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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Ago10

Coleccionismo de Temática Flaviense - Medalha Alusiva a Trás-os-Montes

 

 

Medalha em bronze, com o diâmetro de 70 mm., alusiva a Trás-os-Montes. Em segundo plano encontra-se representada a ponte romana de Chaves, ainda com os remates monárquicos.

 

Esta medalha, destinada a receber inscrições personalizadas no reverso, foi desenhada por Vasco Nuno (datas desconhecidas) e cunhada numa oficina não identificada. O exemplar reproduzido corresponde ao número 27 de uma tiragem não especificada.

 

 

04
Ago10

A feijoada das quartas-feiras e a arte em Chaves

Capa do Catálogo da Bienal Arte de Chaves

 

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Alguém, em tom de gozo, me chamou a atenção para uma notícia do semanário transmontano: - “ tás a ber, afinal o festimage sempre traz os vencedores a Chaves”… Respondi instintivamente -  “ acho bem, ao menos isso,  sempre vão aprendendo…” mas afinal foi foguete lançado ao ar que não estoirou, pois quem veio a Chaves foi a mãe e dois irmãos do vencedor. Mas não deixa de ser curiosa a notícia e a necessidade que o semanário transmontano (organizador do festimage) tem em a anunciar esta visita a Chaves, como se tão importante fosse… afinal para divulgar Chaves real,  começa assim: “ O festimage não está apenas a promover a cidade de Chaves no mundo virtual. São cada vez mais os participantes no concurso que vêm conhecer ao vivo a cidade que organiza o evento. No passado fim-de-semana esteve em Chaves a família do vencedor deste ano, um jovem alemão” e a mesma notícia termina “ O ano passado, também visitou a cidade a família de um dos 50 finalistas, que veio expressamente de França para visitar a cidade berço do festimage”.

 

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Santiago Ydañes - S/título 2000 - Acrílico S/ tela - 150cm diâmetro

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Eia, eia lá como somos grandes, (acompanhe-se a leitura ao som de foguetes no ar e com a música das concertinas dos rapazes da Venda Nova), o Festimage traz a Chaves uma (1) família de vencedores, por ano, enquanto os prémios e as cerimónias, vão por correio (suponho). O evento, nem que seja só por “este trazer a Chaves” já está mais que justificado… então na Índia, toda a gentinha conhece Chaves (carroças e carroças deles). Mas adiante, pois presunção e água benta cada um toma a que quer e se acham que o Festimage promove Chaves, então há que tocar os bois para diante, mas metam-lhe as palas, não vão os bois distrair-se com a pastagem… e deixem a areia para as praias ou para o betão, que rende mais que nos olhos das pessoas…

 

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Imagem da exposição - Na imagem obras de Domingos Pinho - Óleos s/ tela

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Mas há cultura que acontece realmente em Chaves e, à Bienal deste ano rendo-me. Primeiro tivemos a oportunidade de conhecer em Chaves o ilustre pintor flaviense João Vieira. Tarde, mas teve a sua quase justa homenagem, agora Nadir Afonso na Biblioteca Municipal e «Sinais da Arte Ibérica no Século XX» onde nesta, estão 33 artistas ibéricos, a grande maioria sem precisar de apresentação. Picasso, Miró, Amadeo de Souza-Cardoso, Tàpies, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Nadir Afonso… bons artistas, sem qualquer dúvida, a mais até para receber de uma vez só e em espaço tão pequeno e mal iluminado, mas sem qualquer dúvida, um momento alto para a arte em Chaves, onde se pode ter a oportunidade de conhecer o melhor da arte ibérica (que é também mundial), com algumas faltas que eu gostaria de ver, por exemplo espanhol o Salvador Dali e do lado português, ou flaviense, o João Vieira, a quem a Bienal também é dedicada, este último, apenas porque o Nadir ( e muito bem) também faz parte desta mostra, pois sei perfeitamente que o João Vieira esteve exposto anteriormente no mesmo espaço tal como o Nadir está agora na Biblioteca Municipal. A questão é apenas de pormenor e de igualdade onde o João Vieira também cabia por direito nesta mostra.

