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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Mai10

Hoje em vez de feijoada com festimage, há outros pratos, deixamos a ferradura de lado e damos uma no cravo.

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Eia, o título já fazia quase um post, mas hoje apetece-me  fazer uma visita guiada ou guiar-vos numa visita  para toda uma manhã, a feijoada fica para a próxima semana.


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Geralmente quando chego a um local que não conheço e do qual não tenho referências, começo por me dirigir para o centro, onde quase sempre, é a parte mais antiga da localidade.  Chegado lá, deito um olhar e tento descobrir um posto de turismo onde me podem dar algumas informações do que mais interessante há para visitar. Depois de o encontrar, oiço com atenção as indicações dadas e depois, num gerir de tempo e selecção, vou ao que me interessa.

 

Por cá, tenho notado que o ponto que mais atrai turista desprevenido ou sem referências é o Castelo ou Torre de Menagem. Compreensível pois, por entre muita mamarrachada, aindas se consegue avistá-lo de longe, desde todas as entradas na cidade. Ao menos isso.


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Já que o Castelo atrai quase todo o turista, seria lógico que por ali existisse um posto de turismo, mas não existe. Assim, geralmente os turistas que por ali aparecem, depois de visitarem o jardim do castelo e o próprio castelo (ainda sem terraço, pois parece tratar-se de obra complexa ou então está esquecida) partem à descoberta natural do centro histórico, e lá vão indo e descobrindo algumas coisitas, mas muito do essencial fica por ver, alguns, nem sequer chegam até à nossa Ponte Romana.

 

Pois permitam-me que por uma vez sirva de guia por este nosso centro histórico adentro, levando comigo quem quiser ir, num roteiro, que mesmo eu residente e resistente faço muitas vezes.

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Estamos então no Castelo, que é de visita obrigatória. Aprecie-se o seu exterior mas depois há que entrar, pois no seu  interior está o museu militar. Lamento não poder ir ao terraço de onde se pode avistar o melhor de Chaves, onde até os mamarrachos, que embora se notem e quebrem a harmonia, não incomodam um olhar que se deita ao jogo de telhados e ruelas do Centro Histórico e à longa veiga de Chaves. Lamento sinceramente que este olhar nos seja vedado, mas por cá é assim, esquecem-se pormenores que podem fazer a diferença. Mas há sempre um olhar parcial sobre a veiga, se por entre os jardins do Castelo chegarmos até à “varanda” da muralha.

 

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Visitado o jardim, e como a visita é para toda uma manhã, há que prevenir e  ir comer um pastel da Maria de preferência à saída de uma fornada, ali mesmo nas traseiras da Câmara onde já se começa a desenhar o pitoresco das ruas estreitas, onde a fruta da Amélia ajuda a compor a cena. Vamos aos pastéis da Maria simplesmente porque nos ficam no caminho, não vão pensar que só ali é que há bons pastéis, pois felizmente o pastel de Chaves ainda vai fazendo jus ao seu nome na quase totalidade das casas onde ele é confeccionado, ao contrário daquele que tanta fama dá a Chaves e que ninguém se consegue por a vista em cima. Claro que é do presunto que vos falo, o mesmo que está em vias de extinsão.


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Comido o Pastel, o átrio da Câmara merece uma visita breve, sem muitas demoras que às tantas ainda tropeça na simpatia de um político qualquer. Depois uma vénia ao Sr. Duque, merece-a. Apreciemos-lhe a estátua já que nos roubaram os seus restos mortais e túmulo. De seguida, visita obrigatória ao Museu e à sala Nadir Afonso, artista que merecia um espaço mais nobre e também informação sobre este nosso ilustre flaviense que lá se expõe em permanência, pois quem por ventura não conhecer Nadir Afonso, sai de lá tal como entrou, ou seja, sem o ficar a conhecer e apenas reterá um pouco da sua arte. Talvez por não tocar concertina e não ser da Venda Nova, a sala Nadir Afonso fica fora da atenção das cabeças pensantes dedicadas à cultura, e daí, nunca nenhuma delas se lembrou deste pequeno pormenor que pode fazer a diferença…mas em breve esta deficiência será colmatada, pois em 2011 temos a Fundação Nadir Afonso de pé, ou seja só já faltam uns meses. Um dia destes passo pelas obras para tirar uma fotografia, pois já devem estar avançadas…

