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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Mar11

O Homem sem Memória (41) - Por João Madureira

 

 

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO

Ficção

 

41 – O mesmo discurso que serviu ao senhor presidente da Câmara para enaltecer os mancebos de Montalegre que foram mobilizados para defender Angola, que era nossa, serviu para fazer o elogio fúnebre do Mário.


Enquanto o autarca repetia as palavras de há um ano atrás, agora perante uma assembleia de chorões, os rapazes da primária mascavam chicletes com uma raiva triste. O caixão lá estava bem selado, não fosse dar-se o caso de o Mário tentar surpreender alguém. Os seus pais choravam convulsivamente e as suas irmãs já nem isso conseguiam fazer devido à exaustão. A namorada enfraqueceu de tal forma que nem a deixaram ir ao enterro. O Carlos Torlim chorava também mas hirto como o tronco seco de um carvalho. As lágrimas corriam-lhe tão frias e decididas pelo rosto como se ele fosse não de carne mas de pedra lascada.


O Padre Zé escutava o panegírico do senhor presidente com uma serenidade que foi admirada por todos. Parecia um deus conformado com a desdita dos homens. Para ele tudo aquilo fazia sentido, a juventude e a velhice, a guerra e a pátria, o cristianismo e o ateísmo, Deus e o Demónio, Salazar e Marcelo Caetano, Fátima e o Papa, a vida e a morte. E as lágrimas também faziam todo o sentido. As lágrimas eram, na sua perspectiva, a manifestação física da alma. Daí a frequência das lágrimas e do sofrimento em toda a liturgia cristã. Daí o símbolo dos cristão ser a cruz que é sofrimento, que é redenção, que são lágrimas. Cristo chorou quando o seu Pai lhe deu o cálice a beber. E disse: “Meu Pai, se possível, afaste de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, mas sim como tu queres” (Mateus 26:39). E qualquer que tenha sido o conteúdo do cálice bebido por Jesus levou-O a suar grandes gotas de sangue. Por isso clamou: "Oh, Deus, se for possível, afaste de mim essa carga. Ela é pesada demais. Eu preferiria que ela fosse de mim afastada". Quando Job foi servido do seu cálice de dor, gritou: "A minha dor é tão grande que não consigo ver por onde ando. Banho as minhas feridas em lágrimas". Quando David bebeu o cálice das dores, a sua cama tornou-se um leito de lágrimas. E disse: "O meu peito e os meus ossos estão consumidos pela dor". E o Padre Zé, muitas vezes em transe induzido, escutava durante as homílias as palavras do próprio Jesus: "Mestre, se de alguma maneira for possível, faz com que esse cálice de dor seja de mim afastado".


As lágrimas são salgadas. O primeiro símbolo dos cristãos foi um peixe. Ora o peixe vive na água e a grande maioria anda na água do mar. Daí as lágrimas. Daí a alma. Daí o sal. Por isso no baptismo se deita água na cabeça do bebé e se lhe introduz um grão de sal na boca. Por isso ele chora.


O Padre Zé acreditava mesmo que os caminhos do Senhor são insondáveis. A nossa vida na Terra é uma passagem para a vida eterna. Primeiro temos de ser concebidos como seres humanos para nos consubstanciarmos e ainda para nos distinguirmos dos outros animais, assim ganhamos direito a um corpo e a uma alma. Mas o corpo é o menos, pois é uma morada transitória. O importante é a alma. “É”, dizia ele para a irmã e para a sobrinha, “como um carro que nos leva de um lado ao outro, que precisa de gasolina e algum cuidado, mas que fenece com o uso e a idade. O corpo é uma máquina. Mas o que conta é a alma. É a alma que temos de salvar. O corpo é uma limitação humana. Por isso Deus não tem corpo. Deus é a Alma das almas. Deus é o Infinito e o mais Além. Deus é tudo. Nós não somos nada”.


“A Pátria é tudo”, dizia arrepiado o senhor Presidente da Câmara. E com a pele toda eriçada de tristeza e júbilo, elogiou Salazar e a sua obra, Marcelo Caetano e a sua inteligência, Américo Tomás e a sua serena navegação, o Império e a sua grandeza, o Ultramar e a sua protecção, a Igreja e a sua bondade, o Comunismo e a sua maldade. E disse ainda que se sentia orgulhoso com a enérgica entrega dos jovens barrosões à defesa da integridade nacional, pois Portugal é só um de Lisboa a Timor. E falou de D. Afonso Henriques e de muitos mais reis, e da gesta portuguesa dos Descobrimentos e da nossa Língua que foi a pátria de Camões. Abordou as dificuldades porque Portugal estava a passar, enalteceu o esforço e o trabalho dos portugueses que labutam lá fora, o trabalho dos portugueses que labutam cá dentro e dissertou sobre as dificuldades que a sua Câmara estava a enfrentar, sobre as obras que era necessário fazer, do esforço solidário da metrópole com as colónias, falou da aposta do Governo na educação, na batata de semente, na sementeira dos cereais, no combate à subversão e ao contrabando, apelou à vigilância dos patriotas, à necessidade de se beber menos e de ir mais à missa e rezar a tempo e horas e de pecar menos também e de não pôr em causa a política do Governo e das instituições públicas e a guarda. Por fim falou do Mário. E dos outros mários que morreram e morrem em combate para defenderem a pátria. Esta pátria tão amada, mãe de heróis, alfobre de guerreiros, barco de navegadores intrépidos, terra de génios. E chorou em cima do papel do discurso quando disse: “O Mário era um filho querido desta terra, era um exemplo para os nossos jovens, era como se fosse meu filho. A dor provocada pela sua morte vai ser difícil de ultrapassar. Por isso perdoai estas minhas lágrimas. E perdoai, bom Deus, se fordes capaz, a esses terroristas que ceifaram mais uma existência vicejante de um barrosão. Eu também tenho filhos e imagino o quanto deve custar perder um na guerra.”


