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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Set08

O olhar de Luis Feliciano sobre a cidade de Chaves

Foto de Luis Feliciano - Vitral da Igreja Matriz

 

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Já sabem que às terças-feiras temos por aqui um convidado com o seu olhar sobre a cidade de Chaves.

 

O nosso convidado de hoje chama-se Luís Feliciano, como sempre, descobri-o por mero acaso no flickr e graças à nossa Top Model Ponte Romana, pois até vista de relance é inconfundível.

 

Luís Feliciano, é este o nome e nick que usa no flickr. Aparentemente nome português, mas depois de entramos na sua galeria de fotos e verificar o seu perfil, há a acrescer aos nomes, os apelidos de Gonzalez Baz, o que nos leva até ao outro lado da raia.

 

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Foto de Luis Feliciano

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De facto o Luís é um galego de Vigo e, confidenciou-me por mail, ser amante de Portugal, mas também de boas fotos e bons registos, a julgar pelo que se vê na sua galeria.

 

Sobre Chaves, para já, brinda-nos com 11 fotos e 11 olhares  refinado e apurados sobre Chaves dos quais hoje vos deixo apenas 3 olhares. No entanto recomendo uma visita à sua galeria de fotos, que poderá encontrar neste  atalho  e deliciar-se com as restantes fotos de Chaves, olhares diferentes, bem como com as restantes e belas fotos da sua galeria.

 

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Foto de Luis Feliciano

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Prometo que o Luís Feliciano passará por aqui outra vez, mesmo porque também nos confidenciou que tem mais fotos de Chaves para publicar. Ficamos a aguardar e oportunamente será novamente convidado do blog.

 

Ao Luís Feliciano resta-me agradecer a simpatia e prontidão da sua resposta ao permitir usar aqui as suas fotos e sobretudo agradecer-lhe estes belos olhares sobre a cidade de Chaves. Obrigado Luís e volte sempre a Chaves, com a máquina fotográfica.

 

Até amanhã, em de novo em Chaves.

 

29
Set08

Arrabalde, Escavações arqueológicas e o Eusébio.

 

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Há dias em que os ventos não nos correm mesmo de feição. O digitalizador avaria, o You Tube não aceita o filme, o Flickr anda com problemas, a Internet falha e o tempo é escasso. Tudo se vira contra nós e, mesmo insistindo, o resultado fica muito aquém daquilo que pretendíamos. Para cúmulo, a máquina fotográfica também está doente e entre outros problemas, também não pude ir ver a passagem de modelos tamagani aconchegada pela nossa Top Model maior, a Ponte Romana. Fim-de-semana para esquecer, mesmo assim, vamos ao post possível, conseguido sabe-se lá como!

 

Pois hoje pretendia apresentar o filme das escavações dos balneários romanos do arrabalde e elogiar aquilo que foi feito ou se pretendia fazer neste fim-de-semana pelas escavações. Também queria deixar por aqui a passagem de modelos Tamagani na nossa ponte, mas fica o que é possível deixar por aqui.

 

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Há quem me acuse de por aqui (em palavras) só deixar o que de mau vejo na cidade e é um pouco verdade, por duas razões: - A primeira porque todos temos tendência a aceitar as coisas que acontecem por bem como coisas naturais, que apenas poderiam acontecer por ser o mais correcto e desejado ou seja, é como a água ou a electricidade, só nos lembramos do importante que é quando nos falta; A segunda razão é precisamente a razão contrária da anterior, ou seja, que só dá nas vistas e só na chama à atenção aquilo que não está correcto ou aquilo que nos desilude.

 

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Pois neste fim de semana o pouco que aconteceu cá pela terra foi positivo, principalmente no que diz respeito às escavações arqueológicas e à informação vertida sobre os balneários romanos, porque as pessoas, a população em geral, merece e deve ser informada do que lá se passa, nem que seja pela simples razão de se explicar o que lá se passa e que aquilo afinal não é um buraco (como alguns dizem) mas algo de muito importante para a história, principalmente a da cidade de Chaves e do nosso passado romano.

 

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Um bem haja para o município por finalmente explicar e fazer daquela escavação um museu ao ar livre, só peca mesmo é por defeito, pois as anunciadas visitas às escavações não aconteceram durante o fim-de-semana (como estava anunciado em cartaz) e o painel explicativo, no meio de tão grandes escavações e largo envolvente, não passa de uma agulha num palheiro, que ninguém vê, a não ser que tropece com ele, aliás o mais visível mesmo no largo são as placas da obra e o Sr. Eusébio da Silva Ferreira. Valha-nos ao menos isso, o Eusébio, que no largo faz boa figura.

 

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Mas este assunto é sério demais para ser tratado com leviandade e, da minha parte, fica prometido deixar aqui pelo blog toda a informação possível sobre as escavações assim que me for possível, entretanto, se olharem com atenção, no meio do largo há um pequeno cartaz, minúsculo mesmo para a importância que tem,  com algumas informações sobre o que por lá se passa. Pode ser que para o próximo ano se dispense uma das fotos de grandes dimensões do festimage, para deixar nestas escavações uma informação atraente e visível.

 

Eu bem tento os elogios, mas, nem sempre são possíveis, porque nem sempre vale a intenção. Há vezes em que mais vale nada fazer do que fazer mal. Gostei das senhoras a distribuir informação, mas de tão mal habituado que o pessoal está, toda a gente lhes fugia, pois pensavam que eram testemunhas de Jeová, publicidade indesejável, ou coisa parecida.

 

 

Só resta mesmo explicar as primeiras imagens do post, pois a primeira tenta retratar aquilo que seriam os baneários romanos no seu interior e a segunda os mesmos vistos do exterior. Seria mais ou menos isso que existiu há cerca de 2000 anos no arrabalde. Imagens bem mais simpáticas que as actuais.

 

Até amanhã, com outros olhares.

 

28
Set08

Bobadela de Monforte - Chaves - Portugal

 

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A nossa aldeia de hoje é uma velha conhecida minha, pois no 15 de Agosto, dia de festa na aldeia, tínhamos sempre encontro marcado.

 

Mas ainda antes de entrarmos nossa aldeia de hoje, Bobadela, deixem-me explicar um bocadinho a importância que essa aldeia tinha nessa data.

 

Sou da colheita de 60, uma boa colheita por sinal, os da minha geração e os mais velhos conhecem na perfeição a importância que as festas tinham nos anos 60 e 70 (não falo dos anos anteriores porque não sei como era, mas suponho que fosse idêntico). As gerações mais novas, já não entendem tão bem a importância e tradições que estavam ligadas às festas. Sei-o porque que tenho em casa um adolescente e uma criança além de trabalhar também com gente mais nova que eu, que estão muito longe de saber, embora o tentem imaginem, o que era viver sem água canalizada em casa, sem instalações sanitárias, sem electricidade, sem televisão, sem frigorífico, sem computador e até de uma coisa tão simples como uma máquina de calcular.

 

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Sinto-me um privilegiado por ter assistido a todos esses grandes momentos como o da televisão, mesmo que a preto e branco, com um só canal, a fechar à meia-noite e constantemente interrompida com aquele famoso ecrã negro onde projectavam “Pedimos desculpas por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos”, mas antes disso, foi-o a electricidade, que embora eu (porque nasci na cidade) já tivesse nascido com luz, na grande maioria das aldeias ainda não tinha lá chegado.

 

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Tudo isto para chegar ao 15 de Agosto de Bobadela e à sua festa, pois também em termos de divertimentos e lazer, o que havia de mais importante, eram as festas dos bairros e das aldeias, fora isso, as brincadeiras de rua, as futeboladas, os matraquilhos e os sapos das tabernas e para os mais intelectuais, as tertúlias nocturnas dos cafés, e estas, só para os da cidade.

 

A importância das festas era tanta, que nós em adolecentes crescidotes, tínhamos os calendários das festas mais importantes ou daquelas que eram de visita obrigatória, por uma ou outra razão. Festas como a de Vilarelho, de Outeiro Seco, de Valpaços, de Vilarandelo, de Lebução, de Boticas e, para mim, a do Sr. da Piedade de Montalegre, era impensável faltar. Mas havia também as de visita obrigatória porque era terra de amigos, colegas ou até de namoradas e às vezes, tudo junto.

