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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Abr10

Discursos Sobre a Cidade

Texto de Blog da Rua Nove 

 

(X)

 

Afastando-se das imediações do forte, o inspector Bento entrou no Bacalhau vindo do Bairro Aliança e preparou-se para começar a descer a Rua de Sto. António. Nascia o dia. Uma manhã fresca de primavera, prometendo um céu sem nuvens. Lembrava-se das manhãs de nevoeiro e geada que anos antes encontrara no inverno, e a cidade pareceu-lhe outra. A pérgola do jardim fez-lhe chegar o aroma das glicínias. Quase lhe apeteceu assobiar despreocupadamente. A rapariga era um pedaço. Pena era a criança, mas sempre serviria para lhe evitar outras complicações.

 

Por momentos esquecera o assunto que ali o trouxera. Aprumou-se quando se apercebeu que já havia gente nas ruas e começou a caminhar mais devagar. Queria dar a impressão de vigilância apertada e atenção redobrada. Queria que o vissem como alguém que por ali andava àquela hora por dever profissional. Omnipresente e vigilante.

 

Já deveria ter mais informações à sua disposição. Mas precisava de dormir algumas horas. Quando chegou ao fundo da rua estranhou o largo à sua esquerda. Estava habituado às arvores e ao gradeamento do antigo mercado, à agitação das gentes e aos sons que dali vinham. O Arrabalde parecia-lhe agora uma praça sonolenta, à espera de acordar com a chegada dos oficiais de justiça e as zaragatas barulhentas dos litigantes.

 

À entrada da Rua 28 de Maio amontoava-se uma meia-dúzia de pessoas, esperando a partida da carreira de Braga. Gente ensonada, crianças aninhadas entre gigas e sacos, um ou outro animal de criação. Entrou no hotel quando alguns hóspedes já saíam. Todos o saudaram tirando o chapéu, mas ninguém parou para o cumprimentar. Dirigiu-se para a sala de refeições, onde tomou o pequeno-almoço numa mesa de canto. Sozinho, com olhares e ademanes de afectação e superioridade.

 

Subiu depois para o quarto, cruzando-se com as criadas que tratavam das arrumações. Deitou o olhar a uma, deu um piropo a outra. Sorridente e seguro entrou na habitação. Perdeu o sorriso quando se apercebeu que alguém lá tinha estado e que havia um envelope sobre a mesa.

 

(continua)

 

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