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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

22
Dez10

Em vez de feijoada hoje há presépios

 

 

 

 

Sobre o Natal


Hoje é quarta-feira, dia de feijoada, mas, claro, que em semana de Natal não queremos saber da feijoada para nada. Já estamos de dieta para a noite de consoada, para o bacalhau, o polvo, as couves, os bolinhos de bacalhau, o polvo frito, os ovos verdes, as rabanadas, as filhoses de jerimum, os sonhos, sem esquecer a roupa velha, o cabrito ou cordeiro e peru do dia de Natal – Iguarias ou “dietas” de tentação para quem anda a cuidar da saúde ou da linha.

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Claro que hoje, tal como vai acontecendo e acontecer neste blog durante esta semana, é do Natal que queremos falar, porque quer queiramos ou não, sejamos mais ou menos religiosos, até ateus, o Natal tem um significado especial para a família e como por aqui (autor e colaboradores do blog) já não somos putos, vem-nos à lembrança outros tempos de Natal e temos saudades de algumas coisas que se foram perdendo com o tempo tal como vamos repudiando, ou não achamos graça nenhuma a algumas das novas invenções, hoje tão intimamente ligadas ao Natal sem nada terem a ver com ele.

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Somos do tempo do menino jesus, dos pinheiros a cheirar a resina, dos chocolates pendurados no pinheiro, do presépio com musgo, caminhos de serrim ou areia, um riacho com água, cabana de madeira e a “cama” do menino em palha, com todas as figuras ou pelo menos as figuras principais do menino Jesus, de José e Maria, da vaquinha e do burro, dos Reis Magos, do pastor e do rebanho, do anjo ou ad estrela na casota… e tudo o resto, era pura imaginação e decoração, maior ou mais pequeno, mais simples ou complexo cheio de engenhos e mecanismos para dar movimento a um presépio… pois também nele, no presépio , se comungava o Natal e ,aos olhos de uma criança, toda aquela encenação ganhava vida como se fosse real.

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A tradição dos presépios foi-se perdendo na maioria das casas e dos lugares públicos e lojas comerciais. O pai natal é mais apelativo, vende melhor… há todo um gigantesco negócio e comércio no seu entorno e nós, lá vamos indo no paleio e para não desiludir as criancinhas, dizemos que sim, que o pai natal existe, ele mais as suas renas, Rodolfo & cia, e como se um pai natal fosse pouco, inventam-se muitos pais natais, um em cada esquina e loja, cantam, dançam, eu sei lá… e agora, até a mãe natal já anda por aí… Com tanta palhaçada em torno da figura do pai natal, só me espanta que a Igreja, tão conservadora que é, até em coisas de menor importância, aceite, sem nada dizer, esse senhor das barbas brancas vestido de vermelho…

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Pois eu ainda sou do tempo dos presépios e do menino Jesus, da bota no presépio e (com que brilhozinho nos olhos) de receber o único brinquedo do ano, quando calhava…e acreditava piamente que era o menino jesus que durante a noite me deixava o presente, mesmo quando se enganava de presente e não me deixava aquele que eu tinha pedido, eu perdoava-o e ficava-lhe eternamente agradecido.

 

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Um presépio a sério

 

Felizmente ainda há quem siga a tradição e nos brinde com um presépio a sério, cheio de engenhos, engenhocas e movimento, digno de ser visto e apreciado, tal como acontece na Casa de Santa Marta das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados, na Rua Alferes João Batista em Chaves. Deixo a direcção, porque o presépio está aberto ao público e a todos quantos o queiram visitar, e aproveitem, pois vale a pena ver este presépio.

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A par do presépio, tem também algumas propostas de reflexão e a história do presépio, que confesso desconhecia e que passo a partilhar:

 

A História do Presépio

 

“A representação do Presépio, ou Nascimento, ou Belém, tem a sua origem no século XIII, por iniciativa de São Francisco de Assis, motivo pelo qual foi nomeado padroeiro dos belenistas.


Conta-se que, enquanto o Santo pregava na campina de Rieti, na Itália, o surpreendeu rigoroso inverno.


O Santo refugiou-se numa gruta em Gréccio: Era o Natal de 1223.


Meditando o Santo no nascimento de Jesus, teve a inspiração de reproduzir ao vivo o acontecimento.


Construiu uma cabanazinha, colocou nela uma manjedoura e, nesta, uma pequena imagem do Menino Jesus, que, com argila, ele próprio tinha moldado.


Os camponeses dos arredores cederam-lhe um boi e um jumentinho. Convidou pessoas para representarem os pastores de Belém. E celebraram a Missa da meia-noite.


No momento da consagração, a pequena figura de barro adquiriu vida, sorriu, e estendeu os braços para Francisco.


Esta bela ideia de representar o nascimento de Jesus propagou-se rapidamente.


É isto que tu agora estás a contemplar!...”

