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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Out10

Mosaico da Freguesia de Sanjurge

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Localização:


A 6 quilómetros da cidade de Chaves, é uma das freguesias periféricas da cidade, a noroeste desta, ocupando parte do “vale alto” de Chaves, aquele que inicia quase em Vilela Seca, prolonga-se por Bustelo, Sanjurge, Soutelo, Curalha e Pastoria. É também uma das freguesias intermédias entre Chaves e as terras do Barroso.

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Bustelo, (Outeiro Seco-Stª Cruz Trindade), Valdanta, Soutelo, Calvão e Ervededo, nesta última em apenas um ponto.

 

Coordenadas: (Átrio da Igreja)


41º 46’ 34.58”N

7º 30’ 14.22”W

 

Altitude:


Variável – acima dos 400m e Abaixo dos 707m

 

Orago da freguesia:


Santa Clara

 

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Área:


12.95 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):


– Estrada Municipal 507, ou estrada do S.Caetano, como vulgarmente é conhecida. De salientar ainda que o nó de Chaves da A24 está implantado na freguesia, ou seja, quem chegar a Chaves via A24, entra logo em terras de Sanjurge.

 

 

Aldeias da freguesia:


- Sanjurge

- Seara

 

Embora Seara conste como uma aldeia da freguesia, sempre foi um lugar que há coisa de 30 anos atrás se resumia a duas ou três casas. No entanto sempre foi um lugar muito conhecido ao longo dos tempos como quase sempre o eram os cruzamentos de estradas, pois era daí que se faziam as ligações para Chaves, Outeiro Seco, Bustelo, Montalegre e a sede de Freguesia. Mas não só por isso, pois a moagem do seara sempre foi um dos pontos de referência do concelho, mas também ao longo dos tempos foi existindo por lá ou nas redondezas, uma taberna ou actualmente um bar que penso ser ou ter sido também restaurante, ou seja, um ponto de paragem quase obrigatório para que pretendia caminhar em direcção ao Barroso.

 

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Actualmente e fruto do “boom” de construções que se registou a partir de finais dos anos 70, o Seara é já um lugar com certas dimensões em casario, todo ele a desenvolver-se junto às estradas existentes e entrando mesmo pela freguesia de Bustelo adentro. Poder-se-á dizer que, hoje o Seara é uma aldeia dormitório cujo território abrange as freguesias de Sanjurge e Bustelo. No entanto, a construção de referência ainda continua a ser o edifício da moagem.

 

População Residente:


Em 1900 – 306 hab.

Em 1920 – 261 hab.

Em 1940 – 368 hab.

Em 1960 – 498 hab.

Em 1981 – 600 hab.

Em 1991 – 267 hab.

Em 2001 – 373 hab.


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Pois é, anda para aqui sempre a falar no gráfico típico ou do comportamento típico da população das aldeias do concelho, mas como sempre não à regra sem excepção e Sanjurge vem confirmar essa excepção, principalmente no que se refere aos Censos de 1981 que atinge o pico da população ao contrário das restantes aldeias cujo pico é atingido em 1960. Mas não só, pois se a subida de população entre 1970 e 1981 foi vertiginosa, a descida entre 1981 e 1991 é arrepiante e traduzida no gráfico quase com uma linha vertical. Algo se passou de estranho nos Censos de 1981 e de 1991, pois a acreditar que tenha sido esse o comportamento real da população, tanto que no ano de 2001 os números parecem voltar à “normalidade”. É uma freguesia a ter debaixo de olho nos próximos Censos para aí se poderem tirar algumas ilações.

 

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Sanjurge tem sido uma das freguesias tipo do comportamento eleitoral nacional, uma daqueles que serve de referência para os valores das previsões lançadas no fecho das urnas.

 

 

Principal actividade:


- A agricultura.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

 

Um pouco de tempo de antena para o lugar ou aldeia do Seara que não teve post individual e tudo por hoje o Seara se dividir entre Sanjurge e Bustelo tal como para além do edifício da moagem e do cruzeiro, apenas existirem moradias unifamiliares novas, aquelas que com a devida diferença marcam a arquitectura dos últimos trinta anos e daí, não encaixarem na imagem de marca do casario que costuma ser imagem neste blog. Mas mesmo assim estou em dívida para com o Seara e hoje, ficam por aqui algumas imagens daquilo que é hoje o Seara com olho posto nas antigas construções.

