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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Jul10

Pedra de Toque - Tero Bandeira, por António Roque

 

.

 

 

TERO BANDEIRA

 

 

 

 

Eu vi-o actuar várias vezes e fiquei maravilhado.


Os que com ele jogaram, afirmaram-me, sem hesitação, que foi o melhor guarda-redes que nasceu na nossa cidade.


E foi aqui que começou vestindo as cores do Atlético, e mais tarde, as do nosso Grupo Desportivo de Chaves.


Pelos campos do país espalhou a sua elegância entre postes, a sua segurança de mãos, a sua eficiência nas saídas, os seus reflexos na baliza.


Corajoso, era uma figura bonita de atleta que equiparava com aprumo, ídolo da miudagem do meu tempo que em voos “para o retrato” o imitávamos na lameira do Canto do Rio ou nos Pelados na Lapa ou do Tabolado, agarrando com estilo, bolas de trapos arredondadas em meias fanadas à família.


A sua classe, a sua categoria como “keeper” (na altura dizia-se muito assim), levou-o à Luz, ao Glorioso Benfica, o clube dos seus amores, logo a seguir ao Desportivo da sua terra.


Chegou a jogar com a camisola encarnada, regressando mais tarde a Chaves, roído de saudade.


Domingo a Domingo, arrumadas já as chuteiras, trocada a bola pelo volante do automóvel, o Tero rejubilou com os sucessos do Desportivo, sofreu muito com os desaires do clube.


Quando os veteranos se decidiram recordar tempos passados, confraternizando através do futebol, o Tero apareceu de imediato, como era de esperar.


De entre os que ajudaram a erguer a mística azul-grená – uma realidade de que nos orgulhamos – ainda restam alguns pilares.

O Tero, desaparecido há anos, era indiscutivelmente um deles.


Confundia-o com aquelas cores vertidas no cachecol com que envolvia o pescoço em dia de bola, cigarro bailando no canto da boca.

Quando com ele me cruzava a caminho dos jogos, nas ruas da cidade ou nas estradas de Portugal, ouvia na memória o estaladinho que chegava roufenho da aparelhagem gasta instalada no Estádio.


Nas subidas, nas descidas, nas tertúlias, nas discussões, quando o Desportivo fervia na alma bairrista dos flavienses, o Tero surgia, exaltado ou brejeiro, opinando com as suas palavras a transpirarem sempre um inquebrantável amor clubista.


 

.

.

 

Para ele que findou o último jogo da vida, com o árbitro apitando muito antes do tempo devido, não seria de justiça, esquecer o seu nome nestas crónicas donde por vezes lembro vultos do passado.


Agora que o clube vive momentos difíceis, por culpa de tantos, o exemplo que deu mais de sete décadas de dedicação constante ao Grupo Desportivo da sua (nossa) cidade, deve ficar como estimulo para os mais novos, para que amem Chaves, nomeadamente o clube que a representa, a quem o Tero e tantos outros deram a mística que nos arrepia, que nos emociona, que nos provoca alegria em tantas tardes de glória.


Claro que a vida é muito mais do que futebol.


Mas este nosso desporto predilecto, se nele estivermos com dignidade, entusiasmo, elevação e fervor clubista, ajuda a minorar as tristezas com que o quotidiano sempre nos surpreende.


Sobretudo se estivermos como o Tero, com a bandeira azul-grená no meio do coração.

 

 

 

 

P.S. Por motivos pessoais, há alguns anos, deixei de ser assíduo nos estádios de futebol.

Continuo no entanto a ficar muito feliz quando me dizem que o Desportivo ganhou.

 

 

 

António Roque

 

 


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