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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Nov10

Pedra de Toque - O Teatro em Chaves II

 

 

 

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O Teatro em Chaves II

 

 

 

 

Em crónica recente falámos de teatro, e do gosto e interesse manifestados pelas gentes de Chaves por esta eterna forma de expressão artística.


Resumidamente contamos das realizações teatrais do início do século até aos anos cinquenta.


Para o efeito colhemos religiosamente elementos na memória fresca de muitos jovens de oitenta e mais anos que recordaram grandes espectáculos roídos de saudade.


Ficaria no entanto bastante incompleto este retrato sobre o teatro em Chaves se não referíssemos o que de importante se fez de 1955 a 1975/76.


Após um curto período de letargia, um jovem professor que aqui leccionou durante dois anos no liceu – José Manuel Mendes – lançou a semente das letras e das artes (o que é dizer da cultura), num grupo de jovens estudantes.


Nasceu deste modo uma pequena tertúlia que, a par das matérias exigidas por programa, discutia problemas, entusiasmando-se com a leitura de obras válidas. Surgiram então alguns recitais de poesia, apresentados por jograis, novidade na forma de dizer poemas.


Procurou-se, a partir daí, o aproveitamento das tradicionais récitas do Liceu e da Escola para, na segunda parte dos espectáculos, se apresentarem peças em um acto de autores de qualidade.


E assim apareceram nos anuais saraus peças como “Antígona” de Anouilh numa versão do grande e saudoso António Pedro ou “O Óleo” de Eugene O’Neill, representadas com muito êxito e com grande adesão por parte do público.

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Surgiu posteriormente o Grupo de Teatro dos Canários que exibiu no Cine-Teatro “A Gota de Mel” de Leon Chancerel e “O dia seguinte” de Luís Francisco Rebelo.


Na Sociedade Flaviense “representou-se” poesia e fez-se uma teatralização do célebre conto de Domingos Monteiro “A Ladra”.


Com a receita a reverter para as obras de reconstrução da Igreja Matriz, um vasto grupo de pessoas das mais diversas idades e estratos sociais, levaram à cena na casa de espectáculos da cidade, com lotações esgotadas as peças “Frei Luís de Sousa” de Almeida Garrett e “O Processo de Jesus” do italiano Diego Fabri.


Dado o agrado manifestado pelo público, estes espectáculos repetiram-se.


Voltemos aos Canários para lembrar um outro espectáculo exibido em mais de meia dúzia de sessões no teatro da Rua do Correio Velho na nossa cidade e depois noutras localidades, fruto de uma criação colectiva de vários amigos, entre os quais eu me incluía e a que demos o nome “O FUTURO PERTENCE AO POVO”.


Texto naturalmente comprometido com o momento político que se vivia na época, mas que resultou num espectáculo com música, também com poesia, que mereceu entusiasmo, adesão e aplauso dos muitos que a ele assistiram.


Não deixaremos de voltar a este tema, porque foi sempre importante para os flavienses.

 

 

 

A. Roque da Costa

 

 

29
Nov10

Quem conta um ponto... O vazio

 

 

 

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O vazio

 

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO


 

Ontem à noite fui ao café como frequentemente o faço, sentei-me na última mesa do lado direito, pedi um café e uma Água das Pedras natural e quando olhei para a praça notei que estava vazia. Habitualmente a praça está vazia, mas desta vez reparei que o vento agitava com mais intensidade as poucas folhas mortas caídas no chão. Por isso parecia ainda mais vazia. E não era só a praça que estava vazia. O café também estava vazio. O empregado lá ao fundo limpava o balcão com um pano húmido e olhava a televisão como se ela estivesse tão vazia como a praça. Pareceu-me que o empregado estava, também ele, vazio. Felizmente que a chávena de café que o patrão me serviu à mesa não estava vazia. Para falar verdade, a chávena não veio vazia mas pouco faltou. Ali servem uma bica tão curta que pouco mais traz do que um dedal de água engrossada com cafeína.


