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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Set10

O Homem sem Memória (9) - Por João Madureira

 

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Texto de João Madureira

Blog terçOLHO

 

 

9 – Foi através dos vidros do Volkswagen do Marcelino que assistiu a muitas das rusgas realizadas pelas brigadas do partido perto da fronteira do concelho de Névoa com a Galiza. Quando se dava uma intentona da reacção em Lisboa, era certo e sabido que alguns dos implicados subiam até à fronteira norte do país para irem abrigar-se a Espanha. Meia dúzia de comunistas dedicados à causa de acossar reaccionários lançava-se no seu encalço e batiam muitas das estradas e caminhos que ligavam Portugal a Espanha. E por ali andavam, de carro ou a pé, com uma faca de matar porcos, uma pistola Mauser e uma caçadeira com cartuchos de chumbo, para caça grossa. Felizmente que nunca encontraram nenhum desses perigosos reaccionários (se não neste momento não haveria memórias de um homem que se nega a possuí-las), pois esses chefes fascistas eram sempre escoltados por brigadas de militares competentes, exercitados na guerra colonial. Para desespero de Marcelino, nunca encontraram nenhum desses perigosos reaccionários. Ou eles se escondiam muito bem, ou, então, na sua prudência de homens avisados, esquivavam-se das brigadas populares para evitarem eliminar aquele bando de parvos que por ali andava a brincar às revoluções. Uma só metralhadora era o suficiente para mandar a brigada do Marcelino para o cemitério e o Volkswagen para a sucata. Mas o chefe da brigada popular não se conformava com a sua sorte. “Se dou de caras”, gritava vermelho de raiva, “com um filho-da-puta de um fascista encho-lhe o bandulho de chumbo, a ele e aos seus capangas. Os fascistas são uns cobardes. Têm medo da vigilância revolucionária. Dos verdadeiros revolucionários transmontanos. Um comunista transmontano vale por cinco dos outros. E vale mais do que um quarteirão de fascistas. José ouvia o camarada Marcelino e, através dos vidros orvalhados do carro, olhava para os pássaros que voavam entre os pinheiros e para as nuvens que desenhavam bonitas manhãs que haviam de cantar e lindas noites que haviam de sussurrar e de gemer baixinho e de… avante camarada avante. E o Marcelino observava nervoso as serras ao redor, de binóculos nos olhos, enquanto assobiava a “Internacional” e maldizia a sua pouca sorte de comunista decidido mas sem ventura para apanhar fascistas. Acontecia-lhe como na caça, onde ele andava os animais corriam logo à desfilada a esconder-se bem longe da mira da sua espingarda. Por isso gritava bem alto para as fragas: “Os fascistas parecem perdizes assustadas ou coelhos metidos nas tocas. Aparecei filhos-da-puta para eu vos mostrar o quanto vale um comunista a sério. Eu sou um revolucionário discípulo de Lenine e não de Marx. Eu sou um operacional, não sou dos que aprenderam a ser comunistas nos livros. Eu limpo o cu aos livros. Pertenço à “Brigada Brejnev” e à “Quinta Coluna”. Aparecei fascistas para eu vos tratar da saúde”. E as suas iradas palavras ficavam a fazer eco na cabeça do José. Mas Marcelino não era homem para ser levado muito a sério.


Uma noite, em plena campanha eleitoral, um grupo de camaradas tinha ido fazer uma sessão de esclarecimento a uma aldeia. Receberam-nos mal, como era espectável em terra de camponeses católicos apostólicos e romanos. Dentro da sala da escola primária, uma meia dúzia de homens começaram bater com os socos no soalho e a vociferar alto impropérios e outras baixezas. Cá fora as mulheres gritavam maldições enquanto vários rapazes espalhavam bombas de carnaval e batiam em latas. O único comunista da aldeia conseguiu escapulir-se e foi à taberna telefonar para o Centro de Trabalho de Névoa para informar que os outros camaradas estavam a necessitar de ajuda para conseguirem sair da aldeia. Na altura encontravam-se na sede do Partido o Marcelino, que vivia ali mesmo ao lado, o José, e mais dois camaradas da UEC, que eram os melhores pinta paredes e cola cartazes do distrito, jovens revolucionários dedicados, campeões de vendas da “Verdade” e do “Combatente”, além de dirigentes estudantis que insultavam os professores reaccionários, ou pequeno-burgueses de fachada socialista, que eram quase todos. “Toca a andar camaradas. Está na hora da "Brigada Brejnev" ir socorrer os camaradas que estão a ser vítimas de mais uma provocação da reacção que se recusa a escutar o clamor da verdade”. E lá foram todos no Volkswagen do Marcelino ajudar os camaradas sitiados na escola da aldeia. À frente foram os homens e na mala do carro seguiu o arsenal: a faca de matar porcos, uma navalha de ponta e mola, uma caçadeira, uma Mauser e um revólver prateado. O silêncio impôs-se, do grupo apenas o Marcelino tinha dado tiros de caçadeira em árvores e nas pedras dos montes. Os rapazes da UEC apenas tinham caçado pássaros com fisgas ou, já mais crescidos, com escopetas de chumbo. O Marcelino assobiava, como sempre fazia, a “Internacional”. E assobiava-a bem. Parecia o clarinete do Pombo, o camarada caixeiro que tocava na Banda dos Pardais.

 

 

10 – Quando chegaram à aldeia, estacionaram o carro junto da igreja e deslocaram-se a pé às instalações do edifício escolar. Cá fora, as mulheres rezavam e os mais jovens tinham transformado o recreio da escola numa festa de Entrudo. Dentro da sala, uma meia dúzia de homens gritavam impropérios e faziam juras de morte ao comunismo e à Rússia, terra que a Nossa Senhora de Fátima havia de converter para a salvação do mundo.

 

(continua)

 

 


23
Set10

Coleccionismo de Temática Flaviense - Semana Transmontana

 

Medalha em bronze, com o módulo de 80 mm, comemorativa da Semana Transmontana, realizada no Casino Estoril entre 20 e 29 de Outubro de 1978. Assinada M. Silva (datas desconhecidas) esta medalha foi cunhada em oficina não identificada, num total de 400 exemplares, de que este é o número 351.

 

Um folheto promocional do Banco Português do Atlântico, publicado em Junho de 1979 pela Secção de Metais Preciosos, Numismática e Medalhística, indica que esta é uma medalha que servia de introdução à série Personalidades Transmontanas, desenhada por Cabral Antunes (1916-1986), cujo total se previa atingir 9 a 12 medalhas. No texto que descreve tiragem e características técnicas a autoria desta medalha também é atribuída a Cabral Antunes.

 

O mesmo folheto reproduz já duas dessas medalhas. A primeira dedicada a Monsenhor Manuel Alves da Cunha (Chaves, 1872 - Angola, 1947), a segunda dedicada a Abílio Manuel Guerra Junqueiro (Freixo-de-Espada-à-Cinta, 1850 - Lisboa, 1925).

 

 

 

Com alvará concedido a 23 de Setembro de 1905, a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro celebra no dia de hoje 105 anos de existência.

 

Reproduz-se abaixo a capa dos números 14 e 15, correspondentes a Maio e Junho de 1949, II ano, da revista mensal Trás-os-Montes e Alto Douro, aquela que na época era a publicação oficial da instituição.

 

 

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