Houve um minuto de silêncio aproveitado por muitos para pensar que uma coisa é fazer discursos e outra bem distinta é dizer a verdade. Todos os presentes sabiam que o filho mais velho do senhor presidente tinha feito a guerra em Lisboa com o cu sentado numa poltrona no gabinete de um general casado com uma senhora filha de um senhor muito influente na capital, que por seu lado descendia de outro senhor que se tinha casado com outra senhora também ela filha de um casal muito influente na província. Nestas coisas, como em muitas outras, a pátria é mãe para uns e madrasta para os restantes.


De seguida o Padre Zé latinou o que tinha a latinar, encomendou o que tinha a encomendar, abençoou o que tinha de abençoar e o Mário lá foi a enterrar como um herói.


No derradeiro momento, ouviu-se uma salva de disparos produzida pelo grupo de guardas da GNR do posto de Montalegre. Alguém tocou um cornetim. E o Mário desceu tão fundo quanto lho permitiu a profundidade da cova.


Uns segundos após os disparos, um milhafre caiu fulminado aos pés do maior contrabandista de Vilar de Perdizes que passava por comerciante na Vila. O Virtudes, que estava perto da Dona Rosa, segredou-lhe ao ouvido: “Isto é mau agouro. Aquele homem vai morrer em breve.” O José, que, com alguma razão, acreditava em tudo o que Virtudes dizia, nas brincadeiras da tarde armou-se em bruxo e proferiu a sentença mascando a chiclete da manhã: “A morte do milhafre foi mau agouro. O Parreco de Vilar de Perdizes vai morrer em breve.” Passados três dias foi abatido a tiro, junto à fronteira, numa rusga da Guarda Fiscal.  


O mau agouro provocou outra vítima. O guarda Afonso foi suspenso durante cinco dias por, em vez de balas de pólvora, ter usado balas com projéctil.


Durante vários dias foi comentado o facto de a urna do Mário ser de chumbo e ter vindo selada. Soube-se mais tarde que o caixão veio vazio, pois o Mário não morreu em combate. Foi vítima de um descuido quando foi tomar banho num rio infestado de crocodilos.

 

42 – Veio o calor e o José entusiasmou-se com as brincadeiras. As aulas estavam a acabar e os exames foram fáceis. Tudo lhe sorria: a natureza, a mãe, os livros, as raparigas. Sobretudo as raparigas que...

 

(continua)

 

30
Mar11

I Congresso Internacional - As Fronteiras da Animação Sociocultural

 

 

 

Objectivos:


• Aprofundar e reflectir sobre o uso de metodologias de intervenção em projectos de Animação Sociocultural à volta dos recursos e técnicas sociais, culturais e educativas ;

• Estudar a génese da Animação Sociocultural e os seus marcos teóricos, conceptuais, epistemológicos, valores…

• Promover a Animação Sociocultural como uma resposta participativa na construção comunitária;

• Projectar a Animação Sociocultural como meio de aprofundamento de uma convivência intercultural;

• Impulsionar o pluralismo social e delinear metodologias participativas promotoras de uma sociedade de diversidade para o século XXI;

• Fomentar interfaces institucionais, profissionais, teóricos e metodológicos à volta da Animação Sociocultural;

• Analisar o papel dos diferentes agentes na intervenção, no campo social, cultural e educativo.

• Reflectir sobre o que distingue a Animação Sociocultural da Educação Social, Serviço Social, Pedagogia Social...

• Analisar e compreender o papel do Animador Sociocultural e o que o distingue dos outros trabalhadores Socais: Educador Social, Trabalhador Social....

