Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

01
Out10

Discursos Sobre a Cidade - No Açude de Curalha - Por Tupamaro

discursos116

 

 

“No  açude  de  CURALHA”

 


 

O dia pareceu-nos bom para a pesca. Elegemos o açude de Curalha, e para lá fomos lançar as canas.


Pusemos duas, a pescar ao fundo.


À sombra de um guarda-sol de praia, a cadeira, a manta, a «artilharia» de escrita e de leitura.


As campainhas, nas canas, são as nossas sentinelas - alerta. Por isso, apreciamos a paisagem, o correr das águas, os voos da passarada, as corridas de alguma lagartixa e os ralis de uma qualquer libélula. Ou, ainda, corremos pelas linhas escritas de um dos livros que nos acompanham.

Sem sabermos bem porquê, levantámos o olhar, ali para o lado de lá da ponte do comboio.


Um vulto embrulhado num sobretudo de cor amarela desbotada, a cara escondida por uma barba de missionário no arquipélago indonésio, um trocho comprido de onde se pendurava um saco pelas duas argolas de madeira e onde dois sacos plásticos buliam, a lembrar balões.


Pousou o trocho no muro da ponte, segurou-o com uma mão, rodou, espreitou para baixo, fez um gesto, que só ele entendeu, voltou a pôr no ombro os balões, o saco e o trocho e seguiu caminho em direcção a CURALHA.


Continuamos a leitura a par da espera da picada de um peixe.


Sentimos o trepar de passos.


Daquele cotovelo do carreiro que ali nos trouxe surgiu um homem barbudo, com um trocho ao ombro, vestido com um sobretudo de cor amarela – desbotada, donde sobressaiam dois bolsos largos a lembrar mais dois alforges do que dois bolsos. As calças, largas e demasiado compridas, atadas com uma guita com tom branco-sujo, pareciam atrapalhar-lhe o andar.


Mas não. O hábito e «a moda» deram treino aos movimentos com este estilo   recuperado pelos estilistas.


Pela envergadura, o caminheiro deveria calçar quarenta e um ou quarenta e dois normais. Mas as botas que trazia nos pés, juraríamos serem um quarenta - e - seis - bico - largo. O bico da direita é que já deixava espreitar o dedo grande, com uma unha maior.

As mãos pareceram-nos grandes, os dedos nodosos. O chapéu tinha a aba da frente arrebitada e um buraco do lado esquerdo, talvez para bom respiro das ideias … ou do cabelo.


Mais próximo, notamos-lhe umas sobrancelhas espessas, mas bem desenhadas, uns olhos grandes e redondos, como os faróis dos carros antigos.

 

- Boa tarde! – saudou.


-Viva!respondemos

 

-Está cá um braseiro! Incomodo, se descansar aqui um pouco?


- Fique à vontade! O sol, a sombra e o lugar chegam p’ra todosdissemos.

 

Fechámos o livro e, com o lápis, pousámo-lo na toalha que fazia de estante.


Fomos dar um quarto de manivela aos carretos para se manter tensa a linha e aprumada a bóia.

 

-Quando era rapaz gostava muito de ir às trutas. Ia cedo para o rio, para começar a pescar  logo ao nascer do dia.


Não sei se conhece, mas há um rio que corre por baixo de terra durante um bom pedaço.


Percebemos que aqueles olhos grandes e redondos, como os faróis dos carros antigos, haviam apanhado  um reflexo da amostra nº1 deixada no tabuleiro («tablier») da carrinha, prontinha para ser lançada ao cair do dia na cachoeira do açude, como tentação a uma truta palmeirola que ainda reste pelo Tâmega.


- Se quiser matar a sede, tenho ali na «marinete» água e cerveja sem álcool.

 

A «marinete» é uma Mitsubishi de 4 lugares e caixa aberta tapada com uma capa de lona. Anda «artilhada» com roupa, comida, bebida e armas e munições para qualquer tipo de pesca, quer chova ou faça sol, em água doce ou água salgada.

 

-Já matei tanta fome e tanta sede que agora pouca se aproxima de mim. Obrigado! - disse.


Sabe-me bem o fresco da sombra à beira da água.


Sou amante da natureza. Também é só o que me resta depois de ter sido amante do eterno feminino, dos livros, de ideais e da Amizade.


A uns perdi-os eu, a outros perderam-me eles a mim.


Pela fé tornei-me ateu. Pelas graças do céu caí nos infernos da terra.


A Verdade mentiu-me sempre. A Palavra vã sempre ma deram.


Ah! Mas não perca você o peixe por minha causa.



- Ouvimo-lo com gosto  - retorquimos.



A cana está segura, a linha é forte e o anzol de qualidade. E a campainha dá sinal. O peixe pescado é devolvido á água. Também nós gostamos de desfrutar a Natureza.