 

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A festa de Bobadela era uma que estava marcada no calendário como visita obrigatória, porque as tais condições todas juntas se reuniam para nós lá irmos, e digo nós, porque a festas nunca se ia sozinho. Em Bobadela tínhamos convite para casa do Tio Jaime, que era pai de uma colega de liceu, amiga e namorada de um amigo, e como na altura os pais das namoradas metiam sempre medo, lá ia-mos indo, uns de acompanhantes e amparo de amigos e outros de namorados. Mas valia sempre a pena, pois festa era festa, sempre boa mesa e bem regada, banda no coreto e foguetes no ar, não podíamos ser mais felizes e havia muita solidariedade e cumplicidades entre a juventude de então. Só a título de curiosidade, o meu amigo “velhote” casou anos mais tarde com a filha do Tio Jaime e hoje, já é sem medos, mas por amizade que sempre que passo por Bobadela paro em casa do Tio Jaime para os cumprimentar.

 

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Mas vamos até Bobadela e deixemos de parte as inevitáveis estórias do passado.

 

Bobadela é ainda uma das terras do grande planalto, fica a 18 Km de Chaves e o acesso é feito a partir da tal Nacional 103. É sede de freguesia à qual pertence ainda o lugar ou aldeia da Bolideira, a tal que tem a famosa pedra da Bolideira, porque além de gigantesca (para pedra) qualquer um de nós a consegue fazer bulir.

 

Bobadela em termos de área do seu território é uma das mais pequenas freguesias do concelho, com apenas 6 km2, mas mesmo assim faz fronteira com as freguesias de Oucidres, Águas Frias, Tronco e Nozelos, esta última já pertença do Concelho de Valpaços.

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Em termos de população também é a freguesia com menos população do concelho com apenas 124 habitantes residentes, mas que, contava ainda com 16 residentes com menos de 20 anos, dos quais 5 tinha menos de 10 anos (Censos 2001). Comparativamente com os Censos de 1981, perdeu 73 habitantes o que em termos percentuais significam 38% da sua população. Mesmo assim, um número invejável para as aldeias que mais sofrem de despovoamento.

 

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Claro que tudo numa escala mais pequena, porque a freguesia e aldeia sempre foi pequena, a aldeia tem os seus emigrantes, os seus abandonos para as cidades e o seu envelhecimento, principalmente no casario mais antigo e abandonado, algum em ruínas. Inevitável, não só por falta de políticas acertadas para as aldeias e para todo o interior, mas também por permissões, facilitismos e complicações de Leis que permitem e não permitem, complicam em termos de heranças ao permitirem que pequenos prédios já por si reduzidos seja divididos por vários (às vezes muitos) herdeiros. Claro que teoricamente são prédios indivisos, mas à nossa boa maneira tudo se vai contornando e se nos prédios rústicos a coisa é fácil e cada um cultiva o seu pedaço, nos prédios urbanos, ou seja nas casas, a coisa já não é tão fácil de dividir nem de abdicar da sua quota-parte ou quinhão e, como é de todos, ninguém investe individualmente e,  como ninguém investe, o casario acaba por deteriorar-se e acabar em ruínas. Além disso, também é mais fácil e barato, além de criarem melhores condições construir de novo do que reconstruir, e assim, repetidamente nas nossas aldeias, vemos periferias e até terrenos agrícolas invadidos por novas construções enquanto que o antigo e tradicional casario está ou caminha para a ruína. Claro que não estou a falar de Bobadela em particular, mas em geral, pois é assim em todas as aldeias – “as casas belhas estão todas esborralhadas ou esbarrondadas” é o que me costumam dizer, mas nem era necessário, pois está à vista de todos.

 

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Bobadela de Monforte, como todas as nossas aldeias é essencialmente agrícola cujas produções são, o centeio, batata, milho, frutas e algum vinho. Embora por lá existam algumas construções recentes e alguns arranjos também recentes, não deixa de ser uma aldeia pitoresca com um núcleo envelhecido de construções tradicionais onde o granito era rei e senhor, no entanto sem casario rico ou solarengo, mas muito interessantes. Bobadela, está situada num ponto alto da região (no grande planalto), na envolvente do Castelo de Monforte, entre matas de soutos e carvalheiras, assente nos visos da serra a dominar toda a encosta até ao fértil vale de Tinhela (concelho de Valpaços).

 

Possui uma interessante igreja matriz, cujo orago é São Pedro.

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Numa das casas da aldeia existem três pedras trabalhadas que datam de 1517. Claro que a origem da aldeia é concerteza muito mais antiga no entanto apenas existem teorias e suposições quanto à sua antiguidade levantada por alguns historiadores locais e que ligam a aldeia a uma suposta ou provável estância castreja da idade do ferro desenvolvida no alto da Cidadonha (ou Cigadonha) onde se diz existir vestígios de fossos e muralhas.

 

Dizem ainda alguns escritos que a nobre família dos Andrades, descendentes de Nuno Freire de Andrade, Mestre da Ordem de Cristo, que veio para Portugal no reinado de D. Pedro de Castela, teve aqui a sua Torre ou Casa Forte. Este castelo e outros congéneres que existem na Galiza e norte de Portugal, poderão remontar aos afastados tempos da reconquista cristã, e aos quais se refere o velho Livro de Linhagens. Este nome de Castelo ou Torre dos Andrades, poderá ter sido atribuído como trofeu de glória, para recordar os feitos do ilustre cavaleiro que, com mais quatro companheiros de armas, foi até Espanha combater os sarracenos, em companhia do conde D. Mendo.

 

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Os Andrades recolhem o apelido da vila de Andrade, situada na Galiza. Esses senhores, cobertos de honrarias, foram donatários da aldeia. Um deles. o conde de Bobadela, em 1733, foi governador e capitão geral do Rio de Janeiro e mais tarde governador de Minas Gerais e de S. Paulo. Criou no Rio de Janeiro a primeira oficina tipográfica, erigiu o aqueduto de Carioca e interveio na construção de outros edifícios públicos". Dessa família descendeu o general Gomes Freire de Andrade, grande lutador e mártir da liberdade. Deduz-se até que Bobadela é uma designação de origem árabe, que poderá derivar de Boabdil, nome do último rei de Granadas, e que seriam eles, os árabes, os seus fundadores. Foi relativamente curta e efémera a estada dos mouros nestas terras, mas é incontestável que deixaram inúmeros sinais da sua passagem sobretudo em termos de topónimos como: Alpande, Alfonge, Amoínhas (Almoinhas), Almorfe, Bóbeda entre tantos outros. Perto do centro urbano, situa se o castro designado por Cidadonha, de edificação pré romana, embora depois tivesse sido romanizado, como se infere dos achados arqueológicos. Castro esse que integrou a vasta rede de fortificações romanas, que se estendem pela orla do extenso planalto, desde as margens do rio Rabaçal até aos vales de Aguiar e margens do rio Corgo. Conta a lenda que nesse castro existem três arcas: uma contém ouro, outra contém prata e a terceira está cheia de peste. Ninguém ousa abri-las porque desconhecem o seu conteúdo e poderiam abrir a da peste e assim desencadear uma mortífera epidemia. Lendas são lendas e história é história, mas nem sempre a história e historiadores estão de acordo, o que nos leva à velha questão de que a história tem sempre duas ou mais versões.

 

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Pois também a respeito dos Andrades desta aldeia, também já li escritos que dizem a terem existido, seria uma simples linhagem desse daquele ramo, ou seja, como diria o velhinho e falecido Dr. Castro – Existir, existiram, mas não tinham importância nenhuma, por isso não se fala mais deles.

 

Por mim deixo por aqui o que dizem os historiadores, sejam eles locais, consagrados ou não e, até sem me importar muito se andaram nas universidades públicas ou não, seguindo sempre o meu lema do que tudo o que dizem pode ser verdade, mas também pode ser mentira.

 

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Um exemplo disso tem a ver com o topónimo desta aldeia, pois como já atrás disse pode ter origem em Boabdil dos Mouros, mas também há os que defendem que a sua origem alude a uma fonte de abóbeda ou fonte coberta.

Brincando com esta última teoria, eu penso mesmo que o topónimo terá origem numa fonte em que quando os ilustres antepassados passavam por ela diziam: - Olha ali uma fonte,  vamos lá “bober-dela”!. É a minha simpática teoria para acrescentar à confusão do topónimo e mais uma valiosa contribuição para a história da aldeia. No entanto a julgar pelo letreiro da fonte, hoje já não é muito recomendável beber daquela água.

