Caro amigo,
Acabado de escrever e enviar a carta sobre comunicação social na nossa região,decidi falar um pouco mais do assunto.
Na verdade arrependi-me de esbanjar ironia e sarcasmo em semanários, rádios, seus responsáveis eaté, colaboradores. Eles merecem é umas bofetadas bem dadas.
Quantos deles nunca telefonaram para empresas ou autarquias a negociar publicidade a troco de noticias favoráveis ou pelo menos, não desfavoráveis?
Quantos deles resistem ao beija-mão ao responsável público ou patão do privado?
Quantos deles resistem aos comes e bebes à borla dos presidentes e gerentes?
Eu costumo chamar-lhes brigada do croquete. Pelo que comem e pelo que calam com um croquete ou bolinho de bacalhau nos queixos.
Infelizmente, esta equipa não é típica da nossa região. Ela está representada em todo o país. Afinal, grande parte dos profissionais deste nosso “4º poder” foram recrutados ás portas das escolas secundárias de Lisboa. Foi em meados da década de 70 e as cantinas escolares já eram sinônimo de “larica”. Daí virá a preferência de fazer a notícia a dar ao dente.
Comida e bebida á parte, faltam tomates ao jornalismo flaviense. Para quando um “bi” ou “tri” semanário em Chaves. Que é feito da banda desenhada? Porque é que as entrevistas com os candidatos ás autarquias acabam com a campanha eleitoral e ninguém aparece a fazer balanços de legislaturas nem denúncias do prometido e não realizado.
Porque será que ninguém se lembrou, perguntou e publicou, quanto custa o periódico municipal em papel couché, fotos a cores e uma tiragem superior á anunciada por qualquer publicação local.
E o flaviense?Já questionou os seus botões sobre a simples existência de alguns meios da região? Pois aí têm: - Pelo menos, um semanário nasceu para derrubar um presidente da câmara. Conseguiu. Que porra de linha editorial esta!
Pior, só mesmo o desavergonhado alinhamento de interesses político-económicos que contribuiu para atribuição de licenças de emissão radiofônica na região.
Acompanhei com atenção estas duas histórias de polichinelo. Não ponho nomes, porque o pessoal já sabe quem são os melgas. (quem não souber eu digo por e- mail).
Andam agora disfarçados de políticos coerentes e impolutos, empresários de seriedade inatacável e intelectuais de sólida independência.
Admito que não quero ir a tribunal por isto. Sabem? Estes gajos gostam é de ir ao juiz.
Acusando ou “sentando o cú no mocho”, adoram estar perto das togas. Eu não. Estive lá uma vez e fui condenado por abuso de liberdade de imprensa. Desculpavam se me retratasse. Fiquei na minha e fui condenado.
Carrego esse estigma comigo. Esquecer a palavra “presumivelmente” custou-me caro.
Por outro lado, presumi que o director da publicação me defendesse e enganei-me.
Presumi que à outra parte estivesse interessada na verdade e em fazer justiça. Também me enganei.
No entanto cá estou. “Sempre que alguém me quiser, basta fazer um sinal”. Obrigado pelo teu piscar de olho e um abraço do tamanho do oceano.
José Hermínio Moreira