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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Out10

Hoje não há feijoada, mas há Ponte Romana

 

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Todo aquele que disser que não é influenciado por nada ou por ninguém, está a mentir. Quando eu era poeta, por exemplo, só conseguia escrever poesia, depois de ler poesia. A seco, ninguém me sacava nada, mas isso foram outros tempos. Hoje, confesso, continuo a ser influenciado por aquilo que vejo, oiço ou leio durante o dia e, chegado a esta hora de botar aqui faladura, os dedos começam a teclar quase por instinto, como se eles fossem os detentores dos meus pensamentos, actos e palavras, das coisas do dia (as tais influências) embora muitas vezes, também confesso, após os seus devaneios (dos dedos) tenho que usar do poder da tecla da censura, aquela que diz “delete”, porque os rapazes (os dedos) às vezes não medem bem as consequências daquilo que teclam, não por alguma vez faltarem à verdade, mesmo porque a espontaneidade não lho permitiria, mas porque há verdades que não se podem dizer, e embora não sejam segredo para ninguém, são tabu e desde pequenino que detesto o horrível cheiro do tabu.

 

Tudo isto porque ao ler a última crónica ocasional aqui publicada “Uma oração sofridamente fodida” o meus rapazes (os dedos) no inicio do seu teclar de hoje começaram por escrever: “fodido-fodido, é eu vir aqui todos os dias, mesmo quando não há pachorra para cá vir” – Claro que o discurso não passou na censura e neste caso sem razão de maior, apenas para não me acusarem de me armar em vítima de uma coisa que faço porque quero. Ou seja, aqui foi mesmo a consciência da consciência quem deletou o teclado [não o teclado, mas o que foi teclado – vós percebestes-me bem! (fodido-fodido, é também o português {não o homem, mas a língua})].

 

Em suma, hoje, além da habitual falta de tempo, não estou mesmo com pachorra para estas coisas, por isso, como sempre faço nestas ocasiões, deixo aqui uma foto da ponte romana e “prontos”, assunto resolvido. Mas desta vez lembrei-me de lhe anexar o Curriculum Vitae, numa de me influenciar a mim próprio, pois o texto não é original, ou melhor – é original, mas não é original porque já há anos que o escrevi e aqui publiquei. Ainda pensei em publicá-lo outra vez sem dizer nada, pois já ninguém (pela certa) se lembraria dele, mas nestas coisas, há sempre um ou outro picuinhas, purista, mete nojo, que se importa com essas coisas e eu não quero que ninguém se incomode por minha causa.

 

Já agora, como afinal até me estiquei no texto, deixo outra imagem da Romana (ponte e não aquela que tem "arganeis" nas orelhas), para variar, esta fica a P&B.

 

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Curriculum Vitae (aumentado e corrigido)


 

Nome completo: Ponte de Trajano,  popularmente conhecida por Ponte Romana e delicadamente por Top Model.

 

Filiação: Filha de Marco Úlpio Nerva Trajano de Roma e das mãos e lombo dos aquiflavienses.

 

Naturalidade: Aquae Flaviae

 

Residência: De Santa Maria Maior à Madalena (o contrário também é verdadeiro).

 

Estado Civil: Solteira (embora muitos já tivessem abusado dela, não há registos de algum dia ter casado), mas, em toda a sua vida lhe foi conhecido um, e só um verdadeiro amante – o Rio Tâmega.

 

Data de Nascimento: Por volta do ano 100 depois de Cristo é que ela se deu conhecer por inteiro, embora concebida sem pecado, pois tudo indica que o acto aconteceu aí uns 73 anos antes de Cristo. A gravidez é que foi longa e o parto ainda mais demorado.

 

Altura: A suficiente para toda a água lhe passasse por  baixo, mesmo quando o Tâmega se excitava e crescia, ela dáva conta do recado.

 

Comprimento:  Nasceu, mais metro menos metro,  com 140m de comprimento e 18 arcos, ou 19, ou 22, já ninguém se lembra ao certo e há defensores para todos os gostos. Eu vou pelos 18, ou 19. Certo é que hoje tem apenas 9 arcos sobre o rio e 3 descobertos sobre terra. Os restantes foram como que comidos e/ou violados (e sem leviandade por parte da Top Model) por homens de dinheiro e sem escrúpulos, que até as suas casas lhes plantaram em cima. Segundo consta e a Lenda atesta, há uma Moura Encantada presa no terceiro arco da ponte, num daqueles que ainda se vê, mas que está tapado. Dizem que a Moura na noite de S.João faz uma gritaria desgraçada para que a tirem de lá…devaneios!

