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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Dez10

Crónicas Ocasionais - Fim de Ano

 

 

 

“Fim de Ano”

 

O fim do ano está aí.


Demora sempre trezentos e sessenta e cinco dias, com algumas vírgulas.


De vez em quando acrescenta-se-lhe um ponto e vírgula.


O fim da vida também está aí, a toda a hora e momento.


Aos que sofrem, aos que mais sofrem, parece, a uns, estar a bater à porta; a outros, demasiado demorado.


Não tem tempo certo   -   é um ponto final.


Sem parágrafo.


O fim do ano nem mudança de linha chega a ser.


Ano Novo, Vida Nova!   -  exclama-se.


Pobre suspiro,  que nem uma pintinha do «i» vale.


A Vida, desigual, seguirá sempre igual.


Poucos se darão conta de pouco mais passarem de marionetas na feira das ganâncias dos poderosos sem escrúpulos   -   príncipes da hipocrisia e ministros plenipotenciários da mentira.


“Ninguém se diverte tanto a imitar Deus» quanto os “diabos em figura de gente”!

Só o rebelde consegue dar grandeza à condição humana!

 

 

Luís Fernandes

 


 

31
Dez10

Discursos Sobre a Cidade - Por António Tâmara Júnior

 

Foto de Tâmara Júnior

 

 

 

NONA

 

 

Com catorze anos veio de uma recôndita aldeia do sul do distrito para as terras mais frias e, ditas ricas, do norte. Acompanhava sua mãe, sua irmã mais nova e seu irmão, deslocado em múnus pastoral.


Traziam a esperança de uma vida melhor e mais próspera.


E horizontes mais largos que as fragas do Marão não lhes davam, apesar da beleza agreste das suas vistas e dos enormes e policromados vinhedos que, à sua volta, todos os anos se lhes ofereciam em horto de canseiras.


Fizeram, nas faldas das fartas terras da Veiga, o seu lar, construindo sua casa.


Neste terrunho decidiram levar para a frente suas vidas.


As terras da Veiga tinham fama.


Fama que lhe vinha da história. Da situação geográfica privilegiada. Das suas gentes.


Terra de fronteira, o comércio e relacionamento entre povos era a sua especialidade.


Pelas histórias que se contavam e contam, assim era, ou parecia ser.


Nos anos 60 e 70, as terras da Veiga tinham aura, encanto e encantamentos. E comércio próspero. E fronteira cheia de “peliqueiros” endinheirados pela imigração clandestina. E pelo contrabando. E agricultura, suporte da maioria das actividades das gentes do mundo rural, ainda pujante. E bancos gordos das remessas das divisas das suas gentes, pobres de terras, à procura também de melhor vida. E meio urbano fervilhando de estudantes e militares (Caçadores 10 e Liceu), propiciando uma “movida” de fazer inveja a muitas cidades com pergaminhos, gabarito e fama na área da diversão e da animação.


Enfim, via-se que a terra tinha futuro. Que era uma esperança. E que havia que apostar.


Daí, em alguns espíritos, um certo ar de superioridade, de indiferença, quiçá até de desprezo, para com as gentes do sul. Clima este, mais patente e visível, nas instituições da Vila, capital do distrito.


Toda esta envolvente, era meio para cativar, seduzir. O amor próprio andava alto.


Com toda esta vivência, de auto-estima positiva, Nona, que, de tempos a tempos, vinha a norte passar férias com os seus parentes, foi seduzido. Também conquistado. Apesar de, no fundo, andar desconfiado. Pois sentia que tanta “fartura” não podia durar sempre. Porque não sentia ali o dedo do engenho, da arte, do esforço, do trabalho, da criatividade. Somente o usufruto fácil de situações facilitadoras. Portanto, fáceis.


Mas acabou por ficar também. O coração falou mais alto que a razão. E fez também neste cantinho o seu lar.


E, durante mais de trinta anos, deu o melhor que soube e tinha da sua juventude à terra onde repousam os restos dos seus entes mais queridos.


Hoje, Nona, já tio, entrando naquela idade que apelidamos de velhice, olhando de frente para o passado, resmunga consigo próprio e com os seus conterrâneos que não souberam, a tempo, usar da tradição e da história, da situação geográfica privilegiada, dos seus recursos agro-florestais e do subsolo e, fundamentalmente, das suas gentes, para se desenvolverem.


Porque ninguém desenvolve ninguém a não ser nós próprios.


Porque vivemos quase sempre na miragem de uma imagem fossilizada do que éramos, enquanto outros prosperavam. E passámos a vida a culpabilizar os outros e a pedir ajuda a terceiros.


Esquecemo-nos de olhar para o fundo de nós próprios e tentarmos descobrir que, numa quadra em que tanto se fala de nascimento e novo, urge sabermos investir num renascer e um novo homem flaviense. Que seja capaz de sair da mentalidade miserabilista, da apatia e do acanhamento. E que saiba estar mais à frente, para além da fronteira, investindo mais em si próprio e potencializando, pela inovação e criatividade, todos os seus recursos.


Eis, em suma, o resumo da conversa ontem mantida com o Tio Nona quando ontem me dirigi a sua casa para lhe desejar um Bom Ano 2011.


Bom Ano 2011 a todos!

 

 

António Tâmara Júnior

 

 

 

 

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