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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Nov10

Notícias

Hoje retomamos aqui a antiga rubrica de notícias com a colaboração do Diário@tual. Sem hora e dias marcados, acontecerá aqui sempre que houver notícias disponíveis.

 


 

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Cimeira da NATO obriga a controlo das fronteiras



Ponto de controlo montado na fronteira de Vila Verde da Raia já encontrou várias situações irregulares e duas pessoas foram mesmo detidas por posse de passaportes falsos.


 

Lisboa recebe entre sexta-feira e sábado a Cimeira da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e desde as zero horas de terça-feira, que os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras juntamente com a GNR estão a patrulhar os pontos de passagem de Espanha para Portugal.

 

Em Vila Verde da Raia, no concelho de Chaves, várias pessoas estrangeiras já foram recusadas a entrar pelo facto de estarem em situação irregular e duas pessoas foram mesmo detidas, por posse de passaportes falsos.

 

A operação decorre coordenada pelos SEF, Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, que têm na entrada da auto-estrada em Vila Verde da Raia um dispositivo operacional montado para que o tráfego que tente entrar em Portugal seja fiscalizado. Em cooperação com a GNR, esta, além de ter também efectivos no posto de controlo permanente montado à entrada da auto-estrada, faz ainda o patrulhamento nos outros pontos de ligação entre Espanha e Portugal, encaminhando-os para o ponto de controlo.

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Cooperação entre SEF e GNR considerada positiva

 

“Temos todas as fronteiras do nosso distrito controladas por nós”, refere o Major Pereira Ventura, do Comando Territorial de Vila Real, afirmando que também nesses pontos, também estão presentes inspectores do SEF.

 

Considerando que a operação está a correr “de acordo como tem de correr”, o Major Pereira Ventura explica que não é de agora a cooperação entre SEF e GNR.

 

“É uma fronteira que normalmente não está ocupada por nós. Nota-se que há um fluxo acrescido de pessoas com situações menos regulares, mas está a correr bem”, resumiu Bernardo Ribeiro, do SEF, explicando que apesar do “objectivo principal” ser a segurança da Cimeira da NATO, “o que se acaba por encontrar são situações do dia-a-dia”.

 

Considerando a relação entre GNR e SEF “excelente”, Bernardo Ribeiro refere: “a GNR tem um contingente mais ou menos extenso. Nesta operação, a coordenação das fronteiras cabe ao SEF. Cada um com as suas competências, temos tido um bom relacionamento”.

 

“A nossa estadia permanente leva a outra segurança que os resultados demonstram isso mesmo”, concluiu o elemento do SEF.

 

Quem quiser atravessar a fronteira terá de estar devidamente identificado, com o bilhete de identidade ou passaporte.


Diogo Caldas

redaccao@diarioatual.com

 

 

GNR de Chaves faz nova apreensão na cidade

 

O Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR de Chaves levou a cabo, ontem à noite, mais uma operação de combate ao tráfico de droga na cidade de Chaves, tendo sido detido um indivíduo de 49 anos de idade, natural e residente em Chaves, referenciado pelas autoridades policiais por se dedicar ao tráfico de droga em Chaves.

 

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Os investigadores do NIC realizaram uma busca domiciliária, na qual apreenderam cocaína, que daria para fazer 178 doses individuais, uma balança digital de precisão, um telemóvel, vários utensílios utilizados para o manuseamento, corte e divisão dos produtos estupefacientes. O detido, já com antecedentes criminais, vai ser presente no Tribunal Judicial da Comarca de Chaves durante o dia de hoje.

 

Redacção

redaccao@diariodigital.com

 

 

Instalações da AD Flaviense assaltadas


A secretaria da Associação Desportiva Flaviense foi assaltada. O alerta foi dado quarta-feira, dia 17 de Novembro, mas não se sabe quando aconteceu ao certo o assalto.

 

Na passada quarta-feira, quando o tesoureiro do clube chegou de manhã notou que a porta não estava trancada. No interior, e apenas na sala da secretaria do clube, quem por lá andou vasculhou a secretária e o armário que ali existem, tendo atirado vários objectos e papéis ao chão e queimando mesmo uma série de documentos.

 

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Os documentos queimados terão sido comunicados e papéis relativos à contabilidade do clube. Para Toni Madureira, da ADF, quem por lá andou “foi à procura de dinheiro. Como não encontraram, fizeram isto por malvadez”, observou.



Diogo Caldas

redaccao@diarioatual.com

 

 

 

Mais notícias em http://diarioatual.com

 


19
Nov10

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

 

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TALHAR O COXO

 

 

 

Nove meses de Inverno e três de inferno, é o lema ancestral do Planalto!

 

O Verão, naquele ano, apresentava-se estupidamente quente. Não havia sítio nenhum onde se estivesse sossegado. Só a madrugada ou a noite escura proporcionavam algum conforto. Então a mosca atazanava de tal modo a cria que só no meio das giestas se sentia acomodada. Ainda se corresse um ribeirinho que fizesse alguma presa! Mas não, no Planalto, água corrente só mesmo nos regos dos lameiros e nas nascentes. Mas, naquele ano, não corria peta de água. Porém, para os lados da Lamalonga, tinha o Ti Balele de Fornelos uma poça funda e lodosa, sem memória de que secasse. Ora, era hábito a rapaziada ir a banhos à Lamalonga nas sestas de canícula. Assim aconteceu daquela vez. Um rancho de rapazotes combinou uma espolinhada na dita poça, nessa tarde de Sábado.

