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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Jul10

Crónicas Segundárias - Aldeia ou Cidade?

 

 

 

 

 

 

Aldeia ou Cidade?


 

Uma vez, em Montalegre, assisti a uma discussão entre um local e um emigrante local. Dizia o local que preferia Montalegre a Paris e que não trocava 1000 euros em Montalegre por 2000 em Paris.


Este é o tipo de discussões malucas a que se podem assistir nos cafés da nossa região. Mas há pessoas que acham que isto não é uma discussão, elas têm a certeza que Montalegre (ou qualquer aldeola de Chaves, ou mesmo Chaves) é melhor do que Paris.


Lembrei-me disto porque num post atrasado, alguém comentou:


...que raio de país é este que atira para o abandono a sua metade mais interior?
para quê? para juntar aos magotes gente que perde na qualidade de vida?...


Parece-me que o comentador também pensa que se vive melhor no interior.


Sinceramente, eu acho piada como é que alguém pode comparar Montalegre com Paris, ou tirar conclusões fáceis sobre a qualidade de vida ser superior numa aldeia de Chaves quando comparada com a de uma grande cidade.


Como é que se compara Montalegre a Paris? É melhor em quê? Os ares são mais puros? São. Há menos barulho? Há. Não há confusões com trânsito nem se perdem horas a chegar a casa? Sim. Arranja-se melhor fumeiro em Montalegre? Claro. Não há tanta gatunagem e se houver algum artista armado em carteirista um gajo manda-lhe logo dois murros nos cornos que ele não volta a tentar a brincadeira e fica logo "marcado"? É verdade.


E o resto? Para que é que um gajo quer os 1000 euros em Montalegre? Gasta-os onde? Há um cinema em Montalegre para um gajo se entreter? Não? Em Paris? Centenas. Bares para um gajo ir beber um copo? Em Montalegre?! Só no verão, no inverno está tudo às moscas, um gajo vai tomar um café e vê os mesmos dois ou três gatos pingados do costume para depois ter que ir para casa desconsolado ver a televisão. E teatros, exposições, museus, e música ao vivo, que é que há disso em Montalegre? Nada, nadinha, um gajo morre de tédio. Então não será melhor ter 2000 euros no bolso em Paris para ter essas coisas às dezenas e diariamente?


Não tenho resposta para esta pergunta nem me meto em discussões destas, acho que cada um deve escolher o estilo de vida que gosta. Quem quiser ar puro, bom fumeiro, e sossego, vai para a aldeia, quem gosta da confusão e de uma vida com mais estímulos deve ir para a cidade.


Eu nem acho que as pessoas façam estas escolhas de uma maneira assim tão simples. É evidente que quem nasce numa aldeia está habituado à vida sossegada e mete-lhe impressão a confusão. O mesmo se passa com alguém da cidade que experimenta a aldeia, fica stressado por não ter nada que fazer. Uma pessoa que viva na aldeia não muda, de repente, para a cidade porque lhe apeteça ir ao cinema todas as semanas.


O que se passa é que hoje em dia as pessoas têm uma grande mobilidade e é muito fácil experimentar ir viver noutros sítios, especialmente se são obrigadas, como os nossos adolescentes, a irem estudar para as cidades ou a buscar trabalhos em áreas que não existem no interior.


E depois de lá estarem, depois de passarem por aquele período em que não gostam mas que têm que gramar, adaptam-se e já não querem regressar à aldeia. Claro que não são todos, há muitos que querem regressar e que o fazem. Mas não me admiro de que haja muitos mais que não queiram regressar. Os ares puros? Oh, que se lixe! O bom fumeiro e o folar? Isso arranja-se aquando de uma visita à família. Perdem-se umas coisas boas mas ganham-se as outras que as cidades grandes têm para oferecer. O que é alguém, com 20 anos de idade, tem para se divertir num aldeia, ou mesmo numa cidade pequena como Chaves? Não tem muita coisa, especialmente a começar pelo entretenimento que está mais na moda: o engate.


Quem é que pode fazer companhia a um catraio que viva, por exemplo, em Samaiões, especialmente se este gosta de companhia com pernas bem feitas e cara bonita? Pouca gente, se calhar duas ou três catraias, que por azar, com apenas um bocadiiiiiinho de azar, já estão "controladas". Solução? Ir até Chaves, por exemplo. Mas a cidade não é muito grande, só há dois ou três bares que vão tendo gente ao fim de semana, porque se for numa noite de inverno e durante a semana não se vê uma alma a passear pela cidade. É por isso que eu não me admiro que se este catraio for estudar para o Porto ou para Lisboa nunca mais volte. É que se calhar o sexo também é um dos motivos da desertificação do interior, se calhar um dos motivos mais fortes. E as catraias são as que gostam mais das cidades, porque estas têm as lojas para elas irem, montras, têm mais gente, mais sofisticação, que são coisas que as mulheres gostam. Os rapazes até se aguentam melhor na aldeia, arranja-se umas pescarias e uma caçadas, mais umas futeboladas e uns copos e já está tudo bem. Ou estaria se depois se pudesse ir ao engate, ou só lavar as vistas. As raparigas é que preferem outras andanças que não as das aldeias. Claro que não são todas elas, mas são a maioria.


Pensem lá se não conhecem várias pessoas que saíram para fora e nunca mais voltaram porque acabaram por se casar por lá.


É nestas coisas que eu acho que também tem que se investir muito no interior: cultura e lazer. Há que fazer com que a nossa região seja mais atractiva para o pessoal novo. Não é só o trabalho que é importante. Há que investir na vida cultural, especialmente das pequenas cidades, que é para estas poderem ser centros de divertimento dos da cidade e dos que vivam nas aldeias ao lado.


É importante que as pessoas da região se possam juntar em eventos que lhes agradem. É que não é só o sossego que é atractivo, as pessoas também gostam de reboliço. E é bom que haja momentos em que as pessoas possam conhecer pessoas com modos de pensar parecidos e interesses em comum, o que são coisas difíceis de se encontrar se as pessoas viverem permanentemente nas aldeias. Se Chaves tiver eventos interessantes e com qualidade, haverá pessoas que vêm de Vila Pouca, de Montalegre, das aldeias, etc, para se juntar, conviver, e também para se namorar, porque não. Além de que isso também fará Chaves muito mais atractiva para quem vem de longe para trabalhar mas esteja indeciso em fixar-se na região.


E vós, que é que achais? Preferis a aldeia ou a cidade? Porquê? Que é que achais das actividades que há em Chaves? Chegam ou não são nada suficientes? Que ideias há para melhorar as coisas?


Até à próxima!

 

 

 


26
Jul10

Fim do Jejum de Palavras

 

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Ok, quebro aqui o jejum de palavras, mesmo porque já estava a ficar com fome, mas ainda não é para hoje, pois nem há como quebrar o jejum com uma boa feijoada das quartas-feiras, servida num restaurante perto de si. Até lá, vamos ainda ter, para hoje, mais uma Crónica Segundária de António Chaves e amanhã, a Pedra de Toque de António Roque.

 

Pela minha parte, até à feijoada de quarta-feira.

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