Claro que todo o último parágrafo é para esquecer, não vá alguém pensar que estou a dizer isto a sério. O Adiantado da hora dá-me para estas coisas.

 

E assim concluímos mais uma freguesia com post alargado para as suas aldeias, ou seja, é mais uma com direito a mosaico fotográfico que oportunamente passará por aqui.

 

Entretanto amanhã cá estarei com o rescaldo do fim de semana e de regresso à cidade.

 

27
Set08

Argemil da Raia - Chaves - Portugal

 

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Já passamos por Travancas e  São Cornélio. Para a freguesia ficar completa só faltava mesmo ir a Argemil da Raia, não por nunca lá ter ido, pois Argemil é terra e aldeia de passagem obrigatória para as terras da raia da freguesia de S.Vicente da Raia, aliás, é desde Argemil que as terras e freguesia de S.Vicente começam a ganhar o seu encanto e desde onde melhor se avista o tal mar de montanhas ao qual eu tantas vezes por aqui refiro.

 

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Então vamos lá até Argemil da Raia que como o próprio topónimo indica, é também ela uma aldeia da raia, de fronteira com a Galiza, Espanha, onde pela certa também haverá muitas estórias passadas de contrabando e clandestinidades, negócios de “peles” ou pelo menos a sua passagem.

 

Um pequeno aparte para explicar (a quem não sabe) o que são as “peles” as quais já não é a primeira vez a que me refiro por aqui. Pois as “peles”  entre aspas, pois havia então o negócio verdadeiro de peles,  era o nome dado em código por alguns passadores aos que clandestinamente tinha que atravessar a fronteira, ou seja, aqueles que foram os nossos emigrantes dos anos 60 e que a “pulo” partiram por essa Europa fora.

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Como já devem ter percebido esta terra da raia, pertence à freguesia de Travancas, fica a 21 quilómetros de Chaves e para variar, em termos de população, é uma das poucas aldeias de montanha ou fora da periferia da cidade, que ainda tem muita população residente. Aliás os números demonstram isso mesmo e é a aldeia mais populosa da freguesia com os seus 225 habitantes residentes (Censos 2001) contra os 166 habitantes da sede de freguesia (Travancas), ou seja, só Argemil tem tantos habitantes como o somatório das outras duas aldeias da freguesia, pois dos 520 habitantes da totalidade da freguesia, 225 são seus. Mas os números não ficam por aqui, pois poderiam ter muita gente e a sua população ser envelhecida, mas não, esse envelhecimento é contrariado pelos 54 residentes com menos de 20 anos dos quais 12 tinham menos de 4 anos (tudo números do Censos de 2001).

 

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Claro que Argemil também tem os seus emigrantes, os seus abandonos e filhos que partiram para a(s) cidade(s), mas mesmo assim, é uma aldeia resistente.

 

Hoje estou em dia de apartes, pois vamos até mais um. Geralmente quando vou para as aldeias da Serra do Brunheiro o da Padrela falo-vos da famosa Estrada Nacional 314 que nos leva a todas aquelas aldeias. Pois esqueço sempre referir a Estrada Nacional 103 e a importância que ela tem para mais de metade das aldeias e população do nosso concelho e que é a única que atravessa de lés a lés o nosso concelho. Pois é precisamente a Nacional 103 que temos de seguir, em direcção a Bragança para chegarmos a Argemil da Raia e a todas as aldeias do grande planalto. Claro que em alternativa podemos apanhar a Nacional 103-5, via Vila Verde da Raia, Mairos e a partir de aqui, seguimos a famosa estrada municipal do Padre Delmino, que liga Mairos a S. Cornélio. Logo a seguir (optando pela orientação Norte) temos Travancas (Capital da Batata) e juntinho a ela está Argemil.

 

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Argemil da Raia, situa-se também na serra de Mairos fazendo parte do extenso planalto que abrange as terras da Castanheira e a pedra Bolideira, a uma altitude média de 850 metros. Pertence a terras do planalto, mas é precisamente lá que o mesmo termina.

 

 Tem uma pequena capela cujo orago é São Miguel Arcanjo que se festeja a 8 de Maio de cada ano.

 

É aldeia muito antiga que e que já possuiu casas rústicas muito interessantes. Mas como aldeia resistente, com vida e população que foi mantendo, as características de ruralidade das construções de granito a transitar para o xisto foi-se perdendo nas últimas dezenas de anos onde as novas construções e os actuais materiais utilizados na construção começaram a aparecer. Ou seja, Argemil em termos de casario, não é um bom exemplo da aldeia típica das construções de granito, mas antes de uma aldeia nova que nasceu de uma antiga aldeia.

 

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Quanto à sua antiguidade e ao que consta, o povoamento reporta-se à permanência dos suevos e o seu topónimo terá origem em Algemir ou Algennirus. Do casario tradicional que existiu, salienta-se, entre todas, a casa pertencente aos herdeiros de Ângelo Tenreiro, professor em Mairos nos finais do Sec. XIX. Ao que tudo aponta, deveria ter sido mandada construir pelo seu pai, o vigário da Paróquia de Travancas, Padre Domingos Manuel Alves da Rocha Raposo Tenreiro, nos finais do século XVIII ou princípios do Século XIX.

 

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E sobre Argemil da Raia nada mais digo, porque também não o sei, mas sei que vai tratando de manter as novidades de Argemil sempre actuais e onde há mais sobre esta aldeia, pois já há muito que Argemil marca presença na NET, actualmente neste sítio:

argemildaraia

 

Quanto às fotografias, foram as possíveis tomadas numa tarde a caminho de Segirei, mas mesmo assim deu para perceber que Argemil da Raia não é excepção quanto aos fios azuis e a sua importância no mundo rural, não fossem eles os melhores. Este é outro aparte e pormenor curioso, pois não há uma única aldeia do concelho onde os fios azuis não marquem presença, quer em portas, portões, cancelas e outras vedações ou amarrações. São os melhores e baratos. Fica aqui o meu elogio tardio ao fio azul.

 

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E por terras de Argemil e Travancas é tudo. Mais uma freguesia à qual concluí as minhas visitas em termos de reportagem fotográfica e onde as três aldeias já tiveram aqui o seu post alargado. Têm assim direito em termos de fotografia ao mosaico da freguesia. Um destes dias (fim-de-semana) por aqui passará.

 

Até amanhã, com mais uma das nossas aldeias.

26
Set08

Discursos Sobre a Cidade - "o Tio Horácio" - por Gil Santos

 

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Texto de Gil Santos

 

O TIO HORÁCIO

 

“O Outono quente traz o diabo no ventre”diz o povo e tem rezão! E este de 35 haveria, infelizmente, de fazer jus ao adágio. As colheitas eram fartas. Os cachos estavam reluzentes nas cepas. Os restolhos repletos de grão, esbanjado pelas espigas esturricadas pelo calor e agitadas pela ceifa. As leiras, de onde se arrancaram as batatas, tardavam em estar prontas para o tão desejado rebusco, o pão dos pobres, uma vez que não havia pinga de água que trouxesse à luz do dia, os tubérculos esquecidas no arranque. Os lameiros, cujo feno havia há pouco sido cortado, apresentavam-se tisnados como era normal no final do Verão. Os coelhos bravos que a Primavera criou, mostravam-se nutridos e luzidios. As perdizes, pastando o grão esbanjado no restolho, estavam roliças. A caça acabava de abrir e este ano augurava-se lucrativa.

O Ti António, robusto lavrador da Veiga e afamado caçador, era o chefe de uma vasta família que sentava à mesa para mais de dez pessoas todos os dias, contando com a criadagem. Casou com a cunhada Albertininha, que já no terceiro casamento, estava viúva de seu irmão. Do primeiro enlace, com Manuel, nasceram dois rapazes, o Alberto e o Balele e uma menina a Celeste. Manuel faleceu ainda novo quando, esticando uma corda que apertava um carro de feno, esta se partiu estatelando-o tragicamente contra um penedo. Com três crianças nos braços e uma lavoura forte, Albertina carecia de um homem em casa. Por isso amanhou-se novo casamento que pusesse os campos a produzir e a criadagem na linha Deste segundo enlace, agora com Zézinho, nasceram mais quatro rebentos, a Noémia a Perpétua, o Horácio e o Mário. Não durou muito este matrimónio. José seria atraiçoado por uma doença ruim, passados uns prestes seis anos. Zézinho tinha um mano viúvo, António, que rapidamente se mostrou disponível para guiar aquele barco descontrolado de seus sobrinhos e de sua cunhada. Casaram e deste contrato não houve descendência.