 

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Pablo Picasso - S/ título - Lápis de cera s/ papel - 78x56 cm

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É uma mostra que recomendo ver, principalmente agora que já se cumprem os horários da exposição e onde até há catálogo disponível, à venda, mas está disponível para os verdadeiros interessados e, aplaudo, pois sempre é melhor que haver só catálogo para amigos que até se estão a borrifar para a arte, pois apenas gostam de ser os eternos pavões que aparecem nas inaugurações das exposições (a rima dos ões é para dar força ao pavonear da pevide e só não meti o fato e a gravata, porque não rimava).

 

Pois não me custa nada dar os parabéns à Câmara Municipal por esta mostra e da minha parte até agradeço a oportunidade de poder ver em Chaves tanta arte importante junta, não por ser um esperto na matéria, que não sou, mas apenas pela curiosidade de como leigo poder ter a oportunidade de ver arte a sério e consagrada. Claro que (mesmo leigo vou conhecendo alguma coisa) a representação de Miró e Picasso estão longe de mostrarem os grandes artistas que são, até podem ter um efeito negativo para quem os não conhece, pois tanto um como outro são muito mais que o que lá está exposto, mas também não podemos exigir muito, e ter cá Picasso e Miró, é uma honra.

 

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Isabel Muñoz - Fotografia - 120x120 cm

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Está pois de parabéns a Câmara Municipal com este evento e mais uma vez o profissionalismo da Cooperativa Árvore que, para finalizar me leva a uma questão para responder quem souber: Falo neste post de dois eventos realizados em Chaves, um anual, o Festimage cujo conceito está correcto à excepção da teimosia de não prever mais um prémio para fotografia com o tema Chaves e assim promover verdadeiramente a cidade, que é organizado pelo Semanário Transmontano e pago pela Câmara Municipal. Outro evento, pelo nome bienal, é a Bienal de Chaves que é organizado pela Cooperativa Árvore e também pago pela Câmara Municipal embora esta edição tenha o patrocínio do Turismo de Portugal. A questão é a seguinte – Qual a razão de existir da Associação Chaves Viva, que deveria promover e organizar estes eventos, se cada vez que se quer organizar qualquer coisa de jeito se tem de recorrer a entidades estranhas à Câmara Municipal? Só se for por causa dos contactos que tem com os rapazes das concertinas da Venda Nova ou então por, além de ser uma associação promotora para o ensino e divulgação das artes, ser uma associação de cariz social com a sua função de entidade empregadora…mas reconheço que para uma coisa têm jeito: põem sempre os outros a organizar e trabalhar, mas é o seu selo do apoio que sai sempre nas publicações, e os seus pavões, na fotografia dos jornais. Essa é que é essa, e com esta me vou, à feijoada, porque hoje há feijoada em Chaves…está calor, eu sei, mas a coitada da feijoada está lá com aqueles olhinhos a dizer “come-me” e eu, fraco de espírito, não resisto e como-a sempre…

 

 

 

 


03
Ago10

Pedra de Toque - A Praça de Táxis - Por António Roque

 

 

 

 

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A Praça de Táxis

 

 

 

 

Não vos vou falar, nem dos industriais nem dos motoristas de praça de hoje, que se espalham por diversos recantos da cidade, entre os quais conto vários e bons amigos.

 

São profissionais do volante que produzem trabalho útil e meritório, percorrendo o burgo e o concelho nos seus automóveis, transportando quem os procura, enfrentando a desleal concorrência dos clandestinos que, furtando-se a contribuições e impostos, tiram-lhe os serviços a que por lei têm direito.

 

Nesta crónica, porém, darei mais uma volta pelo passado, sem pagar o frete, porque de frete não se trata, lembrando figuras carismáticas e típicas de taxistas que da esplanada do velho Império, enquanto crescia, me habituei a ver na praça desta cidade pequena, muito querida e maneirinha que era Chaves há 40 ou 45 anos.

 

O facto de os recordar pelas alcunhas com que o povo os baptizou, não significa qualquer menosprezo pela sua memória.

 

Bem pelo contrário.

 

Sempre os considerei a todos, cada um com suas qualidades e defeitos, homens do povo, homens de bem.

 

Com o seu humor, com as suas brincadeiras, com a sua brejeirice, com as suas partidas, que no quotidiano pregavam uns aos outros, sorrindo com a vida, transformavam a praça junto ás Varandas, depois na Rua do Olival, ou em volta do Palácio, num recanto pitoresco da cidade onde as novidades chegavam com a velocidade do vento, sempre, sempre em primeira mão.