Quando olhei de novo para a televisão fiquei com a impressão de que as imagens que ela transmitia também estavam vazias. Vazias de ideias, de bom gosto, vazias de qualidade, vazias de esperança. Apesar de estar cheia de imagens de pessoas que riam e batiam palmas, pareceu-me vazia. A televisão sugeriu-me uma lâmpada atrapalhada. Iam-se sucedendo imagens repetidas até à exaustão. De repente reconheci o Papa a sorrir evidenciando o seu típico olhar de rato de laboratório. Pareceu-me um homem vazio. Um homem seco onde as ideias de Cristo não fazem sentido. Pareceu-me um homem vazio de sentido, de humanidade. Senti-me ainda mais vazio.


O vazio de Deus cria um abismo na humanidade. A ideia de Deus é, também ela, um imenso vazio. O café caiu-me mal. Por isso bebi a água com algum desfastio. Atrapalhei-me com os meus pensamentos. Muitas vezes imagino que pensar ajuda a compreender o mundo. Outras vezes sinto que é precisamente o contrário. Quanto mais se pensa menos se percebe o mundo. Então quando me dizem que o Homem foi concebido à imagem e semelhança de Deus e reparo na merda que as suas imagens causam encho-me de vergonha e acabo o dia a pontapear as pedras do caminho antigo que me leva a casa.


A vida actual, aparentemente agitada, é uma vida gasta em cumprir rituais que cada vez nos deixa mais vazios. Trabalhamos para ganhar a vida e a vida esvazia-se todos os dias mais um dia como se ficasse feliz em nos aproximar do dia da morte. O trabalho mecânico pode encher as prateleiras do supermercado, as lojas, os centros comerciais, os restaurantes e os contentores do lixo, mas esvazia-nos a vida, que é um acto único, um milagre quântico. E depois ninguém pensa no resto.


A modernidade e o progresso foram pensados para nos esvaziar de sentido. Trabalhamos cinco dias, descansamos dois e depois a roda da sorte faz-nos voltar ao mesmo. A nossa vida é uma sucessão de fotocópias dos interesses dos outros. As nossas ideias são outra sucessão de fotocópias das ideias dos outros. Deixamos que a vida nos atravesse como se fossemos placas de vidro. Mas ninguém consegue viver sem trabalhar. E trabalhar para ganhar dinheiro deixa-nos cada vez mais vazios. O emprego dá-nos a capacidade de sobrevivência para nos afogar na rotina. E a rotina é ainda outro vazio que cada vez se amplia mais à medida que envelhecemos.


Envelhecer é um terrível vazio. Quando olho para os meus filhos aflijo-me com o seu sentido. Os meus filhos são os principais responsáveis por ainda não me ter afogado no imenso vazio da minha vida. Mas quando penso no vazio que lhes transmiti sinto-me mal. E também me aflijo quando olho para a minha mulher e reparo no trabalho e no carinho imenso que ela coloca na tentativa de preencher o vazio enorme das nossas vidas com imensos fragmentos de vazio. Os pequenos pedaços de vazio todos juntos tornam mais suportável o imenso vazio de uma vida humana.


Ao nível molecular a matéria é preenchida por vazio. Mas quando todo esse vazio se junta forma-se tudo aquilo que é sólido. Apesar disso o vazio está lá para suster os átomos e as suas trajectórias erráticas. E também por ali andam, naquele espaço infinitamente pequeno, os protões, os electrões e os quarks.


Mas agora atentem no que a ciência nos diz. Na nossa dimensão, ou seja no universo visível, os acontecimentos são definidos, os objectos têm limite fixo, a matéria sustenta-se na energia, o espaço é tridimensional e perceptível aos cinco sentidos, o tempo flui numa só direcção, as acções físicas são finitas, mutáveis e sujeitas à extinção, todas as coisas têm princípio e fim, os organismos nascem, desenvolvem-se e morrem, tudo o que vemos acontecer é previsível, as causas e os seus efeitos são estáticos.


Ao nível do universo quântico manifesta-se a criação, existe a energia, começa o tempo, o espaço encontra-se em constante expansão desde a sua origem (se é que existe origem pois já há cientista que afirmam que o espaço e o tempo sempre existiram), os factos são incertos e impredizíveis, as ondas e as partículas alternam-se umas com as outras, só existe a possibilidade de medir probabilidades, o nascimento e a morte sucedem-se à velocidade da luz, a informação está imersa em energia, somos informações frequenciais comandadas pela mente, somos partículas vibracionais de um todo unificado, somos eternos.