 

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O Seara sempre foi aquele ponto de referência do tal cruzamento a que me referi atrás, mas sobretudo conhecida pela moagem. Curioso é também o tratamento comum do topónimo no masculino “ no Seara, o Seara…” quando a bem dizer deveria ser no feminino tal como o topónimo Seara. Talvez alguém das línguas saiba explicar este erro de trato ou então, o erro apenas estará no meu entendimento ou maneira de ver a coisa. Mas adiante, agora para entramos nos pontos de interesse da freguesia.

 

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Na topografia do local referi as terras baixas da cota 400 e as altas da cota 707m de altitude. Referi também o Vale alto de Chaves, ao qual em vários posts já tenho feito alusão. Mas hoje vou falar-vos de um terceiro, ou seja o vale de Calvão que se prolonga até terras de Ervededo. Sanjurge e o Seara ficam no tal segundo vale de Chaves, à cota 400, ou pouco mais, mas Sanjurge nasce nas faldas da tal serra que se eleva até aos 707m de altitude e que separa o segundo vale alto de Chaves e o Vale de Calvão. Encosta que é bem conhecida dos peregrinos do S.Caetano e serra que é também um autêntico miradouro sobre os três vales aqui referidos, miradouro esse (que embora não exista como tal) é precisamente do lado oposto ao miradouro oficial de Chaves, o Miradouro de S.Lourenço. E podem crer que as vistas lá do cimo são impressionantes e testemunhadas por muitos flavienses e barrosões quando à noite saídos da escuridão das montanhas de barroso dão com a luz, um autêntico glamour, das luzes da cidade. São sensações únicas que valem uma paragem de apreciação. Também nos famosos dias de nevoeiro da cidade, a cidade da névoa como o João Madureira se refere a ela nos seus livros e escritos, a cidade fica mergulhada no mistério do silêncio, bem visível e próximo desse alto da serra. Próximo, porque ao contrário do lado de lá do grande vale de Chaves, aqui o nevoeiro termina ou toca mesmo o cume desta serra, ou seja, um passo em frente e entra-se no misterioso e silencioso nevoeiro do vale de Chaves. São as tais sensações complicadas de explicar em palavras mas que os flavienses as entendem, porque tal como eu, suponho que também as vivem.

 

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Mas vamos à história de Sanjurge.

 

No seu termo, defendia o historiador local J.B.Martins, freguesia aliás onde residia e julgo ter nascido, teria existido um reduto castrejo – O Facho. No entanto o topónimo leva outros historiadores a acreditar que o mesmo se refere à presença de remota instalação sinalética, de comunicação através do fogo. Ao que sei não existem vestígios do que quer que seja, apenas o topónimo existe e, já sabemos como a história funciona quando não há documentação para testemunhar os factos, e mesmo quando a há, eles têm várias interpretações, dependendo de quem os estuda, portanto ficamos em que tudo é possível…

 

Quase o mesmo acontece com o topónimo da freguesia – Sanjurge – pois há quem considere ser um testemunho de uma arcaica devoção altimedieval relacionada cronologicamente falando com a reconquista cristã, protagonizada neste área pelo bispo Oduário e pelo culto que na região norte se fazia a S.Jorge que viria já desde finais do Séc IX ou inícios do Séc. X. Assim, seria lógico que o orago da freguesia fosse o mesmo S.Jorge, no entanto o orago é Santa Clara.

 

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Há, por outro lado,  quem defenda que a origem do topónimo Sanjurge está ligado a uma ilustre família espanhola que em tempos teria sido senhora donatária do seu termo ou aro. Enfim, é a história no seu melhor e talvez por isso a torne tão interessante e desperte em cada um de nós um historiador…

 

No largo principal da aldeia existe uma casa solarenga digna de realce. Com capela ao gosto barroco dizem uns, em belo estilo renascença, dizem outros (outra vez a história!). Seja como for, parece haver consenso quanto ao santo que a capela evoca – S.Miguel, mas isto também é dito, pois no nicho destinado a abrigar o santo de devoção, não existe qualquer santo.

