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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Nov10

Discursos Sobre a Cidade - Por Tupamaro

 

 

 

 

“Cabeça  da  Cobra”

 


O Destacamento ficou instalado numa arriba com acesso ao mar por um carreiro único e difícil de descer, quanto mais de subir!

 

Rodeado por floresta e um frágil murete a delimitar as casotas que faziam de Caserna, Cozinha, e Sala de jantar, tinha, para as idas e vindas, uma «picada», que meandrava por uma planura de capim, do lado norte.


A água colhia-se numa fonte da floresta, em lugar vizinho da costa, e que denotava ter recebido arranjos apropriados, por ocupantes primevos.


Normalmente, dois Rapazes, escalados, empurravam facilmente um pipote de, mais ou menos, cem (100) litros   -   que antes havia chegado com, menos ou mais, noventa litros de vinho (canforado), mas a valer uns bons cem litros de água   -    até à fonte.


Aí, enchiam-no «à cafeteirada»!


Isto é, levavam umas cafeteiras de lata, que, de manhãzinha, se enchiam, até cima, de café, para se “matar o bicho” à «maralha»; e, ao meio-dia e à noite, enchiam-se, mal, quase até cima, do vinho dum “pipote-de-cem-litros-a-conter-quase-noventa”, para quase encher a malga de alumínio, por onde a rapaziada matava a sede, quando podia.


A  dormir ou acordados, dentro ou fora do aquartelamento, neste ou noutro qualquer, cada tic-tac dos segundos da vida desta mocidade, ou de outra qualquer, com igual tarefa, marcava o compasso de espera entre aventuras incríveis e até estranhas.


Ao “Bê” e ao “Vê” calhou-lhes ir à água.


E lá levaram consigo o pipote.


Para encherem, bem cheio, com cem litros de água fresquinha, talvez, até, com mais uns quartilhos, para vir bem testinho    -   não que a sede, ali, naquelas paragens, apertava de manhã à noite.


E de que maneira!


A ida era fácil. Até porque a ligeira inclinação a descer ajudava a rebolar o pipote.


A vinda era mais custosa, mesmo para dois rapazolas valentes e na flor da idade.


Engenhocas, haviam criado um fabuloso invento: - uma corda, com medida calculada, prendia a cada ponta um pedaço de ferro em forma de gancheta.


Um aplicava os ganchos nos rebordos do pipo; o outro esticava a corda.


Um, à frente, a lembrar-se do macho, ou da mula, que puxava o semeador, no tempo das sementeiras; outro, atrás, a recordar as vezes em que tinha de empurrar o carro de bois, carregadinho com os sacos de batatas, naquele pedaço de ladeira, estreita e pedregosa, que até mesmo só com o sacho às costas custava a subir.

Naquele dia, enorme alarido se espalhou pelo acampamento    -   espaço pouco maior do que o quinteiro de um Morgado de Monforte de Rio Livre.


O “Vê” e o “Bê” apareceram lá ao fundo do quinteiro, onde o capim estava «capinado», em   louca corrida e aos gritos desentendidos.


No meio do quinteiro erguia-se, ainda com infantil elegância, uma pequena palmeira, defendida por um pequeno círculo de pedras miúdas, e adornada por um jardim de erva regada com estremecido cuidado por todos.


O “Bê” e o “Vê” estancaram a corrida só quando chegaram ao pé do jardim.


O pipo acompanhava-lhes a velocidade da pressa  com que davam à perna e, com tão repentina paragem, quase os ia cilindrando, não fora o travão dos espantados companheiros que corriam ao encontro dos gritos.


- O que foi?! O que não foi?!


- Que se deu?!


- Que aconteceu?!


- O que houve?!


As perguntas batiam contra os gritos.


O “Vê” e o “Bê” arfavam, pálidos, lívidos, sentados no chão.



-“Co ---- o ----o---- bra”! – gaguejou oBê”.


-“Gigante”! – soltou o “Vê”.


-O quê?!pergunta o “Tê”.


-Um Gigante com uma cobra?!pergunta o “Rê”, ficando com os olhos arregalados e a boca aberta.


- Trazei-lhe água, porra! – berra o “Cê”.


As pedras miúdas, a circular e defender a pequena palmeira,  cresceram num repente.


E trinta pares de olhos e outros trinta pares de orelhas estavam afiados para ver e ouvir os modos e as palavras com que o “Vê” e o “Bê” iriam fazer o relatório da desastrada e falhada tomada de um pipote de água!


Enquanto o “Bê” e o “Vê” se recompunham, com a ajuda de uns goles de água e a presença apoiante dos companheiros, o “Mê” quis dar uma ajuda à soltura da língua dos dois arfantes e atira:


- Mas que grande c………alho! Isto é algum Alcácer – QuibirE?!


- Qual QuibirE, qual c……..alho!berra o “Nê”. O “Bê” é de Alcácer do SalE, porra!


Os gritos deixaram de ecoar pela floresta e perderam-se no mar.


