de um fim-de-semana de Inverno, ou-um-ou-outro fim-de-semana quando calha ou o sentimento dita. Claro que na sua gente (formada e não formada)  há filhos da terra que são excepções, tal como o actual  Presidente da Junta, o Gustavo (é assim que é conhecido, pelo nome próprio) um autêntico dinossáurio da política das freguesias que desde o 25 de Abril só não foi Presidente da Junta num mandato e, que tem sido ao longo destes 34 anos de democracia um fiel representante de freguesia, já desde os bem longínquos  tempos de há vinte e tal anos atrás em que o conheci, quando então eu era monitor da DGD, onde podiam falhar todas as aldeias do concelho, mas onde o Gustavo marcava sempre presença com uma equipa de futebol de Travancas com os “putos” da freguesia.  Outro nome que sempre esteve também ligado à freguesia (este formado e médico), é o Dr. Vaz (também é assim que é conhecido de todos, quer na freguesia quer na cidade), actualmente presidente da Assembleia de Freguesia e que sempre manteve uma ligação estreita à aldeia, quer como filho dela, quer como amigo, quer como médico, ao qual todos reconhecem as suas qualidades de homem e médico, com uma forte ligação a povo das aldeias, mas também da cidade.

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Não poderia passar por Travancas sem realçar estas duas figuras que tão bem a representam e das quais tenho a honra de conhecer, ser amigo e respeitar já há longos anos.

 

Mas mesmo a freguesia estando entregue em boas mãos, não deixa por isso de sofrer dos males das aldeias, o despovoamento. Segundo o Censos de 2001, Travancas possuía 168 habitantes residentes (dados só para a aldeia). Para a freguesia, nos mesmo Censos, Travancas reunia 520 habitantes, contra os 872 habitantes de 1981. Claro que já nem comparamos com dados mais antigos, como os dos anos 60 em que a diferença seriam bem mais acentuada. Mas na análise dos números, o despovoamento da freguesia deve-se principalmente a Travancas e pelo tal “fenómeno” de ter estudado e formado os seus filhos em tempos passados e os mesmos não encontrarem na aldeia qualquer modo de vida compatível com as suas profissões. Aliás a única profissão que ainda por lá prevalece, é a de agricultor e graças a uma agricultura mais extensiva daquilo que é costume no concelho e que está a cargo de meia dúzia de famílias, como por exemplo a família Maldonado, porque a não ser assim, também muitas das suas terras já estariam abandonadas, terras quase na totalidade agrícolas e que se estendem por 12.73 km2 de área, onde a batata é rainha e o centeio marca a sua importante presença e se perdem de vista no planalto e que dão a freguesia a tal paisagem singular.

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Alguns castanheiros, milho, e gado, além das culturas típicas e de proximidade das aldeias, as culturas das hortas, da cebola, alface, tomates, pimentos, feijão e de tudo quanto a casa precisa diariamente, também se fazem sentir no alinhamento das pequenas e bem tratadas hortas.

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Travancas é também uma aldeia que conhece o rigor dos Invernos e do frio, da neve (quando toca!) e tudo graças a sua altitude de 900 metros, num extenso planalto que de Inverno assume um aspecto agreste. É a aldeia, que se situa à maior altitude, na região.

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O Abade Baçal defendia mesmo que o seu topónimo derivava da palavra trabanca, termo espanhol que significa obstáculo ou coisa impeditiva de trânsito. É da mesma origem o termo atravancar. Possivelmente este povoado do alto da serra e do grande planalto impediria o avanço de invasores,  seria ponto estratégico da antiga arte militar e talvez local onde, em tempos passados, se travaram sangrentas batalhas entre mouros e cristãos (dizem os entendidos das universidades públicas ou não).

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A noroeste da povoação, até há poucos anos, era possível observar vestígios de fossos ou trincheiras, que teriam sido abertos por ocasião da guerra da independência.

 

 

O povoamento primitivo era no local de Palheiros, do qual há pouca documentação ou referências escritas.

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A sua Igreja paroquial, da devoção a S. Bartolomeu, de linhas muito simples, tem gravado no dintel a data de 1811, que poderá situar a época do último restauro e acrescento. A festa ao padroeiro celebra-se a 24 de Agosto, no entanto é a festa do Sr. dos Aflitos, a festa da freguesia, que reúne mais força e mais tradição, esta a realizar no último domingo de Agosto, junto à capela localizada nas redondezas da aldeia, no meio dos campos de centeio e batata, pacato, calmo e agradável, além da festa natural de Agosto que está associada às naturais férias dos emigrantes e da sua visita à terrinha.

