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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Ago10

Nova Crónica

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Como sabem o António Chaves e as suas «Crónicas Segundárias» meteram férias por tempo indeterminado. Não foi um adeus, mas foi até um dia, até quando, o António Chaves se lembre de novo vir por aqui, pois terá sempre este blog de portas abertas para as suas crónicas e para a sua maneira singular de as fazer, com toda a liberdade que este blog sempre lhe deu e continuará a dar, por muito que possam doer as suas verdades aos mais sensíveis.

 

Mas este post extra é para anunciar uma nova crónica que terá aqui lugar todas as segundas-feiras, a partir de hoje. Não pretende substituir as «Crónicas Segundárias», mas ser uma nova crónica que acontecerá, independentemente de acontecerem outras ou não, todas as segundas-feiras. Será de autoria de João Madureira e acontecerá em simultâneo também no seu blog terçOLHO .

 

«Quem conta um ponto…» será o título da crónica que promete bons momentos à moda do conto. Hoje, precisamente às 12H30, estará por aqui o primeiro ponto, ou crónica, ou conto…logo se verá. Até lá, fica o encontro marcado para as 12H30.

 

 

 

 


 

22
Ago10

Não vale a pena insistir

 

Vale de Zirma
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Ainda ontem falei de janelas. Penso que já falei das portas, dos ferrolhos, das paredes, do granito, do xisto, das varandas, chaminés e telhas, quintais, hortas e escaleiras. Das vidas das casas e das que fogem delas, ando sempre a falar. Despovoamento e mais despovoamento, é quase sempre, dos de Lisboa já me fartei de falar, desses que às nossas terras e florestas que se enchem de mato chamam desertificação, só faltam mesmo os camelos, mas esses, que fiquem por Lisboa (suponho que foi por lá que ficaram quando foram devolvidos do além Tejo)… o melhor mesmo é fazer uma pausa, fumar um cigarro, beber um copo, refrescar, voltar daqui a uns minutos… até já!

 

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Aveleda

 

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Não vale a pena insistir. Afinal foi quase um maço de tabaco, três ou quatro copos (já nem sei), e, estou pior que no início. Não vale a pena. Demito-me deste post, não tenho mais palavras… talvez as imagens valham por si e sejam olhadas por quem as deve olhar para além de vós, que já sei que gostais delas e agradeço-vos o gosto, a compreensão e a companhia. Olhadas por quem as deve olhar…mas desisto. Demito-me deste post.

 

Será que os camelos estão mesmo em Lisboa!?

21
Ago10

Janelas & Janelas

 

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Quando era miúdo, o que mais gostava do meu quarto era a janela. Era ela que me dizia quando o dia nascia, quando chovia, quando anoitecia, mas também me dizia quando era a hora de sair para a rua brincar mas também era a minha melhor companheira no afazer dos deveres da escola, ou das leituras, pois era junto a ela que tinha sempre a melhor luz.

 

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De verão a janela estava sempre aberta. De dia era por ela que entrava a música do mundo exterior e, era num tempo que a música da rua era muita e variada feita de sons que eram códigos que começavam, ainda noite, quando o dia despertava com o chilrear da passarada, quase logo seguido do apito do pão, das melodias assobiadas das nove menos um quarto quando o velho barbeiro Inácio bicicletava vagarosamente para mais umas barbas e uns cabelos nas Freiras e depois, dia fora, invariavelmente vinha o cantar da “sardinha fresquinha”, do ardina, o som dos cascos dos burros no caminho carregados de roupa lavada para a cidade e também de burro a carqueja era cantada, mas era o som da bola aquele que mais me despertava, pois era o passaporte para umas futeboladas na rua com metades para cada lado e um muda aos cinco e acaba aos dez ou então, quando o som dos nossos nomes começavam a soar a partir das janelas das cozinhas das nossas casas.

 

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Nos dias de chuva, tudo era mais triste e depois de gelarmos a face encostada ao vidro frio da janela do quarto, lá nos decidíamos por uns afazeres e entreténs junto à janela.

 

Hoje recordo com saudade esses tempos em que a janela era a nossa ligação à vida e ao mundo. Hoje estranho também não ver putos à janela, ver as janelas fechadas com estores corridos ou portadas fechadas, estranho não haver rua para brincar, mas sobretudo estranho todos esses mundos virtuais que se inventam e que a modernidade obriga os putos a viverem dentro das casas.

 

Agora para as janelas das imagens de hoje, também vítimas da modernidade, a prosa é bem mais complicada e , em comum com as outras janelas, apenas a saudade dos dias em que tiveram vida dentro, com putos a espreitar ou debruçados nos seus peitoris.

 

 

 

 


20
Ago10

Discursos Sobre a Cidade - Por José Carlos Barros

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Chegávamos a Chaves

um texto de José Carlos Barros


 

Esbateram-se (e acentuaram-se) as diferenças entre o rural e o urbano. Acentuaram-se – nessa progressiva concentração de meios e infraestruturas nas vilas e cidades simultânea ao abandono dos campos: de um lado os centros escolares com inglês, magalhães e ginásios; do outro os incêndios, as barragens, as escolas fechadas e os muros derruídos do antigo cadastro. Esbateram-se – porque a  vulgarização do automóvel, a internet, a parabólica e o telemóvel acabaram por instituir espaços de contiguidade, difusos, que ligam tudo e tudo misturam à mor dessa máquina abstracta, intangível, que põe em comunicação um com todos e desmoronou as linhas antigas de fronteira.


{«Internet e Matrecos»n – lê-se no toldo exterior de um bar de Boticas. E a legenda é um programa sem necessidade de legenda.}


Chaves, num determinado tempo, era o centro bem demarcado de um amplo território rural que aí procurava um filme de cinema, o glamour de um bar a desoras, o ensino, a loja de comércio quase-o-hipermercado de hoje, as sanjo, as lois em vez das luis ou louis das feiras, um baile com orquestra, a confeitaria, o especialista dos olhos, o automóvel da sotrans, a dúzia de pastéis para oferecer a um amigo de Lisboa.


{As mesas e cadeiras subtraídas à esplanada do Aurora, numa tarde épica, e que durante tantos anos ficaram como elementos centrais do Sumol do Guilhermino, em Boticas, pouco significariam, desse ponto de vista simbólico, se não viessem de Chaves – e as trouxessem, com a mesma estrangeirinha armada, é um supor, de Viveiro ou Cerdedo.}


Era assim, na minha infância e juventude, que víamos a cidade de Chaves. E, olhando agora à distância, ocorre-me que nada talvez representasse tão bem essa separação de usos, funções, símbolos, como a camioneta da carreira. Porque a camioneta da carreira, sobretudo num tempo em que o transporte individual não se tinha generalizado, fazia esse caminho de ligação entre dois mundos. Um dos percursos começava nas Alturas do Barroso, madrugada adentro, com paragens na Atilhó e nas Lavradas, em Carvalhelhos, nas Quintas, e depois no Largo do Toural das Boticas, mais demorada esta, com pretexto para se beber um copo no Mil & Dez; e seguia então, com novas recolhas de passageiros na Granja, em Sapiãos, Bobadela, Casas Novas, Curalha – chegando-se enfim à cidade de Chaves.