 

As estórias com que se brindavam, autênticas anedotas verídicas, eram pretexto de gargalhadas que se ouviam nos cafés, nas tascas, nos barbeiros, nos serões à volta de um petisco, de uma pinga.

 

Era talvez uma forma, conscientemente escolhida, de quebrar a pachorra provinciana, de esquecer tempos difíceis, caminhos intransitáveis, estradas esburacadas.

 

Unia-os um saudável bairrismo, aqui e ali exacerbado, que se evidenciava não só nos êxitos futebolísticos levados ao rubro quando o adversário era o Vila Real, como também nas disputas Canários-Pardais, Bombeiros de Baixo – Bombeiros de Cima, e sempre que era necessário elevar o nome de Chaves ou dos seus filhos mais distintos.

 

Eram companheiros de médicos que levavam conforto e saúde ás aldeias longínquas.

 

Transportavam advogados quando nos campos diziam da “direitura” sobre águas, passagens ou paredes, na procura de dirimir conflitos.

 

Sabiam dos amores clandestinos, tinham os primeiros comentários dos escândalos, conheciam as razões escondidas para o crime cometido, só os bombeiros, primeiro que eles (e nem sempre …), localizavam o incêndio com que a sirene estridente inquietava a cidade.

 

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Foto de Arquivo do blog Chaves Antiga

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Correndo o risco de esquecer alguns, de os misturar nas épocas, aqui ficam, em preito de homenagem, os nomes que a memória reteu:

 

O Zézé, o Rebelo, o Manuel Redes, o César Carai, o Rambóia, o Ceroulas, o Jó, o Abílio Ferreira, o Beto Quinze, o Alberto Sarapicos, o Arnaldo, o Hélder Carvalho, o Lé, o Tó Corneta, o Gualter, o Toninho Barrosão, o Zé Manco, o Beto Costa.

 

Alguns, poucos, já deram descanso ao volante e continuam, felizmente, entre nós.

 

A maior parte deles, depois de tantos quilómetros, encetaram a última viagem e por isso, certamente, estão a repousar em paz.

 

 

 

António Roque

 


02
Ago10

Crónicas Segundárias - Uma Cidade do Caralho!

 

 

 

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Uma Cidade do Caralho!


 

(Esta crónica tem bola vermelha no canto do écran. Se é uma pessoa sensível a palavrões e malcriadez, pare já aqui e espere pela Pedra de Toque de Terça-feira, que essa sim, é uma crónica de confiança absoluta)

 

Uma das coisas que mais me custa ao escrever estas crónicas segundárias é não se poder (dever?) meter umas caralhadas, embora eu já tenha metido uma ou outra.


O problema é que eu, desde que aprendi a falar, sempre fui treinado para mandar caralhadas e tornei-me num dos putos que mais caralhadas diziam, uma coisa a que as pessoas achava piada. E nunca mais perdi esse vício, já me está entranhado muito muito profundamente, e por causa disso devo ter dito, durante a vida, vários biliões de caralhadas, porque não há quase frase alguma em que não meta uma.


E aos despois, quando me chego ao teclado para martelar uma crónica, estou sempre a pensar "ai o caralho, caralhos me refodam, ai que stress do caralho, jajus m'acuda, puta que pariu esta merda, puta que pariu as etiquetas, não consigo escrever como penso normalmente, que foda apanho a escrever estas crónicas, etc, etc". Vocês não imaginam o esforço que eu faço para escrever uma crónica decente, à doutor, uma coisinha do tipo que se vê para aí publicada nos jornais. É que nem dou conta que meto as caralhices, só quando chego ao fim é que vou outra vez ler e vejo que tenho de cortar as caralhadas por aqui (aqui não, que se foda, hoje vai ser à Lagardère! É nas outras crónicas) abaixo. Numa ou noutra crónica tenho deixado uma caralhada, que é só mesmo para desougar, não aguento. Eu nem me considero malcriado porque não ando por aí a ofender as pessoas, a dizer coisas como "vai-te foder, ó filho da puta, cabrão do caralho!", não é nada disso, meto as caralhadas mas muito inocentemente, de maneira natural, são uns foda-se que não são para foder ninguém. Hoje, vou desforrar-me mas prometo que na próxima vou escrever tudo decentemente, não vou escrever nenhum palavrão. Peço desculpa por estas minhas caralhadas mas a culpa é do Fernando que me atura e que disse que me dava carta branca para escrever o que me desse na mona. Por isso, se quereis reclamar alguma coisinha ide queixai-vos a ele porque eu quero que as reclamações se fodam, já disse que não falo assim por maldade.


