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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Mar11

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves


 

 

 

 

Um gato lãzudo enroscado, a custo abre os olhos remelosos, passa a pata pelo focinho, observa os passantes e deixa-se estar, indiferente, num dos degraus que dá acesso à torre de menagem. Já viu passar tantos de máquina fotográfica a tiracolo, que não será mais uma leva que lhe vai perturbar o sossego e desfrutar os poucos raios de sol da manhã.


Um grupo de turistas sai ruidoso de um autocarro que acabou de estacionar próximo da Albergaria Jaime e alguns dirigem-se pressurosos à padaria do Joãozinho Padeiro que se encontra fechada. Desagradados fazem sinais dando a entender o encerramento aos outros e a desilusão. Acabam por se reunir junto ao postigo e depois sobem a Rua dos Gatos em direcção à Matriz e à Igreja da Misericórdia, que, também encontrarão fechadas.


O fio da espada do I Duque de Bragança continua desequilibrado em relação à empunhadura - desconheço se é algum presságio ou mensagem subliminar, como ora se diz -, mas tal não é obstáculo para que simples conhecidos, amigos, namorados ou pais e mães babados se fotografem sob a sua protecção, bem como a respectiva prole. 


O Museu da Região Flaviense repousa tranquilo, como guardador do passado que é e cioso que olhos forâneos devassem marcos miliários, aras ou sestércios.


De manhã, enquanto fazia horas para o almoço, passei pela Biblioteca, no Largo das Freiras, onde estava alojada uma exposição de pintura de Balbina Mendes sob o tema: “Máscaras rituais do Douro e Trás-os-Montes”. É natural que as bibliotecas encerrem aos fins-de-semana e feriados. No entanto, tendo a Biblioteca de Chaves uma sala de exposições, neste caso com uma mostra de máscaras de Carnaval e do solstício de Inverno, ainda que fosse de pintura, não deixaria de ser razoável que estivesse aberta neste período (Carnaval), mesmo que fosse por um horário reduzido.

 

 

 

 


Na Rua de Santo António, permanece um dístico pendurado nos dois lados da rua a convidar: -“Vem divertir-te aqui …” E uma seta indica a travessa do Faustino que mantém-se engalanada em todo o seu comprimento por uma linha em ziguezague do qual pendem abundantes tiras de papel esfiapado.


A crer no que se vê por todo o lado, nas imediações, a diversão foi a do costume nos fins-de-semana.


Garrafas partidas, outras deixadas nas soleiras das portas, copos de plástico ainda com Coca-Cola ou Pepsi, vómitos, restos vários, rixas, barulho, destroços de uma noite que cada vez mais se prolonga, apesar das queixas dos moradores.


Uma vizinha varre, outra baldeia a entrada a fim de fazer desaparecer o cheiro a cerveja e a urina. Um vizinho telefona à polícia por causa de terem quebrado o vidro de uma porta de uma casa desabitada. Depois vem à janela e diz, resignado, para a moradora da casa em frente: “Dizem que vão mandar alguém…”


O que me faz lembrar o meu início de estágio de advocacia. Um dia subia as escadas do rés do-chão para o primeiro andar, no Tribunal, quando em sentido inverso, uma pequena multidão, em grande alarido, se confrontava, injuriava e até faziam juras de represálias e revindicta.


É claro que alguns voltaram à sala de audiências por desacato e desrespeito ao tribunal, cabendo-me a mim o papel de defensor oficioso de algum dos réus. Começaram a ser chamadas as testemunhas e em determinado momento é chamado a depor um guarda, que estivera presente. Depois de prestar juramento, o juiz perguntou-lhe:


-“ O Sr. Guarda escutou algumas ameaças de morte trocadas entre as pessoas que aqui estão a ser julgadas?”

 

Então o guarda, em pose marcial, perfilado perante o juiz, como se na parada tratasse, respondeu:

 

-“ Saiba, Vossa Excelência, Senhor Doutor Juiz, que, quanto a ameaças de morte correu tudo regularmente.!!!”

 

Pois, anteontem (de segunda para terça feira) também correu tudo regularmente …

 

Mário Esteves

 

 

 

09
Mar11

O Entrudo de Chaves é em Verin


 

 

 

Carnaval é carnaval, mas por Chaves, não há tradição do seu festejo, pelo menos organizado, com desfiles e folia nas ruas. Claro que temos as criancinhas pela rua de Stº António abaixo, mas a coisa é tão breve, que se por acaso alguém se distrai 5 minutos a tomar café, o desfile já foi, já era, já passou – foi o que me aconteceu no desfile de Sexta-Feira passada.