Nós todos os da camioneta da carreira, nós os rurais das chegas de bois e dos lameiros de lima, chegávamos assim, enfim, ao glamour do Aurora e à impressionante estanteria do Silva Mocho; chegávamos a Chaves como se, de facto, chegássemos a um outro lugarum outro lugar que já não existe.

 

 


 

20
Ago10

Pormenores da Madalena

 

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Hoje é dia de mais um Discurso Sobre a Cidade, mas enquanto o mesmo não acontece, vamos aos pormenores das nossas obras de arte, já seculares. Esta, acontece todos os dias na Madalena, em Chaves e para a apreciar, basta seleccionar o olhar, onde outros olhares selectivos podem acontecer, dezenas deles, num autêntico museu de arte da pedra, ao ar livre, basta parar um pouco e apreciar com atenção a Igreja de S. João de Deus.

 

 

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19
Ago10

O Homem Sem Memória - por João Madureira

Este blog desde o seu início que vem alterando a sua forma e conteúdo, sempre na esperança de o melhorar e de levar mais Chaves e a região por esse mundo fora. Também deixou de ser o blog pessoal do Fernando Ribeiro para passar a ser um verdadeiro blog Chaves, de todos os flavienses quantos queiram nele colaborar e, já somos alguns a colaborar semanalmente ou mensalmente com as suas crónicas, os seus textos e discursos e às vezes as suas fotografias. Esta semana foi anunciado o fim (que eu espero ser um descanso) das Crónicas Segundárias, mas novas crónicas de novos autores se perfilam para entrar no blog. Hoje inicia uma, que embora já não seja novidade para a blogosfera flaviense, é uma novidade (em jeito de reposição) aqui no Blog Chaves. Uma forma também de demonstrar a amizade e camaradagem que existe no seio da blogosfera flaviense que vai muito além dos salutares e habituais convívios bianuais. Sem mais palavras passemos às palavras de João Madureira, o novo cronista deste blog, com a sua crónica que acontecerá aqui todos os inícios das Quintas-Feiras, intitulada  «O Homem Sem Memória» que em jeito de folhetim, caminhará (pela certa) para mais um romance deste autor. Ainda durante as quintas-feiras, lá mais para meio do dia, o «Coleccionismo de Temática Flaviense» continuará a acontecer por aqui, sempre que possível e houver material para tal.

 

Vamos então ao «Homem Sem Memória» que marcará presença aqui todas as Quintas-Feiras.

 

 

 

 

 

 

 

O Homem Sem Memória

 

Texto de João Madureira

Terçolho - http://jmadureira.blogs.sapo.pt/

 

 

1 - Puseram-lhe o nome de José. José o pai de Jesus. O pai adoptivo de Jesus. José era também o nome do padrinho. José era ainda o nome do avô materno, o pai do seu padrinho. Baptizaram-no junto à pequena pia da igreja da aldeia. Deitaram-lhe a fria água benta na cabeça, chegaram-lhe uma pedrinha de sal aos lábios e chorou. Chorou por causa da água fria, do sal ainda hoje gosta. Do gosto do sal simples. Isto apesar da hipertensão. Ou talvez por isso mesmo. Depois desenharam-lhe uma cruz a óleo na testa e o senhor abade despachou a família e os poucos acompanhantes para fora do templo dizendo vá vá lá para fora que está na hora do meu almocinho.

 

Os seus pais e os poucos convidados comeram o que encontraram lá por casa e daí dirigiram-se às poulas de cada um para as trabalharem com a pouca vontade que tinham.

 

E o bebé andou sempre daqui para ali como mais um empecilho na vida complicada dos pais. Naquele tempo, os filhos eram um mal necessário. O fruto destemperado do viço. Não uma flor de cheiro, ou um bibelô, como os de agora, que são programados ao minuto e educados como príncipes, sobrando as orelhas de burro para os pais.

 

Criou-se o José entre os alforges do jerico e um caixote feito de ripas de madeira. Também o asno se chamava, por vezes, José. Como o avô. Conhecido como o burro do José. O Zé do canto. A mulher, a Maria do cântaro. Os bois também faziam parte da família, a um chamavam amarelo e ao outro castanho. Um era bravo e outro manso. Como convém a uma junta.

 

Nasceram ainda mais cinco irmãos. Mas deles mal se lembra. Recorda-se de ser pequeno. Ou melhor, não se recorda nada da sua infância, só do frio e da casa velha, que pensava grande mas que era, afinal, pequena.

 

Reconhece os pais, os avós e os irmãos pelas fotografias e apenas quando está a olhar para elas. Passados dois ou três dias são já na sua lembrança apenas vultos indistintos. A sua memória confunde tudo. Ou tudo inventa. Retalha a realidade e compõe-na arbitrariamente.

 

Da sua infância pensa recordar-se de estar à janela e ver os bêbados passarem nas noites de luar a cantar e mijarem junto à entrada do corte dos animais. Ou pensa lembrar-se de alguns homens levarem moças novas para os palheiros. Alguns, as próprias cunhadas ou irmãs. Outros, as filhas.

 

José não consegue lembrar-se direito do sucedido. Baralha tudo. Teve sempre uma mente propícia ao pecado. À especulação. Nunca conseguiu distinguir direito a realidade da ficção. Pensa lembrar-se que o seu pai era um homem sem vontade. E a sua mãe uma mulher lamurienta e agressiva. Agressiva para o pai, para os irmãos e para ele. Agressiva e triste. Uma mulher destemperada. Alucinada. O pai escondia-se atrás do fumo dos cigarros e nos efeitos do vinho e não dizia nada. Assistia. Deixava que o tempo pudesse intervir. Mas a violência de uma vida sem préstimo e sem rumo é difícil de viver e, sobretudo, deixa marcas irreversíveis na cabeça de cada um. Daí talvez a sua não reter nada. Ou quase nada. Ou misturar tudo. Num processo de renascimento perpétuo. Num esforço de reprovação da realidade.

 

2 – A gostar de alguém, o José gostava do burro do seu avô, o José, o burro, não o avô. Do avô também gostava, mas não tanto. Ou melhor, não tem nada claro se gostava ou não do avô. Do burro gostava. Gostava do burro porque era calmo, transportava as pessoas sem se lastimar, comia quando tinha de comer, nunca tinha pressa, montava as burras ao ar livre, não se escondia em palheiros.

 

Gostava ainda do menino Jesus, mais tarde chamado de Cristo, o suposto filho de José e Maria. E de Deus também.

 

A primeira vez que viu o menino de fralda branca foi estendido nas palhas do presépio da igreja, pois presépio próprio era coisa de fidalgos, com dois dedinhos das mãos em riste num gesto em tudo idêntico aos das senhoras finas e dos maricas quando bebem chá. Ou quando fumam. O menino era loiro, rosado, gordinho, risonho, o bebé ideal para mães ideais. Não para a sua que era rude e agressiva.