 

Temas em debate: A Animação Sociocultural e Intervenção Social e Comunitária;

 

A animação Sociocultural e a Educação Social, A Animação Sociocultural e o Trabalho Social, A Animação Sociocultural e o Serviço Social, A Animação Sociocultural e a Economia Social, Empreendedorismo em Animação Sociocultural, Epistemologia da Animação Sociocultural e Conceitos Afins, A Animação Sociocultural e a Intervenção Educativa, Animação Sociocultural Associativismo e Educação, Animação Sociocultural e a Educação Intercultural, Animação Sociocultural e a Educação para a Cidadania, Animação Sociocultural e a Educação Comunitária, Animação Sociocultural e Educação para o Tempo livre, Animação Socioeducativa, Animação Sociocultural e Intervenção Cultural, Animação Sociocultural a Produção e a Gestão Cultural, Animação Sociocultural e Animação Cultural, Animação Sociocultural e Património Cultural, Animador Sociocultural, Animador Socioeducativo, Educador Social, Assistente Social, Educadora Comunitária... Os Educadores e Professores interessados em obter esta acreditação estão sujeitos a avaliação (0 a 10) de acordo com o Estatuto da Carreira Docente que consiste na elaboração de diários de bordo, relatório global da acção, assiduidade e participação.

 

Especialistas Confirmados

 

- Prof. Doutor Agostinho Diniz Gomes – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro;

- Dr.ª Alexandra Carneiro – Escola Secundária Rocha Peixoto;

- Prof. Altino Rio - Director do Centro de Formação da Associação de Escolas do Alto Tâmega e Barroso;

- Prof. Doutor Américo Nunes Peres - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro;

- Dr.ª Ana Fontes – Instituto Politécnico de Leiria;

- Prof. Doutor António Gutiérrez - UNED/Madrid;

- Dr. António Moreno - Animador Sociocultural/ Membro del Colectivo de Educación para la Participación

- CRAC;

- Dr. António Sousa e Silva - Investigador;

- Prof. Doutor Avelino Bento – Instituto Politécnico de Portalegre;

- Dr. Carlos Costa – Apdasc;

- Prof. Doutor Carles Monclus – Instituto Jordi de Santa Jordi / Valência;

- Dr.ª Cátia Cebolo - Gabinete de Atendimento de Apoio à Família de Viana do Castelo

- Prof. Doutor Ezequiel Ander-Egg – UNESCO;

- Dr.ª Fátima Castro – Centro Comunitário Vale do Cavado;

- Prof. Doutor Fernando Ilídio – Universidade do Minho;

- Profª Doutora Gloria Perez Serrano – Universidade de Sevilha;

- Prof.ª Doutora Isabel Baptista – Universidade Católica;

- Prof. Doutor Jacinto Jardim – Universidade Católica;

- Dr.ª. Jenny Sousa – Instituto Politécnico de Leiria;

- Drª Joana Campos – Instituto Politécnico de Lisboa;

- Prof. Doutor Joaquim Escaleira – Instituto Politécnico de Viana do Castelo;

- Prof. Doutor José António Caride – Universidade de Santiago de Compostela;

- Dr. José Dantas Lima – Teatro Diogo Bernardes – Ponte de Lima;

- Prof. Doutor José Vicente Merino – Universidade Complutense de Madrid;

- Prof. Doutor Juan Saez - Universidade de Murcia;

- Prof.ª Doutora Lucília Salgado – Instituto Politécnico e Coimbra;

- Prof. Doutor Marcelino de Sousa Lopes – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro;

- Professora Doutora Maria Conceição Pinto Antunes - Universidade do Minho;

- Profª Doutora Maria José Aguilar – Universidade de Castilha La Mancha;

- Prof.ª Doutora Maria Luisa Sarrate Capedevile – UNED;

- Prof. Doutor Mário Viché – UNED;

- Dr. Rui Fonte – Escola Profissional de Tondela;

- Prof. Doutor Victor Ventosa – Universidade Pontificia de Salamanca / RIA – Rede Iberoamericana de Animação Sociocultural.

 

Acreditação da formação:

 

Formação acreditada pelo Conselho Cientifico da Formação Continua, com o registo nº CCPFC/ACC - 66073/11, correspondente a 25 horas (1 crédito), na modalidade de curso e abrange Educadores de Infância e Professores dos Ensinos Básico e Secundário:Curso.

 

Os Educadores e Professores interessados em obter esta acreditação estão sujeitos a avaliação (0 a 10) de acordo com o Estatuto da Carreira Docente que consiste na elaboração de diários de bordo, relatório global da acção, assiduidade e participação.

 

Para informações e inscrições : www.geralintervencao.com.pt

 

 

E agora, à margem do Congresso,  umas palavrinhas do autor deste blog:

 

Este Congresso Internacional é promovido pela INTERVENÇÃO – Associação para a Promoção e Divulgação Cultural que tem sede em Chaves, cidade onde é leccionada a Licenciatura em Animação Sociocultural no Polo da UTAD. Faria todo o sentido que este congresso se realizasse em Chaves em vez de Amarante e, tanto quando sei, só não se vai realizar na nossa cidade por falta de apoios e falta de instalações para a sua realização. E mais não digo – temos pena, apenas…

 


 

 

29
Mar11

Pedra de Toque - O Tonho da Lela

 

 

 

O Tonho da Lela

 

 

A Lela era a mãe.

