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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Mar10

Chaves de Ontem de de Hoje - Pecados e Pecadores

Ao rever as fotos de hoje e a distância que as separa no tempo, vêm-me à ideia dois apontamentos que não posso deixar de fazer:

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Vista parcial de Chaves (até aos anos 70)

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1º Apontamento

 

Ao ver a primeira foto, a mais antiga e possível de ver até aos anos 70 do século passado, admiro o cuidado e rigor do pentear das hortas da bacia e leito de cheias do Ribelas. Respira-se nesta imagem um ar saudável em que cada cantinho era tratado e, embora a imagem seja a P&B, adivinha-se o verde natural a contrastar com o castanho da terra em pousio de inverno. Uma imagem que se admira até ao desenhar e recortar suave das montanhas que a vista permitia.

 

Claro que a modernidade acelerada do pós 25 de Abril abril nada deixaria impune, principalmente os terrenos da periferia próxima dos velhos núcleos habitacionais das cidade que constantemente eram cobiçados pela força do b€tão que começou por ocupar o que naturalmente era mais acessível, mas sempre com olhos postos em espaços livres para se implantar.

 

Não sou especialista em urbanismo ou em arquitectura arquitetura paisagista, mas qualquer leigo vê e percebe que o leito de um rio ou ribeiro vai para além deles próprios, onde por vezes, excepcionalmente excecionalmente, gostam de despertar deleitando a sua bravura numa bacia que lhes é próxima, familiar e natural.  Chamam-lhe a isso, os técnicos entendidos, o leito de cheias.

 

Pois na primeira foto de hoje, o que é visível entre a rua mais próxima anexa aos antigos armazéns da Câmara e a avenida paralela que liga a rotunda da Praça do Brasil ao Santo Amaro, é leito de Cheia do Ribelas e, não é preciso ser entendido no assunto para saber que todo esse espaço entre arruamentos é do Ribelas, onde não deveriam existir qualquer construção e onde, preferencialmente, deveria ser um espaço verde virado e para a cidade usufruir como tal. Mas o b€tão tem mais força que a natureza, no entanto, convém não esquecer que quando a natureza se enfurece, não há betão que lhe resista. Na Ilha da Madeira, há poucos dias, a natureza mostrou a sua força. Todos lamentamos a brutalidade da natureza mas ainda não ouvi ninguém acusar-se de a ter contrariado. Claro que por cá, a natureza tem sido muito branda connosco, mas um dia, também se pode enfurecer a sério e quando tal acontecer, também ninguém se vai sentir culpado pela modernidade ocupar o espaço que é da natureza e todos os culpados, vão sair impunes do seu crime. Pecados e criminosos que por Chaves não faltam.

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Vista parcial em 1990

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2º Apontamento

 

A modernidade trouxe consigo o “indispensável” automóvel para as nossas deslocações e, enquanto os políticos da nossa praça andam ocupados com o seu umbigo, devaneios, imitações e a pressão constante do b€tão, vão deixando de parte aquilo que é essencial para a cidade, pois as palas que lhe afunilam as ideias não os deixam alargar horizontes. Primeiro começaram por convidar toda a gente para as luzes da cidade, no entanto, esqueceram-se de arranjar condições para os receber e, atabalhoadamente, tentam resolver o problema. Primeiro da habitação, sem qualquer plano sustentável, depois, no meio do atabalhoamento, esquecem que a cidade nos últimos 30 anos triplicou em habitantes. Uma cidade onde não existem transportes públicos e cada família vai resolvendo os problemas das suas deslocações com automóveis. E como é que se resolve o problema!? – pois em vez de se criar uma rede de transportes para o solucionar ou arranjar parques de estacionamento para os popós, castiga-se quem tem de se deslocar todos os dias com parques de estacionamento pagos ou a pagar a quem os guarda, sem qualquer alternativa. Isto para não usar de má fé e não pensar que estão a fazer do problema um negócio para entrar mais algum dinheiro nos cofres do município.

 

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Vista actual

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Embora pessoalmente nunca tivesse concordado com o estacionamento das Freiras, não compreendo como assassinaram o jardim sem lhe meter popós  por baixo, a custo zero. Outras soluções eram possíveis e ainda o são. Uma delas, está ligada ao espaço que hoje vos deixo e que muito bem poderia ter comportado três ou quatro pisos de estacionamento em vez do espaço de estacionamento de superfície existente. Ainda hoje é possível criar esse espaço de estacionamento que até foi promessa eleitoral de autarcas actuais atuais, mas, enfim, já sabemos que promessa eleitoral é só para ganhar votos e raramente se cumpre. Mas, pessoalmente, via com bons olhos um parque de estacionamento subterrâneo (abaixo da cota actual atual) no  actual atual parque  de estacionamento de superfície (da última foto), sem problemas de inundações e sem hipotecar um centro comercial a céu aberto sem trânsito na rua de Stº António, no coração da cidade, do seu centro histórico que em jeito de anedota se defende para património da humanidade. Pois com o mamarracho de estacionamento  previsto para as traseiras do Faustino, apenas se vai dar continuidade aos pecados do passado, hipotecando para todo o sempre o centro histórico da cidade, sem contudo resolver o problema actual atual do estacionamento dos popós na cidade.

 

E nada mais digo por hoje e, cada vez estou mais convencido que de nada adianta andar por aqui a gastar o meu “latin”, pois uns pecam e outros dizem ámen e até ajoelham e beijam a mão aos pecadores no passar da procissão. Enfim, a geração rasca definitivamente está instalada. Acredito que o futuro encarregar-se-á de fazer a história destes tempos, só tenho pena que deixe impune os pecadores!

 

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