 

Muitas vezes pensou não ser filho de seus pais mas sim descendente de outras criaturas. Ou mesmo extraterrestres. Desde já deve ficar claro que nunca aspirou a ter um pai como Deus. Ou uma mãe como Maria. Contentava-se com bem menos. Apenas aspirava a ter uma mãe que não lhe gritasse e lhe desse carinho. Que fosse educada.

 

O menino do presépio era muito parecido com o neto do seu colega belga. Até no jeito amaneirado de sorrir e de mamar o leite pelo biberão.

 

Ajudou muitas vezes a montar o presépio na igreja matriz de Névoa onde o menino era mesmo um pouco maior do que um bebé de carne e osso. Unicamente o menino botava figura a três dimensões, todos os outros personagens eram desenhos recortados em madeira e delineados e pintados com tinta plástica. José, o putativo pai, era um homem velho e de aparência singela. Mais do que pai, parecia avô. A mãe estava desenhada com traços de uma jovem virgem calma e feliz. O menino sorria. O burro olhava a direito para Jesus. Maria contemplava embevecida o menino. A vaca examinava Maria. As ovelhas observavam o pastor. O pastor mirava para os Reis Magos. Os reis magos estudavam o céu estrelado.

 

Quando jovem, José, depois de uma noite de borga, foi cúmplice de um seu amigo que resolveu, num gesto revolucionário, urinar para as palhinhas da manjedoura onde o mesmo menino Jesus da sua infância sorria. Apesar da desfeita, o menino não deixou de sorrir. Ao revolucionário nasceu-lhe uma verruga na ponta do pénis.

 

Tudo o que fica dito, dito está. No entanto, para homem sem memória, o nosso José parece entrar em contradição. Mas é bom avisar que tudo o que ele conta lhe vem das recordações, se reais ou induzidas, isso só Deus sabe. Ou nem mesmo ele.

 

3 – José tem os olhos postos no “Sol” e nem quer acreditar. Já são passados 10 anos sobre a morte de Alberto Punhal. O Grande Líder. O Camarada de Cristal. Lá frio como a pedra era. Agora camarada. Camarada das suas ideias, podemos admitir que o foi. Mas camarada dos camaradas, só por pura ironia. Ou subserviência. Punhal foi sempre um homem de certezas absolutas. De verdades totais. De ideias fixas. Ninguém saía de uma reunião do Comité Central a pensar de forma divergente da de outro camarada. As diferenças unicamente eram possíveis no início dos debates. No final de cada reunião todos os camaradas pensavam da mesma maneira. De uma só forma. A uma só voz: a sua.

 

O “Sol” é um dos três jornais do regime. A voz do Governo e do Estado. A voz de Punhal. Ocupa o lugar do filho no triunvirato divino. O Pai é “A Verdade”, a voz do Partido. A voz profunda e ideológica de Punhal. O Espírito Santo escreve no “Verbo”, a voz da Igreja, a voz do Cardeal Pereira, que é amigo do regime. Ou se faz. Por isso abençoou o comunismo à portuguesa. Numa mistura típica lusitana. Tal e qual o cozido. O comunismo português triunfante em 1975 continua a reinar, num país que persiste em ser o mais atrasado da Europa. Que persevera na política do orgulhosamente só.

 

Actualmente Portugal tem duas romarias nacionais: a Festa da “Verdade” e Fátima. A primeira serve principalmente a espiritualidade da esquerda marxista-leninista, situada preferencialmente na Grande Lisboa e Alentejo. A segunda dá vazão à fé cristã da população do Norte.

 

Na Festa da “Verdade” comem-se caracóis, bebe-se cerveja e dança-se ao som da música rock e das canções de intervenção; na romaria de Fátima, com o acréscimo do socialismo científico, predomina agora o som das bandas de música e dos cantores populares, o churrasco de frango e o vinho tinto. A unir as duas festas persiste o fado moderno, o fado trova, o fado festa, o fado oração, que tanto canta os milagres dos pastorinhos como enaltece as virtudes divinatórias de Alberto Punhal.

 

4 – José gosta de reivindicar para si, como marca distintiva, as suas origens rurais. Mas ninguém o leva a sério. Saiu da sua aldeia com apenas um ano de idade e rumou caras a Lisboa. Podemos dizer que era o maior embrulho que os pais transportavam como bagagem. No Verão passava algum tempo na aldeia, na companhia da mãe. Mas eram férias. Porque muito mais lavado, penteado e anafado que os tristes meninos que viviam na aldeia, os seus avós passeavam-no como um troféu de caça, ou um bezerro recentemente adquirido e que, de certeza, se iria transformar num boi valente e guerreiro. Não destinado à lavoura, antes predestinado para a cobrição do gado rachado. O avô José transportava-o no burro. A avó passeava-o pela mão. Aldeia acima, aldeia abaixo. Habituou-se, por isso, a observar a subserviência dos pobres coitados que, porfiando no trabalho, apenas amealhavam miséria e fome. Os meninos que viviam na aldeia eram magros, sujos e maus. Tratavam-no com desdém, roubavam-lhe as bolachas, chamavam-no de filho-da-puta, paneleiro e cabrão. Ele apenas chorava, por isso as crianças teimavam nas palavras. E ele tornava a chorar e a dizer à mãe que os meninos eram “veras” e que queria ir embora.

 

Os avós e os tios trabalhavam nas terras como escravos. Sempre sujos, remendados, dizendo asneiras como os meninos, suando como os cavalos, cheirando como os bois, bebendo vinho como água. Quase sempre recusava a comida: os chícharros com couves regados com azeite rançoso, as batatas com grelos e carne gorda, o caldo de unto. E rejeitava o pão, que era centeio, escuro, duro e amargo. Por vezes a avó comprava-lhe, com muito sacrifício, um que outro “biju” e dava-lho barrado com margarina. Ele comia-o com gosto. Mas no resto da comida não tocava. Fazia apenas uma excepção: as batatas fritas às rodelas com presunto.

 

Era um verdadeiro fidalgo. Falava assertivamente carregado de vês. Mordia os primos e dizia-lhes que era muito mau, quase tão mau como os meninos que o castigavam com pontapés e cachaços. Eles só não lhe retribuíam o procedimento porque tinham medo da mão grossa e pesada do avô e da fina vergasta da avó. Por isso lhe tinham um ódio profundo.

 

Foi a partir daí que passou a desdenhar das ameaças veladas dos pobres coitados. A aldeia para ele foi sempre uma marca distintiva da protecção dos eleitos. Porque foi escolhido como o neto querido, aprendeu a necessidade de cair nas boas graças dos que têm o poder. Pois sempre assim foi e sempre assim será. Isso ele sabe-o muito bem. É o que se pode chamar de certeza absoluta. Mais totalitária que o marxismo-leninismo e o seu Partido e mais perfeita do que Deus e a sua Igreja. Mais completa, ainda, que a ciência, que, sendo estrutural, é também uma verdade compósita e em constante movimento. Uma verdade humana que ultrapassa em ciência a própria ciência, ultrapassa em ideologia o marxismo-leninismo e a respectiva dialéctica e ultrapassa em ensinamento as epístolas dos apóstolos bíblicos e até as instruções do próprio Deus.

