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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Ago10

Crónicas Segundárias - Os Banais Jornais Regionais

 

 

 

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Os Banais Jornais Regionais


 

(Esta crónica, a última, é dedicada a todos os comentadores das minhas crónicas, todinhos, que me incentivastes a escrever e que me ensinastes algo com os vossos valiosos comentários, e também ao Fernando, que sei que tens pena que eu vá parar de colaborar durante uma temporada.


Ao António Roque e ao José Carlos Barros não lhes dedico mais crónicas. Foda-se, era o que me faltava! Nem sequer um comentariozito, nem uma palavrinha?! Ó rapazes, falta-vos a cidreira em casa? Tó diatcho!
)



Uma das coisas que mais entristece em Chaves é a qualidade dos seus jornais, que são de uma pobreza que mete dó. Aquelas três ou quatro folhas dobradas, com notícias mal escritas, pouco interessantes (que se lêem em 5 minutos, todas!), mais aqueles textos que nem notícias são, que são pura palha para encher, como se não houvesse nada para dizer, isso tudo somado (sumido?), é de bradar aos céus. Aliás, basta ir a Verin para se ver a diferença dos nossos para os jornais regionais espanhóis, que têm muita mais informação e qualidade. Os nossos são do piorio, pior seria impossível.


Mesmo o Semanário Transmontano, que parece ser aquele que quer ser o mais abrangente e mais importante, é muito mau, tão mau como os outros.


O que me irrita mais nos nossos jornais é as suas páginas estarem cheias de palha, de coisas ridículas, e, em vez disso, não terem notícias importantes que seriam do interesse da população. Já aqui dei o exemplo de como o ST nunca publicou, sequer, uma notícia, ou entrevista, sobre o João Vieira, o grande pintor de Chaves. Nem a sua morte (que foi notícia de todos os grandes jornais nacionais, como o Público e o JN, mais televisões e rádios) foi notícia. Isto é absolutamente ridículo! Há uns tempos, fiz, também, notar que havia um concerto de música clássica, comentado pelo Maestro Vitorino de Almeida, que nem sequer foi noticiado pelo ST. Como se nas nossas terras um concerto destes passasse despercebido e nem merecesse referência, até parece que os há às dezenas todos os dias. Mais exemplos como estes poderia dá-los às centenas, se tivesse tempo e disposição para isso. O que é irritante no ST é que para encher as páginas, como se não houvesse nada de interessante para escrever, metem artigos onde se contam anedotas de gosto duvidoso, por exemplo, como se nós precisássemos de um jornal para aprender umas anedotas fracas! Para nem falar noutro tipo de artigos péssimos, ridículos.


Hoje, só para chatear, vou dar mais um exemplo de uma pessoa que poderia ter sido tema de várias notícias mas que os nossos jornais continuam a ignorar. Poderia escolher outro exemplo mas vai este. É que há dezenas de flavienses a fazer coisas interessantes por esse mundo fora e que nunca são objecto de notícia. Temos flavienses a trabalhar na NASA, em Oxford, etc, que passam completamente despercebidos por causa da ignorância dos nosso pobres jornalista, embora não dos outros, dos de qualidade, como já vou mostrar, ufa, mais uma vez.


Porque é que os nosso jornais nunca escreveram uma notícia sobre o João Luzio (podem ver aqui a sua página no Myspace), um rapaz de Chaves que já ganhou um concurso de guitarra, o Guitarfest, no Coliseu do Porto, e que também gravou um álbum (Guitars From Nowhere) com alguns dos melhores guitarristas portugueses da música pesada, como o Gonçalo Pereira? Porque é que o Luzio já foi entrevistado num dos canais da televisão por cabo, o MVM, e não aparece em nenhuma notícia dos nossos jornais, apesar de ser notícia em jornais de fora? Isto é ridículo. Não deveria ser o inverso, os da terra a descobrirem os talentos locais e a destaca-los?!

 


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Por falar nele, ficais a saber que o Luzio está a concorrer a um concurso internacional de guitarristas, se quereis votar nele podeis ir ao seguinte link e faze-lo. Basta fazer o registo e votar. Vamos lá, vamos ajudar os da terra. Nem precisais de ver os outros guitarristas, o Luzio é o melhor! O link: http://www.guitaridol.tv/video/252


Voltando à questão. Porque é que os jornais regionais não dão notícias importantes como estas? A resposta só pode ser uma: burrice, pura ignorância. Não pode ser outra coisa porque se eles enchem os jornais com palha, também poderiam meter estas notícias, que lhes demorariam pouco mais tempo a escrever. O que eu não percebo é como é que eu, uma pessoa normalíssima, que nunca fui jornalista, que passo muitos meses sem ir a Chaves (vivo muito longe de Chaves, é por isso), sei destas coisas e falo delas, e os jornalistas flavienses parecem não saber nada do que se passa à sua volta?! Parece que se sabem mais notícias interessantes de Chaves durante um corte de cabelo no barbeiro do que numa leitura dos periódicos. Do desporto ainda vão dando bastantes notícias, mas isso não basta. No resto, são muito fracos, especialmente na parte da cultura.