E é na eternidade que bate o ponto. Ou seja, a eternidade é um imenso vazio preenchido por outro vazio onde flutuam umas partículas de energia eterna. Agora, sabendo isto, pensem no sentido que tem em irem trabalhar amanhã. Agora, sabendo isso, pensem no sentido da vossa vida. Pensem no sentido do dinheiro, da casa, do carro, dos pasteis de nata, no sentido do café e das Águas das Pedras e da praça e da bandeja do patrão do café e no gesto do empregado a limpar o balcão ou no sentido da televisão, ou, pior ainda, no sentido do Papa que é um senhor velhinho que anda pelo mundo fora a falar de um Deus que nem sequer se manifesta a um nível cognoscível. Deus pode ser misterioso, mas tanto também não. E para quem tem tantas e tamanhas qualidades até lhe fica mal.


 

PS – O aconchego de um olhar, de uma carícia, de uma palavra, ajudam muito a vestir de beleza a alma humana, quer o ser que a acolhe seja jovem, velho, ou de meia-idade. Isto partindo do principio de que a alma existe. A não existir, apenas a sua ideia já é reconfortante. Se Deus não nos pode valer, valha-nos ao menos a sua alma, que é a modos como um cachecol que nos aconchega o pescoço numa manhã fria de Dezembro enquanto descemos a Rua de Santo António para irmos comer um pastel de carne acompanhado por uma meia de leite a fumegar ao Biquinho Doce e deparar com a qualidade dos seus produtos e com os sorrisos esbeltos das suas funcionárias.

 

 

 

 

28
Nov10

Mairos e Torga

 

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Mairos, Chaves, 4 de Setembro de 1990

 

Despeço-me supersticiosamente da paz do planalto em restolho. O sol morre nos confins dos horizontes, as charruas dormitam, cansadas à beira dos caminhos, manadas de vacas arrastam placidamente o amojo a caminho da ordenha, e o silêncio apreensivo como que cumplicia os companheiros numa comunhão cósmica de que não podem imaginar nem a fundura, nem a santidade.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

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Já há algum tempo que não trazia por aqui Torga, não porque me tenha esquecido dele, aliás nunca poderia esquecer um poeta que tão bem canta a nossa terra, que me faz regressar no tempo e transformar as suas palavras em imagens vividas, sem superstições, mas com o mesmo despedir a paz do planalto em restolho, o pôr-do-sol visto da cota ou da aldeia, as charruas no fim do dia e as vacas, quem não se lembra delas a caminho da ordenha, a fazer para o trânsito. Imagens que até têm cheiro, dos restolhos, do sol a perder-se no horizonte, ou horizontes e até das vacas.

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Claro que nunca poderia esquecer Torga que tão poética e sabiamente mostra o nosso ser deste seu, que também é nosso, reino maravilhoso, mesmo difícil ou a doer, mas é o nosso – o nosso reino maravilhoso. É por estas e por outras tantas que digo: - Chaves, deve uma justa homenagem a Miguel Torga.

 

Reino Maravilho, é por aí que vou continuar a ir aos fins-de-semana, aleatoriamente conforme o momento o decidir. Hoje tocou a Mairos, onde gostamos sempre de ir. Não sei se pelos horizontes, pelo verde, pelos frios e as neves, a luz e a frescura do verão, se por subir à Cota e dominar os mundos, entrar na Galiza, confirmar os marcos, fazer uma vénia ao Deus Larouco, ver Chaves tão pequenina perdida na imensa veiga. Não sei qual a razão – talvez todas e nenhuma, mas que gosto de lá ir, lá isso gosto, nem que seja de passagem e ir podendo descansar ou contentar a vista com imagens do planalto.

 

Para a semana há mais aldeias por aqui.

 


27
Nov10

Chegou o frio

 

 

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Chegou, a tempo e horas, nunca falha – o frio já faz parte dos nossos dias.