 

 

(continua)

 


 

18
Ago10

Hoje é Quarta-Feira, mas não há feijoada

 

Hoje é dia de feijoada, mas não me apetece, não por falta de ingredientes ou condimentos, pois até os tenho de sobra, principalmente condimentos para uma feijoada bem picante e apurada, mas, há estômagos muito sensíveis, que, com o calor se revoltam até com um feijão mal cozido.

 

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Recomendo então umas saladas e a uma pescadinha cozida sem muito sal, ou um peixinho grelhado com uma batatinha cozida e, pelo sim pelo não, uma visitinha à fonte da água quente das digestões difíceis também se recomenda, mas sobretudo, nada de álcool, pois dá sono e baralha as ideias. Ide pelo que eu digo.

 

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E quanto a recomendações é melhor ficar por aqui, senão ainda acabo por vos recomendar o chá das 5,  seguido da missa das 6.

 

Hoje vou ficar apenas pelas fotografias e, com tanto cinzentismo de ideias ou aberturas, estive para me decidir pelas fotos a preto e branco, mas pensei melhor, pois para o p&b é necessária alguma sensibilidade de artista, não só para as fazer, mas sobretudo para ter a sensibilidade de as apreciar e entender.

 

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Assim, como hoje quero ser plural, fico-me pelo contorno das silhuetas, onde a luz se faz e o colorido acontece mas, sempre com a alternativa democrática da escuridão onde tudo é igual, tudo se confunde e tudo se mistura sem ninguém dar por isso.

 

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Claro que uma imagem do nosso orgulho republicano, em plenos 100 anos de República, cai sempre bem e, em simultâneo, faz-se também a história à nossa in(?)terioridade e dos que ousaram sair de Chaves ou foram convidados a sair pelo seu valor para gerir os destinos de Portugal. Curioso que a um, os de Lisboa, mataram-no. Ao outro, os de Chaves, cuspiram-lhe na cara…

 

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O melhor é mesmo ficar por aqui, fiquem com a última imagem da grandeza das matemáticas, das físicas e de como a engenharia de um também flaviense desafia o céu sem o ferir e muito menos,  alcançar. Seja um apelo aos Deuses!

 

 

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17
Ago10

Pedra de Toque - O Avelino - Por António Roque

 

 

 

 

 

 

 

O AVELINO

 

 


 

 

 

 

 

Durante muitos anos o Avelino Sola Castro, mais conhecido por Avelino do Aurora ou Avelino Galego, foi uma figura da nossa cidade.

 

A terrível Guerra Civil de Espanha, obrigou-o a refugiar-se no Norte de Portugal, vindo depois a fixar-se em Chaves, onde, por amor se radicou, onde constituiu família, aqui lhe nascendo as suas adoradas filhas, aqui criando amigos.

 

Graças a ele e á sua reconhecida competência, o ramo de café, bar e hotelaria, foi modernizado e remodelado na nossa cidade.

 

Todos os empreendimentos naquele campo em que ele se empenhou, foram coroados de sucesso.

 

Fez escola, nos empregados que o serviram e, transformou o Ibéria e mais tarde o Aurora e a Estalagem Santiago, em unidades prestigiadas, pontos de referência em Chaves e no exterior.

 

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Mas por detrás do comerciante sabedor, e por vezes austero, estava o homem solidário, sensível e de vasta cultura.

 

Foram muitos os jovens daquela época que, por ele, conheceram Lorca, Unamuno, Picasso, Gardel, Dolores Pradera … e tantos outros.

 

Tive a sorte, o privilégio, com amigos, de o escutar noite dentro, fechadas as contas do bar, quando a cidade dormia.

 

Por vezes, no silencio do café, por vezes calcorreando a pé ou deslizando de carro, na frescura do verão ou nos frios do Inverno, pela velha, querida e bela urbe.

 

Então falava-nos da vida, narrava-nos entusiasmado as suas últimas experiências, contava-nos dos artistas e intelectuais fascinantes que tinha conhecido, com amargura narrava-nos factos trágicos da guerra que na pele sentira, profetizando sempre, sempre com inquebrantável fé, a queda fatal dos ditadores.

 

Nós ouvíamo-lo religiosamente.

 

Era o outro AVELINO que poucos conheciam.

 

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Um homem que amava Chaves, que acreditava na juventude, cujos ímpetos inteligentemente refreava, com o muito saber que a vida lhe transmitira.

 

Era o AVELINO da comoção fácil, com a palavra dos poetas, com o génio dos artistas, com a melodia dos músicos, com a generosidade dos homens bons.

 

Era o AVELINO de leitura atenta e actualizada, que digeria com raciocínio fácil e profundo.

 

Vi-o com lágrimas saltando dos olhos perspicazes, quando na radiosa manhã de Abril de 74, gozou a porta aberta para a democracia neste país, que também era o dele.

 

Vi-o emocionado no I Congresso do Partido Socialista, em Lisboa, onde estivera como convidado, quando escutou a voz embargada pela esperança na democracia possível dos representantes do seu PSOE e de outros partidos da área, da sua querida América Latina.

 

A memória do AVELINO foi evocada nas jornadas Intertâmega 91, quando alguns escutámos a interessantíssima locução do seu irmão Manuel, magistrado distinto, sobre as afinidades históricas de Verin e de Chaves.

 

Ao falarmos sobre estes dois povos, tão próximos e tão semelhantes, que as vicissitudes da história por vezes colocou de “espalda”, era da mais chocante injustiça não sublinhar o nome do AVELINO, o galego mais flaviense, com quem tive o enorme gosto e satisfação de conviver e de aprender.

 

Enquanto os seus amigos não contarem o muito que sabem da sua vida digna, da sua coerência intelectual, da sua paixão perene pela liberdade e das fascinantes estórias que lhe sorveram, a memória dele ficará para sempre, bem no caroço desta cidade, no velho Bar Aurora, ali no Largo das Freiras, que foi também o seu largo predilecto.

 

Para tantos que o estimaram, o AVELINO será recordado com a muita saudade que sempre fica quando parte um grande amigo.

 

 

António Roque

 

 


16
Ago10

Crónicas Segundárias - Os Banais Jornais Regionais

 

 

 

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Os Banais Jornais Regionais


 

(Esta crónica, a última, é dedicada a todos os comentadores das minhas crónicas, todinhos, que me incentivastes a escrever e que me ensinastes algo com os vossos valiosos comentários, e também ao Fernando, que sei que tens pena que eu vá parar de colaborar durante uma temporada.


Ao António Roque e ao José Carlos Barros não lhes dedico mais crónicas. Foda-se, era o que me faltava! Nem sequer um comentariozito, nem uma palavrinha?! Ó rapazes, falta-vos a cidreira em casa? Tó diatcho!
)



Uma das coisas que mais entristece em Chaves é a qualidade dos seus jornais, que são de uma pobreza que mete dó. Aquelas três ou quatro folhas dobradas, com notícias mal escritas, pouco interessantes (que se lêem em 5 minutos, todas!), mais aqueles textos que nem notícias são, que são pura palha para encher, como se não houvesse nada para dizer, isso tudo somado (sumido?), é de bradar aos céus. Aliás, basta ir a Verin para se ver a diferença dos nossos para os jornais regionais espanhóis, que têm muita mais informação e qualidade. Os nossos são do piorio, pior seria impossível.