 

Casa solarenga com pedra de armas das famílias Cunhas, Machados, Garcias, Sousa e Moura e Macedos o que nos levará a um solar seiscentista da dinastia filipina.


Já a igreja paroquial é românica, possivelmente do século XIII ou XIV, e tem como padroeira Santa Clara, o orago da freguesia.


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A capela da Senhora do Rosário situa-se na outra extremidade da aldeia, à qual estão associadas algumas lendas, tal como já foi referido no post dedicado à aldeia de Sanjurge.


História e estórias aparte, Sanjurge é uma freguesia interessante que merece uma visita demorada, principalmente à aldeia de Sanjurge que ainda mantém o seu núcleo bem definido e sem muitas aberrações no seu seio, sendo uma aldeia que ainda se recomenda para uma visita ao seu casario tradicional que se vai desenvolvendo ao longo das suas ruas estreitas. Um largo também bem interessante e animado, sempre com vida, com casario interessante e um riacho que mostra a sua graça, mesmo ao lado do mencionado solar e da sua capela, que embora bem interessante se encontra num estado lastimoso de conservação pedindo atenções urgentes.


Quando ao Seara, esse pequeno povoado que também faz parte da freguesia, além do que atrás referi pouco mais há a dizer e o mais importante é mesmo a sua localização, na encruzilhada de caminhos, a moagem e o cruzeiro, como vai sendo hábito em muitas das encruzilhadas de caminhos do nosso concelho.

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

- Sanjurge - http://chaves.blogs.sapo.pt/169298.html

 

- Sanjurge - http://chaves.blogs.sapo.pt/438141.html

 

 

 

 

17
Out10

Chegaram!

Ainda antes do devido post de hoje, dedicado a uma aldeia ou freguesia, logo se verá (hoje só ao meio-dia, mas em ponto) tenho o grato, mas também amargo prazer (graças ao zezinho) de anunciar aqui que os Santos, a festa maior de Chaves,  chegaram e já assentaram praça.

 

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Não sei se foi às 11 horas em ponto, nem sequer se foi às 11 o dia ou às 11 horas da noite, o que sei, é que eles já chegaram, e já abriram - os divertimentos, carrosséis, matraquilhos, carrinhos de choque, o comboio fantasma na versão moderna … eu sei lá, o novo campo da feira está cheio de divertimentos para a rapaziada. Falta, mesmo falta, só se sente a do poço da morte, mas esse, penso que só nós os mais velhos é que damos pela falta dele.

 

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Também as farturas, agora acompanhados dos churros e outras coisas parecidas com farturas mas com recheio de sabores a morango, a não sei que e a não sei que mais, mas também com chocolate. Coisas também da modernidade das farturas que fazem arregalar os olhos à criançada, mas o cheiro à castanha assada, ainda é o mesmo.

 

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Santos que este ano chegam em má altura, principalmente para os pais com putos para criar, pois as políticas do Zezinho de Lisboa e outros que tais, iguais, dão que pensar duas ou três vezes antes de mandar a mão à carteira…mas, se é que ainda têm dinheiro na carteira, quem são os pais que resistem aos brilhar dos olhares da criançada, dos putos de hoje… claro que negociadas ou não, não há pai ou mãe que tenha coragem ou a frieza de negar uma visitinha (breve) aos carrosséis. Afinal, nós também já fomos crianças com uma bola de elásticos e serrim nas mãos, que matraquilhamos horas a fio, que subimos e descemos no helicópteros e aviões e até coisas mais feias, mas que a tradição e a sorte obrigavam, pois não havia santos sem roubar o pretinho com a pila à mostra.

 

Os Santos fazem parte do ser flaviense e as nossas crianças também são flavienses. Pena é que o Zezinho de Lisboa não lhes permita serem mais felizes e com direito a mais umas voltinhas nos carrosséis e aos pais, só lhes permita o cheiro (sem sabor) da castanha assada.

 

 

 


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