 

Não se guiem pelas imagens, pois são de arquivo, e o frio ainda não é tanto assim de deixar a paisagem dobrada com o seu peso, sim, o peso do frio, porque por aqui, frio, significa gelo e uns graus abaixo de zero, o que não deixa de ter piada, pois as televisões da capital, dos de Lisboa, já anunciam o frio e os alertas da Protecção Civil. Coitadinhos dos de Lisboa, e os do litoral, e os do Sul, coitadinhos, pois sopram uns arezinhos frescos e entram logo em alertas amarelas e laranja, parece que vai acontecer o fim do mundo… então e nós!?, sim, nós que mamamos com os frios rigorosos de todos os invernos, com os gelos, com os abaixo de zero, com os dedos engaranhados até doer,  com as neves e geadas de deixar tudo teso… sim, e nós!? Bem, nós aproveitamos o frio para matar o reco, fazer o fumeiro e beber mais uns canecos à lareira, somos uns patuscos que estamos habituados a estas coisas do frio e ainda por cima, somos poucos e tesos, por isso, só há que ter cuidado com as lareiras e as braseiras, e chega, que ares condicionados e aquecimentos centrais, apenas são luxos para alguns.


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É por isso que gosto do frio e também da crise. Dói, eu sei que dói ou vai doer, mas também dá algum gozo, pois nós por cá, embora também tenhamos frio e crise(s), já estamos habituados e lá as vamos aguentando, pelo menos enquanto houver lenha nos montes, batatas no barraco e couves na horta – venham daí os meninos e meninas de Lisboa, que por cá a gente é hospitaleira e se com o frio ficarem tesos como bacalhaus, quem sabe se não fazemos uma punheta com eles… ou seja, como se costuma dizer em linguagem boleira – até os comemos.

 

Nascemos assim, somos assim, já não há nada a fazer connosco!

 

Até amanhã e viva o frio – há que pensar em matar o reco!

 

PS – As fotos são de Santiago do Monte, aldeia da freguesia de Nogueira da Montanha, ou seja, aquela freguesia que fica lá em cima, no alto do Brunheiro e domina todo o seu planalto.

 


 

 

26
Nov10

Notícias

 

 

 

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Chaves joga novamente em casa



O Desportivo de Chaves joga mais uma partida em casa para o campeonato, domingo às 15 horas. Desta vez, o adversário é o Macedo de Cavaleiros, equipa que ocupa o 12º lugar da tabela, com dez pontos em nove jogos.


“Temos que ganhar, assumidamente”, atira o treinador flaviense, que quer “ganhar bem”. Luís Miguel espera as dificuldades habituais que as equipas têm criado no Municipal de Chaves. “As dificuldades que eu espero são as que todas as equipas nos têm criado. Vêm muito fechadas”, explica. “Nós como equipa convém que existam espaços e que consigamos trocar muito bem a bola e aproveitar a velocidade dos nossos jogadores”, revela Luís Miguel.


Sylvestre é baixa certa para o encontro de domingo e à partida todos os restantes jogadores estão disponíveis para o jogo, à excepção de Bruno Magalhães, que cumpre um jogo de castigo.


Reforço para a baliza

Depois de duas semanas onde esteve à experiência um avançado que não terá convencido a equipa técnica, é para a baliza que chega um reforço. Nuno Dias tem 34 anos e chega a Chaves vindo do Fafe, clube onde subiu na época passada da terceira para a segunda divisão.


“É um bom jogador, eu já o conheço e acho que é uma mais-valia para a equipa”, resumiu Luís Miguel. Quanto ao reforço de outros sectores da equipa, o técnico flaviense é claro: “Em relação à equipa estou satisfeito, é uma excelente equipa, com bons jogadores. Tudo o que sejam mais-valias para reforçar o plantel e a equipa são sempre bem-vindos”, concluiu.


Diogo Caldas

 

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Empresários da região esclarecidos sobre como financiar os negócios

 

Conferência do grupo Moneris elucidou uma plateia de dezenas de empresários da região sobre as formas de ultrapassar as dificuldades actuais na expansão dos seus negócios.