Mesmo o Semanário Transmontano, que parece ser aquele que quer ser o mais abrangente e mais importante, é muito mau, tão mau como os outros.


O que me irrita mais nos nossos jornais é as suas páginas estarem cheias de palha, de coisas ridículas, e, em vez disso, não terem notícias importantes que seriam do interesse da população. Já aqui dei o exemplo de como o ST nunca publicou, sequer, uma notícia, ou entrevista, sobre o João Vieira, o grande pintor de Chaves. Nem a sua morte (que foi notícia de todos os grandes jornais nacionais, como o Público e o JN, mais televisões e rádios) foi notícia. Isto é absolutamente ridículo! Há uns tempos, fiz, também, notar que havia um concerto de música clássica, comentado pelo Maestro Vitorino de Almeida, que nem sequer foi noticiado pelo ST. Como se nas nossas terras um concerto destes passasse despercebido e nem merecesse referência, até parece que os há às dezenas todos os dias. Mais exemplos como estes poderia dá-los às centenas, se tivesse tempo e disposição para isso. O que é irritante no ST é que para encher as páginas, como se não houvesse nada de interessante para escrever, metem artigos onde se contam anedotas de gosto duvidoso, por exemplo, como se nós precisássemos de um jornal para aprender umas anedotas fracas! Para nem falar noutro tipo de artigos péssimos, ridículos.


Hoje, só para chatear, vou dar mais um exemplo de uma pessoa que poderia ter sido tema de várias notícias mas que os nossos jornais continuam a ignorar. Poderia escolher outro exemplo mas vai este. É que há dezenas de flavienses a fazer coisas interessantes por esse mundo fora e que nunca são objecto de notícia. Temos flavienses a trabalhar na NASA, em Oxford, etc, que passam completamente despercebidos por causa da ignorância dos nosso pobres jornalista, embora não dos outros, dos de qualidade, como já vou mostrar, ufa, mais uma vez.


Porque é que os nosso jornais nunca escreveram uma notícia sobre o João Luzio (podem ver aqui a sua página no Myspace), um rapaz de Chaves que já ganhou um concurso de guitarra, o Guitarfest, no Coliseu do Porto, e que também gravou um álbum (Guitars From Nowhere) com alguns dos melhores guitarristas portugueses da música pesada, como o Gonçalo Pereira? Porque é que o Luzio já foi entrevistado num dos canais da televisão por cabo, o MVM, e não aparece em nenhuma notícia dos nossos jornais, apesar de ser notícia em jornais de fora? Isto é ridículo. Não deveria ser o inverso, os da terra a descobrirem os talentos locais e a destaca-los?!

 


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Por falar nele, ficais a saber que o Luzio está a concorrer a um concurso internacional de guitarristas, se quereis votar nele podeis ir ao seguinte link e faze-lo. Basta fazer o registo e votar. Vamos lá, vamos ajudar os da terra. Nem precisais de ver os outros guitarristas, o Luzio é o melhor! O link: http://www.guitaridol.tv/video/252


Voltando à questão. Porque é que os jornais regionais não dão notícias importantes como estas? A resposta só pode ser uma: burrice, pura ignorância. Não pode ser outra coisa porque se eles enchem os jornais com palha, também poderiam meter estas notícias, que lhes demorariam pouco mais tempo a escrever. O que eu não percebo é como é que eu, uma pessoa normalíssima, que nunca fui jornalista, que passo muitos meses sem ir a Chaves (vivo muito longe de Chaves, é por isso), sei destas coisas e falo delas, e os jornalistas flavienses parecem não saber nada do que se passa à sua volta?! Parece que se sabem mais notícias interessantes de Chaves durante um corte de cabelo no barbeiro do que numa leitura dos periódicos. Do desporto ainda vão dando bastantes notícias, mas isso não basta. No resto, são muito fracos, especialmente na parte da cultura.


Mas a secção dos nossos jornais que eu acho pior são as colunas de opinião, que muitas vezes não têm nada de opinante. O que é irritante nas colunas de "opinião" é a maior parte dos temas tratados não terem absolutamente nada que ver com a nossa região.
Na minha humilde opinião, um jornal regional serve para dar as notícias da região, as pequenas notícias que não interessam aos jornais nacionais, mais as notícias que saem nos nacionais mas que podem ser mais desenvolvidas pelos regionais, juntamente com alguma opinião sobre o que se passa na nossa região ou sobre leis e políticas nacionais que nos afectem. Para o resto, temos os jornais nacionais, como me parece evidente.


Reparem agora neste exemplo de opinião do ST, cujo título é: "Luanda, quem te viu e quem te vê!". Eu nem vou comentar o artigo, não vou dizer se acho que tem qualidade ou não, nem conheço o senhor nem tenho nada contra ele, nada disso interessa. O que acho incrível é que alguém vá para um jornal de Chaves falar da política de Angola. Para isso, não temos os cronistas dos jornais nacionais, os Pachecos Pereiras e os Sousa Tavares? Mas o exemplo que dei é um entre muitos. Há cronistas do ST que se põe a malhar no Presidente da República como se o homem fosse ler o ST ou dar-lhes atenção! O que parece é que estas pessoas não sabem do que falar e depois vão para o ST, e para os outros, dar uma de Pacheco Pereira, dar uma de grandes pensadores, de gente informada, quando nós já tínhamos lido a opinião sobre o mesmo assunto, e com muito mais nível, num dos jornais nacionais. O irritante é que sobre os temas da região não falam ou pouco falam. Lembro-me do tema das barragens no Tâmega, que é uma coisa que nos importa muito, e que só foi tema de crónica, muito ligeira, no ST, depois de o Fernando ter andado por aqui a escrever, mais e melhor, sobre isso. E, só sobre esse tema, poderiam escrever-se muitas crónicas. Mas não, vamos antes escrever sobre Luanda, Moscovo, e o caralho que os foda!


E não, não é por eu gostar de dizer mal das coisas, porque não tenho interesse algum em que alguém me venha dizer "Ó pá, os jornais da tua terra, de Chaves, não valem um chavo!". Tenho pena.


Nem acho que os jornais sejam fracos porque a gente é toda fraca. Sei bem que são fracos porque são escritos por gente preguiçosa, ignorante, e sem brio profissional. Para provar isso e para mostrar que eu também dou valor ao que é bom, dou-vos os exemplo do Jornal de Vilarelho, o Eito Fora, ou da revista Periférica, uma revista de muita qualidade que era feita por gente da região. Há gente na nossa zona capaz de fazer do melhor. Infelizmente não se pede esses para escrever.