 

Pariu solteira. O Tonho fora o presente muito querido que o Zé Lameiras lhe deixara antes de embarcar para o Brasil, donde nunca deu notícias.

 

A Lela, por saudade, vestiu de negro até à hora da morte.

 

Não se lhe conheceu mais homem.

 

Trabalhou mouramente a terra, para que nunca, a ela e ao filho, faltasse uma côdea de pão, uma malga de caldo.

 

Morreu mirrada pelas agruras do tempo, pela rudeza da vida.

 

Os mais idosos da aldeia ainda a recordam com simpatia, sachando as poulas com o vigor de um homem, acarinhando o filho com a ternura de mãe.

 

O Tonho cresceu.


Criou amigos.


Foi companheiro de animais em pastos extensos.


Foi ás no peão, ágil no eixo, certeiro na malha, brincalhão com o Palhuças, um rafeiro que seguia ladino a pedra que lhe atirava à distância.


Soube o que era mulher no dealbar da adolescência.


Com os montes e a brisa por testemunhas, num casebre de madeira carcomida, embrulhado numa manta, desfrutou o corpo roliço e tímido de Maria.


O casório foi bonito de ver.


O Padre Luís celebrou-o com simplicidade.


Na prédica lembrou a memória da Lela e o misterioso desaparecimento do Zé Lameiras, pasto, quiçá, de piranhas nas águas do Amazonas quando peneirava a fortuna.


Falou tão bem e tão lindo que a lágrimas afloraram em muitos dos olhos que enchiam a transbordar a granítica Capela.


Do casamento vieram dois filhos – um rapagão e uma moçoila - que cresceram, fizeram o segundo grau e ajudaram os pais no amanho do campo, na criação do gado.


Até que, já passavam dos vinte, casaram no povo e rumaram a salto, até França, onde hoje, legalizados e afrancesados têm vindo a prosperar.


O Tonho quedou-se com a Maria no velho casebre, suportando os frios de longos invernos, transpirando nas colheitas em tempos mais quentes, refrescados pela água da bilha ou pelo vinho escorropichado do pipo.


Um dia o destino levou a Maria.


Tresmalhou, diziam no povo, as velhas sabedoras dos grandes segredos da vida.


Nunca mais foi vista.

 



O Tonho levado à França pelos filhos, não se entendeu com a conversa, confundiu-se com o bulício e tossiu violentamente com o fumo das “usines”.


Voltou breve aos ares que na sua terra lhe enchiam os pulmões de saúde.


Sem a família, faltava-lhe tudo.


Restavam-lhe os amigos que o animavam, convidando-o para uma bisca lambida ou para uma sueca regada na taberna acafesada, propriedade do Manuel, definitivamente regressado do Luxemburgo devido a um acidente no trabalho.


O Tonho esboçava um agradecimento mas recusava de imediato.


Era visto, com o olhar parado, sentado em imponentes fragas entre urzes e carqueja, vara na mão, espreitando o horizonte horas a fio.


Descobriram-no dialogando com a enxada, discursando para o Palhuças, rindo até ao choro quando alustrava e trovejava e a chuva caía forte molhando-lhe os ossos.


Na luta que travava com a solidão, reconhecia, em momentos de profunda lucidez, a sua incapacidade para o combate.


Um dia, em Maio-Junho, aproximou-se da majestosa Cerdeira que escalara nas suas brincadeiras de infância.

As cerejas, vermelhas de rubras, enfeitavam a árvore.


Então, com o respeito que merecem todos os actos solenes, num ritual pensado, o Tonho prendeu uma corda no braço mais grosso da cerejeira.


Depois, formou um laço seguro que colocou à volta do pescoço.


Pontapeou o banco para onde tinha subido e, num ápice, ficou pendurado e suspenso, de olhos abertos para o espaço, face arroxeada.


Nos olhos espelhavam-se as cerejas carnudas e vermelhas que permaneciam na árvore.


Sem respiração olhava o firmamento com um esgar de felicidade, como se num sofá de plumas, bem lá longe, tivesse descoberto a Lela sua mãe, ou revisto seus filhos viajando em carros franceses.

 

Quando a gente do povo o descobriu, já o sol se escondia, os olhos do Tonho eram manchas de sangue, depenicados por pássaros que os confundiam com suculentas cerejas.


À entrada da aldeia ouvia-se uma concertina tocando ritmada uma triste melodia.