António gostava de caçar e tinha olho certeiro. Na altura possuía já uma caçadeira Browning de canos paralelos do melhor que se fabricava. Quando saia, acompanhado do Tirone e do Fiel, dois podengos de estalo, rara era a vez que regressava de mãos a abanar. Aproveitava, quase sempre os Sábados, para bater os restolhos da Veiga à busca de perdizes ou os giestais da encosta ao coelho bravo.

Assim foi naquele fatídico primeiro Sábado do mês de Outubro. Saiu de madrugada regressando ao fim da tarde com meia dúzia de nutridas aves à cinta. Pendurou desleixadamente a espingarda, ainda carregada, como muitas vezes fazia, numa espécie de bengaleiro tosco que repousava num canto da pequena saleta da entrada de sua casa.

António havia contratado, há pouco mais de dois meses, um novo criado, o Tibério, rapazote dos seus dezassete anos que vindo dos lados de Montalegre fugia à fome e à vara de marmeleiro de um pai tirano. Completamente atravessado, o Tibério, só fazia asneiras. A vida madrasta que o beijou desde o berço, não permitiu que a razão crescesse ao ritmo do corpo e então tudo o que fosse tropelia era com ele. Ao mesmo tempo que refinava o engenho da travessura crescia-lhe um gosto especial pelo sexo oposto, o que era natural não estivesse aquele corpo de final da puberdade a arrufar-se de desejo! Nesta senda, não lhe eram indiferentes os catorze anos da arisca patroa Noémia a quem desde que chegou arrastava a asa. Qual pavão no cio, armava-se de tudo o que podia para se fazer notado: assobiava as cantigas da moda, botava perfume Lavanda contrabandeado de Feces para ir à missa ao Domingo, brilhantina no cabelo e assim ajeitadinho galava Noémia com olhares fulminantes sempre que podia. Enfim,!... Apesar do esforço, a moçoila ignorava-o de todo. Ou porque não estaria ainda preparada para as coisas do amor ou porque de facto Tibério não tinha aquela química que lhe acendesse o castiçal do desejo!... A verdade é que não batia!

Era costume na casa de António toda a gente, não impedida por razões que se justificassem, assistir à missa domingueira do padre Rabaça, pelas oito, na igreja da Madalena. Assim aconteceu naquele fatídico dia de Outono. Foram todos à desobriga, ficando em casa apenas a Noémia para guardar o mano Horácio que o seu tenro ano e meio aconselhava a que ficasse e o Tibério para botar a cria ao monte e pensar os animais de capoeira.

As tarefas a que estava obrigado, foram cumpridas tão rapidamente quanto lhe foi possível com o cheiro na Noémia. Depois de tocar a junta de bois galegos e duas vitelas à Galgueira, ripou uma gabela de feno para uma vaca parida que não podia ir ao pasto, colheu meia dúzia de folhas de couve galega para os coelhos e botou um balde de milho às pitas. Lambeu-se no tanque do pátio, lavando o focinho e passando as mãos húmidas pelo cabelo pastoso. Mudou de roupa, botou um cibito do tal cheirinho e à falta de brilhantina embebeu as mãos num fio de azeite da almotolia e untou o cabelo para que luzisse. Que pimpão estava o farsola!.... À volta de um grande negrilho que havia no pátio, repousavam duas lajes de granito que faziam de manjedoura para os bois galegos nos dias de mais trabalho, o artista sentou-se sobre a pedra e puxando do realejo soprou a cantiga da moda:

Oh tempo volta para trás,

Traz-me tudo o que perdi,

Tem pena e dá-me a vida

A vida que eu já vivi…

Esperava que a melodia encantasse a rainha do seu coração e a trouxesse à janela. Bem puxava pelas notas na gaita de beiços, mas nada! Ela bem o escuitava e ele sabia-o, porém, usando da matreirice astuta da raposa, em que as raparigas são afinal mestras, simplesmente o ignorava e como o enervava esta indiferença!... Cansou-se!

Subiu as escaleiras que do pátio levavam ao alpendre da porta de entrada, penetrou na saleta onde no dito bangaleiro repousava o trabuco da caça. Noémia estava sentada num escano da cozinha amamentando o mano Horácio com o leite morno de uma chiba mungida pela manhã e que este puxava sôfrego de uma tetina de borracha metida no gargalo de uma garrafa de Sagres. Tibério, para a impressionar, teve a infeliz ideia de pegar na espingarda apontando-lha e ameaçando-a de morte se não lhe ligasse. Um movimento mais brusco e a falta de prática dispararam a arma sobre os infelizes.

Tibério, mais surpreendido que as próprias vítimas, fugiu em pânico para lugar incerto. Mesmo hoje não se saber aonde pára.

Noémia foi chumbada na coxa esquerda felizmente sem efeitos graves. O pequeno Horácio sofreu as mais graves consequências ao ser apanhado em cheio, um pouco abaixo do joelho da pernita direita. O tiro foi aí tão certeiro que a mesma teve de ser amputada no hospital da Misericórdia de Chaves pelo médico cirurgião. Horácio ficou manco para a vida toda.

Evidentemente que sem uma das pernas teve que se agarrar a uma muleta para sobreviver. E o sucesso da adaptação foi tal que Horácio disputava com o mesmo ardor dos escorreitos os jogos de futebol no terreiro da Lapa. Jogava a ponta esquerda e era quase sempre o melhor marcador da equipa. Por ser manquinho, nomeada pela qual era conhecido, foi o único dos irmãos a ter o privilégio dos estudos, uma vez que, segundo o seu pai, não seria muito capaz de governar a vida na terra. Assim e depois de completar a instrução primária, foi para a Escola Industrial e Comercial, que das Portas do Anjo se havia há pouco mudado para um edifício à Lapa, junto à capela onde anos mais tarde esteve a Escola do Magistério Primário. Aí se formou em Contabilidade, curso que finalizou pelos dezoito anos.

De andar sempre com a muleta e com o coto encostado permanentemente àquela por mor de se equilibrar, ficou a perna quase tolheita, com as dobradiças do joelho um pouco enferrujadas e com os movimentos normais do joelho naturalmente comprometidos. Este problema era sério, uma vez que poderia hipotecar a possibilidade de um dia poder usar uma prótese de cuja inovação já se falava.

Um belo dia de Primavera, quando regressava da escola, mais cedo por feriado do professor Cachapuz, desceu a Rua de Santo António e sentou-se, repimpado, num dos bancos de cimento do Jardim das Freiras aproveitando o soalheiro da Primavera. Ao lado dele alapou-se um homem velho, com ar de bruxo, que ao reparar no o coto imobilizado, assim falou:

─ Oh rapaz, tu vais ficar aleijado para a vida toda se não movimentas esse coto. Deixa ver!...

É claro que tão inusitada atitude provocou em Horácio uma desconfiança natural. Mas como já era aleijado e já, anuiu a que o homem examinasse o joelho bloqueado. O homem viu, reviu e contraviu, apalpou e desapalpou, então retirou do bolso uma caixa de folha que já tinha sido de graxa e esfregou vigorosamente o joelho. A esfrega provocava um ardor estranho mas perfeitamente suportável. Depois desta operação, ditou:

─ Amanhã, por esta hora, apareces aqui para continuarmos o tratamento.

No dia seguinte Horácio, entusiasmado pelos primeiros indício de melhoras, lá estava à hora marcada bem como nos cinco dias seguintes. Ao sexto dia o homem forçou um pouco e o joelho que à conta de uma dor forte conseguiu movimentar até ao seu lugar anatómico. Como isto não acontecia há longos anos, Horácio ficou feliz e seguiu as instruções daquele bom homem, forçando todos os dias e sempre que podia os movimento normais do joelho. E em boa hora, porque pelos dezoito anos, logo após concluir o curso, leu no Primeiro de Janeiro a notícia de que um ortopedista madrileno desenvolvia a técnica protésica para pernas amputadas. Entusiasmado levou a notícia ao pai que logo cuidou de que Horácio pudesse ir a Madrid pôr uma perna nova.