Depois desta introdução um bocado fodida, vamos ao assunto de hoje.


Na última crónica estivemos para aqui a discutir se era melhor a aldeia ou a cidade e o que se devia fazer em Chaves, ao nível cultural e do lazer, para tentar combater a fuga das pessoas para as grandes cidades. Pareceu-me que houve gente que percebeu que eu sou mais "amigo" das grandes cidades e que desprezo um bocado as aldeias. Fiquei um bocado fodido com esta coisa e vou tentar explicar melhor isso.


Na verdade, eu sou da aldeia, sou um puro parolinho da aldeia. Ficais a saber que eu vivi sempre na aldeia e que só comecei a frequentar Chaves quando fui estudar para o 7º ano do Liceu. Antes disso, só tinha vindo a Chaves uma meia dúzia de vezes com os papás, porque naquela altura havia poucos carros e a gasolina era cara, e por isto, só conhecia, praticamente, a Rua de santo António e a Rua Direita. Muito menos conhecia cidades como o Porto, em que nunca tinha estado. Mas agora que me lembro, qual Porto, qual gasolina cara, qual quê! Então se eu só pus os pés em Espanha depois dos 18 anos! E a aldeia é só a uns quilómetros de Espanha. Mas quem é que apanhava fora da aldeia? Podiam-me convidar que eu nunca queria ir, só estava bem na aldeia.


Não sei se estais a ver o caralho do choque que foi para mim ir estudar para o Liceu. Até me passei da cabecinha! É que eu não sou só um parolo da aldeia, sou um super-parolo que nunca teve habilidade nenhuma para lidar com estas coisas das parolices, sou um gajo muito inocente, mesmo purex da aldeia, só queria aldeia, mais nada. Sabeis vós o que é eu chegar a Chaves vestido com uma samarra e com uma calças de fazenda (que tinham sido feitas pela minha mãe com umas calças gastas do meu pai), mais uma bolsa de lona (parola, claro) a tiracolo, em que iam lá dentro uns cadernos à antiga (nada de caderninhos de argolas como já estavam na moda na cidade. E, eu, feito burro, insisti em usar os cadernos durante uns mais quantos anos, claro!) e a merenda? Sabeis vós o que é eu chegar nesta figura à grande cidade e encontrar os colegas de jeans, todos pimpões, com kispos catitas, mais os cadernos de argolas janotas juntos com os livros, tudo enfiado naquelas capas de couro, que se usavam na altura para meter o material da escola? Para mim foi um choque do caralho, foda-se! Eu detestava Chaves e aquelas finesses todas. É que não era só a roupa e as capas de couro, era tudo, os gajos eram muito mais sabidos do que eu e estavam sempre a gozar comigo, como se já não bastasse eu andar desorientado numa povoação tão grande. Por exemplo, eu ia com eles a um café e não sabia os nomes dos bolos, não sabia o que era uma meia-de-leite, etc. E os gajos gozavam comigo, pois então. E eu ficava ali envergonhadinho, nem coragem tinha para ir mijar ao wc porque não sabia onde era o sítio certo.


Depois, fui-me ambientando lentamente, passei a gostar de Chaves e até a fazer bons amigos. No início ainda tive que mandar uns murros a dois ou três queques da cidade, que queriam gozo, mas depois disso os gajos começaram a ver que eu era agreste mas que nem era muito burro e lá fomos ficando amigos.


Quando eu já estava ambientadinho a Chaves, tive que ir para ao Porto! Ó caralho, aí é que foi pior, aí é que me custou a ambientação! Foda-se, é que um gajo de uma aldeia tem muitas mais coisas em comum com os de Chaves (com quem um gajo pode falar de presunto, por exemplo) do que com os tripeiros, que são gente muito mais sofisticada, e eu nunca gramei as sofisticações! Fui-me logo meter com gajos que discutiam de cinema, por exemplo, e eu nunca tinha posto os pés num cinema. Quando fui pela primeira vez ao cinema, veio uma senhora com uma lanterna dizer que me levava ao lugar, e eu pensei "Não há quem me safe, tenho mesmo cara de parolo, de aldeão, a senhora topou-me logo e veio-me ajudar porque percebeu que eu nunca iria descobrir o assento certo, ai que vergonha!". Os meus amigos tripeiros falavam de muitas coisas que eu não percebia nada, coisas que me levaram muito tempo a aprender para poder comunicar com aqueles sabichões. Mas, claro, aprendi e ambientei-me, já não queria outra coisa senão Porto.