 

 

António Roque

 

 

28
Mar11

Quem conta um ponto... A Rede Social

 

 

A Rede Social

 

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 


 

Depois de anos de sedução do facebook por mim, decidi corresponder a tanta solicitação. Pega daqui, pega dali, o programa enviou-me para vários e distintos amigos. Depois de observar rapidamente, como muito bem manda a aplicação electrónica, os vários pedidos e sugestões, fui desembocar numa possível lista de gente apegada a estas coisas: os amigos da amizade. Um deles saltou-me logo à vista: Nadir Afonso. E eu, que sou ingénuo, embora não o pareça, principalmente nos afectos, tentei ver se o Mestre me aceitava como seu amigo no facebook. Cliquei e… chumbei. E logo, valha-me Deus, quando o quis adicionar como amigo no badaladíssimo facebook. A tal rede social que a todos põe em contacto. Isto apesar de me identificar como seu conhecido. O que é verdade. Mas o facebook rejeitou-me a petição. O Mestre tem demasiados amigos. Demasiados amigos!? Tentei de novo. Às vezes com as máquinas é preciso paciência e perseverança. Infelizmente, tornou a explicar: este utilizador já tem demasiados amigos. Eu pensei, cá com os meus botões, que ninguém tem demasiados amigos. Os amigos nunca são de mais. Mas, infelizmente, para o facebook, para mim e para o Mestre, muitos amigos são demasiados. Afinal a pintura abstracta tem bem mais seguidores do que aquilo que eu pensava. E ainda bem para a arte e para o Mestre. E infelizmente para mim. Mas a arte vale este sacrifício.

 

Chateado com a tal rede social, dali me fui ter um face to face com os meus amigos. Podem não ser artistas como o Mestre, mas são meus amigos e não partilham da mesma ideia do facebook, para eles, e para mim, claro está, os amigos nunca são demais.

 

O L., enchendo-se de orgulho, informou-nos que os dentes dos cavalos selvagens se modificaram, confirmando assim a hipótese evolutiva da selecção natural de Darwin (Deus 0 – Darwin 1). O estudo da revista Sciense revela, depois de analisados 6500 fósseis de cavalos selvagens, alguns com 55 milhões de anos, que houve um processo de adaptação de hábitos alimentares devido a alterações climáticas. Os investigadores comprovaram que as modificações dos dentes não são imediatas, demoram pelo menos um milhão de anos para afiarem depois de um episódio de alteração climática, o que se traduz em 100 mil gerações.

 

O R., inconveniente como sempre, resolveu por um pouco de pimenta na amena cavaqueira dizendo que era por isso que os dentes do L. eram tão afiados. Querendo com isso insinuar que o nosso amigo tinha dentes de cavalo. Sentindo-se tocado, pois este nosso amigo tem pouco sentido de humor, se é que tem algum, disse que o R. é que tinha cara de equídeo. O R. ripostou duro afirmando que ele, o L., tinha orelhas de burro. Dali passou-se a insinuações de que uns zurravam, que outros estavam casados com éguas, etc. Nesse momento resolvi liderar o processo de pacificação e contei-lhes um pequeno episódio.

 

«Na minha aldeia em tempos existiu um padre que era um pregador muito afamado. Tagarelava esplendidamente da família de Deus e lembrava, com um sorriso de bochecha a bochecha, que no seio da Madre Igreja qualquer um dos seus filhos tinha a obrigação de partilhar tudo. Ou quase. Um belo dia, o amigo regedor bateu à sua porta para lhe pedir o burro emprestado. Um burro de bom porte, quase um mulo. Mas o padre, se era generoso nas palavras, era a modos que sovina nos actos. E, não lho querendo emprestar, disse: “Lamento mas já o emprestei ao Tio Chico do Outeiro.” Nesse momento o burro começou a zurrar no pátio da casa. Por isso o regedor exclamou, surpreendido: “Mas estou a ouvi-lo a zurrar aí dentro!” Ao que o cura respondeu com a ira do Criador do Antigo Testamento: “Mas tu, criatura de Deus, acreditas no Padre Zé ou no seu burro?”

 

“Essa é boa”, concordaram os meus amigos entre sorrisos sinceros.

 

“Por falar em burricadas… Segundo António Barreto”, Lembrou B., “José Sócrates quis ser despedido. Isto apesar dos dados estatísticos nos dizerem que em Portugal se fez uma casa em cada 6 minutos.”

 

Eu chalaceei: “Portugal tem de escolher um primeiro-ministro que governe em estado de auto-hipnose.”

 

Ao que o R. contrapôs: “Se o Governo é mau, a Oposição é péssima.”

 

O F., que é um descendente dos sofistas, resolveu citar Jean-Luc Godard, do seu Filme Socialismo: “Hoje em dia, o que mudou é que os canalhas são sinceros.” Todos concordámos.

 

O L. resolveu colocar ainda mais achas na fogueira: “Eu não sei como é possível que num país com 10 milhões de habitantes, um Presidente da República, que manda menos do que a rainha de Inglaterra, possa gastar 16 milhões de euros por ano. Ou seja, precisamente o dobro do Rei de Espanha. E para tão pouco mester necessitar do trabalho de 500 pessoas.”

 

Eu chalaceei de novo: “A Presidência da República não é uma instituição política. É uma fundação de solidariedade social.”

 

“Razão tem o Bagão Félix. Isto está por um fio. E aponta uma solução de Governo. A única capaz de salvar Portugal: uma coligação entre o PSD, o CDS e o PCP”, lembrou o R.