E ainda há gente que incha o peito ao dizer que escreve no ST. Foda-se, a mim dá-me o riso. É pena que nunca ninguém me tenha convidado para escrever num destes pasquins, que era para eu poder... recusar. Claro, eu não me ia queimar e aliar o meu nome a merda, que é o que eu acho daquilo. Mas mesmo que eu me decidisse a escrever, por amor a Chaves, nunca o iria fazer porque ninguém me deixaria escrever o que realmente penso. Porque o que o ST precisava era de ter uma secção de Tiradas dos Outros (artigo semanal do ST a criticar artigos de outros jornais da região) chamada Tiradas do ST, em que eu pudesse gozar à farta com eles, para ver se aprendiam algo. Nunca no ST eu poderia ter a liberdade que o Fernando me dá aqui, que é total. Se, até, me apetecer dizer "Ó Fernando, falhaste, aquilo está uma merda.", sei que posso faze-lo, apesar de nunca ter sido preciso porque o Fernando tem nível, escreve bem e é um chefe de redacção de primeira. Por isso, escrever por escrever, escrevo aqui, e no fundo isto até tem mais leitores do que o ST.


Já agora, para a malta do ST que vem aqui ler as crónicas, porque eu sei que sim: ide lá fazer um artigo sobre o Luzio. E ide, também, descobrir quem é o flaviense que trabalha na NASA, porque eu não vos vou dizer, mexei esse cu, caralho, não mexeis uma palha, trabalhai porque é para isso que estais aí. Se um dia me dá na cabeça para comprar o ST despeço-vos a todos com justa causa, a brincar!



Até um dia, talvez um dia deste eu me resolva a escrever alguma outra crónica, nem que seja uma ocasional. Foi um prazer. Até já.

 

 

 


15
Ago10

VIDAGO

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INTRÓITO


Inconscientemente ou não, talvez antes numa consciente inconsciência instintiva o post alargado, o derradeiro post sobre Vidago foi sendo adiado no tempo. Este baralhado de sentimentos foi-se arrastando no tempo e pelas mais variadas razões das quais, por si, individualmente, não dariam lugar a este conflito, mas no conjunto dão razão ao constante adiar do trazer aqui Vidago.

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Confuso o pequeno intróito que, em linguagem mais ou menos poética, se resumiria talvez, a uma miragem de um oásis no deserto que depois de alcançada se tornou real onde adormecemos num sono profundo, com sonhos paradisíacos que no acordar, tudo se foi desvanecendo na realidade… até chegarmos aqui.

 

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Espero ao longo deste post conseguir levar-vos ao que me leva a toda esta confusão de sentimentos, começando, quando tudo começa, nas origens e na história de Vidago ou “do Vidago”, como comummente muita gente diz.

 

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ORIGEM E HISTÓRIA


A literatura disponível sobre as origens de Vidago apontam mais ou menos para os mesmos acontecimentos, registo e história. Digamos que aqui, o acordo da história, também foi alcançado e bem conseguido.

 

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Diz-se ter sido uma estância termal no tempo dos romanos onde bebiam e lavavam os seus corpos para curar as suas maleitas. Acredita-se no entanto que o seu povoamento fosse já de época pré-romana. A topografia do local e a sua localização geográfica e estratégica em pleno vale da Ribeira de Oura mas também pela arqueologia, levam a crer que todos os cenários de povoados antigos aí tenham sido possíveis, no entanto, Vidago, até finais do Sec. XIX, inícios do Sec. XX nunca passou de um pequeno lugar agrícola entre duas localidades então importantes no vale da Ribeira de Oura – Loivos e Arcossó – pertencendo Vidago, à freguesia de Arcossó.

 

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A DESCOBERTA DAS ÁGUAS, ( Onde tudo começou)

 

Embora se afirme que já na época dos romanos eram conhecidas as águas de Vidago e as suas qualidades terapêuticas, às quais hoje em dia Vidago deve a sua história mais importante, o facto é que ao longos dos séculos a mesma foi ignorada, esquecida tornando-se mesmo desconhecida quase até aos finais do século XIX, sendo redescoberta, ao que conta a história actual, por mero acaso em 1863, por um lavrador (Manuel de Sousa) que vindo da lide do campo, cheio de sede, se debruçou sobre uma pequena nascente de água, que por tão pequena, se perdia nos campos lavrados. Diz-se que primeiro a achou picante, mas logo de seguida sentiu alívio no seu estômago, do qual sofria de enfartamento, razão pela qual, nos dias seguintes continuou a beber da mesma fonte para alívio do seu estômago. Deu a conhecer esta descoberta a uma familiar, D. Júlia Vaz de Araújo que de seguida as teria dado ao conhecimento do Dr. Domingos Vieira Ribeiro, residente em Chaves.

 

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Descoberta a água, foram recolhidas amostras da mesma, bem como de algumas rochas, terra e resíduos para análise no então Laboratório da Escola Politécnica. Diz-se estarem a decorrer as análises nos laboratórios químicos de Porto e Lisboa, quando o Dr. António Victor Carvalho de Sousa, da aldeia próxima de Vila do Conde (concelho de Vila Pouca de Aguiar) encontrava alívio para os males que sofria de gota.

 

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Facto é que nasciam assim as Águas de Vidago, inicialmente aconselhada por ser eficaz para o tratamento de problemas digestivos pelas suas características, por conterem bicarbonato de sódio e elementos radioactivos, os quais inicialmente até eram anunciados nos folhetos publicitários.

 

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Posteriormente à sua descoberta, concessionaram-se as águas à Câmara Municipal de Chaves para posteriormente se passar a sua exploração e comercialização que até aos nossos dias passou por várias empresas e chegando até aos nossos dias como uma água mineral natural gasocarbónica, sendo (penso que) a primeira empresa exploradora ainda dos Sec. XIX – a “Empreza das Águas e Hotéis de Vidago” - que era então representada pelo seu sócio gerente Francisco Justino Marques Nogueira, que para além das fontes das primeiras fontes e primeiras explorações de Vidago explorava outras fontes entretanto descobertas e com idênticas características, um bocado distribuídas pela região de Vidago, começando a sua comercialização com explorações de água em nascentes de Vidago, mas também de Oura, Vila Verde de Oura e Sabroso, sendo a nascente de Vidago a mais rica.

 

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A título de curiosidade, na então fonte de Vidago chegaram-se a engarrafar 500.000 garrafas por ano. O engarrafamento era feito desde o nascer do sol até à meia noite por turnos de 4 mulheres e 3 homens. A empresa possuía já depósitos de Águas de Vidago em Lisboa e Porto, além de outras localidades, como Braga, Aveiro, etc. e a venda era feita nas “pharmacias do reino” sendo desde logo premiada em Exposições Internacionais de Viena, Filadélfia, Madrid e Paris em 1878, Rio de Janeiro, Lisboa (medalha de ouro), Bordéus (diploma de honra e medalha de ouro), Paris 1889. Todos estes dados estão vertidos numa publicação data de Março de 1893 de autoria do médico-cirurgião Alfredo Luiz Lopes e intitulada intitulado "As Águas Minerais de Vidago em Portugal".  Mas melhor que estar a copiar e colar aqui esta e muita mais informação o melhor é mesmo ir à fonte e ao excelente trabalho que está a ser feito e prol da história por um filho de Vidago e o seu blog – Meu Vidago – de autoria de Júlio Silva.