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Saída para o largo do Duque e logo de seguida visita obrigatória à Igreja da Misericórdia e ao pátio anexo com demora qb. Nem há como sair de uma igreja para logo entrar noutra, pois a Igreja Matriz também é de visita obrigatória, como obrigatório é apreciar o imponente órgão, os vitrais e todo o conjunto. Pena, lamento mesmo, que a igreja esteja com toda a sua pedra à vista, pois seria muito mais interessante se retomasse a sua fase do reboco, com paredes rebocadas a contrastar com os elementos trabalhados da pedra à vista. Seria ouro sobre azul, mas mesmo assim, recomenda-se.


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Dispensamos a visita ao Museu da Arte Sacra, pois é uma perda de tempo e nada de interessante tem para mostrar. Viremos antes para a praça da república, aprecie-se o pelourinho e o casario, que mesmo com algum degradado (como a “casa da palmeira”) é digno de ser apreciado. Aqui, em vez de descer a Rua Direita, opte-se antes pela Rua de Santa Maria, aprecie-se nas traseiras da igreja a imagem esculpida em pedra da nossa padroeira “Santa Maria Maior”. Há que levantar bem os queixos para a ver e se elevarmos mais um bocadinho o olhar, mesmo antes de chegar ao céu, lá mesmo em cima junto ao telhado, leia-se a inscrição existente e considere-se… é qualquer coisa que traduzida dá “às más línguas faço figas” (é de memória a tradução, por isso pode não ser exactamente assim).


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Estamos na rua do Antigo Pasteleiro onde o pastel de Chaves teve a sua origem. Ainda por lá existe a casa, onde um dia, quando Chaves for Património da Humanidade  se poderia fazer por lá um museu do pastel e contar a sua história, para já, nesta visita, recomendo que tome um café  num bar bem simpático mesmo ao lado (pode ser um café embora o aspecto do chá). Tomado o café, tome-se de novo a Rua de Santa Maria e logo a seguir (a meio da rua) vire-se para a travessa que dá acesso à Rua do Correio Velho e, já nela,  vira-se à esquerda, dêem-se meia dúzia de passos e faça-se um minuto de silêncio em memória da vida que a rua perdeu e também dos Canários (que pela certa os políticos da nossa praça nunca lá estiveram mas se calha já já ouviram falar). Enquanto se aguarda em silêncio, deite-se um olho ao casario.


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De seguida, na próxima travessa, a seguir à antiga tasca dos herdeiros do Carunho e antes do Minhoto, vire-se à direita em direcção a um pequeno largo. Aprecie-se aí a passarada do sapateiro Quim exposta nas paredes da praça e de seguida dirija-se à Ilha do Cavaleiro e à “praça” que foi criada na parte superior do Baluarte do Cavaleiro. Claro que aqui é preciso ter sorte para encontrar o portão da ilha aberto, pois embora seja um espaço público, tem um “dono” que insiste em manter quase sempre o portão fechado à chave . Se houver sorte de estar aberto, entre-se e desfrute-se do local com ida obrigatória à guarita de onde caiu o reco…


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De seguida há que retomar a Rua do Correio Velho em direcção às Escadinhas das Manas. Antes de descer, deite um olho a um muro alto e grosso que está ao lado (em direcção ao Arrabalde), pois aquilo são restos de muralha medieval. De seguida desçam-se então as escadas enquanto se vão descendo, lamentem-se as ruínas que as acompanham. Um olhar em frente e outro lamento acompanhado a pena de tão belíssimo e antigo hotel estar fechado. Lamente-se também não ter reboco, pois a sua nobreza seria mais nobre. No fundo das escadas, depois de apreciar o Baluarte do Cavaleiro (ignorando os seus 5 guardas e um acampamento adossado)  vire à esquerda em direcção ao Arrabalde.


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Já no arrabalde, há por lá uns bancos em madeira onde vale a pena repousar em apreciação ou então as escadinhas do antigo banco Sotto Mayor também costuma dar bom e fresco repouso.  De seguida e uma vez que as vistas para o antigo balneário romano foram vedadas (pena não ter ficado uma varanda a fazer de miradouro) vire em direcção à Ponte Romana, que agora até tem por lá uns sofás interessantes colocados em esplanada onde se pode tomar um café, uma água ou até beber um copo de bom vinho.