 

Ao que eu atirei: “Esse é bem mais papagaio do que o seu papagaio Pelé.”

 

 

 

 

PS – Para ajudar a amar ainda mais os já amadíssimos poetas portugueses, essas vozes derradeiras da nossa suprema gesta, a gesta lusitana, aqui fica uma “quadra ao gosto popular”, de Fernando Pessoa: Já duas vezes te disse / Que nunca mais te diria / O que te torno a dizer / E fica para outro dia. E mais outra: O papagaio do paço / Não falava – assobiava / Sabia bem que a verdade / Não é coisa de palavra.

 

 

27
Mar11

I Encontro Fotográfico Transfronteiriço - Vilardevós - Galiza

 

 

 

Hoje vamos até Vilardevós, Berrande, Arzadegos e Vilarello da Cota. Alguns estranharão que no dia em que este blog é dedicado às aldeias de Chaves, se fale por aqui de aldeias que não constam na carta administrativa do nosso concelho e que alguns ou muitos, nem sequer o nome conhecem, mas perguntem ao pessoal de Segirei, Aveleda, S.Vicente da Raia, Urjais, Argemil, Travancas, Mairos, Lamadarcos, Vila Frade, Stº António de Monforte e Vila Verde da Raia, para não falar de outras aldeias, ou então, a qualquer antigo contrabandista ou Guarda Fiscal se as aldeias que hoje vão estar aqui não fazia parte do seu mapa de amizades,  negócios e até de amores, pois, ao longo das anteriores gerações muitos casamentos se arranjaram entre as mulheres e os homens de todas as aldeias atrás mencionadas.

 

 

Pois hoje é por aí que este blog vai andar, pelas aldeias da raia vizinhas das nossas aldeias que vão desde Vila Verde da Raia até Segirei, onde antigamente havia uma linha administrativa chamada fronteira que dividia dois países, uma linha que apenas existia nos livros oficiais das divisões administrativas mas que nunca existiu na realidade das aldeias e gentes da raia, onde com as mesmas gentes, o me4smo povo ou “pobo” e a mesma língua, os mesmos problemas e alegrias, a mesma chuva e o mesmo sol,  se viviam todas as afinidades que nenhuma linha, por mais oficial que fosse, poderia separar.

 

 

Mas todas as histórias têm um inicio e a história desta visita a aldeias galegas nasceu há muitos anos atrás na amizade e negócios do contrabando, amizades que passaram de pais para filhos e chegam hoje até aos netos que continuam a granjear a mesma amizade, agora já sem a necessidade do contrabando e dos seus caminhos que hoje apenas servem para recordar histórias enquanto as suas rotas se percorrem a pé, sem o peso dos fardos ou o medo que os guardadores de fronteiras poderiam representar.

 

 

Pois a ideia desta viagem por estes “pobos” galegos nasceu de duas netas de contrabandistas, hoje,  uma pertencente a uma ONG – o Centro de Desenvolvimento Rural Portas Abertas, com sede em Vilardevós e outra pertencente à Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura com sede em Chaves mas que também é a responsável pelo blog e página de Segirei. E da ideia à sua concretização foi um passo,  e ontem,  os Lumbudus agarraram na trouxa e todo o arsenal fotográfico e abalaram até estas aldeias galegas, nem a chuva os ameaçou ou impediu que, durante todo o dia e mesmo noite, fizessem os seus registos. A esta viagem também se juntaram alguns associados da Portografia – Associação de Fotografia do Porto e da TAMAGANI que chegados a Vilardevós, com os amigos galegos que nos esperavam, se fez o grupo final que percorreria as terras e os trilhos do contrabando das aldeias galegas.

 

 

Em Vilardevós, logo pela manhã, a recepção no Centro de Desenvolvimento Rural Portas Abertas, pelo Alcaide de Vilardevós José Luis “Celis”, o Presidente do CDR Portas Abertas Pepe Paz Paz, mas também pelos nossos amigos e elo de ligação Pablo Serrano e Carmen Serrano (pai e filha, esta, a tal neta amiga da neta de Segirei), mas também o cura (padre) Digno Gonzalez que pôs toda a sua sabedoria e disponibilidade para nos servir de cicerone, sem o qual nunca teríamos atingido um conhecimento sério e tão profundo desta visita. Algum espanto na aldeia impunha-se por tanta objectiva onde nem a da TV galega faltavam, mais que suficientes para fazer o registo neste que também era o Centro de Interpretación do Contrabando onde em vídeo e em exposição nos foram apresentadas a região e o contrabando de antanho.

 

Foto de Dinis Ponteira

 

Uma volta pelas ruas de  Vilardevós, o cruzeiro bem galego a Rua do Inferno onde batemos à porta do Diabo mas o bilhete da porta “Agora Venho” não deixava dúvidas da sua ausência e tempo ainda para um café e uma aguardente de ervas também bem galega abriam o apetite para o resto das visitas.

