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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Ago10

Crónicas Ocasionais

Hoje inicia-se aqui uma nova rubrica que dará pelo nome de OCASIONAIS. Serão crónicas, textos, artigos, etc,  que entrarão fora e entre o habitualmente agendado para o dia. Sem autor certo, ou seja, aberto a todos os actuais colaboradores do blog e não só, pois poderá ser um espaço de todos, se assim o entenderem e ocasionalmente queiram utilizá-lo para falar (discutir)  sobre a cidade e o concelho, com todos os temas que lhe digam respeito. O blog, além das habituais crónicas e artigos, fica assim à vossa disposição com estas crónicas Ocasionais.

 

E como alguém teria de começar, fica um texto de autoria de Tupamaro, intitulado “Era Alentejano”

 

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“Era   Alentejano!”

 


 

A CIDADE [a cidade, as vilas (de agora) e as ALDEIAS] foi sempre pequena para o futuro dos mais jovens e dos menos jovens que aí  eram criados.


As atarefas da lavoura ainda fixavam a maioria, mas aqueles que desejassem outro ofício tinham mesmo de ir por esse mundo fora.


Os que nasceram entre as duas GG que destino podiam seguir?


Fora da lide dos campos, poucos podiam ficar pela Aldeia ou  pela cidade.


Uma mão pouco cheia estudou e acedeu a lugares de maior ou menor destaque na Função Pública.


Uma mão cheia conseguiu a terceira ou a quarta classe, em criança ou já adulto e foi para Carteiro, oficial de Diligências, a Polícia, a Guarda Fiscal ou Guarda Republicana.


No Pós - Guerra, a oportunidade de estudar alargou-se um palmito.


E que oportunidades havia por aí nos anos 50?


Os anos 60 chegaram com a «Queda do Império».


Os países da Europa Central (França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha, Itália, e Países Baixos) estavam em franca recuperação do desastre  de 39-45.


Acolhiam com mais ou menos agrado (mas com muita conveniência) filhos de um Portugal - a – caminhar -  dois – passos – atrás.


E logo «O Ultramar» a mondar os homens da cidade e das Aldeias.


Os primeiros foram-se tornando mais europeus. Apesar das misérias e sacrifícios, iam colhendo algum benefício que se visse. Adquiriam o direito de ir e vir. E, hoje, são um baluarte da Economia nacional, pois com o seu trabalho, LÁ FORA, ajudam o trabalho cá dentro.


Os segundos FORAM e conseguiram vir (nem todos …) mas nunca mais puderam ir.


E a cidade e a Aldeia que lugar lhes dava? Ou, que lugar podiam nelas ocupar?


A Emigração e a Imigração estava (e continua a estar sentenciada) para que quer ter futuro.


Traição tem outro significado.


Coragem foi o que todos esses «AUSENTES» tiveram em ir ganhar a vida para outras CIDADES  -  cidades, vilas e Aldeias e, AÍ, afirmarem, quer na vida profissional, quer na social a sua condição de Transmontanos, de Normando-Tameganos, de FLAVIENSES, e, até,  de “NETOS da GRANGINHA”.


Coragem também tiveram os que aí ficaram, sim, senhor, a aguentar os «NOVE MESES DE INVERNO e os TRÊS MESES DE INFERNO», agravados com as asneiras, os disparates, as traições (sim, traições, porque, p.ex., consentir em acabar com o Hospital é uma traição, e não é assim tão pequena!) dos que tiveram a manha para comandar os destinos dessa TERRA.


Quem já viajou por qualquer um dos Continentes é testemunha do Orgulho que os nossos conterrâneos manifestam em SEREM de onde SÃO.


E é esse mesmo Orgulho quem mais incendeia o tormento das SAUDADES!


