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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Jun10

Outra vez João Vieira e a Bienal de Chaves

Hoje vamos outra vez até ao pintor João Vieira, aquele que foi preciso morrer para que o seu concelho de nascimento lhe abrisse as portas para uma exposição da sua obra e, se tardou a chegar a Chaves, pelo menos, faz honras a um evento que se quer grande desde que seja levado a sério pelos responsáveis que o promovem…

 

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Costuma-se dizer que  “ à mulher de Cézar não basta sê-lo, também é preciso parece-lo”. Pois por cá vai acontecendo o mesmo com a cultura, mas ao contrário, ou seja, parece que às vezes a cultura acontece, mas só parece, pois tal não acontece, pelos menos em determinadas horas…

 

Pois é, se por um lado parece que está a acontecer um grande evento em Chaves com a realização da “Bienal – Arte de Chaves 2010”, por outro lado, Chaves nem sequer deu conta que tal evento está a acontecer, e temos pena. Talvez fosse bom analisar porquê tal acontece e se vale a pena continuar a promover estes eventos tal como são promovidos até aqui, pois o momento é de crise e para fazer mal, pois só a intenção não basta, mais vale não fazer nada… mas vamos por partes.

 

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É certo que parece ter havido uma certa preocupação por parte dos promotores em que o evento aconteça em grande, pois só assim se justifica que a Câmara Municipal e a Chaves Viva (assumindo a sua falta de competência) tivessem convidado a Cooperativa Árvore para a realização do evento, pondo de parte a Associação Tamagani de artistas flavienses e galegos. Uma vez que a coisa foi entregue a “profissionais” exigia-se que o programa se fizesse notar, e não é mau:


- Homenagem a João Vieira, um dos mais conceituados pintores portugueses com reconhecimento nacional e internacional;

- Homenagem Nadir Afonso, sobejamente conhecido e apreciado por todos como um grande nome da pintura do Sec. XX e XXI, nacional e internacionalmente;

- Sinais da arte Ibérica no Século XX com muitos e sonantes artistas (Amadeo de Souza-Cardozo, Júlio Pomar, Mário Cesariny e até Juan Miró e Picasso, entre muitos outros).

- Uma conferência e um atelier de Pintura.

 

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Ao que parece a Árvore cumpriu a sua parte. Falta cumprir que o evento tenha visibilidade em Chaves e que seja visto e participado pelos flavienses e não só. É aqui que começam todos os pecados deste evento, começando pela falta de publicidade, pelo local escolhido para as exposições, pelas gafes e emendas à mão que os poucos cartazes e dos panfletos do evento têm (além do panfleto ainda só vi um cartaz e dentro de portas), mas sobretudo, o mais grave, mesmo inadmissível e falta de respeito por quem está exposto, é, o local de exposição, dentro dos horários de funcionamento (porque há mais que um) esteja com as portas fechadas.

 

Começemos pelos horários.


- Na agenda (axenda) cultural consta, diz por lá, que a exposição está aberta ao público das 09H00 às 19H00, de Segunda a Sexta.


- Na página oficial da Câmara Municipal e da Chaves Viva na Internet, repete-se o mesmo horário (09H00 às 19H00, de Segunda a Sexta).


- Na porta do local da exposição, ou seja no Centro Cultural, está lá bem escarrapachado – Horário de Exposições – Segunda a Sexta – Manhã das 10H00 às 12H00 – Tarde das 14H00 às 18H30. Sábado das 14H00 às 18H00.

 

Este desencontro de horários até nem seria grave se pelo menos um dos horários fosse cumprido, o problema é que não o é, eu próprio sou testemunha disso, pois desde que a exposição começou, já lá passei pelo menos 4 vezes dentro do horário mais curto (o da porta) e a exposição estava fechada. Pelos vistos a coisa não se passa só comigo, pois já mais gente me disse o mesmo e ,um amigo que até se deslocou a Chaves com um dos propósitos de ver a exposição, partiu como chegou, sem a ver e até me enviou por mail duas fotos para assinalar o acto.

 

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Problema já antigo, este o dos horários, pois ao que sei é frequente a porta estar fechada durante o horário de abertura ao público. Eu próprio sou testemunha disso, pois quando lá fui a primeira vez para ver a exposição, a porta estava fechada, mas alguém me viu por lá e foi-me perguntar se queria ver a exposição e passados uns minutos lá apareceu a chave mágica que me abriu as portas. Tive sorte. Lá dentro, a exposição recomenda-se embora falte informação sobre o João Vieira, pois a mesma está no catálogo, só que esse, pelo que me disseram, foi só para a inauguração, mas com jeitinho, dupla sorte, lá me desenrascaram um que foram descobrir no edifício ao lado.

 

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Pois quanto ao catálogo, pela qualidade que apresenta, entendo que seja de uma edição cara e portanto limitada, mesmo assim, e atendendo que durante o dia pouca gente vai à exposição e nas horas mais disponíveis para as pessoas a visitarem (ainda dentro do horário)  a exposição está fechada, penso que o catálogo chegaria para todos os visitantes. Mas já que por aqui se imita tudo o que se faz por aí fora, imite-se também o que é costume fazer com este tipo de catálogos, ou seja, ter um catálogo na exposição disponível para consulta e os restantes são vendidos para quem estiver interessado em o adquirir.

 

 

João Vieira não merece em Chaves, na sua terra natal,  ter sido descoberto após a sua morte, ter uma exposição com portas fechadas e não ter um catálogo disponível para consulta.

 

Por último, está mais que provado que ao barracão dos comboios (sala de exposições do Centro Cultural) pouca gente vai ver exposições, ainda para mais quando a publicidade a elas é quase inexistente. Talvez fosse bom dar alguma nobreza a estas exposições em espaços onde as pessoas sejam convidadas naturalmente a entrar. O antigo e velho cine-teatro (propriedade da Câmara) precariamente tem demonstrado que serve à perfeição para um espaço de exposições e o mesmo até já foi contemplado num ante-projecto existente para o local, onde além do cine-teatro se previa essa tal sala de exposições. Às vezes, a bem da população e da cultura, seria bom que os poderosos do poder dessem o braço a torcer e fossem de encontro ao anseio das populações e, neste caso, também ao encontro de um espaço onde a cultura pudesse aconteçer verdadeiramente, quer em cinema, teatro mas também num espaço convidativo para exposições de obras de arte. Como se costuma dizer, “não há pior cego que aquele que não quer ver” e neste caso, além da cura da cegueira, Chaves iria ficar agradecida pelo cinema, pelo teatro ou pela arte, mas sobretudo pela memória e por um espaço que Chaves há muito necessita e anseia.

 

Já agora e só a título de curiosidade, para gente que gosta de números onde  tudo que se faz em Chaves é um sucesso, gostava de saber (em média) quantas pessoas visitam as exposições do Centro Cultural!?


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Só mais um reparo que se prende com esta última foto e que é um dos acessos ao tal sítio das exposições fechadas, pois além destes dois degraus serem anti-regulamentares, ficam mal num espaço que se quer com alguma dignidade.

 

 

Nota: Quanto a qualidade das imagens, é a possível, pois tanto quanto sei todas elas são de telemóvel.

 

 

 

 

 

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