Dedicada ao tema “As potencialidades locais como factores competitivos”, decorreu, na passada segunda-feira, em Chaves, a conferência “Encontros Moneris”. No auditório do Hotel Forte de São Francisco, estiveram presentes empresários de Vila Flor, Montalegre, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Chaves, bem como representantes de autarquias locais. Promovida pelo grupo Moneris, a conferência visou partilhar conhecimentos e impulsionar os negócios a nível local.


“Chaves, contrariamente ao que todos pensamos, é uma zona que tem uma actividade empresarial importante e empresários que se caracterizam por ser ousados”, explicou Rui Martins, sénior manager do grupo Moneris em Chaves, acrescentando que, para um grupo que pretende ganhar visibilidade, a cidade flaviense impunha-se naturalmente na rota de conferências, que começou em Leiria e vai passar por Bragança, Lamego e Porto, entre outras cidades do centro e sul do país.


“As formas de financiamento e expansão das empresas estão cada vez mais restritas e neste sentido quisemos promover este encontro de empresários com as entidades que são agentes activos na área do financiamento e negócios”, considerou Rui Pedro Almeida, administrador do grupo Moneris. Para o responsável, já “não há grande espaço para amadorismos e os empresários portugueses felizmente já se deram conta disto e precisam de estar bem assessorados” para expandir os negócios.


Sobre a actual crise financeira, Rui Martins considerou que “na região, as iniciativas empresariais são mais familiares e assentam na sua poupança e há uma certa elasticidade para aguentar situações menos boas. Claro que há actividades que estão a senti-la de uma forma muito mais aguda que outras, mas estou convencido que os empresários vão conseguir dar a volta por cima. Quanto melhor organizados e mais informados estiverem, melhor podem resistir à situação de crise que existe”. “Sentimos que os empresários não estão de braços cruzados, nem de costas voltadas para o investimento”, completou ainda Rui Pedro Almeida.


Segredo é preparar bem modelo de negócio e saber aceder às verbas do QREN.


Com o objectivo de dar a conhecer os mecanismos locais de apoio às empresas, Nuno Fernandes, director de marketing Classe Business do Barclays Bank, falou das formas de ultrapassar as exigências actuais de acesso ao crédito. “A primeira coisa que os empresários têm de fazer é preparar-se quando apresentam os seus projectos no banco, terem logo um estudo muito rigoroso sobre porque é que estão a fazer um determinado investimento. Meio caminho andado para o sucesso é o empresário saber e demonstrar rapidamente que sabe tudo sobre o modelo de negócio que está a fazer e para que é que vai utilizar o financiamento. É sobretudo isso que os bancos estão à espera”, aconselhou.


Já Pedro Nunes, director executivo da Risa Consulting, apresentou três programas que dão acesso aos fundos comunitários do QREN, um instrumento que “tem disponibilidade orçamental”. “Enquanto os fundos comunitários estiverem em vigor, parece-nos importante que o tecido empresarial tenha acesso de uma forma consciente às ferramentas que podem ter” para inovar, internacionalizar-se ou desenvolver investigação, salientou Rui Martins, que ficou muito satisfeito com a “excelente” adesão dos empresários da região, contactados por telefone. O novo Sistema de Normalização Contabilística, com implicações para o fecho anual de contas, também foi um tema abordado.


Sandra Pereira

 

25
Nov10

O Homem Sem Memória (21) - por João Madureira

 

 

 

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Texto de João Madureira

Blog terçOLHO

Ficção

 

21 – Depois de muita conversa revolucionária, boa para encher chouriços, aqueles doze devotos comunistas nevoenses abordaram finalmente o caso do Martins e o buraco na parede.