Mas a secção dos nossos jornais que eu acho pior são as colunas de opinião, que muitas vezes não têm nada de opinante. O que é irritante nas colunas de "opinião" é a maior parte dos temas tratados não terem absolutamente nada que ver com a nossa região.
Na minha humilde opinião, um jornal regional serve para dar as notícias da região, as pequenas notícias que não interessam aos jornais nacionais, mais as notícias que saem nos nacionais mas que podem ser mais desenvolvidas pelos regionais, juntamente com alguma opinião sobre o que se passa na nossa região ou sobre leis e políticas nacionais que nos afectem. Para o resto, temos os jornais nacionais, como me parece evidente.


Reparem agora neste exemplo de opinião do ST, cujo título é: "Luanda, quem te viu e quem te vê!". Eu nem vou comentar o artigo, não vou dizer se acho que tem qualidade ou não, nem conheço o senhor nem tenho nada contra ele, nada disso interessa. O que acho incrível é que alguém vá para um jornal de Chaves falar da política de Angola. Para isso, não temos os cronistas dos jornais nacionais, os Pachecos Pereiras e os Sousa Tavares? Mas o exemplo que dei é um entre muitos. Há cronistas do ST que se põe a malhar no Presidente da República como se o homem fosse ler o ST ou dar-lhes atenção! O que parece é que estas pessoas não sabem do que falar e depois vão para o ST, e para os outros, dar uma de Pacheco Pereira, dar uma de grandes pensadores, de gente informada, quando nós já tínhamos lido a opinião sobre o mesmo assunto, e com muito mais nível, num dos jornais nacionais. O irritante é que sobre os temas da região não falam ou pouco falam. Lembro-me do tema das barragens no Tâmega, que é uma coisa que nos importa muito, e que só foi tema de crónica, muito ligeira, no ST, depois de o Fernando ter andado por aqui a escrever, mais e melhor, sobre isso. E, só sobre esse tema, poderiam escrever-se muitas crónicas. Mas não, vamos antes escrever sobre Luanda, Moscovo, e o caralho que os foda!


E não, não é por eu gostar de dizer mal das coisas, porque não tenho interesse algum em que alguém me venha dizer "Ó pá, os jornais da tua terra, de Chaves, não valem um chavo!". Tenho pena.


Nem acho que os jornais sejam fracos porque a gente é toda fraca. Sei bem que são fracos porque são escritos por gente preguiçosa, ignorante, e sem brio profissional. Para provar isso e para mostrar que eu também dou valor ao que é bom, dou-vos os exemplo do Jornal de Vilarelho, o Eito Fora, ou da revista Periférica, uma revista de muita qualidade que era feita por gente da região. Há gente na nossa zona capaz de fazer do melhor. Infelizmente não se pede esses para escrever.


E ainda há gente que incha o peito ao dizer que escreve no ST. Foda-se, a mim dá-me o riso. É pena que nunca ninguém me tenha convidado para escrever num destes pasquins, que era para eu poder... recusar. Claro, eu não me ia queimar e aliar o meu nome a merda, que é o que eu acho daquilo. Mas mesmo que eu me decidisse a escrever, por amor a Chaves, nunca o iria fazer porque ninguém me deixaria escrever o que realmente penso. Porque o que o ST precisava era de ter uma secção de Tiradas dos Outros (artigo semanal do ST a criticar artigos de outros jornais da região) chamada Tiradas do ST, em que eu pudesse gozar à farta com eles, para ver se aprendiam algo. Nunca no ST eu poderia ter a liberdade que o Fernando me dá aqui, que é total. Se, até, me apetecer dizer "Ó Fernando, falhaste, aquilo está uma merda.", sei que posso faze-lo, apesar de nunca ter sido preciso porque o Fernando tem nível, escreve bem e é um chefe de redacção de primeira. Por isso, escrever por escrever, escrevo aqui, e no fundo isto até tem mais leitores do que o ST.


Já agora, para a malta do ST que vem aqui ler as crónicas, porque eu sei que sim: ide lá fazer um artigo sobre o Luzio. E ide, também, descobrir quem é o flaviense que trabalha na NASA, porque eu não vos vou dizer, mexei esse cu, caralho, não mexeis uma palha, trabalhai porque é para isso que estais aí. Se um dia me dá na cabeça para comprar o ST despeço-vos a todos com justa causa, a brincar!



Até um dia, talvez um dia deste eu me resolva a escrever alguma outra crónica, nem que seja uma ocasional. Foi um prazer. Até já.

 

 

 


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