 

 

Estando por ali e embora a visita não estivesse no programa, o trilho do contrabando que passa pelas cascatas de Soutochao e levavam até Segirei ou vice-versa, era obrigatória, principalmente o espectáculo da água na sua queda em cascata. Já não era novidade para nós mas continua-se a fazer a visita com superior agrado e continuará, pois por lá não faltam delícias que qualquer objectiva anseia registar.

 

 

Em Berrande, uma visita a imponente igreja com subida à torre sineira abria o apetite para o almoço servido no Mesón Castaño onde as entradas com a tradicional tortilha, empadas galegas, variedades de chouriço e “jamon” eram iguarias que fariam a refeição de qualquer desprevenido que não soubesse da tradição das entradas galegas.

 

Foto de Dinis Ponteira

 

Chuva intensa poderia desmotivar a tarde, mas apenas atrapalhou o manejo das câmaras fotográficas que ficou desculpada pelo brilho que a chuva dá às fotos. Era hora de subir à Nossa Senhora das Portas Abertas onde pelo “cura” ficamos a saber o estranho fenómeno que por lá se regista todos os anos quando de verão, milhões de formigas com asas vem morrer à porta da igreja.

 

 

De seguida a visita às “bodegas” de Arzadegos que se plantam ao longo da encosta da montanha servido esta como uma das paredes das “bodegas”. Curiosidade de nota desta “pobo” e destas “bodegas” onde estagiam bons vinhos – em Arzadegos não há vinhas e todo o vinho que por aqui entra em cura e estágio vem das boas terras do vinho, incluindo as das terras do nosso Douro.

 

 

Para terminar o dia em grande, uma entrada triunfal na noite, nas instalações do Albergue Rural em Vilarello de Cota, com música tradicional galega oferecida pelo grupo “Candaira” e um lanche ajantarado oferecido pelo Albergue. Um remate de um dia do qual todos saímos enriquecidos e com vontade de um dia repetir.

 


Quanto às imagens, foram as possíveis num dia de chuva e quanto aos agradecimentos, vão para muita gente que esteve envolvida para que este sucesso de convívio transfronteiriço acontecesse, começando pelas duas netas Tânia Oliveira e Carmen Serrano, o Pablo Serrano, o Ayuntamento de Vilardevós e o seu Alcaide José Luís, o CDR Portas Abertas, o seu Presidente Pepe Paz Paz e seus colaboradores,  ao “Cura” Digno Gonzales, ao Grupo “Candaira” e o grupo que preparou o lanche,  o Albergue Rural de Vilarello de Cota, a Associação Lumbudus, os seus associados aos quais os Lumbudus barrosões também se juntaram, mas também a Portografia e a Tamagani e por último o apoio da Câmara Municipal de Chaves.

 


 


 

 

27
Mar11

Cartas do Zé

 

 

Caro amigo,


Cultura e desenvolvimento parecem bons assuntos para este último domingo de março.


Shakira, pop star colombiana, atuou na cidade brasileira de S. Paulo no passado fim de semana. Antes do espetáculo, encontrou-se em Brasília com a presidente Dilma para falar de crianças pobres e temas sociais em geral.


Na mesma ocasião, um chileno com 1,30m andava de TV em TV preenchendo os programas de entretenimento brasileiros com uma habilidade sui generis. Este pequeno (e feio) sul americano imita na perfeição a voz da cantora Shakira.


O shakiro, de quem já esqueci o nome, reproduz fielmente as músicas mais conhecidas daquela que abriu oficialmente o último campeonato do mundo de futebol na África do Sul.  Na televisão, os apresentadores convidavam telespectadores a fechar os olhos para melhor se inteirarem das semelhanças vocais. Juro que pareciam iguais.


Sem saber como, dei comigo a pensar nos desfiles de moda promovidos pelo actual presidente da câmara de Chaves, João Batista e do impacto que eles tiveram a nível nacional. Foi-se-me então o pensamento para as “bienais” de artes plásticas diligentemente organizadas e apoiadas por “los mismos”, ou o deslumbramento da mídia local, causado pelos cursos de atores com passagem por Hollywood.


Entretanto, pelo Boletim Municipal, sei que o TEF (Teatro Experimental Flaviense), mantém os mesmos apoios de miséria e que a sua independência financeira continua a ser negada. Ainda ninguém se lembrou da utilidade e necessidade das técnicas de representação teatral na formação dos nossos jovens alunos. São urgentes as parcerias com escolas profissionais da região para o desenvolvimento do teatro e do ensino em Chaves.


Desenvolvimento. Eu escrevi desenvolvimento? Como deixar passar em claro os mais de 20 anos de atividade da ADRAT (Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega) conhecem?


A sua atividade e dinamismo são notórias. Os projetos aprovados em Bruxelas falam por si mesmos.  Da agricultura biológica ao turismo passando pela formação profissional, a nossa região mudou graças ao empenho e trabalho de um punhado de técnicos que trabalham dia e noite em prol do desenvolvimento lá prós lados do Alto da Cocanha.