E não é que depois do Porto me meti ao caminho pelo mundo fora? Agora, posso dizer que já vivi em algumas das maiores cidades da Europa, numas pouco tempo, coisas de semanas ou meses, mas noutras coisas de anos. E vivi duma maneira que me deu para conhecer bastante o que se passa por aí fora, conheci gente das mais altas e das mais baixas classes, incluindo gente fina da cultura e da pasta, o que me dá alguma bagagem para andar por aí fora muito descontraído no meio da gente sofisticada, já não sinto nada aquela aflição de estar a entrar num mundo desconhecido, aquela coisa que eu sentia quando só conhecia a aldeia e não queria conhecer mais nada. Além de ter conhecido muita gente e ter aprendido muitas coisas, também aprendi a falar e escrever outras línguas, o que é importante para se conhecerem mais profundamente outras culturas, como é evidente. Hoje em dia, posso dizer-vos que eu entro por uma qualquer grande cidade adentro (Roma, por exemplo) com uma descontracção tão grande como se lá tivesse sido criado. Desde o conduzir, a falar com qualquer pessoa, estou sempre na maior, acho que me fiz um gajo fino! Se calhar até fiz. Estou tão fino, sofisticado e descarado, que até tenho a lata de escrever como me apetece num qualquer blogue de nomeada, eu é que sei como é. E agora, o que me acontece, especialmente se ultimamente estive a viver numa cidade como Paris, é que entro em Chaves e aquilo parece-me uma aldeia, ou, vá lá, uma vilória. São sempre as mesmas caras, as mesmas tretas, ainda não há cinema nem teatro, parece-me que está tudo parado no tempo, e os gajos que antigamente me gozavam por eu não conhecer os bolos, parecem-me uns parolos que não evoluíram nada.


No outro ano, enfiei-me na aldeia, por alturas de Inverno, e não saí de lá durante duas semanas. E, quando me enfio na aldeia, volto a ser aldeão. Deixo de ler os bons jornais e revistas, desligo da internet, e vou para o café conviver e falar de agricultura, do gado, da caça, e não quero saber de mais nada. Nem me lembro dos finos amigos franceses, que não sabem que estou para fora cá dentro, e que me mandam mensagens a convidar para ir à ópera ou a alguma exposição de arte moderna. Que se fodam Paris e as artes modernas, viva a linguiça na brasa em cima de um bocado de pão centeio!


O que sei é que ao fim das duas semanas fui a Chaves, ao fim da tarde, já lusco-fusco, e quando entrei pela Rua de santo António abaixo e ao começar a ver as luzes das montras e as pessoas bem vestidas e com ar fino, tive um arrepio na espinha e pensei cá para mim "Tó diabo, foda-se, coisa fina, estamos a entrar na cidade, isto é do caralho, Chaves é uma cidade do caralho!". Exactamente como quando entrei em Chaves pelas primeiras vezes!


Lá está, é a tal coisa, a verdade é que eu nunca consegui aprender os nomes de todos os bolos que se vêem à venda no Aurora!


Até à próxima!

 


01
Ago10

Mosaico da Freguesia de Águas Frias

 

 

 

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Localização:


A 12 km da cidade de Chaves, a Nascente desta, situa-se nas denominadas terras de Monforte, nome que provém do Castelo de Monforte de Rio Livre, que altaneiro se localiza em pleno coração da freguesia  .

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Paradela de Monforte, Travancas (num único ponto), Cimo de Vila da Castanheira (num único ponto), Tronco, Bobadela, Oucidres, S.Julião de Montenegro, Eiras (num único ponto), Faiões, Stº Estêvão e Stº António de Monforte.

 

Pelas confrontações, nota-se, ser uma das maiores freguesias do concelho, e de facto assim é, pois em área (27.95 km2) só é ultrapassada pela freguesia de São Vicente da Raia (36.00km2).