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Pois são precisamente do Presépio da Casa de Santa Marta as imagens que hoje vos deixo por aqui. Mas uma coisa é a fotografia e outra é a realidade deste presépio, os seus pormenores e os seus sons, como o da água a correr ou a do oleiro a trabalhar… o melhor mesmo é passar por lá, ver e apreciar, principalmente para nós, os que não acreditamos ou desconfiamos do pai natal das barbas brancas vestido de vermelho…podem crer que sabe tão bem, como uma rabanada ou uma filhós de jerimum.

 


 

 

22
Dez10

Crónicas Ocasionais - Pedincheiros & Putanhintes

 

 

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“PEDINCHEIROS   &   PUTANHINTES”

 

 

Na época do Natal, que antigamente durava uma semana antes do NOITE DE CONSOADA e terminava   -   depois de cantadas umas boas “Janeiras” às portas (e Adegas) dos bons amigos!)   -   no dia seguinte à Noite do CANTAR DOS REIS, notava-se uma especial alegria entre todas as pessoas, da ALDEIA ou da CIDADE, pois a tradicional celebração do nascimento de (um tal) Menino Jesus era como um lufo de esperança de dias melhores, na saúde, no trabalho, nas colheitas e em todos os amores, no Ano Novo logo se seguia.

 

Ia-se a Feces buscar o Polvo e «o trigo (ou cacête» para as rabanadas.

 

E junto ao «Pinheirinho de Natal», a proteger o Presépio, feito com musgo arranjado em entusiasmadas e selectivas buscas pelos muros e chão dos pinhais, só a miudagem punha o sapatinho, a soca ou o soquinho (alguma, as alpergatas) para a recolha das prendinhas do Menino Jesus.

 

As Avós, as Mães, as Tias, as Primas, as Madrinhas, as Irmãs mais velhas lá davam uma filhó a provar, ou faziam que ralhavam deixando roubar um bolinho de bacalhau.

 

Ah! Nesse tempo era o verdadeiro tempo dos verdadeiros «bolinhos de bacalhau«!


Oh! Se eram!

 

E logo à saída da Missa do Galo - a da Meia-Noite   -   se começava a cumprimentar, APRESSADAMENTE, toda a gente, dizendo:

 

- “BOAS FESTAS, M’ HÁ -DES DARE OS REIS!”


Depois chegou «rápido e depressa», quase sem se dar por ela, a modernidade e as modernices.

 

As cores e as luzes de fora e lá de fora, num repente, ensombraram as cores e as luzes de dentro e de cá de dentro.

 

O Natal, a Feira do Natal, começa logo mal acaba a Feira dos Santos.

 

Jornais, Revistas, Rádios, Televisões, Panfletos, Montras e Espectáculos deram um pontapé no cu do Menino e promoveram a “Rei da Festa” um palhaço vestido de vermelho e com um carapuço à tralaró, a meter-se pelos olhos dentro a torto e a direito, sem pedir licença a ninguém, e com toda a habilidade, mezinha e falcatrua do mais refinado «mãos-leves» fazendo «buracos financeiros» na bebedeira consumista do Zé Pagode e «enchendo a mula» aos «agentes económicos», aos virtuosos do «empreend’dorismo», e aos sagazes subversores da”Hierarquia das Necessidades .

 

 

 

Na época dos «Bens coloridos: laranja, amarelo e vermelho», com moda copiada para os «avisos» de Altas Autoridades Da Meteorologia e Afins, crescem, de ano para ano, as hordas de PEDINCHEIROS a atravancarem as Entradas dos mini, super e hipermercados; as portas dos Hospitais Centrais, das UBS’s, UFB’s  -   Salvam-se as U P S’S    -     pudera!; as portas de Centros de Óptica, das Estações dos Correios, de Capelas e Igrejas; atrapalhando o trânsito regulado por semáforos, «chateando» condutores, passageiros e peões; entrando de enxurrada nos «Cafés» a pôr em cima das mesas, malcriadamente, uns papeluchos, com imagens de «santinhos» ou duas tretas dactilografadas, à chegada, e ditando o custo, insultuoso, à partida.

 

Todos os Balcões de «Pão-Quente» exibem uma caixinha com ranhura a sublinhar uns gatafunhos a quererem dizer : “…rinhónho, …Boas Festas”

E a última novidade que nos foi revelada aconteceu com mais espanto do que um milagre de Santa Isabel:

 

- Entrámos numa Loja de Télélés para fazer um carregamento.

 

Entregue a nota, a «menina» passa-nos o recibo e ordena:

 

- «Já agora, “faxavor» de meter VINTE (20) cêntimos aqui na caixinha, que é para nós”!

 

Despertámos!

 

Para além do cinismo do Presidente da República e do Primeiro Ministro, ao virem manifestar a sua preocupação com a Pobreza, desde pequeninos (claro que «Parvos (latinos)» como são, tratam «A piolheira» como micróbios!), deparámos    - com licença dos verdadeiros, autênticos e reais putanheiros e pedintes    -   com o novo reino dos PEDINCHEIROS E PUTANHINTES!

 

“Homesta porra”!!!



Luís Fernandes

 

 


 

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