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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Ago10

Janelas & Janelas

 

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Quando era miúdo, o que mais gostava do meu quarto era a janela. Era ela que me dizia quando o dia nascia, quando chovia, quando anoitecia, mas também me dizia quando era a hora de sair para a rua brincar mas também era a minha melhor companheira no afazer dos deveres da escola, ou das leituras, pois era junto a ela que tinha sempre a melhor luz.

 

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De verão a janela estava sempre aberta. De dia era por ela que entrava a música do mundo exterior e, era num tempo que a música da rua era muita e variada feita de sons que eram códigos que começavam, ainda noite, quando o dia despertava com o chilrear da passarada, quase logo seguido do apito do pão, das melodias assobiadas das nove menos um quarto quando o velho barbeiro Inácio bicicletava vagarosamente para mais umas barbas e uns cabelos nas Freiras e depois, dia fora, invariavelmente vinha o cantar da “sardinha fresquinha”, do ardina, o som dos cascos dos burros no caminho carregados de roupa lavada para a cidade e também de burro a carqueja era cantada, mas era o som da bola aquele que mais me despertava, pois era o passaporte para umas futeboladas na rua com metades para cada lado e um muda aos cinco e acaba aos dez ou então, quando o som dos nossos nomes começavam a soar a partir das janelas das cozinhas das nossas casas.

 

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Nos dias de chuva, tudo era mais triste e depois de gelarmos a face encostada ao vidro frio da janela do quarto, lá nos decidíamos por uns afazeres e entreténs junto à janela.

 

Hoje recordo com saudade esses tempos em que a janela era a nossa ligação à vida e ao mundo. Hoje estranho também não ver putos à janela, ver as janelas fechadas com estores corridos ou portadas fechadas, estranho não haver rua para brincar, mas sobretudo estranho todos esses mundos virtuais que se inventam e que a modernidade obriga os putos a viverem dentro das casas.

 

Agora para as janelas das imagens de hoje, também vítimas da modernidade, a prosa é bem mais complicada e , em comum com as outras janelas, apenas a saudade dos dias em que tiveram vida dentro, com putos a espreitar ou debruçados nos seus peitoris.

 

 

 

 


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