Por vezes, a parcela de rudeza, absorvida da dureza com que havia de se vencer esses Invernos e esses Infernos; a distância da casa à Escola; a falta de material escolar …ou de tachas para os socos ou as socas; o arranque ou o «REBUSCO» da batata; ou a travessia da fronteira, para se ganhar uns cruzados na venda de … pedras de isqueiro; por vezes, essa rudeza ainda estragava os modos com os que regressam (aí, à NOSSA TERRA) expressam a sua alegria de voltar, a saudade que a AUSÊNCIA os fez amargar e o muito, ou pouco, sucesso que atingiram.


Os que FICARAM e os que SAÍRAM, todos, gostam imenso do seu berço, mesmo que feito de madeira e com colchão de folhelho.


Dos que por andam e dos que por AQUI triunfam  muitos há, infelizmente, que se propõem estragar , mais do que AJEITAR , o património e as condições presentes e futuras dessa NOBRE CIDADE.


Temos para nós que quem escreve neste Blogue   -   quer em Post(ai)s, quer em Comentários,   -   fá-lo sempre com aquela vontade de que o dia de amanhã seja melhor para todos e que “A NOSSA TERRA” seja cada vez mais linda, mais acolhedora para os de casa e para os de fora; mais justa e respeitadora para com aqueles que já ergueram muitos muros para construir casas, plantaram muitas árvores que ainda hoje nos consolam com os seus frutos, cuidaram de tantos campos, de tantos Vales, cortinhas, quintais, veigas, ribeiras, de onde ainda nós (nós e vós, não é assim?!) nos regalamos .


Temos para nós que uns e outros aqui escrevem com o desejo de que as crianças e os jovens que ora brincam e estudam tenham melhores oportunidades de vida mais perto de casa.


E, sem roubar os direitos do autor de outras crónicas e dos seus empenhados comentadores, deixem-nos que lhes contemos uma história verdadeira (somos testemunha):


Na passagem pela «ida para o Ultramar», um Militar, Oficial do Quadro, em determinada circunstância, remata a sua «conversa em família»:

 

- “Gosto dos Transmontanos!


São os únicos que sabem dizer um CARALHO bem dito”.

 

Era Alentejano.

 

Do Lameiro de Caires, das Talhadinhas, da Ribeira de Sampaio, das Lamarelhas, do Vale da Cabra e do Vale Côvo, do Cabeço, do Miradouro de Carvela, do Castelo de Monforte, do Castro de Curalha,  do “Alto do Cando”, das Encostas do Rabaçal, e, até do Alto do Fontão ou do Alto da Ribeira, saúdo-vos com amizade.

 

 

Tupamaro

 

 


08
Ago10

As almas das casas

 

Dizem que os olhos são as janelas da alma e as janelas fechadas são olhos de cego.

 

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Bem poderia começar o meu post com estas citações populares, falar das vezes que a nossa janela de hoje deu alma à casa, fazer poesia com ela, envolve-la num qualquer romance, num namoro, numa aventura ou num policial em que ela tivesse servido de fuga para uma vida qualquer, mas não, não vou dizer nada, absolutamente nada, esqueçam o que disse até aqui, pois esta janela já nem sequer permite que os olhos sejam realmente janelas da alma, cegou de vez, cansada de esperar, rendeu-se, e hoje agoniza, não morre sem extrema-unção mas também já deixou de ser janela.

 

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Vamos antes à portas e de novo à sabedoria popular. Diz ela que a única porta bem fechada é aquela que se pode deixar aberta. Diz e com toda a razão que a sabedoria popular sempre tem e o nosso povo era sábio a fechar portas, tanto, que deixava sempre a chave na fechadura… o problema é que agora também as portas estão sem chave. Certo que muitas seguem a sua função de porta, de fechar, mas se não abrem, para que raios queremos lá as portas.

 

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Bem,  o melhor é mesmo desistir. Está visto que hoje não estou virado para posts, portas e janelas. Fico-me por aqui, entretanto e enquanto a Crónica Segundária de António Chaves não chega, lá terão de gramar este post e, lá diz a sabedoria popular – o que tem de ser, tem muita força.

 

Até amanhã, com António Chaves.

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