“Lindo serviço, o do camarada SUV”, comentou o Dr. Sebastião. Ao que o camarada trolha/empreiteiro respondeu: “Pelo menos tem-nos no sítio.” A camarada Teresa perguntou: “Tem no sítio o quê?”Ao que o camarada Dr. Sebastião aconselhou: “Moderem a linguagem camaradas.” O camarada trolha/empreiteiro respondeu: “Tudo o que é popular não nos deve ser estranho”. Ao que o Dr. Sebastião respondeu: “Pertencermos a um partido do povo não nos autoriza a ser malcriados. A boa educação não é um atributo da burguesia. Os marxistas-leninistas podem, e devem, ser tão bem educados como os outros cidadãos. A boa educação está acima da ideologia. De qualquer ideologia.” Ao que o camarada trolha/empreiteiro contrapôs: “Um caralho é o que está!” Então a camarada Teresa respondeu: “O camarada é um provocador. E malcriado, ainda por cima. Deus não aprova a má educação. E que eu saiba, o camarada Punhal pode não falar em Deus, mas também não profere asneiras nas reuniões do Partido.” Ao que o camarada Abílio retorquiu: “Apoiado, apoiado.” Ao que o camarada trolha/empreiteiro respondeu: “Cala-te Abílio, tu és sempre a voz do dono”. Foi então a vez do camarada funcionário local vir à liça: “Aqui o único autorizado a manda calar alguém sou eu, ou então o camarada suplente do CC. E informo os camaradas que no nosso partido todos temos direito a falar. Todas as opiniões contam. Mais a mais estamos na casa do Dr. Sebastião e os impropérios podem ferir a susceptibilidade da sua esposa, dos filhos e da sua querida mãezinha.”


Fez-se silêncio na sala. E, para serenar a ânimos, o Dr. Sebastião pediu à criada para servir um chá. O camarada trolha/empreiteiro pediu perdão e disse: “Eu essa merda não bebo”. O camarada suplente do CC admoestou-o com a voz da autoridade revolucionária de que estava imbuído após o último congresso: “Ou respeitas os camaradas, ou vou ter de te pôr no olho da rua.” Para conciliar as partes, o Dr. Sebastião sugeriu à criada: “Podes também trazer a garrafa de vinho e servir o camarada.”


Depois do intervalo para o chá, ouviram-se as opiniões dos diversos camaradas dirigentes locais e chegou-se à conclusão que se o tiro na parede tinha sido um acto irreflectido de um militante stressado, devia ser levado em linha de conta o facto de o Martins ser muito dedicado ao Partido, de ter cumprido com as orientações do CC e de, numa terra tão pequena e com uma organização concelhia tão exígua, o Partido não se poder dar ao luxo de expulsar um militante tão carismático como o Martins que impunha muito respeito entre os reaccionários mais reaccionários dos reaccionários. Ou seja, tudo ficou em águas de bacalhau.


Os camaradas homens, menos o Dr. Sebastião, que não alinhava em tainadas, resolveram ir comer um petisco à Choupana. Aí os camaradas funcionários explicaram, antes de alguém ter a ousadia de os admoestar por valerem à burguesia comunista, que é também tarefa revolucionária não hostilizar os burgueses que se dispõem a trabalhar com o Partido. O Dr. Sebastião, mesmo rico e aburguesado, tinha sido um grande antifascista, tendo sofrido muito nos quinze dias que esteve detido nas prisões do regime salazarista durante a grande noite fascista. E confessaram que o Partido, sigilosamente e ao nível superior, apoiava a postura dos camaradas da UEC e do Martins por terem tomates para defenderem o centro de trabalho, que é a casa dos comunistas. “E na nossa casa mandamos nós”, disse o camarada suplente do CC. Ao que o camarada trolha/empreiteiro retorquiu: “Aquela não é a minha casa. Tua pode ser, que aceitaste instalar a sede do Partido numa casa alugada em nome desse comunista de merda que é o Dr. Sebastião. E aqui não me mandas calar, caralho, aqui mando tanto como tu.” O camarada Abílio veio mais uma vez em defesa do camarada funcionário suplente do CC. “O camarada apenas tenta harmonizar as coisas, articular as diferentes posições, dar as orientações correctas…” Mas o camarada trolha/empreiteiro não o deixou acabar a ladainha: “Cala-te Abílio. Tu és o maior lambe botas que conheço. Tens espírito de cão de sacristia.” E o camarada Abílio, como bom camarada que era, calou-se e comeu mais duas ou três costelinhas de vinha d’alhos, sacrificando o poder da argumentação ao poder da concórdia entre camaradas desavindos. E, olhando para o camarada suplente do CC, começou a cantar “Grândola Vila Morena, terra da fraternidade…”, ao que o resto do grupo completou: “o povo é quem mais ordena, dentro de ti ó cidade…” e por aí fora. Mandaram vir mais uma garrafa de vinho para acompanhar três doses de moelas e continuaram a cantar noite dentro. E o entusiasmo posto na confraternização foi tanto que dali a pouco estava o bar todo a cantar a canção do Zeca Afonso; tanto a mesa dos comunistas do Alberto Punhal, como a mesa dos socialistas, que nestas coisas não se importavam de fazer alianças à esquerda, e dos esquerdistas que se intitulavam de comunistas, mas de um comunismo mais puro do que o do partido de Punhal, que era, nas suas palavras radicais, revisionista e lacaio da União Soviética. Apenas no momento de entoarem a Internacional é que o salão se dividiu, deixando os socialistas de fora, ou por vontade própria ou por puro sectarismo. Isso, não fomos capazes de apurar.