Tudo preparado, acertado o preço de vinte contos de réis, uma fortuna para a época, lá foi Horácio até Madrid para que o Doutor Gonzalez tratasse de tudo. Por lá ficou mês e meio para se adaptar àquela nova muleta, agora extensão perfeita da perna em falha. Essa adaptação foi dolorosa mas perante a sensação de ser como os outros e não ter a perna da calça direita oca do joelho para baixo, tudo suportou. A prótese, muito rudimentar e pesada, atava-se desconfortavelmente com umas correias à cinta e dobrava pelo joelho através de uma mecânica difícil de ferros e dobradiças que não oleadas provocavam uma chiadeira muito incómoda. Porém, tudo isso valia a pena pela perna nova.

Chegado a Chaves ninguém o reconhecia. De manquinho passou a homem com duas pernas e depressa corrigiu, com suor e lágrimas, o inevitável manquitar para um caminhar quase tão normal como quem tinha suas as duas pernas.

Arranjou um emprego compatível com o curso. Empregou-se de escriturário numa empresa produtora de batata de semente que explorava uma grande extensão de terra na Boalhosa, um planalto de Paredes de Coura no Alto Minho. De guarda-livros evoluiu para gestor pleno da empresa cujo patrão era das felpas do diabo. À cidade natal de Trajano, regressava sempre que podia. Montado numa Famel Zundapp fazia a viagem quase sempre de noite de Paredes de Coura a Arcos de Valdevez, daqui a Ponte da Barca, Ponte do Bico, Amares, Rio Caldo, Cerdeirinhas, Ruivães, Venda Nova, Pisões, Barracão, Sapiãos e Chaves.

Por ali esteve os anos que pôde, uns sete ou oito, mas logo que viu hipótese pirou-se. Por informação de um camionista que aí vinha carregar batata soube que lá para a Lourinhã uma empresa de tratamento de bagaço de uva precisava de um guarda-livros. Fez-se ao caminho e aí se empregou até à reforma.

Ora com o avanço tecnológico foi trocando a prótese por aparelhos cada vez mais modernos, leves e confortáveis. E foram muitas as peripécias que na sua vida resultaram deste facto e aqui se contam:

Os anos foram passando, os flavienses amigos e conhecidos foram-se dispersando pelo mundo e quando esporadicamente encontrava algum que não o reconhecia, brincava com a situação perguntando ele próprio pelo manquinho. Após longas conversas e quando aqueles se apercebiam da finta, já do manquinho muito se tinha falado, bem e mal e ele logo ali ao lado. Era um fado!

Na empresa onde trabalhava havia um funcionário que tendo ficado sem o braço esquerdo numa das máquinas de secagem de folhelho, usava também uma prótese no braço. De tempos em tempos as extensões dum e de outro tinham de ser mudadas e normalmente iam juntos a um ortopedista de Lisboa para o efeito. Um dia combinaram e lá foram num Sinca 1100 que por acaso precisava de mudar o óleo. À passagem por Torres Vedras passaram numa oficina para o efeito. O Sinca foi colocado no elevador e subido. O aparelho era um daqueles hidráulicos de barras paralelas que pesadamente encaixavam em duas reentrâncias no chão da oficina. Ora quando as ditas barras estavam quase a encaixar o Horácio meteu o pé direito na ranhura e o outro o braço esquerdo. É claro que pé de um e mão do outro, entaladas daquela forma provocaram um pânico enorme entre os funcionários, para gáudio dos malandrões que nada preocupados porque iam trocar as próteses, riam a bandeiras despregadas da aflição dos desgraçados.

Doutra vez, passando férias em Chaves, preparava-se para descer as escadas fronteiras ao Tribunal, escadas essas que, ao fim da tarde, estavam a ser limpas por duas senhoras funcionárias de limpeza. Um passo propositadamente mal medido provocou que o pé postiço partisse redondo pelo tornozelo. Não esteve com meias medidas, perante os gritos de aflição das pobre mulherzinhas, pegou calmamente no pé, devidamente calçado no respectivo sapato, meteu-o debaixo do braço e continuou como se nada fosse!...

Desde a Boalhosa que Horácio tinha carta de condução com a única restrição que obrigava a ter o respectivo automóvel devidamente adaptado à situação. A adaptação consistia na troca dos pedais. O pedal do acelerador trocava com o da embraiagem e em vez de estar do lado direito estava do esquerdo para o pé escorreito. Ora esta troca não permitia que qualquer condutor guiasse o seu automóvel. Um belo dia, quando ainda num período de férias guiava na estrada para Carrazedo de Montenegro, encontrou uma donzela com o carro imobilizado na beira da estrada que lhe pediu ajuda por não conseguir pôr o carro em movimento. Ele parou o seu Sinca atrás do avariado e tentou pô-lo em funcionamento, o que não estava a conseguir perante o gozo fininho de um camionista que entretanto tinha parado atraído pelo proveito que poderia tirar da situação. Horácio mediu-a logo! Fingindo-se nervoso e imputando a essa situação o falhanço, pediu ao camionista que lhe pusesse o seu Sinca na estrada em condições de prosseguir a viagem por estar muito nervoso e achar que não era capaz. Ora o artista para se armar perante a menina do carro avariado e aproveitando para despachar aquele potencial concorrente, não hesitou. Meteu-se no bólide deu ao dimarré e quando se preparava para arrancar pisando o acelerador como se da embraiagem se tratasse fez a figura de urso que o Horácio esperava!..

Saber tirar partido das situações de vida que à partida parecem desfavoráveis, é prova de grande inteligência e adaptação que faz do homem um ser de facto superior.

Pelo sucesso que teve na vida, apesar daquela fatalidade e das dificuldades inerentes, Horácio é ainda hoje a prova bem evidente daquele facto: um pai, merecedor de um eterno preito de homenagem, respeito e verdadeira admiração!

Um vencedor!

24
Set08

BTT de Chaves na Rota do Presunto

 

 

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Tarde, mas cheguei e a razão da demora do post de hoje é simples, não tinha fotos para o ilustrar.
 
No post de segunda-feira disse que o fim-de-semana tinha sido rico em acontecimentos, no entanto esqueci, porque não soube, de mencionar aquele que sem dúvida foi o acontecimento mais importante e que merece aqui realce, não só pelo acontecimento mas também pelas pessoas que trouxe a Chaves, que entre participantes, acompanhantes e organização, ultrapassou de largo o milhar de pessoas. Bom dia também para as unidades hoteleiras da terrinha que viram a sua lotação esgotada.
 
Mas vamos ao acontecimento:
 
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Tratou-se da 4ª Maratona BTT Rota do Presunto, organizada pelo BTT Clube de Chaves e que pelo sucesso que tem alcançado, dizem, ser já a prova mais importante do país, à qual não é alheia a organização e o traçado da prova que leva betetistas de todo o pais a percorrer os nossos caminhos de montanha com passagem em muitas das nossas aldeias.
 
As provas deste ano reuniram 700 participantes de todas as idades e dos dois sexos, divididos pelas três modalidades: Maratona, com 80Km; meia maratona com 45 km e mini maratona com 20 Km. Segundo a organização, as inscrições ultrapassaram em muito o número de participantes, no entanto fecharam inscrições e limitaram-se aos 700 participantes, ao que sei, por uma questão de logística e organização.
 
Ao que apurei e também não é difícil de acreditar, todos os participantes que vieram de fora partiram encantados com a organização, a prova e o percurso, mas também maravilhados com a paisagem, com a hospitalidade e com a riqueza e qualidade da nossa gastronomia. Ou seja, partiram encantados com Chaves no seu melhor.
 
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Que esta prova do BTT Clube de Chaves e o seu sucesso sirva também de exemplo para os responsáveis da nossa região e daquilo que ela tem para oferecer.
 
Embora o espírito do BTT seja a prática de um desporto saudável em contacto e desfrute da natureza, esta Maratona de BTT da Rota do Presunto também olha ao seu lado mais lúdico, mas também há competição, tempos e vencedores, Parece mesmo, e pelo que ouvi de muitos participantes, não há é vencidos. Uns vencendo a prova e outros, também vencedores, porque desfrutaram de um fim-de-semana diferente e saudável em contacto com a natureza.
 
