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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Out10

Pedra de Toque - A Feira dos Santos

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A Feira dos Santos

 

 

 

 

Os Santos são um pouco a minha varanda de infância, balcão do espectáculo para o palco dos Quadradinhos, onde se exibiam os Robertos e o homem da cabra, exímio equilibrista com garrafas que, com seus variados números, deleitava a pequenada.


Era o tempo do Xarabaneco, uma figura dançante, da Mulher Aranha, pasmo para os da cidade e para os da aldeia e do Gigante Negro, oriundo da selva moçambicana, o homem mais alto do mundo.


Os Santos eram o comércio engalanando janelas, varandas, portadas com uma extensa gama de produtos e artigos das mais diversas proveniências, transformando as fachadas nos grandes escaparates da feira.


O Concelho, com as suas gentes, descia à cidade desde a alba, para vender e comprar cobertores e peúgas de lã quentinha, a samarra para o marido, os cacos para a mulher, as botas para o rapaz, o brinquedo para o pequeno.

 

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O gado exibia-se tilintante pelas ruas do burgo, escoltado pelos criadores ufanos ou, já sol poente, por compradores eufóricos.


O bulício invadia praças e vielas, sombreado pela neblina, pelo fumo e pelo cheiro das castanhas bem assadas.

A noite caía ruidosa.


Lá em cima, ao Monumento, os carrinhos encetavam mais uma corrida, mais uma viagem, enquanto os carrosséis rodopiavam felizes, o perigo rondava no poço da morte e as farturas esparrinhavam no panelão de óleo, à espera da canela e do açúcar.

 

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Com o tombar das horas, os cafés enchiam para a consumação – balanço dos negócios – ao abrigo da geada ou da chuva persistente.


Na calçada, as rusgas deslizavam ao ritmo da concertina do tocador, quiçá, de Travassos, das botas cardadas ou das bengalas batendo o paralelo.


A música e o bagaço temperador impediam o frio de tocar nos ossos.


Era assim toda a noite, até a fadiga vencer.


Os Santos eram a festa que toda a cidade profundamente sentia!


Nos últimos anos iniciou-se o desquite entre a cidade e a feira, e pouco se tem feito pela reconciliação.

As duras críticas dos comerciantes aos responsáveis, vão sendo uma constante.

 

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O visitante lamenta-se, queixa-se da lama que pisa, do recinto pouco propicio para a diversão que procura, para a exposição que lhe interessa, da dispersão da loja ou da tenda para comprar, tantas vezes gato por lebre, quando levianamente se opta pelo primeiro feirante ao dobrar da esquina.


A cidade cresceu, aumentou!


É verdade que nos últimos anos, algo se tem feito pela tradicional Feira dos Santos, agora confrontada com o crescimento inevitável.


Ter-se-ão, no entanto, tomado todas as medidas necessárias em protecção do comércio local?


Que se tem realizado, de verdadeiramente atractivo, para estimular o visitante a voltar sempre?


Para quando um recinto próprio, relativamente central, cuidado e preparado para a instalação da feira?


Que se atinjam em breve estes desideratos, porque os Santos e a tradição que os envolve merecem ser a festa anual dos flavienses, a partilhar com os milhares de forasteiros que nesta época nos procuram.

 

 

 

António Roque

 

 

 

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