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E para terminar, só me resta mesmo dizer que sempre que vou para estas bandas, Travancas é ponto de paragem obrigatório, para refazer forças ao caminho, com um café ou uma água que seja, pois nas redondezas não há outro café que seja ou esteja sempre aberto e, publicidade à parte, mesmo porque não tem concorrentes, é o Café Central, que, claro, tinha que ser do Gustavo, o Presidente da Junta.

 

E por hoje é tudo e amanhã cá estarei, com algumas aldeias e outras coisas que merecem destaque neste blog.

 

25
Jul08

...

 

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A Ponte a Pé

 

um poema de José Carlos Barros

http://casa-de-cacela.blogspot.com

 

 

Nunca Marco Ulpio Trajano atravessou a ponte

a pé vindo de namorar à sombra dum plátano do

Jardim Público para jogar matraquilhos

na outra margem ou ouvir o Satisfaction dos Rolling

Stones numa Jukebox Wurlitzer de mil

novecentos e setenta e um: e isto

a meu ver vale um império.

 

 

Nunca Marco Ulpio Trajano atravessou a ponte

a pé vindo da Romana (oh a ironia)

depois de beber uma girafa e olhar o Tâmega

como se nenhum outro rio corresse

em todo o perímetro da península onde

parece que nasceu e tanto amou: e isto

a meu ver vale um Império.

 

Nunca Marco Ulpio Trajano atravessou a ponte

a pé depois duma ameaça de bomba no liceu

em pleno horário lectivo

arregaçando as mangas duma camisa triple

marfel oferecida por alguém que morria

de ternura a dizer o nosso nome ao ouvido: e isto

a meu ver vale um Império.

 

Nunca Marco Ulpio Trajano atravessou a ponte

a pé na madrugada da feira dos Santos

a olhar os plásticos dos atoalhados

e as embalagens gordurosas das farturas

e as tampas das caixas de sapatos

como se o lixo e a poesia se misturassem

nas margens do rio e a juventude

 

ficasse para sempre do nosso lado: e isto

a meu ver vale um Império.

Por isso eu quero passar a ponte

a pé e ver como Trajano nunca viu

ao longe os automóveis e as suas nuvens

vagarosas de gasóleo: porque isso

a meu ver vale um Império.

 

 

24
Jul08

Coleccionismo de Temática Flaviense – Galhardetes, Medalhas e Bombeiros

 

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Não há associação que se preze que não tenha os seus símbolos e também os seus galhardetes. No caso da associação de hoje, vais muito além de símbolos, galhardetes, bandeiras e medalhas, pois trata-se de uma associação humanitária e voluntária que nos merece todo o respeito, pois é de Bombeiros Voluntários que se trata e que merecem aqui, embora breves, algumas palavras de apreço, que pode passar pelo seu historial, também (para já) resumido e breve.

 

Mas, e ainda antes de passarmos à sua história, fica o galhardete e a medalha comemorativa do I Centenário, medalha cunhada em Oura, Prata e Bronze.

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A Associação Flaviense dos Bombeiros Voluntários, (ou Bombeiros Voluntários Flavienses, como vulgarmente são conhecidos)  foi fundada em 3 Fevereiro

 

de 1889, pelo então tenente Augusto César Ribeiro de Carvalho (que terminaria a sua carreira militar como general e também como um ilustre flaviense a quem se deve muita da história escrita desta cidade)

 

 

Após a fundação da Associação, e ainda sem quartel, os bombeiros constituíram quatro secções, distribuídas pela então vila de Chaves todas elas dispostas a uma acção rápida e eficiente em caso de incêndio, que seria anunciado por toques de sinos das igrejas, variáveis em número de badaladas conforme a Zona.

 

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Instalados inicialmente em muito precárias condições, no próprio edifício da Câmara Municipal e depois num barracão da Rua do Olival, foi intenção de uma das direcções da corporação (Fevereiro de 1906), construir o seu quartel num dos fossos da muralha da Madalena. A Câmara Municipal porém, veio contrariar essa ideia, pois tinha intenções de construir ali o campo da feira do gado, em substituição do campo então existente Tabolado.