Mas claro que houve vencedores e flavienses, pelo menos em duas das provas, assim na meia maratona o vencedor foi André Anes, do CDC Faiões/Streetbikes, que demorou apenas 1h 47m 49s.
Os 80 km, para atletas mais experimentados, também foi um flaviense o primeiro a cruzar a linha da meta, com 3h 13m 31s, Manuel Melo, da Team Liberty Seguros/ Run&Bike/BTTCC.
 
Ao que parece tudo correu bem, quer para participantes que partiram satisfeitos, quer para a organização pelo sucesso alcançado, numa prova que terminou sem acidentes nem incidentes e com muita gente de fora a invadir a cidade.
 
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Parabéns ao BTT Clube de Chaves e que sirvam de exemplo a outras organizações que com muitos mais meios e condições nem aos calcanhares chegam dos que fazem tudo por carolice e sem interesses.
 
E só resta mesmo agradecer ao Paulo Silva Reis (Semanário Voz de Chaves) o ter-me disponibilizado a informação e fotos, bem como ao Alexandre Rodrigues, Manuel Abreu e Elvira Aguiar, também pelas suas fotos ou ajuda para as conseguir.
 
E mais uma vez parabéns ao BTT Clube de Chaves cuja página na NET também merece um visita e que há muito consta na lista de links deste blog.
 
Até logo, com coleccionismo de temática flaviense.
 
 

 

23
Set08

500.000 Visitas - Obrigado!

 

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A História do Blogue Chaves

 

Há 3 anos e 9 meses andando a passear pela NET dei de caras com os blogs Sapo. Ainda nem sabia muito bem o que era um blogue, mas a provocação de “faça o seu blog em três passos” levou-me à experiência, afinal nada tinha a perder. Lembrei o tempo em que estive fora da terrinha e em que consumia os pasquins da terra, mesmo com 15 dias de atraso, em que até os anúncios e a necrologia lia. Tudo que fosse de Chaves era para consumir. Escrevi então, que na altura da minha ausência tinha “manias” de poeta, que : “Quanto mais longe estou da minha terra, mais a minha terra me pertence”. Com manias de poeta, mas sincero e, ainda hoje acredito nisso. Então, porque não fazer um blogue daqueles que eu gostaria de ver e ler quando estive fora da terrinha, para consumo próprio, pois nunca pensei que alguém fosse ver e ler aquilo que eu deixava pelo blogue.

 

Passados uns dias, com publicações ocasionais, tremi de medo quando vi o primeiro comentário. Afinal não era só eu que via o blogue, as pessoas (anónimas) também tinham acesso a ele. Claro que a partir de aí, sem nunca deixar de fazer o blogue para mim, passei a ter mais cuidado, principalmente nos disparates que por aqui poderia deixar. Era no tempo em que o blogue tinha 4 a 5 visitas por dia em que eu o vivia com um misto de felicidade e receio, afinal havia 5 pessoas que viam aquilo que eu ia fazendo.

 

Isto aconteceu durante um mês ou dois, depois os números foram crescendo e as coisas começaram a tornar-se até sérias demais para o meu gosto, mas comecei também a dar-me conta que havia muita gente fora da terrinha que vinha aqui ao blogue matar algumas saudades e que tal como eu quando ausente, vinha aqui consumir um pouco da nossa cidade. Acresciam no entanto as minhas responsabilidades e os meus cuidados e pensei que a melhor forma de lidar com isso, era ser igual a mim próprio, deixar por aqui as minhas imagens (das que gosto) e dar liberdade em escrita aos meus pensamentos. Livres, sem pressões e sem qualquer censura àquilo que penso. Continuar a fazer um blogue para consumo próprio como se ninguém aqui viesse ver e ler.

 

É assim que tenho feito o blogue e que continuarei a fazê-lo, ou quase, pois hoje o blogue já não é só meu.

 

Os agradecimentos

 

Claro que nunca pensei que o blogue atingiria as 500.000 visitas e que se tornasse numa “obrigação” de vir aqui todos os dias com imagens e palavras, mas todas estas visitas e um montão de amigos que sei estarem desse lado do monitor desta coisa virtual que tenho à minha frente, são coisa séria, amigos verdadeiros que tal como eu são flavienses e amigos de Chaves.

 

É assim que tenho entendido o blogue e que partilho as minhas ideias com esses amigos e desde sempre, principalmente desde que este blogue começou a crescer, que quis também ter por aqui as ideias desses mesmos amigos, deixando sempre os comentários em aberto e deixando também sempre o blogue em aberto para se discutir a cidade.

 

Claro que o esquema do blogue de hoje, já nada tem a ver com o blogue inicial, mas o que mais me apraz é ter a colaboração e também as ideias daqueles que por aqui, je juntaram a este blogue e fazem os “discursos sobre a cidade”, que gentilmente aceitaram o meu convite para também eles fazerem parte deste blogue e juntarem-se a este amar da cidade.

 

Ficam então os meus agradecimentos para quem tem também enriquecido este blogue e que entre amigos de longa data do tempo de liceu, a amigos que ainda hoje não conheço pessoalmente, a outros que conheci através do blogue, têm feito os “discursos sobre a cidade” e dispensam um pouco das suas vidas (bem ocupadas algumas) para este blogue e para a cidade.

 

Agradeço assim à Fé Alvarez, ao Gil Santos, ao JCB - José Carlos Barros, ao Blog da Rua 9 e ao Tupamaro a sua colaboração preciosa nos “Discursos sobre a cidade”, para os quais deixo aqui o meu sincero obrigado e também desculpas pelos trabalhos a que vos obrigo.

 

Um agradecimento acrescido para o blog da Rua 9, que além dos discursos, tem-me salvo as quintas-feiras do coleccionismo de temática flaviense além do feedback e a colaboração quando necessária no nosso outro blog – O Chaves Antiga.

 

Também um agradecimento especial para o Beto, do Blogoflavia ou blog do Beto por ser o bloguista de serviço no Chaves Antiga e permitir-nos assim mais tempo livre para este blogue.

 

Agradecimento para todos os companheiros da blogosfera flaviense, principalmente para aqueles que têm marcado presença nos nossos encontros/convívio, onde não poderei deixar de realçar a presença do pessoal de Valdanta, com o nosso amigo Pereira, o Tupamaro, o A.Cruz, a Lai, o Vale-de-Ante. Palavra de apreço também para os blogues de Águas frias e o velho amigo prof. Celestino Chaves e Prof Valbom. Palavra de apreço também para o Dinis Ponteira, sempre presente e pronto, para o Terçolho e para o amigo que está por trás dele, amizade antiga e barrosã, amizades de sempre que dão alento a continuação deste blog. Para o 5 de Maio, Carlos Silva e para a menina Catarina do Eirense. Um abraço também para os States e para Castelões.

 

Agradecimentos também para o companheiro do Blog Cancelas e para a partilha de muitos momentos dos últimos anos, para a Tânia de Segirei e os Rochas de S.Vicente, principalmente para o “chefe” Rocha que nos brinda sempre com os seus comentários, mas também para o Salvador Silva, o F.Pizarro Bravo que desde o início do blogue nos têm brindado com os seus comentários.

 

Claro que nesta coisa dos agradecimentos corremos sempre o risco de deixar alguém de fora, alguns amigos da blogosfera flaviense, mesmo que do lado de fora da blogosfera, nos tem feito sempre companhia nos convívios (Nandinha e Nuno – não me esqueci).

 

Mas agradecer, tenho mesmo é que agradecer a todos os flavienses e visitantes deste blog que desde os quatro cantos do mundo levaram este blogue até ao bonito número das 500.000 Visitas. Obrigado a TODOS os flavienses ausentes, presentes, amigos de Chaves ou simples visitantes. Um bem-haja para todos e obrigado.

 

O futuro

 

A Deus pertence, é ditado popular, pois assim seja.

 

Claro que este blogue não será eterno. Razões haverá que um dia me farão terminar o blogue, talvez programado ou até abruptamente, talvez a médio prazo ou até brevemente. Sei que tenho um “contrato” convosco de vir aqui todos os dias, e continuarei a honrar esse contrato enquanto me for possível. Sempre à minha maneira e com a minha forma livre e sincera de pensar, independente mas sem esquecer os meus ideais defendidos neste blog por uma Chaves melhor, onde está incluído o nosso querido mundo rural, tão moribundo que está.

 

Cumprir este “contrato” diariamente não é fácil, nada fácil, mas faço-o por gosto e enquanto assim for (por gosto e possível), podeis contar comigo deste lado.