 

Chegados, despiram-se até ao pescoço e chapinharam no lodo, na santa paz do Senhor, até à noitinha. Era um alívio para o corpo e, tirando uma ou outra rara vez que eram corridos pelas labrestadas do rabo do sacho do Ti Balele, quase nunca havia azar.

 

No Domingo seguinte, quando se levantou e se debruçou do balaústre de madeira da varanda para urinar para o pátio, o Berto da Senhora Clotilde, sentiu um ardor estranho no respectivo. Examinando-o, reparou que se apresentava crivado de borbulhas de cabeça branca. Envergonhado, o rapaz pediu ajuda à sua mãe. A senhora Clotilde mirou, remirou e depois de pormenorizado exame perguntou:

 

— Para onde foste ontem, Bertinho?


— Fui com os outros para a poça da Lamalonga.


— Claro, atão não há dúvida, apanhastes coxo na pilinha! — Diagnosticou!

 

De pilinha, tinha o órgão muito pouco. Apresentava já uma penugem parecida com aquela que os pássaros mostram quando querem desaninhar!

 

— Temos de ir à Ti Mercedes, à Amoinha, para que te talhe o coxo.

 

Era Domingo, um dia azado para estas coisas. Calhava bem!

 

A senhora Clotilde foi à capoeira, escolheu uma galinha careca, das que não punham, e meteu-a no cabaz para a paga. Montou na burrita e lá foi com o rapaz à barbela até a Amoinha. Passava pouco das onze quando chegaram. O calor apertava. A burra suava em bica, não sei se por mor da canícula se pelo peso da dona. É que a senhora Clotilde era mulher para mais de cem quilos!

 

— Vá lá não se ter lembrado de meter o filho à garupa — cismava a burrita em linguagem de asno!

 

Passando pela capela do lugar, a missa do padre Luís ainda decorria. No adro, muitas bestas presas à argola esperavam os seus donos no inferno das moscas. Quando a burrita passou, ou porque tivesse exalado um cheiro a cio, que talvez pela tenra idade estendeu para Agosto, ou por outra razão qualquer, um burro experiente e amante de carne fresca sentiu o aroma e vai de armar tal estardalhaço de zurros e piparotes que o padre Luís teve mesmo de interromper a celebração. O Ti Zé Paranhos, dono do asno, quando se apercebeu que lhe tocava, sacou de um estadulho de um carro de bois e estendeu quatro sardinhas de respeito no lombo do animal, enquanto resmungava envergonhado:

 

Rais te parta no burro a pecar no adro da capela! Eu dou-te a burra, meu filho da puta!

 

A burrita, não renegando aos arranques do corpo e igualmente entusiasmada, ia arrimando a dona de cangalhas. Valeu-lhe a mão amiga do Ti Fagundes que amaciou, com uma vara de marmeleiro, as orelhas da desavergonhada!

 

Chegados à casa da curandeira, duas palmadas bem dadas na porta carral de pátio fizeram-nos anunciar. A Ti Mercedes, mulher para setenta anos, viera há tempos fugida da guerra civil de Espanha. O sotaque galego em nada prejudicava o seu respeitado desempenho. Dava-lhe até um certo ar de mistério como convém a estas artes!

 

Que pasa Clotilde?


— É o meu Bertinho que está com o coxo. Vinha ver se vossemecê lho talhava.


Antonces não talho mujer, entra!

 

Presa a burrita ao pinalho do carro de bois, a senhora Clotilde mailo rebento subiram as escaleiras de perpianho até à varanda de soalho corrido, sobranceira ao pátio.

 

— Deixa que te mire rapaz!


O Berto, envergonhado, lá abriu a custo a braguilha e mostrou o instrumento à doutora. Parecia um bicho. Estava pior!

 

Ai mocito como vás! O bitcho era bravito. Isto non vá num solo dia. Tenes que benir unos cinco. Hoy te faremos la primera benzedura.

 

Foi à cozinha e voltou com um facalhão de aço, pouco mais pequeno do que aquele que se usa para sangrar os recos. O rapaz, quando o viu, tralhou-se de medo, pensando servir para o amputar o apêndice. Sossegou quando viu que não. Afinal era só para desenhar cruzes enquanto rezava a seguinte oração:

 

Yo te talho bitcho bitchão, sapo sapão, aranha aranhão, bitcho de toda a nação. Em louvor de S. Silvestre quanto assa tudo preste, com a ayuda de Nuestro Senhor que é el verdadero mestre. Em louvor de Deus e da Virgem Maria um Padre Nuestro com una Avé Maria.

 

Depois de se ter benzido três vezes, deu a consulta por terminada. Recebeu a galinha, agradeceu e marcou para o dia seguinte nova consulta.

 

À hora, lá estava mãe e filho, como nos quatro dias seguintes.

 

Ao quinto, não sei se das rezas ou se da evolução normal da doença, o rapaz apresentava melhoras significativas, a avaliar pela análise feita pela curandeira:

 

— Mira, já está melhorcita, que já se le endireita a cabecita!


Declarado curado o mal do coxo, mãe e filho regressaram todos contentes. Bem sei que a capoeira da Ti Clotilde foi subtraída das melhores pitas, mas valeu a pena, não fosse o Bertinho perder a oportunidade de tocar umas flautadas às moças da sua idade no tempo certo!..

 

Além do mais, poderia continuar, por agora, a matar o calor na poça da Lamalonga.

 

Gil Santos

 


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À margem da estória de Gil Santos, fica a título de curiosidade um vídeo com a reza do coxo, gravado por Gonçalo Mota e produzido por Terra de Miranda Museum:

 

 

 

REZA DO COXO from ETNOmedia on Vimeo.

 

 

 

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