 

 

Aproveitando na altura encontrar-se desocupada a Escola Conde Ferreira, por incapacidade de receber todos os alunos do ensino primário, ali se instalaram os Bombeiros por largos anos, ao que consta, com muita contrariedade da Câmara Municipal que desejava retomar o edifício para outros fins.

 

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Finalmente, em 1930, começaram a construir um quartel amplo e digno nuns terrenos fronteiros ao Convento das Freiras (actual Escola Secundária Fernão de

 

Magalhães) cedidos pelo banqueiro Cândido Sotto Maior. Instalações onde actualmente funciona a Biblioteca Municipal, e que ocuparam até há poucos anos atrás, antes de ocuparem o actual espaço a funcionar em modernas instalações no Bairro do Campo da Fonte, na freguesia da Madalena.

 

Actualmente a corporação conta com 112 bombeiros no activo, 14 no quadro de reserva e 13 no quadro de honra. Entre os bombeiros no activo, 15 estão na secção avançada localizada na aldeia de Cimo de Vila da Castanheira. No seu activo, conta com 3 médicos, 1 psicólogo,  15 enfermeiros e 1 mecânico.

 

A corporação conta actualmente com 25 viaturas, das quais 15 se destinam ao combate a incêndios, 7 a ambulâncias e 3 são já relíquias de museu, sendo o seu perímetro ou raio de acção distribuído por toda a margem esquerda do Rio Tâmega, sendo a cidade (freguesias da Madalena, Stª Maria Maior e Stª Cruz Trindade) da responsabilidade das duas corporações de Bombeiros existentes na cidade, (BVF + BVSP). De realçar ainda a existência de uma terceira corporação de bombeiros no concelho, a corporação de Bombeiros de Vidago.

 

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Nas suas instalações possui um pequeno museu dividido em duas secções: o de viaturas e outro, anexo ao Salão Nobre, onde reúnem fotografias de todos os comandantes desde a fundação, fotografias das primeiras secções de bombeiros e viaturas, fardamento antigo, bandeiras, condecorações, medalhas e todo um espólio histórico da corporação, que embora guardado e reunido com carinho, mereceriam algum trabalho de especialista na organização e catalogação de documentos e de todo o seu espólio. É caso para dizer que voluntários precisam-se para fazer a merecida história desta secular associação de voluntários, que conta já com 118 anos de existência.

 

E este é um breve (brevíssimo mesmo) resumo da história da Associação Flaviense dos Bombeiros Voluntários ou dos Bombeiros Voluntários Flavienses, também comummente conhecidos pelos Bombeiros de Baixo, para os distinguir dos Bombeiros de Cima (os Bombeiros Voluntários de Salvação Pública), cuja formação mais recente, resultou da cisão de bombeiros no seio da Associação Flaviense dos Bombeiros Voluntários. Uma história também por apurar e que muitas vezes traz a debate a razão ou justificação da existência de duas corporações de bombeiros na cidade de Chaves e da rivalidade, quanto a mim salutar, entre as duas corporações. Uma “guerra” na qual não me quero meter, tanto mais que ambas me merecem todo o carinho e respeito, sendo inclusive, associado de ambas as associações. É o meu pequeno, simples e até insignificante contributo para com os soldados da paz da nossa cidade e daqueles dos quais muitas vezes só são lembrados em horas de aflição, quando voluntariamente e diariamente põem em risco as suas vidas em prol da população, como é o caso dos nossos bombeiros convidados de hoje que contam já na sua corporação com bombeiros que morreram em serviço.

 

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E por hoje fico-me por aqui, a pretexto do coleccionismo de temática flaviense, mas com a promessa de um dia fazer uma reportagem mais alargada e merecida dos seus 118 anos de história.

 

E quanto às duas restantes corporações de bombeiros do concelho, o BVSP e os Bombeiros Voluntários de Vidago, também um dia passarão por aqui, mas como compreenderão e como se costuma dizer – a velhice é um posto -  e tinha que começar pelos Bombeiros Voluntários Flavienses, os Bombeiro de baixo.