O reconhecimento deste trabalho está no modo sempre pacífico com que o orçamento desta associação de desenvolvimento local é aprovado, e depois pago, pelas câmaras municipais da região.


Pudera. Todos os projetos são adequados á nossa realidade. Quase todos os formandos saídos dos cursos por si promovidos estão empregados. Os transmontanos do Alto Tâmega já não emigram para saber de sustento. É uma felicidade.


Vejam os empregos gerados com o artesanato do barro preto de Nantes, ou a presença dos cogumelos de estufa em todas as prateleiras dos supermercados flavienses. Que dizer do êxito retumbante da agricultura biológica produzida na nossa região e que hoje é conhecida e apreciada em todo o país. Igual resultado foi conseguido no turismo, o rural principalmente, que, fruto de uma divulgação sem precedente elevou as taxas de ocupação de camas a níveis nunca sonhados pelos proprietários. As povoações rurais fervilham de atividade.


O trabalho feito na preservação ambiental é único. Os nossos rios, matas, coutos de caça e "terras do povo", ficaram mais defendidos pelas populações depois do material de divulgação elaborado pelos técnicos de desenvolvimento.


E pensar que tudo isto o devemos a um homem. A um agente de desenvolvimento local. Um visionário cuja inteligência, capacidade de entendimento das necessidades da região e arcabouço político e intelectual transformou o Alto Tâmega nos últimos 20 anos.


Há mais de duas décadas, frequentei com ele o curso de formação de agentes de desenvolvimento local e testemunhei o aperfeiçoamento das capacidades de oratória e liderança que o caracterizam. Posso garantir. Ao contrário do que por aí dizem, as suas raízes familiares e cor política, em nada pesaram na escolha deste ser superior para a condução da agência de desenvolvimento da região do Alto Tâmega. Perdeu-se um estudante de arquitetura, mas ganhamos um animal do desenvolvimento.


Também posso garantir que, se fecharem os olhos por momentos, será fácil ver o desenvolvimento da nossa região para os próximos anos e o futuro risonho que a espera. É fácil. Vamos, mantenham os olhos fechados.


Para ti amigo blogueiro, o desejo de que mantenhas os olhos bem abertos e aquele abraço do tamanho do oceano, deste que te estima,


Zé Moreira

 

 

26
Mar11

Bons Vinhos Premiados - Quinta de Arcossó

É sempre uma honra para este blog poder aqui trazer notícias destas, das nossas coisas boas que são feitas com as coisas da terras e os saberes da nossa gente e, é também uma prova de que querendo e trabalhando, somos bons ou melhores do que muito daquilo que se faz por esse Portugal fora e estrangeiro e sem segredos, pois estes estão na terra, no trabalho e num bom apoio técnico. É quase o suficiente para a qualidade e para o sucesso, depois, só falta mesmo a promoção dos nossos produtos e levá-los por esse mundo fora, mas aí, há outros actores e apoios que têm de obrigatoriamente entrar na promoção do que é nosso, mas geralmente andam entretidos e distraídos com outras coisas… até daquilo que nem existe.

 

Da minha parte dou os parabéns à Quinta de Arcossó por mais este prémio.

 

Para saber mais sobre os vinhos e a Quinta de Arcossó, veja o que foi dito aqui:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/420334.html


 

 

 

 

 

 

26
Mar11

Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas

 

 

 

Da Anatomia


 

A menina também tem àprostata?

Queu saiba…????!!!

 

E o Senhor? Tem uter?...

 

Não isso tinha a minha mulher que deus tenha, e deixou-a prenha treze vezes.

 

Credo!!!!!! Em cruz santo nome de Jesus.

 

Mas o senhor, tamém vai fazer uma cografia?

Vou, parece que àprostata anda a inchar e aperta a piroca e não me deixa meijar bem, só meijo às pingas…

 

Ah??? Credo, catano, coza-se, inda é piró queu, coitadinho… Eu é só o uter, está tolhido

 

 

Ó menina !…Mas isso tem bo remeido, se a menina quiser… Cando àprostata me desinchar….?

 

 

Ómessa diacho do belho, carai, bem me diz o mou pai, deus ta livre de um palheiro belho arder…;

Bonito…! Shim chenhor vá mas é bardamerda… Caralhas, havia de lhe doer era a língua, que deus o castigue e a àprostata não desinche ,diacho do belho…Na minha bida, ele há com cada um… Ferba-se…

 

Bem… A gente tem de deitar o barro à parede, que marmelos e marmeleiro!?:::Ai Jasus se não me fosse àprostata…Ó bida bida…Ah caralhas digo eu;

 

 “O que importa é acordar cos pezinhos a Bulir”

 

 In Manuel Teixeira da Silva Poeta popular das Tavernas, não publicado mas bem conhecido, pelo menos de alguns sortudos. Eu por exemplo, servi-lhe muito copito, ai não, bem me ensinou...

 

Isabel Seixas

 

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