 

Claro que gostaria que desse lado fossem mais participativos nos comentários e na discussão da cidade que afinal é de todos e que nos meus momentos piores, porque a vida é assim, penso e repenso se valerá a pena continuar com o blogue. Mas o ser flaviense e a condição, que tão bem conheci, de ausente da terrinha, faz com que venha aqui todos os dias.

 

Quanto ao blogue, tinha pensado para quando atingisse as 500.000 visitas, fazer algumas alterações. Mas fui apanhado de surpresa com o acelerar do contador e essas alterações irão ser apresentadas aos poucos, quer no visual , quer na estrutura do blogue. Algumas rubricas deixarão de existir porque o próprio tema se esgotará e outras novas surgirão. Uma delas que entrará já, hoje mesmo, será a do “Repórter de Serviço”, com reportagens daquela que até um cego como Mister Magoo consegue ver. Será ele a mascote da rúbrica,  que entrará sem data determinada, dia ou hora. Será ou terá que ser oportuno com um tema do dia, uma foto, uma denúncia, ou algo de bom e diferente que aconteça na cidade, pela positiva ou negativa,  até a anedota é possível. Poderá acontecer todos os dias, mais que uma vez até, ou não acontecer. Uma imagem e um pequeno texto que ilustrará um momento do dia e assim, tentarei levar a actualidade e realidade dos dias no momento e para a qual estão todos convidados a participar, podendo envia-me as vossas fotografias e os vosso comentários e todos nós sermos afinal o “Repórter de Serviço”

 

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Para inaugurar fica uma foto de ontem e da Semana da Mobilidade do dia sem carros, onde curiosamente uma das poucas ruas que vi fechada ao trânsito automóvel, foi uma rua onde o trânsito automóvel é proibido. As tais hipocrisias de que vos falava ontem.

 

Obrigado a todos pelas 500.000 visitas. Voltarei de novo, em maré de agradecimentos nas 600.000 visitas, isto (claro), se o blogue chegar até lá.

 

Entretanto até amanhã e se consegui ler até aqui, o meu sincero obrigado, pois nem todos têm paciência para me aturar. Obrigado.

 

Até amanhã.

22
Set08

Chaves em dia de medievais, tamaganis, santas e murais - Portugal

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Há fins-de-semana em que Chaves é invadida pelo marasmo, no entanto o último foi rico em acontecimentos que começaram logo no Sábado.

 

Vamos resumir então:

 

- Desfile medieval e feira medieval;

- Inauguração da Galeria Tamagani;

- Inauguração do mural da Madalena executado pela escola de Mário Lino;

- Actividades da Semana Europeia da Mobilidade;

- Tradicional festa da Nossa Senhora das Graças;

 

Á excepção da procissão da Nossa Senhora das Graças à qual não assisti por motivos mais nobres, marquei presença em todas as actividades de Sábado.

 

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Comecemos pelo desfile e Feira Medieval. A minha filha, 9 anos, ficou curiosa com os “medievais” que iam invadir a cidade. Durante a semana consultou enciclopédias, pesquisou na NET e constantemente me fazia perguntas se na época medieval isto, na época medieval aquilo… por aí fora. Fez muitas ilusões com esta feira, o problema foi durante o desfile e a feira, à qual assistiu comigo, responder-lhe às perguntas que me ia fazendo. Deixo-vos com algumas perguntas curiosas seguidas da observação que a levou a tal, ficando de fora o meu “Porquê filha?:

 

 

- Ó pai na época medieval já havia lojas dos chineses? … é que o senhor que lança lume leva umas chinelas de senhora calçadas iguais às que vendem nas lojas dos chineses!

 

- Ó pai na época medieval já havia escuteiros?... Já, pai!?

 

- Ó pai, eles por baixo destas roupas já usavam roupas iguais às nossas?...

 

Entre outras perguntas, fui respondendo como pude e a algumas deixei a resposta para mais tarde.

 

Digamos que numa cidade como a nossa que tem um passado medieval tão rico, é merecedora de uma feira medieval, mas feita com pés e cabeça, com algum rigor histórico e, onde se possa fazer um bocadinho da história medieval, ensinar a história da nossa cidade medieval, principalmente aos putos, que são sempre os mais interessados. Ao contrário disso o que se faz debaixo de um nome com Feira Medieval é um perfeito disparate que mais parece um desfile de carnaval e mais grave ainda com muitas falhas de organização e selecção. Só a título de exemplo, durante o desfile na Rua Direita até uma limusine apareceu pelo meio, fora uma boa dezena de carros que aqui e ali ia interrompendo o desfile. Acontece que no mesmo momento em que os “medievais” iniciaram a sua marcha rua abaixo, a cerimónia de um casamento iniciou a sua marcha rua acima. A confusão instalou-se porque alguém se esqueceu de cortar o trânsito numa rua que até é de trânsito proibido e, ao que parece, não foi o único incidente, mas aos outros não assisti.

 

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Quanto à feira em si (as barracas) já cheiravam a Santos, havia um pouco de tudo, uma mistura de feira das bruxas (à moda de Vilar de Perdizes) com consultas in locu até loja de produtos indianos, só faltaram mesmo os marroquinos e os chineses… tudo muito medieval que terminava numa corte de burros.

 

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Quanto ao local das barracas e das actividades, na minha humilde opinião, o local acertado seria o Jardim Público ou até o Forte de S.Neutel e o seu fosso. Quanto à feira medieval, que de medieval só tem quase o nome, mais valia fazerem uma feira das freguesias associada à procissão das freguesias da Nossa Senhora das Graças, e aí sim, poderiam convidar o homem do lume, os cavalos, os gaiteiros e a menina da dança do ventre para animar a festa das freguesias.

 

E de feira medieval estamos (por aqui) conversados, pois em casa, ainda tenho algumas explicações para dar à minha pequena.

 

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Continuei o meu Sábado à tarde com as visitas que tinha prometido. Primeiro à exposição colectiva dos Tamaganis a inaugurar a sua galeria, onde (claro) o Eurico Borges estava de porteiro, não fosse ele o Presidente dos Tamaganis. O local da galeria, embora improvisado, é um dos mais nobres da cidade, pois trata-se da antiga entrada e foyer do antigo Cine-teatro. Visitei a exposição, gostei do que vi, principalmente da nova fase do Mário Lino. No livro de visitas deixem os meus parabéns sinceros à Tamagani, mas também o meu lamento, por aquela galeria não estar dentro do espaço de um cine-teatro tal como esteve projectado no programa polis, mas que por outras opções, não foi avante. Aí sim, seria ouro sobre azul.

 

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Depois de ver o Mário Lino nos Tamaganis, lembrei-me do convite para ir assistir à inauguração do mural da Madalena, que o Mário Lino mais os miúdos da sua escola levaram a efeito. Cheguei atrasado o que até foi bom, pois deu para apreciar descansadamente o mural. Estilo Mário Lino (claro, nem poderia deixar de ser) embelezou aquilo que são as traseiras de uns anexos. Gostei do que vi, do aproveitamento e integração dos próprios anexos no desenho do mural e de como aquele exemplo poderia ser seguido noutros locais da cidade. Só lamento não ter chegado à inauguração, mas estive lá.

 

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Ao lado, no rio, desenvolvia-se uma das actividades da Semana Europeia da Mobilidade, a canoagem. Só dois apontamentos a este respeito. Primeiro a organização esqueceu-se que para fazer canoagem é preciso haver água no rio, mas mesmo assim ainda encontraram por lá uns charcos para lançar as canoas. Gostava mais de as ver a passar por baixo da ponte Romana e da nova Ponte Pedonal, mas já que tal não foi possível, aguardamos pelo próximo ano em que a nova ponte já esteja concluída e as comportas do espelho de água fechadas para o rio encher.

 

O segundo apontamento é a hipocrisia desta semana europeia da mobilidade. Primeiro os políticos (locais, nacionais, europeus e internacionais) com as suas politicas estão pura e simplesmente a marimbar-se para o ambiente e para a mobilidade, depois, porque fica bem e nos faz a todos pensar e sentir culpados, vêm com as tretas das semanas da mobilidade, para após a sua passagem, continuar tudo na mesma.