 

 

 

22 – A praça encheu-se de gente. O José nem queria acreditar no que os seus olhos enxergavam. Mesmo através da seteira existente no meio da muralha de jornais, o que se via do terreiro dava para pôr um comunista com os pêlos do corpo arrepiados, como quando somos observados por um lobo,(...)

 

(continua)

 


24
Nov10

Notícias

 

 

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ALTERAÇÃO DAS FEIRAS SEMANAIS EM DEZEMBRO


 

O Município de Chaves, a título excepcional e a pedido da Associação de Feiras e Mercados da Região Norte, manterá a realização da Feira Semanal e Mercado Municipal nos próximos dias 1 e 8 de Dezembro, apesar de estes dias serem feriados nacionais.

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Manifestado o interesse de todos os comerciantes envolvidos, e tendo em conta o facto de estes feriados potenciarem o consumo, dada a proximidade das festas natalícias, havendo pois um maior afluxo de população, o Município pretende com esta alteração contribuir para minorar as dificuldades económico-financeiras do sector empresarial em causa.

 

No que diz respeito à Feira do Gado, a realização desta, no Mercado do Gado, será antecipada para o dia 30 de Novembro, bem como o dia 7 de Dezembro, conforme o previsto no regulamento do Mercado Municipal de Chaves.

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Adesão à greve na Câmara de Chaves rondou os 17%


Em Chaves, a adesão à greve geral de 24 de Novembro contra as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo quase não causou transtorno. Na Câmara, a taxa de adesão rondou os 17%, mas a Biblioteca Municipal esteve fechada

 

A greve nacional que paralisou transportes, escolas e serviços de saúde de todo o país no passado dia 24 de Novembro teve uma adesão pouco significativa no concelho de Chaves. Na Câmara Municipal, 84 funcionários num universo que ultrapassa 500 trabalhadores aderiram à greve, informou fonte do departamento de Administração Geral da autarquia. Um número apurado ao final do dia 24 de Novembro, que podia ser superior tendo em conta que não foram contabilizados os trabalhadores do período nocturno, nomeadamente na recolha de lixo e limpezas.

 

Ainda assim, a Biblioteca Municipal de Chaves não abriu portas, já que os 15 funcionários estiveram em greve. De resto, nenhum funcionário do Gabinete de Apoio à Presidência aderiu à greve geral, mas 13 funcionários do departamento de Administração Geral e 13 dos Serviços Operativos aderiram. No departamento sociocultural e no de planeamento, houve 9 grevistas em cada e 7 no de Abastecimento Público. Contudo, a mesma fonte da autarquia garante que a adesão à greve “não causou transtorno no normal funcionamento dos serviços camarários” e “o atendimento público não saiu prejudicado”.

 

No Tribunal de Chaves, oito funcionários judiciais num universo acima de 20 aderiram à greve, mas nenhum serviço foi encerrado e a actividade do tribunal decorreu “normalmente”. Mesmo com uma adesão de 50% no turno da manhã, o Hospital de Chaves funcionou com relativa normalidade. O mesmo se passou no Centro de Saúde nº1 e nº 2 de Chaves, com adesões à greve geral quase nulas.