 

 

No tempo das bombas e rabichas de carnaval  ainda se iam ouvindo uns estouros aqui e além, e na cidade, na mesma rua onde desfilam as criancinhas, era um regalo ver as bombas a rebentar nos pés dos polícias que, na ausência de outros crimes que a pacata cidade não proporcionava, se entretinham a perseguir (sem nunca apanhar) os criminosos das bombas de carnaval. Afinal nem sei quem se divertia mais, se os lançadores de bombas, se os espectadores se os polícias…

 

 

Mas, claro, já sabemos que a tradição não se faz do pé para a mão e, penso que também nunca houve interesse em criar por cá a festa do carnaval ou do Entrudo. Refiro-me à festa da rua, pois à mesa, a tradição ainda vai sendo o que era – um regalo de iguarias – daquelas que são (estas sim) um verdadeiro desfilar de sabores e saberes da terra e do fumeiro, ou seja, aquelas coisas boas que se guardam do reco que se matou por altura do Natal.


 

Mas em coisa de festas, vamos sempre deitando o olho àquilo que os vizinhos fazem e vamo-nos tornando convivas das suas festas. Refiro-me à festa do Entróido de Verin onde, para além da Festa do Lázaro, lhe vamos retribuindo as visitas que fazem à nossa Feira dos Santos. Aqui sim, há tradição, tanta, que mesmo na altura do Salazar e do Franco, em plena Península Ibérica controlada pelos dois ditadores fascistas, a fronteira abria-se para os flavienses irem ao Lázaro e para os nosso amigos Galegos virem à Feira dos Santos. Já quanto ao Entróido, aí a coisa era diferente, pois parece que o Franco não gostava de Entróidos e a festa do Entróido galego, embora nunca tivesse deixado de se fazer, era assim meio clandestina e festa caseira.

 

 

Só após Franco,  e Espanha se ter convertido à democracia (sem república),  é que a festa do Entróido começou a ganhar grandeza, sendo hoje uma das principais festas da Galiza, que não se resumem só ao dia de ontem, mas já vem de há umas semanas atrás, com as já célebres noites dos compadres e das comadres, o desfile de Domingo, entre outros festejos e cerimónias, com muitos copos à mistura e sempre muita festa.

 

 

Não estranhará portanto que sendo Verin nossa vizinha, os flavienses lhe invadam os festejos e participem neles. Aliás Chaves-Verin agora até é uma eurocidade que até vai ter um autocarro a ligá-las e tudo… Pode ser que com o tempo a tal eurocidade se comece mesmo a sentir e em termos culturais e de tradição também possa haver um intercâmbio para além das actividades de cada,  contarem na agenda cultural de Chaves. Sei, porque me contaram, que este ano o desfile das criancinhas já teve alguns Cigarrons. Quem sabe se a coisa bem negociada não pode trazer até nós um desfile galego como o que ontem aconteceu em Verin. Isso é que era isso, mas para já, vamo-nos contentando com uma eurocidade que ainda não saiu das reuniões e da papelada. Já agora, talvez não fosse mal sermos mais ambiciosos e deitar um olhinho também a Orense, porque com Verin, já nem se inventa muito, pois o nosso relacionamento, pelo menos comercial e de amizade,  sempre foi próximo e de há muitos, muitos anos.

 

 

Pois eu sempre que posso, Domingo ou Terça-feira de carnaval vou até ao Entróido de Verin. Gosto da festa, do colorido, dos cigarrons e também de apreciar a beleza e até a crítica e a sátira que sempre esteve associada ao Entrudo, carnaval ou entróido, afinal como se diz por cá – no carnaval ninguém leva a mal – e este ano até havia pormenores bem picantes por Verin.

 

 

Mas o que mais impressiona é os nossos amigos galegos levarem as coisas a sério. Brincar sim e muito, mas com algum profissionalismo e dedicação e isso nota-se na qualidade dos trajes, dos adereços e do próprio espectáculo, pois a coisa, sem o profissionalismo das escolas de samba, também não é um simples arejo que se dá às peças de vestuário esquecido no roupeiro.


 

Sem menosprezar a festa em si, os Cigarrons  dão um toque especial e único ao entróido de Verin além da sua própria existência e história bem como alguns “rituais” ou regras que há a cumprir para se ser Cigarron. Mas isso já o expliquei por aqui num dos carnavais ou entróidos passados.


 

E é tudo por hoje é tudo e quanto ao carnaval, também , pois por cá é apenas um dia e é à mesa que se cumpre.

 

Até já, com a crónica de Mário Esteves.

 

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