 

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Coordenadas: (Adro da Igreja de Águas Frias)


41º 46’ 10.64”N


7º 21’ 02.91”W

 

Altitude:


Variável – acima dos 550m e Abaixo dos 850m

 

Orago da freguesia:


São Pedro

 

Área:


27,95 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):


– Estrada Nacional 103

 

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Aldeias da freguesia:


- Águas Frias

- Assureiras (de baixo, do meio e de cima)

- Avelelas

- Casas de Monforte

- Sobreira

 

População Residente:

Em 1900 – 1620 hab.

Em 1920 – 1538 hab.

Em 1940 – 1926 hab.

Em 1960 – 2201 hab.

 

Em 1981 – 1253 hab.

Em  2001– 897 hab.

 

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Pela leitura do gráfico facilmente se vê que o comportamento e movimento da população residente é idêntico ao da grande maioria das freguesias rurais, com o seu topo de população no ano de 1960 descendo a partir de aí até ao ano de 2001. No entanto a quebra de população desta freguesia acentua-se mais a partir de 1960 porque também a partir dessa data é formada uma nova freguesia dentro do seu antigo território, ou seja a aldeia de Curral de Vacas e Nogueirinhas anteriormente pertencentes a Águas Frias deram origem a freguesia de Stº António de Monforte levando consigo mais de 500 habitantes. Contudo, mesmo contabilizando a população da nova freguesia, em 2001, a manter-se o antigo território, Águas Frias teria 1406 habitantes residentes, ou seja, manteria a linha de tendência negativa, embora menos acentuada e bem longe do número alcançado em 1960.

 

Podemos então concluir que a freguesia sofre também do mal do despovoamento, embora o mesmo não se distribua por igual nas suas aldeias, parecendo-me que as mais afectadas serão Sobreira e as Assureiras.

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Principal actividade:


- A agricultura.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

 

Sem qualquer dúvida a freguesia possui um dos maiores pontos de interesse do concelho, mas não só, pois o interesse é regional e até nacional. Refiro-me, claro, ao Castelo de Monforte que outrora teve a sua importância estratégica, com uma Vila Medieval dentro de muralhas, hoje abandonada e muito arruinada mas também na sua área de influência nasceriam as várias populações que hoje constituem a freguesia de Águas Frias bem como outras freguesias próximas, vindo a perder naturalmente a sua importância militar, mantendo no entanto a sua importância histórica e monumental mas também um ponto importante na montanha, enquanto por lá, durante dezenas de anos, se realizava uma das mais importantes feiras de gado da região.

 

O Primeiro foral de Monforte de Rio Livre  foi outorgado por D.Afonso III em 1273.

 

D. Dinis posteriormente promoveria a reedificação da estrutura castelar dotando-a da sua magnifica Torre de Menagem. Na centúria seguinte, já bastante despovoado, D.João I viria a construir ali um “Couto de Homiziados” (1420), mas de pouco valendo, pois posteriormente viria a conhecer o abandono total, já no séc. XIX, altura em que é também extinto o concelho de Monforte de Rio Livre.

 

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Abandono total que chega até aos nosso dias pois embora há anos atrás houvesse uma tentativa de revitalizar o espaço envolvente com a construção de merendeiros e uma área de lazer, lançando para lá uma feira medieval que ainda se realizou durante dois ou três anos e a intenção de na torre de menagem montar um museu, tudo foi ficando pelo caminho, conhecendo nos actuais dias de novo o abandono total de onde todos se excluem das responsabilidades que têm, ou seja, a Junta de Freguesia desculpa-se com a Câmara Municipal e esta com o IGESPAR, ou seja, um espaço cujo interesse, repito, além de ser da freguesia, é concelhio, regional e nacional, todos lavam de lá as suas mãos, estando neste momento completamente abandonado, sem guarda e ao deus dará. Da nossa parte só podemos ter pena que tal aconteça, pois o Castelo de Monforte de Rio Livre é uma das nossas maravilhas. Sem qualquer pudor penso que todos são responsáveis pelo seu abandono – Junta de Freguesia, Câmara Municipal, IGESPAR mas também indirectamente o Governo por mãos do seu Governador Civil do distrito, pois sendo ele da freguesia de Águas Frias poderia utilizar a sua influência e proximidade do Governo para que o Castelo não esteja abandonado como está. Mas verdade seja dita, também foi o actual Governado Civil, aquando Presidente da Câmara Municipal de Chaves, que fez alguma coisa pelo castelo e espaço envolvente, devendo-se a ele a tal área de lazer existente e as tais feiras medievais que não vingaram. Conclusão das conclusões – Do estado actual do castelo ninguém é culpado, mas todos o são e como tal, com culpas distribuídas por todos, o mais certo é que um monumento nacional continue entregue ao completo abandono…a nós, que ninguém nos liga, resta-nos denunciar e lamentar, ter pena que também ele sofra da sua ruralidade que embora bem visível a léguas, ninguém o veja no seu maior interesse…