 

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VIDAGO DE ONTEM E DE HOJE

 

Salus, Vidago, Campilho, tudo águas afamadas ligadas à Vila de Vidago e ao nosso concelho de Chaves,  mas também nomes sonantes ligados a Vidago pelo velho “Texas”, com os apeadeiros de entrada em Vidago, de Salus e Campilho (ou vice-versa) e a Estação de Vidago entalada entre a Estrada Nacional o Hotel e a grande avenida que nos lançava directamente até ao Hotel Palace e o seu parque  como quem nos lança para a história do puro glamour cosmopolita das férias termais da primeira metade do século passado. Um lugar mágico, sem qualquer dúvida, que espero mantenha a sua magia após as actuais obras de restauro e remodelação do Hotel (de autoria do Arquitecto Álvaro Siza Vieira) e do seu parque, e que este como sempre, mantenha as suas portas abertas a clientes mas também a turistas e à população em geral. Enfim, apenas se exige que passado um século sobre a sua abertura ao

 

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público (1910) mantenha – actualizado e modernizado – o glamour de então, de um espaço que não é só do interesse de Vidago e do concelho, mas um espaço de orgulho nacional e também de interesse internacional e que é sem dúvida alguma umas das maravilhas de Portugal. Vamos acreditar que vai continuar a ser um dos nossos Ex-líbris e que o novo espaço do Hotel Palace, o seu parque e campo de golf, hoje ao que parece com o nome de Vidago Palace volte a afirmar-se como uma referência europeia nos Hotéis com história, onde são prometidos 70 quartos e suites, um dos melhores campos de golf de 18 buracos da Europa e um “Vidago” SPA de expressão mundial, com 20 salas de tratamento numa nova ala modernista também de autoria do Arquitecto Siza Vieira. Vamos acreditar que tudo isto vai ser uma realidade, com glamour, onde os ricos de todo o mundo possam fazer umas paragens, mas também sem esquecer os que não têm guita para desfrutar do hotel, do golf, do SPA e

 

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apenas se contentam em dar uns agradáveis passeios de apreciação e contemplação da natureza, do seu parque e construções e de poderem botar um copo nas suas preciosas fontes da água de Vidago, com água de Vidago, que afinal é nela que se encarna toda a história desta Vila que, a pensar com a mesma ousadia que Chaves pensa ser Património da Humanidade, também Vidago tem tantas ou mais condições para o ser, com um passado recente – é certo – mas com uma rica história no património termal e da água associado a um interessantíssimo parque hoteleiro que infelizmente foi atraiçoado pela modernidade de “plástico” mas também muita apatia de quem deveria estar de olho guicho … e que são eles!? – os mesmos do costume!

 

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Bem, mas para mim que serei um dos tesos que muito dificilmente poderei ir para lá armar-me aos cágados e usufruir do SPA, do Golf ou das suites do Vidago Palace, apenas desejo poder continuar a usufruir das delícias do parque, que embora hoje já não seja para namorar, nem para os meus filhos poderem dar os primeiros passos nas sua frescura, mas que seja para que outros por lá passem tão bons momentos como eu passei e que continue a ser um lugar que eu possa mostrar com orgulho a quem nos visita. Vamos acreditar!

 

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Quanto às águas minerais, hoje em dia, a Unicer (proprietária das águas e do Vidago Palace), dá preferência às Águas das Pedras Salgadas, com as mesmas características das de Vidago e comercializa as águas de Vidago com sabores a fruta - de limão, maça e maracujá – coisas da modernidade plástica que nós por cá “há séculos” já tínhamos descoberto com os famosos “pneus”, mas tudo ao natural, ou seja com “um quarto” de águas de Vidago, uma rodela de limão e umas gramas de açúcar e, era sim, de facto com sabor a limão, muito gostoso e

 

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refrescante, mas tudo ao natural como também sempre houve quem gostasse das águas puras, apenas com as suas características e com o seu gás natural. Mas o mais curioso de tudo, tal como quando subi o Rio Douro de barco, rodeado de vinhedos,  à refeição me serviram vinho do Alentejo, também por cá não tenho conhecimento de cafés e bares que venda águas de Vidago,  tal como acontece nas grandes superfícies… há águas de todos os cantinhos e nacionalidades, menos a de Vidago, que é cá do concelho. Casa de ferreiro, espeto de pau…quem sabe se sabendo disto, os comerciantes chineses cá do sítio, um destes dias, para satisfação do nosso ego, não põem água de Vidago à venda nas suas lojas. São muito senhores para isso…

 

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Já vai indo longa a prosa sobre a água e hotelaria de Vidago, mas que raio, afinal a grande história de Vidago, os seus grandes anos do termalismo e glamour dos tempos áureos onde até Reis fizeram tratamentos (Rei D. Luís), onde banqueiros depositaram os seus interesses (Cândido Sotto Mayor) e a Madame Carmona  também se rendeu ao seu encanto sendo benemérita na construção da igreja Neo Românica inaugurada em 1941 (note-se que a madame Carmona, muito querida entre os flavienses e natural desta região era a mulher do então Presidente da República Marechal Óscar Carmona. Mas muitos mais notáveis se renderam ao encanto de Vidago. Vidago que fez mudar o trajecto planeado de um comboio (sim, até finais dos anos 80 do século passado havia um meio de transporte no concelho, que nos ligava a todo o Portugal, que se chamava comboio).

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OUTRAS COISAS (um aparte)

 

Mais uma vez aproveito a oportunidade para a escrita me fugir para a “marotice” da crítica política e das palas que não deixam os políticos olhar para o mundo que os rodeia. Pois tendo nós uma das mais ricas regiões em termos de água e termas, com águas quentes, frias minerais e de nascente, termas e nascentes milagrosas para quase todas maleitas, não seria de (tal como aconteceu na primeira metade do século passado) continuar a apostar nesta região de água e termas (Pedras Salgadas, Vidago com Salus e Campilho, Chaves com a água quente e Carvalhelhos) num grande parque conjunto com os municípios de Vila Pouca, Boticas e

 

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Chaves, em vez de o deixar morrer. É assim um bocado como o presunto de Chaves, que é o melhor do mundo, e até criou fama em todo o nosso Portugal, sendo hoje, uma marca consagrada, mas sem marca e sem presunto. Claro que os chineses atentos ao negócio do presunto (que no caso são chineses barrosões de Montalegre) prontificaram-se logo certificar a marca do presunto do Barroso onde na origem também incluíram o concelho de Chaves, ou seja, certificaram um presunto que sem dúvida é bom, que até é o genuíno presunto de Chaves mas estragaram tudo ao dar-lhe o nome de Presunto de Barroso, uma marca que ninguém conhece. Olha se aos de Montalegre lhes dá para começarem a comercializar as águas da

 

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mijareta ou o SPA da mijareta (para quem não sabe, a água da mijareta também é milagrosa), ou então colher e engarrafar as águas da nascente do Deus Larouco (Rio Cávado) com mezinhas das bruxas das Sextas 13. Pois, se lhes lembra, lá vai a nossa região termal e as águas para o galheiro e olhai que os barrosões de Montalegre são muito chineses para isso… bem, o melhor é ficar por aqui, senão ainda vem por aí um “palula” qualquer a dizer “olha, se gostas tanto dos barrosões, porque é que não vais para lá…” E eu até ia, e vou, por lá com agrado, pela minha costela,  mas a minha terra é esta, chama-se Chaves e, Vidago, também é a grande Vila de Chaves. Pena não ter o comboio, não ter as suas termas a funcionar, não ter o seu parque hoteleiro aberto e ocupado em pleno, o seu comércio, mas mesmo assim, continua a ser a nossa grande Vila onde é sempre agradável ir.  Vamos esperar pelo Vidago Palace e o que ele nos vai trazer, aberto para todos, caso contrário, será outra machadada para a população de Vidago e do Concelho.

