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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Jun10

Crónicas Segundárias - O Presunto Parolo

 

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O Presunto Parolo

Na última crónica escrevi sobre como é muito estranho que nos cafés de Chaves não se vendam sandes de presunto e como o único McDonalds venderá mais hambúrgueres do que todos os cafés do concelho vendem sandes de presunto. Isto é uma situação caricata e quase absurda. Como é que uma cidade como Chaves, que tem (ou tinha...) aldeias a fornecer os melhores ingredientes que há, se deixa invadir e encantar por uma multinacional que atravessa o Atlântico para vir servir comida que consiste em carne processada industrialmente e que é servida entre fatias de pão insípido, juntamente com um pacote de batatas fritas? Não é que a venda de sandes de presunto seja incompatível com a de hambúrgueres, mas em Chaves devia ser quase isso. Aqui, a venda de hambúrgueres deveria estar reservada apenas à meia dúzia de freaks que julgam que seria muito cool serem operários numa qualquer fábrica de Chicago e que por isso teriam apenas meia hora de almoço e poucos dólares no bolso para irem a um restaurant comer um steak. Santa estupidez!

Parece-me que esta situação é devida, essencialmente, à parolice e ignorância dos flavienses, não ao grande amor que têm pelos hambúrgueres. É que se pensarmos bem, não são só as sandes de presunto que não se vendem em Chaves. Basta reparar que não há nenhuma diferença entre um qualquer café de Chaves com outro do Porto ou Lisboa, os alimentos à venda são os mesmos: os mesmos bolos, as mesmas torradas, as mesmas tostas-mistas, etc.

Que é que eu queria comprar mais num café em Chaves? Algumas coisas mais, tipo: orgulho, qualidade, inteligência, e bom gosto. Sei que isto não são coisas que se comam e que muito menos se possam comprar, mas eu explico. O que eu não compreendo é porque se for ao Sport tomar o pequeno almoço não posso pedir torradas de pão centeio. Porque é que tenho que gramar as mesmas torradas de pão de forma industrial (cheio de conservantes até ao pescoço) que se servem nas grandes cidades se poderia estar a entreter-me com umas boas torradas de pão centeio? Porque é que não temos orgulho no nosso pão, que é muito melhor, e comemos aquele, feito há vários dias, vindo duma qualquer fábrica de Lisboa, ou mesmo do estrangeiro? Pedir torradas de pão centeio é pedir muito? Ainda por cima quando isso estimula a produção de produtos locais e de qualidade? Acho que não é pedir muito e até peço mais. Por exemplo, gostava de chegar ao Aurora e poder tomar um dos meus (e de muita gente) pequenos-almoços favoritos: folar com café. Insisto, os estabelecimentos deveriam promover os produtos locais e vender, também, fatias de folar. Gostava de me poder sentar no Aurora e pedir "Se faz favor, são duas fatias de folar com carne e uma malga de café". Sim, uma malga e não uma daquelas chávenas banais da meia-de-leite, que são chávenas de meia-tigela, como se diz. Seria altamente sofisticado servirem o café numas bonitas malgas onde se pudesse molhar o folar com largueza. É que são estas coisas que acrescentam valor, que dão um toque especial. Imaginem turistas vindos de Lisboa, fartos de gramar as torradas em pão de forma, chegarem a Chaves e terem a oportunidade de se deliciar com pequenos almoços de grandes torradas de pão centeio, ou fatias de folar, ensopadas em malgas de bom café. Iam daqui para Lisboa contar aos amigos "Caraças, em Chaves é que se comem pequenos-almoços excelentes, são inigualáveis!". O problema é que os flavienses pensam exactamente o contrário, julgam que se fossem vistos no Aurora com uma fatia de folar na mão e uma malga de café à frente, seriam considerados uns parolos, uns lateiros, e que a sua reputação estaria em risco (eu sei o que eles sentem porque ouvi a risota parva de alguns leitores do blogue quando pedi malgas para o Aurora, mas eu dou-vos 2 dias para pensar profundamente nisso e dar-me razão, deixem de ser parolinhos). Para eles, semelhante coisa é inimaginável. Por isso sentam-se no Aurora a comer a torrada industrial e a pensar que fazem boa figura porque podem comer o mesmo que se come em qualquer tasco de Lisboa. É também esta a razão de ninguém ser visto a comer sandes de presunto, porque as sandes de presunto estão mais próximas do agricultor da aldeia que come o presunto ao fumo da lareira do que do lisboeta, que está limitado aos bolos e aos pasteis de Chaves, especialmente se Chaves já nem presunto produz para se comerem boas sandes em Lisboa.

Mas não é só folar que eu queria nos cafés, também queria poder escolher para a merenda umas fatias de bola de centeio com carne (não a bola de carne que também se encontra nos grandes centros) ou uns rojões do soventre acompanhados de fatias de pão centeio, claro. E mais uma vez repito que as pessoas iriam adorar, especialmente as de bom gosto.

É esta mentalidade parola que fez com que o presunto de Chaves desaparecesse, tanto que desapareceu completamente. Imagino que alguns de vós não saibais! O presunto de Chaves já não existe, é verdade. Mas este tema vou deixa-lo para a próxima crónica. Imagino que vocês estejam já a pensar que são crónicas a mais sobre presunto, que isto já parecem as 1001 noites da arábia em versão presunto, mas eu não concordo, nunca é demais falar sobre o melhor e mais famoso presunto português que já existiu, sim, porque já não existe.

Até à próxima crónica presuntária!

21
Jun10

Dois brindes

 

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Hoje ainda vai acontecer por aqui mais uma Crónica Segundária, mas enquanto ela não acontece, fica um brinde meu e outro da natureza. Às vezes, estes momentos singulares de beleza, também acontecem no nosso Brunheiro.

 

Até mais logo, com António Chaves e a sua Crónica Segundária.

 

 


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