-Ao atravessar a Ponte pressenti que estava aqui gente de bem. E foi isso que me fez aqui chegar, quase sem dar pelas passadas que dei.

É difícil encontrar alguém com que se possa conversar. Conversar, sublinho. Conversar é falar, ouvir e entender ou fazer por entender. Falar por falar é perorar, não é comunicar. É no Outro que nos encontramos. Porém, a maioria está convencida que é no seu umbigo … ou na ponta do seu nariz que se encontra e faz valer!


Bem, narizes narizes foram os de Cleópatra e o de Cícero!


-Achei-lhe graça! - interrompemos.


Mas não se zangue, pois foi por nos ter saltado à ideia aquele ditado: “Vai à fava enquanto a ervilha cresce”!

Claro que isto acontece porque nos demos conta que o amigo pode trazer os bolsos (aqueles alforges!) vazios, mas a mente trá-la bem cheia de sabedoria!

 

- Aceito “sabedoria”, porque se dissesse «conhecimento» mandava-o prender.


Os «sábios» não estão na moda.


Com as Novas Tecnologias e com as Novas Oportunidades quem reina é o Conhecimento. Conhecimento é Poder, disse o lord.


No meu tempo, chamava-se “lorde” aos malandros, aos fiteiros e aos aperaltados.


Agora quase nem há por onde escolher; só há doutores e engenheiros!


Se me permite, Vocelência é…..?


 

- Um distraído da vida! – atalhámos.


-Ah! Tal qual a mim, a si também lhe saiu a fava!


Ao Mendel calhou-lhe a ervilha.

 

Um prolongado chiar de pneus assustou-nos a ambos.


As curvas de Curalha são estreitas e apertadas. Ainda por cima, instalaram indústrias em cima da estrada!


Sumiu-se uma chiadeira e logo outra zumbiu pelos ares.


Não se ouviu estrondo. Ambos recuperámos o sossego.


O tempo corria mais depressa que o manso Tâmega, e as ponteiras das canas continuavam paradas, sem o mínimo sinal de “toque”.


O sol já raspava a serra de Ardães e tocava a crista do pinheiro manso, cheio de nobreza, no coração do abandonado CASTRO de CURALHA.

 

- Bem, vou-me preparar para fazer um lanço à truta -  disse, reatando o colóquio.

 

-Eu vou andando.

 

-Fique mais um bocado, se lhe agradar. Para mim tem sido uma boa companhia, e escuto-o com gosto e atenção.

Desculpe a franqueza, mas dá-me cá a impressão de que o amigo foi, ou ainda é, gente importante. Pode…

 

- Nunca fui, nem pude ser, o maior nem o menor   -   não tinha entrada no Quadro de Classificação.


Fiquei de fora!


Toda a vida!


O meu esforço, a minha dedicação, a minha competência, o meu sucesso, não contavam, embora valessem.


E, quantas vezes, tantas, tantas, o meu esforço foi chamado desleixo; a minha dedicação, abstenção; a minha competência, ignorada; o meu sucesso atribuído ao acaso.


E tantas vezes todos eles convertidos e aproveitados para objecto de acusação, de culpa, apontamento de crime e julgamentos condenatórios.

Foi assim a sina que me coube.


Nem rio, nem ribeiro, nem riacho em cujas águas mergulhasse, consegui atravessar - ficava sempre pelo lado de cá da margem do lado de lá.


Nos mares onde naveguei nunca ganhei um bom porto.


Os caminhos por onde me meti nunca levaram ao seu fim   -   bifurcavam, bifurcavam!


Até as estrelas que me guiaram a precipícios me conduziram!


Corri com o Sol, de Nascente até ao Poente   -   nunca acertei com o Norte!


A Lua escondeu sempre de mim a outra face!


Por isso, nunca deixei o sonho para apanhar a realidade.


Não! Nunca fui importante! Mas fui muito conveniente!

 

Levantou-se. Atirou o trocho ao ombro.


De pé, firme, sorriu-nos com aqueles olhos  grandes e redondos, como os faróis dos carros antigos.


Adivinhou o nosso desejo de saber como se chamava:

 

-Não lho revelarei.  É o meu tesouro.


É a única grandeza ou importância que me resta: O MEU NOME!


Antes o quero  ter bom …”que ruim posse”!


Creio que nos voltaremos a encontrar.


Vá! Além, atrás daquele rebolo grande, entre a ponte e o açude, está uma «palmeirola». É sua!

 

Virou-se para o carreiro de onde havia chegado, e logo o cotovelo o escondeu.


Pareceu-nos que tinha deixado ficar para trás uma mão sempre a acenar-nos.

 

 

Tupamaro

01
Out10

Petição Pública por uma Unidade Local de Saúde do Alto Tâmega

peticaopublica

 

.