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É obrigatório passar a ponte até à outra margem e apreciar a Madalena, a sua Igreja, espreitar a ponte desde os pesqueiros, deitar um olhar à Capela de S.Roque, ver a praça interior e regressar de novo ao início da ponte, mas em vez de fazer o regresso à margem direita, primeiro desça até ao rio e entre o casario e o rio, vá até ao Jardim Público, que embora menos acolhedor que noutros tempos, ainda merece que se passe por lá tempo qb. Não se entusiasme com o convidativo espaço Polis, pois não há tempo e depois do passeio já passeado, o almoço deve estar próximo e, ainda há muito que ver.


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Regresse-se à margem direita do Rio, novamente pela Ponte Romana até às escadas que descem do tabuleiro. Desça-as pois é obrigatório ver a ponte e os seus arcos com o conjunto do casario da Madalena. Este olhar é o nosso ex-líbris e até pode perder todos os outros, menos este.


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Depois, em vez de subir novamente as escadas, siga-se pela Rua do Canto do Rio, de novo o Arrabalde, Rua de Stº António acima e vire na Travessa Cândido Reis. Se estiver com sede e como é hora de aperitivo,  beba um copo num dos bares, mas não deixe de, obrigatoriamente, entrar no Faustino, que já foi central eléctrica e depois a catedral do copo de vinho e, agora adaptada para um restaurante típico, mas que mantém a quase totalidade da sua genuinidade em termos de traça e estrutura interior do edifício, onde ainda se mantém o longo balcão e os tonéis de almudes e almudes de vinho que eram bebidos por lá anualmente nos bons tempos do copo, ao copo.

 

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Visitado o Faustino, ainda há tempo para passar pelas Freiras, espreitar a biblioteca, subir à Lapa e visitar o Forte de S. Francisco, mesmo que ao de leve e aí, agende uma segunda visita, para uma tarde ou uma manhã com mais tempo, pois deve ser olhado e apreciado com atenção, visitar o seu interior, a igreja, os claustros, a taberna, o hotel , jardins interiores e toda a sua envolvente. Visitado como deve ser, dá para outra visita de toda uma manhã ou tarde, sem esquecer uma vista de olhos sobre a cidade e a Capela da Lapa,


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Depois deste pequeno roteiro, está pela certa na hora de aconchegar a barriguinha. Restaurantes, não recomendo nenhum, pois a fazê-lo, teria que deixar aqui uma longa lista de restaurantes onde se come bem. Deixe-se ir pela intuição ou então pergunte a alguém que vá a passar na rua, pois pela certa que lhe indica um bom restaurante, mas não faça como alguém que deixou há dias comentava no facebook a dizer que tinha saudades de uma visita que fez a Chaves e de uma pizza que comeu por cá… não que as pizzas não seja boas, pois devem ser, mas vir a Chaves e comer Pizza, convenhamos que é uma coisa estranha quando há por aí tanta coisa boa onde deitar o dente, principalmente às carnes:


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Vitela, cabrito, cordeiro, cozidos e feijoadas, também há milhos, favadas (embora as fabadas sejam melhores), palhadas,  grelos, couves e batatas e toda uma inimaginável gama de pratos que se fazem com coisas boas e enchidos do porco…um pernil assado, é do outro mundo… e então os mimos da caça… mas também há peixe, embora o nosso mar por cá não seja grande coisa, sempre se arranja um peixito, então se for bacalhau, ui… assado, cozido, frito em cebolada, com batatas à espanhola, até a punheta é uma delícia e, não se preocupe em empanturrar, pois são tudo dietas saudáveis mas mesmo assim se no final da refeição se sentir empanturrado,  é só descer às Caldas de Chaves e há lá uma fonte que corre em bica 24 hora por dia para as digestões difíceis… tem que levar é um copo.


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Bem, e depois de tanta escrita, vou dar descanso aos dedos pois o ratinho do estômago já recomenda uma fatia de pão centeio, um naco de presunto, umas azeitonas da talha e um copo de vinho (branco ou tinto – tanto faz) convém é que seja do bom. Pode ser dos lados de Arcosssó, Souto Velho ou Anelhe … até já! Hoje nem faço a revisão do novo acordo ortográfico, pois o presunto já está ali a olhar para mim… até amanhã!

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