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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Mai10

Pedra de Toque - As Bandas, por António Roque

Tal como tinha anunciado, aquando este blog atingiu o milhão de visitas, algumas alterações iriam ser introduzidas, nomeadamente no que diz respeito a novas rubricas.


Inicia assim hoje uma delas, que pretende ser semanal e, a acontecer aqui todas as Terças-feiras, intitulada Pedra de Toque de autoria de António Roque.


Fica a primeira e bem vindo a este espaço do blog Chaves que é de, e para todos os flavienses.

 

 




 

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As Bandas


As bandas são parte intrínseca do sortilégio desta velha cidade à beira Tâmega nascida de mãos dadas com a verde e bela Galiza.


A famosa Banda Militar dirigida pelo grande maestro Pinto Ribeiro só a escutei nas narrações entusiásticas do meu avô e de outros amantes da música.


Recordo, sim vivamente os Canários e os Pardais, desfilando garbosos e rivais pelas ruas da minha Chaves.


Lembro, agarrado às saias da minha avó, o Mindo da Eléctrica da rua do Olival, marcando o compasso domingueiramente vestido, à frente da banda, rodeado de putos, batendo chapelada aos que sempre acorriam para ver a banda passar.


Era o meu tempo dos jogos de peão e do eixo, do pique pago com jogadores embrulhados em rebuçados, adquiridos a tostão na loja do Zé Pequeno, na rua do Pasteleiro.


Foi por ali que com o meu avô me fiz Canário, ouvindo acordes a percorrer a escala de tubas, saxofones e trompetes, enquanto o Manuel Jorge preparava as pautas para o ensaio do primeiro trecho.


Manuel Jorge, o maestro da melodia, da afinação, violinista exímio que arrancava sons de êxtase desse instrumento que eu jovem escutava por entre a neblina de inverno em noites de Reis, quando acompanhado de outros virtuosos, saudava amigos, tocando na soleira das portas.


Eu mastigava lentamente os sons, acalorado pelos xailes de minha avó e minha tia e pelo morno da braseira com a prata mirrada sobre as brasas para não apagar.

 

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Os Pardais associo-os mais à minha adolescência, ao Jardim Público dos polícias e ladrões, ao primeiro olhar comprometido das voltas ao picadeiro, à primeira dança nas Brotas, à força da mão quente do meu primeiro amor.


Os Pardais sempre com as melodias da moda, superiormente dirigidos pelo saudoso amigo Carlos Pereira, músico brilhante, compositor inspirado, são a partitura harmoniosa do quadro de amieiros, peixes rubros na taça, flores, jovens sadios balécticamente estáticos à voz de um bate-fica, de um mãos-ao-ar!


As bandas brotam a música que preenche todo o corpo até à memória, diluindo-se na alma.


No feriado municipal, as bandas em maior número – a cidade cresceu…- , desciam às ruas, tocavam nos largos e praças, inundando de sons e melodias as gastas calçadas, os jovens asfaltos, as velhas e novas esquinas desta Chaves prenha de história.


Apesar da queda do cabelo e da neve que branqueia as barbas, as bandas continuam a estimular-me o sonho, a provocar-me encantamento.


E quando as vejo passar, como aconteceu há pouco, retrospectivo tempos que não voltam e fico sofrido de saudade.



António Roque

 

 


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