 

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MAIS VIDAGO, o MEU VIDAGO

 

Quase toda a história de Vidago está ligada à grandiosidade dos seus tempos áureos, é um facto, mas Vidago continuou para além desses tempos e, são os tempos pós grandiosidade e glamour, que eu conheci e conheço e, com pena de todos (penso eu) perdeu-se a grandiosidade, é certo,  mas ganhou em beleza, romantismo e um futuro próximo com melhores dias para Vidago, vamos acreditar que sim. No entanto o meu Vidago é outro, é aquele que primeiro conheci apenas nas breves paragens do comboio em que contemplava com admiração o espaço envolvente da estação e a tal grande avenida de plátanos que levava

 

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(só descobri mais tarde) até ao Parque do Hotel Palace. Descobri mais tarde e também com admiração e espanto, começando pelo hotel, prolongando-se pelas restantes construções, pelo lago, pelo campo de golf, mas sobretudo pelos passeios que por lá dei e com quem os dei. Foi durante muitos anos, anos a fio, que Vidago era para mim um dos destinos semanais, quer de inverno, quer de verão e, já nem sequer quero falar do Outono, principalmente e depois de me dedicar nos tempos livres à fotografia.

 

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Mas já há muito que Vidago e a sua praia “a Praia de Vidago” também eram uma alternativa para “praia” e piqueniques, outro dos belos lugares que se foi perdendo e para onde actualmente todas as armas estão viradas para a destruir definitivamente – Vem aí a barragem, querem-na impor contra todas as leis da natureza e bom senso, barragem com a qual só teremos a perder e nada a ganhar, nem com derrama (areia para os olhos) ganharemos alguma coisa. Mas enfim, também a grande maioria da população pouco parece importar-se com o que se passa para além do seu umbigo, nem que seja em seu redor…

 

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O Meu Vidago, fui-o descobrindo em amizades mas também no conjunto de casario que vivia ao lado do parque hoteleiro. Casario que era casa dos residentes, hoje também resistentes, que ocupou o mais acidentado que Vidago oferecia e assim, como antes se fazia naturalmente, preservar as terras férteis do vale da Ribeira de Oura. Mas no acidentado de onde as casas se plantaram, nasceu o tal Vidago residente a rematar no Alto do Côto e no seu santuário, uma imagem de marca da Vila de Vidago, feito pela torre sineira do relógio, visível ainda antes de se avistar Vidago.

 

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Mas outros encantos se vão desenhando por esse Vidago. O Largo do Olmo por exemplo, longe da estrada de passagem, também longe do antigo comboio, era e é preciso ir lá, propositadamente, para o conhecer e, vale a pena, começando pelo fontanário, continuando na Capela de S.Simão mas também no casario mais nobre e solarengo que se desenvolveu à volta do largo.

 

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Mas também para além do Palace havia os outros hotéis, não tão imponentes e sem parque, mas igualmente interessantes na sua grandeza. Um, o Grande Hotel num dos largos principais de Vidago junto à Estrada Nacional 2, outro, o Hotel Avenida junto à Estação da CP e ainda outro, que eu costumo chamar de hotel fantasma, junto ao parque como que entra em Salus e que tanto quanto sei foi vítima de um incêndio e nunca mais foi restaurado. Costa que este último irá ser demolido por não se integrar no projecto de recuperação do Vidago Palace e respectivo parque. Quanto aos outros dois, não sofreram incêndios mas foram abandonados e encontra-se actualmente fechados. Pena, pois são belíssimos edifícios que marcam uma época e que mereciam ser recuperados e abertos ao público, quer como hotel, quer como outra

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qualquer actividade de interesse público, como (sei lá) um museu das termas, da água e do glamour, do Vidago cosmopolita da primeira metade do século passado, por exemplo, pois parece haver um interessante acervo fotográfico e não só, relacionado com esses temas, pois Vidago merece voltar de novo aos grandes dias dos seus dias grandes e ser, por mérito, a grande vila do concelho de Chaves, com história, recente, mas muita história e estórias para contar. Mas claro que para que tudo isto possa acontecer em Vidago, há que haver quem lute por isso e sobretudo ter o apoio da cidade e do município, olhando para Vidago como um complemento da cidade, como uma vila turística, onde haja e aconteçam coisas em vez de ser olhada como um parente pobre de Chaves. Vidago tem muito para oferecer, assim haja o empenho de todos, principalmente dos que mandam.

 

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E POR HOJE É TUDO

 

E vai sendo tempo de rematar este post, não por falta de assunto, pois há muitos mais assuntos e muitas estórias, boas estórias feitas de estórias boas que vão para além da estória, pois foram bem reais em muitos momentos de juventude lá passados, mas nem tudo pode vir por aqui. Por outro lado, há em Vidago que tome e bem, conta da sua história. O blog “Meu Vidago” de autoria de Júlio Silva ( em http://vidagoimagens.blogspot.com/ ) é um bom exemplo disso. Tem feito muita da história ligada à água e ao termalismo de Vidago e não só, pois também o blog e o seu autor são interessados por Vidago e pela região, tendo mantido (e mantendo) a sua voz activa na defesa do Rio Tâmega, por exemplo. É um blog que já aqui foi recomendado e que hoje recomendo de novo, não só pela história que por lá se faz mas também pelos motivos fotográficos que por lá vão passando, motivos do tal Vidago dos seus anos áureos de glamour, mas sobretudo por muita da história de Vidago que aqui não deixei e que lá pela certa encontrará. É de visita obrigatória.

 

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Há ainda outros sítios na NET sobre Vidago que também merecem uma visita para ficar a conhecer melhor a Vila. A Casa de Cultura de Vidago em http://www.ccvidago.net/ , e a página da Junta de Freguesia em http://vidago.com.sapo.pt/ .

 

 

Da minha parte fica esta pequena contribuição de trazer aqui Vidago e simultaneamente o cumprir da promessa de que todas as aldeias e vilas do concelho de Chaves teriam aqui o seu tempo de antena, à minha maneira, claro, mas com a certeza de que foi o melhor que me foi possível fazer. Mas Vidago, pelo que promete aí vir, pelos invernos e Outonos, primaveras e verões fotográficos que proporciona, pela certa que em fotografia continuará a passar por aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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