 

Prazo de validade: Desconhecido. Poderá ser até vitalícia se souberem cuidar dela, mas tenha o prazo que tiver de validade, o mais certo é que o nosso acabe e o dela continue.

 

Indicações eventuais: Desde cedo que se lhe conheceram os seus dotes na arte da passagem, que ainda hoje mantém. De tanto ser passerellada passou também ela a Top Model, que de tanta fama e beleza ter alcançado foi condecorada com o título de Ex-líbris de Aquae Flaviae, hoje (ainda) cidade de Chaves.

 

Desde cedo amante do Rio Tâmega, de quem lhe são conhecidas muitas filhas, algumas delas flavienses.

 

Claro que para manter a fama e a beleza e não acusar no seu corpo a idade, já foi submetida a algumas intervenções cirúrgicas, algumas simples como quando nos finais do século 19 lhe fizeram alguns implantes capilares, substituindo-lhes as velhas pedras por gradeamentos em ferro no penteado, e algumas mais profundas e sérias, com risco da própria vida, como a que sofreu no século 16, após uma excitação excessiva que o Tâmega teve, e que de tão violento e demorado que foi o acto, lhe desfez alguns arcos, mas que acabariam de lhe serem repostos com sucesso. Fora essas intervenções, são-lhe conhecidas algumas lipoaspirações de arcos, mas à revelia. Pelo menos dois arcos completos já foram lipoaspirados, e parcialmente meia dúzia deles. Mas de uma coisa estou certo, passou por várias intervenções, foi maltratada e tratada, violaram-na, taparam-lhe os arcos mas nunca recorreu ao silicone nem implantes artificiais e ainda hoje se mantém rija como um pêro e faz inveja às filhas, que muito mais novas, presumem de jovens, modernas e trigueiras… principalmente a catraia de ferro. Que presumam à vontade, pois não troco as  suas três filhas flavienses mais próximas (a Nova, a de S.Roque e a Pedonal de ferro) nem todas as filhas do Tâmega juntas por um só arco que seja desta “jovem” e madura Ponte de Trajano, mesmo com os seus 2000 anos de idade, mas que veio para ficar. Se dúvidas houver, perguntem ao Tâmega como ela é ou quem ela é?

 

Pois é, fodidinho de todo, mas a coisa até se compôs.

 

 

 

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13
Out10

Crónicas Ocasionais

 

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Uma oração sofridamente fodida…


 

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO

 

 

Foda-se, está tudo incompleto. Está tudo incompleto. Foda-se. A vida está irremediavelmente incompleta. Dizem que a vida se completa na morte. Ora foda-se, a vida é o contrário da morte. E a morte é o contrário da vida. E o contrário do contrário é a origem da vida. Não há dicotomia mais absurda. Para além de tudo, Deus fez da morte a sua vingança. Deixemos a ergonomia de Deus em paz. Deixemos a insolvência da eternidade em paz. Deixemos a economia das almas em paz. Deixemos o desespero da paz em paz. Deixemos todas as desilusões em paz. Deixemos a santíssima trindade em paz. Deixemos a guerra em paz. Deixemos a guerra em paz. Deixemos a guerra em paz. Deixemos em paz a brutalidade inusual de um coito severo. Deixemos em paz a virtude de um orgasmo múltiplo e de uma ejaculação precoce. Deixemos em paz as raras ejaculações tardias e os orgasmos funcionais. Deixemos definitivamente em paz a fertilização em vítreo. Deus, dizem os profetas, quis a vontade dominada pela crença. Deus, dizem os teólogos encartados, quis os homens dominados e santos e responsáveis e obedientes e respeitadores e simples e inteligentemente obsessivos pelos gestos simbólicos da abdicação. Deus quer existir na dissidência humana da vacuidade. Deus é um momento eterno. Deus deixou de ser verdadeiro a partir do momento em que me fez mortal. Deus teve o descaramento de se travestir de serpente. Foda-se, Deus teve de se disfarçar de animal rastejante para nos condenar à condição humana. Deus não desiste da paz em favor da guerra nem da guerra a favor da paz. Deus não desiste da necessidade urgente de ser uma desilusão cada vez mais urgente e insurgente e insolvente e incipiente. Deus fodeu-nos definitivamente a vida eterna afirmando com língua de fogo que era isso que nos oferecia em troca de lhe sermos fiéis. E se há coisa que seja verdadeiramente humana é que os homens são féis a Deus. Muito mais fiéis que Deus o é em relação aos homens e à sua nua humanidade. O Deus de todas as coisas é cada vez mais um Deus de coisa nenhuma.

 

 

 

 

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