A pedido de várias famílias, aqui fica o texto integral da Petição Pública para a criação da Unidade Local de Saúde do Alto Tâmega, bem como o link para a assinatura (no final do texto) e, se tal não aconteceu até agora, foi porque ainda não tinha lido a petição e como tal,  ainda não a tinha assinado e recomendado. Faço-o agora, pois concordo plenamente com ela, aliás, como concordo com tudo que se faça para termos de volta um Hospital a sério, longe do actual e moribundo hospital que, como hospital só tem o nome e envergonha ou é uma nódoa no Serviço Nacional de Saúde. Todos queremos o Hospital de volta com as funcionalidades dignas de um hospital, pois também este é fundamental para fazer de Chaves e da região, locais atractivos para se viver com dignidade, a mínima, pois sem o direito à saúde, não há dignidade possível.

 

Fica o texto e o link para a poder assinar. Eu já cumpri.


Petição Criação da Unidade Local de Saúde do Alto Tâmega

 

Para:Assembleia da República


Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República



O Serviço Nacional de Saúde completou 31 anos. Os indicadores disponíveis apontam para um claro sucesso na melhoria da prestação de cuidados de saúde às populações. Está o país de parabéns.


Em 1983 é inaugurado o Hospital Distrital de Chaves. É inquestionável a importância deste investimento para as populações do Alto Tâmega, ao ponto, de se poder afirmar, que se trata do investimento mais relevante de sempre na sub-região do Alto Tâmega.

Até 2007, ano da integração no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, o Hospital Distrital de Chaves prestou serviços de reconhecida qualidade. Infelizmente, hoje, não é essa a imagem que projecta. E se não se alterar a situação, a tendência é piorar. Está a população do Alto Tâmega drasticamente desprotegida.


Em apenas três anos estes são os factos:


•O Hospital de Chaves tem vindo a perder funcionários desde 2007. A Unidade de Lamego tem mais funcionários e a Unidade de Vila Real tem acima de duas centenas mais (concretamente 208);


•O número de médicos tem vindo a reduzir-se de forma extremamente preocupante, hoje possui menos 35, quase metade dos então existentes;


•Fecharam desde a integração os seguintes serviços: Obstetrícia (maternidade); Nefrologia; Imunoalergologia; Imunohemoterapia e Medicina Forense;


•O número de médicos, em especialidades fundamentais para o funcionamento da Urgência Médico-Cirúrgica, foi reduzido de forma dramática: em 2007 havia 9 médicos cirurgiões, hoje são 5 e a muito curto prazo serão unicamente 3; havia 4 anestesistas, hoje são 3; havia 14 internistas, hoje são 8; havia 2 patologistas, hoje há 1; havia 3 radiologistas, hoje há 1; havia 8 pediatras, actualmente são 4. A urgência Médico-Cirúrgica está em risco de encerrar;


•Perdeu vários serviços que afectam assinalavelmente a economia local (cozinha, lavandaria, toda a aquisição de consumíveis, etc.);


•Investimentos prometidos e programados não foram realizados (ampliação e modernização do bloco operatório e do recobro; etc.).


Estes factos, inequívocos, desqualificam o Hospital de Chaves e contribuem decisivamente para a desconfiança que marca a atitude das populações perante a resposta do Serviço Nacional de Saúde na região. Já não se acredita na capacidade do Conselho de Administração do Centro Hospitalar para reverter esta situação.


É de consenso que uma eficaz articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados diferenciados, deve constituir uma preocupação permanente e constante.


A criação da Unidade Local de Saúde de Matosinhos é entendida pelo Ministério da Saúde como uma experiência inovadora, e que o modelo organizacional de unidade local de saúde é o mais adequado para a prestação de cuidados de saúde à população, cujos interesses e necessidades importa, em primeiro lugar, salvaguardar.


Tendo o governo considerado como muito positiva a experiência de Matosinhos, foram criadas as Unidades Locais de Saúde do Norte Alentejo, do Baixo Alentejo, do Alto Minho, da Guarda e de Castelo Branco.


O Hospital de Chaves está desqualificado, a Urgência Médico-Cirúrgica tão necessária e fundamental para as populações da sub-região, está hoje em causa.
Por estas razões, vêm os cidadãos subscritores da presente petição, conferir a possibilidade de exercerem os seus direitos constitucionais de entrega da presente petição, para que à semelhança de outras regiões do País, seja criada a UNIDADE LOCAL DE SAÚDE DO ALTO TÂMEGA.

 

Para assinar agora, click AQUI

 

Para assinar mais tarde, fica o link na barra lateral do blog.

 


Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

15-anos

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      aldeia mais linda portugal

    • Anónimo

      Felizes são vocês , da minha sempre querida Chaves...

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado pelo seu comentário, de facto o Barroso é...

    • Fer.Ribeiro

      A história da nossa cidade de Chaves é muito simpl...

    • Bete do Intercambiando

      Mil desculpas pelo erro. Depois que enviei a mensa...

    FB