O ”Vê” e o “Bê” levantaram-se.


- Ó Alcácer, fala tu!  -  diz, ainda com a voz fraca, o “Vê”.


- Não! Conta tu, ó “Bila Pouca”!devolve, com a voz fraca ainda, o “Bê”.


- Oh! Que catano! “Contaide” os dois!berra o “Valpaços”.


- Vamos ali p’ra dentro do refeitório!  -  ordena o “Fê”. E remata a ordem:


- Ó “Boticas”, busca uma cafeteira de vinho!


E no refeitório, depois de todos molharem a goela, o “Bê”, de Alcácer do SalE, explicou:


- Estávamos a colher a água quando, num repente, ouvimos um barulho estranho que nos fez arrepiar a espinha e pôr os cabelos” in” pé. Pareceu-nos ver um rascalho grande a mexer, mas, de repente, vimos uma cobra quase tão gorda como o pipo, e a cabeça quase do tamanho da de um bezerro  barrosão.

Ela queria comer-nos vivos!


Abriu a bocarra enorme e lançou uma lança que quase nos espetava.

Começámos a gritar como desalmados e a correr como perdidos.

Agora, que “bá” à agua quem quiser!


Nós é que nunca mais temos sede d’água!


O “Murça”, o “Carrazedo”, o “Mairos” e o “Soutelinho”, correram a pegar nas “FN” e voaram para a fonte.


O lugar estava sossegado e continuava lindo.


Encheram os cantis.


Regressaram, calmos e serenos.


Dentro do quinteiro, chamaram:


- Ei! Rapaziada!


E, à vista de todos, regaram a palmeira de toda a estimação.

 

 

Tupamaro

05
Nov10

Crónicas Ocasionais - Ainda Outeiro Seco em Jeito de Comentário

 

 



“Mau homem é aquele que sabe receber um benefício e

não sabe devolvê-lo

 

 

 

 

O BLOGUE “CHAVES”, da autoria do Senhor FERNANDO RIBEIRO, tem dedicado com todo o empenho os Post(ai)s do fim-de-semana às ALDEIAS FLAVIENSES.


Claro que a vaidade de cada um faz com que se considere SEMPRE atrasada a reportagem acerca da sua.


Normalmente, os que menos contribuem para o engrandecimento da «sua terrinha», são os mais lépidos a exclamar:


- “Até que enfim!”.


E, quando aqui lhe chega a vez, empanturram o seu Ego de secreto orgulho e obesa vaidade ao confundir a ressonância do nome e dos atributos da sua ALDEIA, com ao eco que deseja para o seu nome    -   o seu EU.


É assim com muitos dos que visitam este BLOGUE   -   aqueles que de maneira alguma têm uma palavra de reconhecimento para quem, desinteressadamente, dá a conhecer o seu torrão natal     -   quer seja na Caixa de comentários, quer por e-mail, por telefone, pessoalmente, ao autor do Post(al); quer seja no local de reunião ou de encontro ocasional com qualquer amigo, «compadre, ou  companheiro circunstancial.


Alguns buscam e rebuscam uma falha, um  lapso,  um erro, para desfazer do trabalho apresentado, pois encontram mais satisfação glandular e espiritual na oportunidade do desdém  hipócrita do que numa palavra de felicitação para quem lhes deu algum consolo bairrista, lhes consolou a saudade com a lágrima caída, lhes deu motivo para começar o dia com um “Bom Dia!” mais jovial , logo ao primeiro amigo, colega ou conhecido que encontre.


Mas também há os que se comovem, se sentem felizes e que, mesmo sem letras ou palavras, elevam o seu agradecimento.


A satisfação de se ver AQUI uma menção a uma ALDEIA, seja ela qual for, não toca só o coração dos naturais e/ou moradores da mesma     -   todo o bom e genuíno FLAVIENSE, NORMANDO TAMEGANO e TRANSMONTANO fica contente por mais uma oportuna divulgação de um pedacinho da NOSSA TERRA.


Porém, os engajados em compromissos espúrios, os nombrilistas,  os invejosos, e os ingratos arranjam sempre um enviezado pretexto para denegar o mérito e a grandeza de quem os beneficiou.


O comentador de Outeiro Seco revelou ser uma pessoa de má fé.


Confunde a sua ALDEIA com o seu Eu.


O seu comentário revelou os altos níveis de escatol transportados no seu auto-convencimento e nos meios que utiliza para alcançar os seus fins.


Lamentamo-lo, pois, apesar de algumas divergências conceptuais (necessariamente superficiais que ambos entendemos), esperávamos (como visitante deste BLOGUE),  esperávamos mesmo, outro tipo de comentário do sr. RIO de OUTEIRO SECO.


Como sinal de despedida (do comentário) dedicamos ao sr. Altino Rio o pensamento:


 

-“ A gratidão, como o leite, azeda, caso o vaso que a contém não esteja escrupulosamente limpo”.

 

 

Tupamaro

 

 

 

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