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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

28
Out10

O Homem Sem Memória - 16

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Texto de João Madureira 

Blog terçOLHO 

 

  

16 – Uma noite, enquanto os outros seus camaradas vigilantes dormiam o sono dos néscios, naquele engano de alma subversivo e vesgo que a realidade não deixa durar muito, José sentiu que alguém mexia na porta do Centro de Trabalho. No meio do seu sono vigilante, pegou inconscientemente no revólver prateado que o SUV tinha a seu lado (ele que nunca tinha dado um tiro e abominava armas de fogo) e foi tentar apurar a origem do estranho ruído. Dirigiu-se à porta e escutou. O ruído era discreto, mas constante. Ainda a bocejar, abriu a porta e dois homens ficaram a olhar para ele espantados. Eram os varredores que com as suas vassouras feitas de ramos de arbustos tentavam varrer as folhas e os papéis que se acumulavam junto às escadas que subiam ao primeiro andar. Tanto o José como os varredores camarários ficaram assustados, mas os varredores quedaram mais atemorizados do que o José. Eles tinham nas mãos duas vassouras, mas o guardião da revolução tinha uma pistola que reflectia luz e medo. “Pedimos desculpa por tê-lo acordado, jovem camarada, mas não era essa a nossa intenção”, desculparam-se os varredores enquanto enfiavam o lixo no balde do carro de mão e se escapuliam dali numa espécie de trote humano em direcção à zona escura da praça.

 

Entretanto o SUV acordou e pôs-se a berrar que lhe tinham roubado o revólver. José entrou no bar e desfez o equívoco. Excitado, o SUV propôs irem ao Angola, que era um bar que estava aberto toda a noite, tomar o pequeno-almoço. A alvorada deu luz à realidade: as leiteiras, junto aos seus burros, distribuíam o leite pelas casas; os caixeiros dirigiam-se aos seus empregos e os estudantes que viviam nos arrabaldes caminhavam tontos de sono para o Liceu. A rotina diária absorvia a revolução. E os reaccionários nunca mais mostravam as garras. “Que puta de situação esta”, desabafou o SUV, “eu não aguento. Ou mato ou morro. Esta pasmaceira é que me dá cabo dos nervos. O Partido não se dispõe a tomar o poder e a reacção não se decide a vir para a rua lutar”.

 

Quando chegaram ao Centro de Trabalho, os dois UEC ainda dormiam a sono solto. Foi então quando o SUV pegou no revólver, aumentou o volume da telefonia e, enquanto se escutava “A canção é uma arma”, Martins, o SUV neurasténico, disparou um tiro verdadeiramente revolucionário na parede. Enquanto observava o buraco feito num tijolo, Martins gritou para o José: “A arma é que é a cantiga que os reaccionários vão ter de ouvir para aprender”.

 

 

17 – “Estamos fodidos, estamos fodidos, agora vai aparecer aí o Dr. Sebastião e pôr-nos a todos na rua. O funcionário já nos tinha avisado que não eram permitidas brincadeiras com armas de fogo dentro do Centro de Trabalho. (...)
 
(Continua)
28
Out10

“Num Centro Comercial”

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“Num Centro Comercial”

 

 

 

Entrámos num “xó.o-pingue» para tirar uma dúvida do «tèlèlé» e tomar um «pingo».

 

Virámo-nos para uma Loja Vodafone, mas já não entrámos    -   o «chefe de loja» estava sentado, junto à parede, com o cotovelo esquerdo apoiado na mesa baixa do balcão e com um telefone colado à orelha esquerda.

 

Olhámos com alguma demora. Não mexia a beiça. Deveria estar a escutar um longo “sermonídeo” do seu «director de loja» ou ……… da sua «garina».

 

Decidimo-nos  pelo «pingo», com prejuízo da dúvida.

 

Mal pusemos  um pé dentro da área da lojinha do “Café e Pastelaria”  e logo ficámos encostado ao balcão envidraçado.

 

Como não víssemos ninguém dentro, predispusemo-nos a esperar. Mas logo soou uma voz branda, vinda do lado esquerdo, onde havia outra vitrina, de tamanho mais reduzido.

 

- Diga! – ouvimos.

 

Olhámos.

 

E se a garota de um metro e cinquenta de altura e de quarenta quilos de peso não se levantasse nem dávamos conta de gente!

 

A chávena ficou a verter para o pires.

 

Foi preciso pedirmos um guardanapo e explicar que, desde o balcão até à mesa mais próxima onde nos íamos sentar, se verteria e se sujaria o chão, a mesa, ou o que calhasse.

 

Com sacrifício, a garota lá pegou em duas folhas de papel e pô-las sobre a vidraça.

 

Viemos para a mesa. Tomámos o «pingo». Demos continuação à (re) leitura de «El Manantial». A sombra que deslizou à nossa frente fez-nos levantar o olhar    _    o «chefe de loja» da Vodafone vinha, em passo lento, entregar o Jornal Desportivo à garota do metro e cinquenta!

 

Tupamaro

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