 

Embora a nível nacional o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, tenha destacado tratar-se da maior adesão de sempre dos professores a uma greve geral, em Chaves as aulas decorreram normalmente. No concelho, só a escola de Vidago encerrou portas. A rede de transportes urbanos de Chaves funcionou a 100%, ao contrário do Estabelecimento Prisional de Chaves e do balcão da Raposeira da Caixa Geral de Depósitos, onde a adesão foi quase 100%. De acordo com os sindicatos da CGTP e UGT, três milhões de trabalhadores portugueses fizeram greve (75%) a 24 de Novembro, mas o Governo contrariou esta dimensão ao avançar uma taxa de adesão inferior a 30%.

 

Sandra Pereira

 

 

24
Nov10

Sem feijoada mas com greve geral

 

 

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O tempo horário sempre nos atraiçoa, fica curto demais para podermos viver uma vida a tempo inteiro… mas que podemos fazer, contra horas e relógios não há luta possível, vencem sempre, nunca param.

 

Tudo isto para vos dizer que gostaria de confeccionar por aqui mais uma feijoada das quartas-feiras, bem condimentada, até tinha os ingredientes mais ou menos preparados, mas hoje não vai ser possível. Ficamos com uma refeição ligeira, aliás até é bom se nos formos habituando a elas, pois parece que tudo fazem para que elas entrem no ritual das refeições, ou na nossa roda alimentar, não por gosto, mas porque a tal lá iremos sendo obrigados.

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Além de mais hoje também vou ser breve, aliás nem deveria vir aqui, pois estou em greve, mais uma, daquelas que nada vai adiantar, pois os números oficiais de logo à noite vão ser os dos sindicatos a apontarem os noventa e tais por cento, um sucesso e o governo a vir com o seu discurso adivinhado de que os portugueses compreendem o momento de crise e estiveram  solidários com o governo, mostrando a sua fraca adesão que fica sempre aquém dos cinquenta, se não andar pelos vinte ou trinta por cento. Seja como for, Portugal está em greve geral e só isso, a união dos sindicatos, já por si mostra o descontentamento da grande maioria dos portugueses. Começa-se a compreender finalmente que não são os funcionários públicos os culpados da crise, os maus da fita, afinal, os culpados são sempre os mesmos - os políticos e as suas políticas.

 

Mas politiquices à parte, ficam duas imagens da terrinha, também poucas, mas não é por causa da crise… é do tempo.

 

Até amanhã, com um homem sem memória.

 


 

 

24
Nov10

Crónicas Ocasionais - Malguinha de consolo

 

 

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“malguinha de consolo”

 

 

Os CONVÍVIOS da BLOGOSFERA FLAVIENSE estão a constituir-se como importante acontecimento Regional.

 

A adesão da “LUMBUDUS”e de «astros» de outras Blogosferas vizinhas e amigas ditará que os próximos sejam titulados :


 

-  “CONVÍVIOS da  BLOGOSFERA da NORMANDIA TAMEGANA

(BOTICAS, CHAVES, MONTALEGRE, VALPAÇOS e VERIN) ,

ARTISTAS e «artistolas» LUMBUDUS & AMIGOS”.



Do Jantar avantajado com passagem obrigatória pela “Fonte dos milagres”, passou-se para passeatas cada vez mais alargadas, com Jantares reforçados, e já se vai em expedição , ora «Embaixada», ora  excursionista, com merendola a fazer de Jantar, Ceia e Sobre-Ceia.

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Bem, daqui a nada há que instalar consulados, para organização dessas autênticas cimeiras nos Equinócios, nos Solstícios, e nas datas intermédias mais dignas dessas concentrações.


A História, a Geografia, a Arte sentem-se felizes pelo interesse e reconhecimento que estes expedicionários lhes concedem.


Ao colo delas, a Física, a Geometria, a Biologia, a Sociologia e a Filosofia, regalam-se com os mimos que para elas são os nossos olhares, as nossas falas, as nossas atenções, e os retratos que lhes tiramos.

E até a Música nos presenteia com Calíopes, Thálias e Euterpes!


E, no regresso a casa, o coração do Homem traz consigo um malguinha de consolo.


Valle-Paços  mereceu bem a nossa caminhada

A vida vale a pena ser vivida.


Luís Fernandes

 

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