 

Mas embora o Castelo tenha a sua importância, historicamente a freguesia tem mais a dizer, pois tudo indica que o seu povoamento remonte, pelo menos, à proto-histórica Cultura Castreja do Noroeste Peninsular, pelo menos é o que tudo indica o topónimo “Monforte” e que o mesmo se relacione com um dos numerosos  povoados fortificados da idade do Ferro e Romanização ligado no aro concelhio flaviense, por onde se supõe também que passaria a Via Augusta (calçada romana) que ligava Braga a Astorga, ou seja uma daquelas que seria uma auto-estrada da época romana. Pena que Chaves e a região tenham perdido a importância que tinha nessa altura. Hoje estamos numa de ter pena, que aliás já não é de hoje, infelizmente.

 

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Também em arquitectura civil e religiosa a freguesia possui os seus pontos de interesse, com a Igreja paroquial de Águas Frias setecentista e as Igreja das Avelelas, a Capela de S.Miguel, Stº Amaro, N.Srª dos Prazeres, Stª Bárbara e algumas casas mais ou menos solarengas. Aliás a aldeia de Águas Frias pelo seu interesse arquitectónico possui um núcleo que no PDM de Chaves está protegido com a preservar, mas infelizmente quase e apenas isso, pois tem sido vítima da descaracterização do seu antigo núcleo (o tal interessante) sem o devido cuidado da preservação. Culpados da situação? – de novo são todos culpados e não há qualquer culpado, pois como eu dizia há tempos atrás a este respeito dos núcleos a preservar, não basta estar escrito no PDM que assim é, tem de haver todo um trabalho de sensibilização das populações, de incentivos, de fiscalização, de promoção, de acompanhamento,  etc. Mas tudo é feito ao contrário e as populações até são “castigadas” por serem interessantes, por isso, em nada me admira que o clandestino aliado também (na maior parte das vezes) ao mau gosto (acredito que inocente)  continue a imperar com o “consentimento” e conivência de todos, pois para as coisas se fazerem a sério têm de ser levadas a sério e não o são. Mais uma vez temos pena.

 

Pois também tenho pena de não continuar com os post e continuar por terras de Monforte e de Águas Frias, mas a minha missão, para já, está concluída e depois, Águas Frias está muito bem representada na Internet, não só com os blogues de Águas Frias, mas também de Casas de Monforte e dos seus autores que são gente interessada pela freguesia e dos quais tenho a certeza que também eles têm pena que algumas coisas aconteçam por lá e com o seu castelo.

 

 

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

- Águas Frias - http://chaves.blogs.sapo.pt/502175.html

 

- Assureiras de Baixo - http://chaves.blogs.sapo.pt/264113.html

 

- Assureiras do Meio e de Cima - http://chaves.blogs.sapo.pt/268697.html

 

- Avelelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/321545.html

 

- Casas de Monforte - http://chaves.blogs.sapo.pt/307041.html

 

- Sobreira - http://chaves.blogs.sapo.pt/336984.html

 

- Castelo de Monforte - http://chaves.blogs.sapo.pt/419013.html

 

 

 

Blogues da freguesia:

 

 

- Águas Frias  (João Tanas) - http://aguasmonforte.blogs.sapo.pt/

 

- Águas Frias (Mário Silva) - http://aguasfrias.blogs.sapo.pt/

 

- Rio Livre (Celestino Chaves) - http://riolivre.blogs.sapo.pt/

 

- Casas de Monforte (Tó/Manuel/Hugo) - http://casasdemonforte.blogs.sapo.pt/

 

 

E por hoje é tudo. Até amanhã com mais uma Crónica Segundária de António Chaves.

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      Penso que era o sonho de todos os miúdos e até gra...

    • Anónimo

      Quando era miúdo este Hotel tinha um elevador. Era...

    • Anónimo

      Também adorava lá ir e passar um bom bocado!!!