 

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Chaves é um bom exemplo disso, basta olhar para a mobilidade do centro histórico e para a “guerra” que foi conseguir uma Ponte Romana sem Trânsito automóvel. Já sei-já sei, que vêm aí as ciclo-vias… e o problema fica resolvido.

 

Pensava eu estar o Sábado terminado e como estava ali à mão de semear, fui até ao jardim público com a minha filhota, que me encarregou de um pedido que passo a transcrever:

 

- Ó pai, podias pedir lá na Câmara que trouxessem metade do parque infantil do Tabolado “praqui” e assim ficavam os dois bons.

 

O pedido não foi inventado para encher o post, foi mesmo feito. Afinal as crianças também se dão conta de alguns defeitos das obras, principalmente naquilo que lhes toca.

 

Ao lado, na antiga “Casa portuguesa” decorria afinal (deslocada) a inauguração do mural. Como fui convidado, ainda estive tentado a passar por lá, mas como não e apetecia lanchar e estava lá alguma gente de fato e gravata, resolvi (em honra da mobilidade e da minha roupa não apropriada para o acto), debitar alguns passos num passeio pelo jardim.

 

Domingo, como já expliquei, causas mais nobres tiraram-me da vida da cidade.

 

Até amanhã, mas ainda hoje e dentro do programa da Semana Europeia da Mobilidade, teremos das 8 às 18 horas o encerramento das ruas ao trânsito automóvel no Centro Histórico em (artérias a definir) !?   e das 9 às 11 horas, Actividades Lúdico-desportivas infantis no Largo General Silveira.

 

Continua-se a insistir nas Freiras para fazer actividades quando na cidade há pelo menos meia dúzia de locais com mais e melhores condições, até parece que com tais actividades se tenta justificar qualquer coisa ou arranjar tema de conversa para o Café Sport, mas penso eu, na minha modesta opinião, que em termos de “mobilidades” o engraçado seria mesmo desenvolver estas actividades nas ruas que vão fechar ao trânsito.

 

Lamento não deixar imagens da procissão da senhora das Graças, mas tal como disse ontem não estive de serviço ao click.

 

Até amanhã, com outros olhares sobre a cidade.

 

 

 

  

 

21
Set08

Vilar de Izeu - Chaves - Portugal

 

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Agora que estão na moda as rotas de tudo e mais alguma coisa, acho que por aqui no blog, os fins-de-semana, também os vou baptizar como “ Na Rota do Despovoamento”, pois de aldeia em aldeia que vou percorrendo, o filme é o mesmo, a fotografia vai variando um pouco mas também se serve do mesmo argumento.

 

Hoje vamos até mais uma aldeia de montanha, que por sinal no concelho de Chaves, à excepção de meia dúzia de aldeias agarradas à veiga e à cidade, todas elas são de montanha. Pondo de parte uma ou outra particularidade, no essencial todas são iguais e, entenda-se como essencial, a sua vida e a vida de aldeia, que em todas está seriamente molestada por essa doença do despovoamento.

 

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Já sei que me estou a tornar repetitivo cada vez que abordo uma aldeia e que as minhas palavras caem em saco roto, e aliás, mesmo que não caíssem, já são tardias, pois para a maioria das aldeias já não há volta atrás e o seu fim está mesmo ditado. É apenas uma questão de anos.

 

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De visita a Vilar de Izeu, a nossa aldeia de hoje, calhei em conversa com uma senhora que para lá andava a cortar umas silvas numa poula que já tinha estado arranjadinha e que como horta dava de tudo para a casa. A senhora, embora seja uma resistente, estava apenas de passagem, de “férias”, a cortar silvas porque lhe metia impressão ver o estado em que aquilo estava. Apenas isso, pois mal vire costas, as silvas vão continuar a crescer. Em conversa soube que agora já não reside na aldeia, estava sozinha e lá arranjou maneira de entrar para o lar de Travancas. Filhos tem seis, todos fora. Uns na França, outros na Suíça e dois estão cá, mas no Porto e Mirandela. “Estão todos bem e vêm cá quase todos os anos à festa, depois partem, claro, têm lá as suas vidas” dizia-me ela. Então e quem é a santa e quando é a festa?, ia eu alimentado a conversa.  “ São Tomé. Não sabe quando é!?, pois já diz um “ditajo belho” – “No São Tomé mata-se o porco pelo pé”, é em Dezembro, mas agora fazem uma festa em Agosto para os emigrantes que em Dezembro não está cá ninguém… só rezam a missa”.

 

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Claro que tinha ali conversa para toda a tarde, e muito a aprender, pois os resistentes têm muitas estórias da vida para contar e, é mais ou menos esta a história de todos eles, com muitos filhos mas que foram obrigados a partir em busca de melhor vida e “hoje estão bem, graças a Deus”, dizem as mães, contentes ou pelo menos – conformadas.

 

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Vilar de Izeu segundo o Censos de 2001 tinha 62 habitantes residentes, mas mesmo assim ainda não é das piores aldeias, pelo menos a julgar pelos números, pois em 2001, dos 62 habitantes, 15 tinham menos de 20 anos e 6 menos de 10. Não tenho dados comparativos de outros censos, mas sei que no último ano lectivo ainda havia 4 crianças em idade escolar que eram transportados diariamente para a escola de Águas Frias.

 

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Vilar de Izeu pertence à freguesia de Oucidres e fica a 17 quilómetros de Chaves, ali mesmo à beirinha do concelho de Valpaços, aliás as encostas das montanhas por aqueles lados já descem todas para o concelho vizinho, tal como as vistas que se perdem no amontoado de montanhas já da terra quente. Talvez por isso mesmo as suas terras sejam ricas, só lhes falta mesmo é braços para a trabalhar, mas as que são trabalhadas dão boa batata, centeio, castanha e pastos. Batata vi e registei que ainda  há por lá, em qualidade e quantidade (onde a cultivam), pastos também, inclusive vi um rebanho de duas ovelhas, sem pastor, mas cada uma com um cão pastor ao lado e os castanheiros quase se pode dizer que são eternos, pelo menos, a grande maioria dos soutos que conheço no concelho, têm castanheiros com largas dezenas de anos de idade e alguns (sem qualquer exagero) são centenários.

 

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Quanto a escritos poucas ou nenhuma referência encontrei sobre esta pequena aldeia, no entanto penso não ser uma aldeia muito antiga mas mesmo assim com origens anteriores à época medieval, pois na baixa idade média seria uma das aldeias que integrava o extinto concelho de Monforte de Rio Livre, que se desenvolvia em redor do Castelo de Monforte. A dedução é minha, pois como disse não encontrei qualquer referência escrita à aldeia para além de uma lenda, mas pelo menos sabe-se que na freguesia não há vestígios de estações arqueológicas que os liguem a povoamentos muito antigos.  A referência mais antiga que vi na aldeia está inscrita na padieira de uma porta com o ano de 1794.

 

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A tal lenda a que me referi atrás está ligada ao padroeiro da aldeia e à sua capela de devoção, o São Tomé. Pois então conta a lenda que este Santo e Santo André (padroeiro de Oucidres) eram irmãos, e que um dia, este último, muito aborrecido com a preguiça dos habitantes da sua freguesia, resolveu abandonar o altar para ir procurar outra freguesia melhor. Quando chegou ao sítio das Almas, no caminho para Vilar de Izeu, encontrou Santo André, que tinha procedido de igual forma e pelos mesmos motivos. Conversaram um com o outro e concluíram que o melhor era mesmo continuar nos seus templos, a missionar e lutar contra a preguiça, porque afinal os paroquianos sofriam todos do mesmo mal. Decidiram conserva-se nos seus postos onde permanecem até aos dias de hoje.

 

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Pois é, lenda é lenda e os Santos ficaram. Que não esteve pelos ajustes foi mesmo grande parte dos seus paroquianos, que esses sim, partiram.

 

Também eu estou de partida, por hoje, para voltar já amanhã com o rescaldo deste fim-de-semana tão rico em acontecimentos em Chaves. Só para ficarem com um cheirinho, no desfile medieval de ontem até uma limosine desfilou, tal foi o rigor histórico!

 

Para hoje, temos a “tradicional” festa da Nossa Senhora das Graças, recuperada da memória e que afinal não é da Conceição como disse há dias atrás. Tal é a tradição que até me engano no nome das Santas…

 

Acho que é o melhor é ficar-me por aqui,  e agora sim, “bou-me” mesmo embora!

 

Até amanhã.

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