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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Set10

...

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“ I e II ”


ou


Dlim – Dlão”

 

 


Dlim


I


Ainda hoje não compreendemos porque em CHAVES não existe uma Faculdade de Botânica!

 

No antigamente, aí, os «estudantes» viviam, como nenhuns outros, rodeados de Jardins. E as suas salas de aula eram verdadeiros canteiros viçosamente floridos.

 

As «estudantas»; as «apanhadoras -de- malhas- em-meias-de-vidro»; as empregadas de balcão; as que vinham às compras, à cidade; as que «chegavam» o copo de água, nas Caldas; as que alindavam as Varandas de Chaves e os quintais das Aldeias; as que iam lavar no Rio ou buscar água à fonte; as que nos perdoavam o selo, nas cartas secretas da “Posta-Restante”; as que nos davam aulas; as que nos deixavam «roubar» fruta, lá, no Mercado; as que não nos ligavam patavina; e as que nos desafiavam para dançar; sendo tantas e tantas, todas eram um encanto para nos deixar pendurado no tempo …   e fazer-nos dizer ao Adão que nos deixasse a nós comer a maçã!....

 

CHAVES foi desde sempre a Cidade mais rica e mais linda com flores e frutos!

 

Naquele tempo, Zeus ainda não era nosso amigo.

 

E Deus, sem lhe termos feito mal, castigou-nos.

 

O «Ultramar» garantido prometia-nos aterrorizadas incertezas. E os amores por aí encontrados tiveram de ficar ensarilhados ou trilhados por um regresso mais duvidoso do que certo.

 

Feita a 4ª, em qualquer Escola da Normandia Tamegana, os que podiam (ou que tinham ajuda) iam pr’á cidade tirar “A Comercial e Industrial” ou “O Liceu”.  Depois seguiam para a “Normal” ou para o 3º Ciclo, na “Bila”, se queriam outros voos.

 

A rondar os anos sessenta, Chaves passou a ter o 3º Ciclo Liceal.

 

E o Tâmega parecia um braço do Tamisa: não tinha regatas famosas, mas tinha uns passeios românticos, nos «birremes» gondolados do “Lombudo” e do “Redes”.

 

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O Jardim das Freiras e o Jardim do Bacalhau  eram   dois canteiros de Montematre,  onde as coordenadas cartesianas  ou a divisão de polinómios alumiavam o pretexto para maviosos passeios da mocidade.

 

A Chaves, o Verão chegava sempre com a Senhora da Saúde, de S. Pedro de Agostém.

 

Às 5ªs, sábados e domingos, o Jardim Público, à noite, enchia-se de gente para ouvir os musicais da passarada.

 

Que bem tocavam “Os Pardais” e “Os Canários”!

 

E os “rouxinóis” e os «melros” embalavam, no ar fresco vindo do rio, os seus desvanecidos sussurros, na esperança de os ver chegar ao beiral dos corações das suas “rolinhas”!

 

O Tabolado fora ajardinado.

 

Passeava-se à beira do Tâmega, em grupos garridos, aguerridos, divertidos… e em grupinhos de comprometidos.

 

O “Barroso” estava  ali pegadinho à Cidade.

 

E as TERRAS DE VALPAÇOS só não andavam de braço dado ao lado direito do Tâmega porque, naquele tempo, era pecado    -  e  toda a gente queria ir para o céu!

 

As TERRAS DE VALPAÇOS são todas muito ricas!

 

De coisas boas, de boas gentes.

 

A sua Senhora da Saúde, ainda nos fez rapar algum frio, depois de uma noite quente de borga e bailarico no «recinto onde entrávamos com um bilhete passado pela habilidade de outro “dançador”».

 

Nessa noite de arraial, aí, na Srª da Saúde, o sol madrugava mais cedo por se sentir desafiado pelas fogueiras que, no final do baile, se acendiam, a temperar o arrefecimento do ar, a canseira do corpo e a pressa do regresso ao descanso da folia.

 

A Valpaços, o Outono chegava sempre com a  Senhora da Saúde.


 

Dlão


II



Uma madrinha desceu apressada a rua de Santo António, conduzindo um «carocha», preocupada em chegar a “Rio Torto” ainda com a luz do dia.

 

A sua afilhada não tirava os olhos de um Romeiro que, diziam-lhe as comadres, vagueava pela Cidade.

 

Tinha mistério com ele, diziam. Até fazia as pessoas mudar de passeio, só com o olhar!

 

A madrinha tinha prometido a um Morgado que tudo faria para meter a afilhada nos braços dum labrego que, por sinal, até era o único filho legítimo do Morgado.

 

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Na esquina do “Geraldes”, ele, o Romeiro, ali estava, adivinhado com a hora da passagem do «carocha», tal como adivinhado estava sempre da rua, da loja, ou da esquina onde a madrinha se sentia mais segura da companhia da afilhada.

 

E os olhares de ambos sempre se cruzavam.

 

E a boca de ambos sempre se prometia.

 

Nesse dia, o «carocha» parecia fugir mais depressa para atravessar a Ponte Romana.

 

Ali, ao chegar ao Arrabalde, a madrinha abrandou. A afilhada, sentada no banco de trás, voltou-se com desespero, premeu a ponta dos dedos nos lábios e soprou um beijo, tão violento quão ardente, que chegou à boca e ao coração daquele Romeiro, como uma sentença de morte.

 

Dali a pouco ele foi para a guerra.

 

Regressou.

 

Não soube de Telmo para o ajudar a encontrar a sua Madalena!

 

AS TERRAS DE VALPAÇOS são todas muito ricas!

 

De coisas lindas, de gente linda!

 

Romeiro de Alcácer

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