23
Jul08

As Castas - Chaves - Portugal

 

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Chaves, 19 de Setembro de 1974

 

Converso indiscriminadamente com conhecidos e desconhecidos das mais diversas categorias. Perco horas e horas a ouvir coisas e loisas que parecem banais e até insignificantes. Admirado, um companheiro faz-mo notar. E dou-lhe a explicação:

 

- É através de pequenas revelações quase involuntárias que vem à tona a originalidade irredutível do humano. Mas essas raras pepitas apenas se conseguem depois de joeirar muito cascalho. É preciso uma grande dose de disponibilidade e simpatia para dialogar infindavelmente com o próximo, atento a todas as vozes, sem de antemão privilegiar nenhuma. Uma atitude de curiosidade que nada tenha de bisbilhoteiro e abra naturalmente as portas à confiança. Regra geral, as pessoas só querem conhecer o modo de vida dos outros. Assim as estratificam socialmente. Eu, pelo contrário, esforço-me por surpreender a diferença específica que faz de cada indivíduo um ser radicalmente distinto. O meu semelhante.

 

Miguel Torga, Diário XII

22
Jul08

O olhar de Javier R.Linera sobre a cidade

 

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Já sabem que às terças-feiras o olhar que por aqui passa é diferente do meu. São olhares que eu vou “roubar” ao flickr, nos grupos dedicados a Portugal, principalmente ao “Postais Ilustrados de Portugal” ( Linck ) e ao “Ilustrar Portugal”(  Linck ) , os dois grupos mais importantes onde se reúnem milhares de fotografias de Portugal, de fotógrafos de todo o mundo.

 

A cidade de Chaves e o concelho diariamente são “postadas” nesses dois grupos, quer pelos blogers flavienses, quer (amiúde) por outros fotógrafos portugueses e de todo o mundo que passaram por Chaves e deixam por lá as suas imagens tomadas aqui na terrinha. Este sim, é um verdadeiro festival de imagens de Chaves e, que têm levado Chaves a todo o mundo. Basta no flickr ou num destes grupos fazer uma pesquisa de imagens com a chave “chaves” e serão surpreendidos com uns milhares de fotos da nossa cidade.

 

Nesses grupos, existem vários patamares que se vão subindo conforme a votação ou prémios, que os elementos do grupo dão a cada foto. Também aqui, Chaves sobe aos patamares maiores de cada grupo. Foi num desses patamares maiores que “tropecei” com a foto de hoje , ( www.flickr.com/groups/portugalouro/discuss/72157605913287276/), na Série Ouro do Ilustrar Portugal com 12 distinções. Uma foto assinada com o nick Línea 68 de autoria de Javier R.Linera, que segundo a sua “ficha” no flickr reparte a sua naturalidade e vida por Xixón (Astúrias) e Toledo na vizinha Espanha.

 

É sem dúvida um olhar diferente sobre a Praça do Duque de Bragança, com as pombas em primeiro plano e o poder dos Paços do Concelho de fundo. Uma belíssima foto que faz parte de uma galeria pessoal que também é digna de uma visita e onde (infelizmente) Chaves só é contemplada com uma foto, mas que mesmo assim nos honra com a sua presença. Visitar a galeria de Javier R.Linera aqui .

 

E correndo o risco de me tornar repetitivo e chato, volto ao Festimage para o qual também deixo linck e onde a minha revolta para com este festival da imagem não vai para a sua forma ou conceito/concepção, mas para um pormenor regulamentar,  de ser um festival promovido por Chaves e pago por Chaves,  onde não existe uma promoção de imagem de Chaves, ao não existir qualquer  prémio ou exigência para que Chaves seja um dos temas a fotografar/premiar e aquilo que aparece como imagem e história da nossa cidade no sítio oficial do evento na NET, é muito pouco comparado com aquilo que Chaves tem para oferecer ao mundo. Já agora fica uma sugestão para o designer do Sítio oficial na NET do Festimage, mais precisamente para o  Press-Release que consta no mesmo, onde estão 8 fotos de Chaves (extra festimage e concurso) e 6 do nosso Presidente da Câmara, onde depois de ler o texto, os menos atentos, ainda vão pensar que o nosso Presidente é o indiano vencedor do Festimage. Claro que os mais atentos, vêem logo pelo bigode que só pode ser o Presidente da Câmara de Chaves, pois esta é uma característica particular dos últimos presidentes de Câmara e também dos candidatos derrotados, além de ser um símbolo de Portugal (dizem-me que também dos Turcos). E quanto aos do costume, que não encontrem no bigode um pretexto para qualquer coisinha, pois o autor deste blog também o ostenta, com muita honra, desde que tem barba na cara. A minha revolta para com o festimage é só, e unicamente, por Chaves não ser contemplado em imagem nele, nem com uma imagenzinha, e (já agora) nem sequer consegue trazer a Chaves os premiados, pois nem sequer existe uma entrega de prémios oficial.

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