Discursos Sobre a Cidade - Por Tupamaro
CONVERSAS COM ZEUS
-XIV-
“E V O É!”
O nosso amigo ZEUS anda com a trombeta virada para oriente e até se esquece dos amigos a ocidente.
Ente por ente, os daqui ainda são os que melhor nozes têm para ele dar ao dente.
Mas os tipos de olhos em bico andam a dar-lhe volta à cabeça, e a Zeus não lhe sai da cisma o sismo em Honshu.
«Segundo fonte próxima» do palácio de Inverno, de Zeus, o nosso amigo desconfia que devem ser a mão de um tal Osama, ou doutro que tal Obama, que anda a mexer na “HAARPa”. E de tal maneira que as vibrações das cordas fazem tremer o céu e a terra.
Tendo-lhe constado, por alto, que uma seita de vampiros estava a infiltrar-se pelo cabo Espichel, com a intenção de sugar os Portugueses até ao tutano , mandou-nos a casa um secretário de Dioniso para saber «noβidades».
Fizemos por recebê-lo bem:
- Fomos ao «Teique a Uei» buscar uma canja. Pusemos-lhe três bijus que, de passagem, comprámos no «Pão Quente»; servimos-lhe «robalo à Godinho», acabadinho de pescar no Furadouro, e acompanhado com batata francesa que está à venda no mini-supermercado do rés do chão do nosso Bloco. A pinga foi um copo mal medido, de uma garrafa a quem escondemos o rótulo.
Mas o secretário permanecia com um ar esquisito.
Molhou a boca, a fazer render o copo, e soltou:
- Não consigo assentar as ideias e recolher com modos as informações enquanto não entender uma coisa.
- Ora desembuche, catrino!
-É que ao atravessar a fronteira para a Tugalândia deparei com uma nuvem de aviões com o nariz virado para tudo o que era estância de Férias! E era cá um pagode lá dentro!
E bandeiras das Quinas por tudo quanto era sítio!
… A vossa Selecção ia jogar fora?!
E o Scolari tornou a trazer a senhora do Caravaggio?!
-Qual caral….., ou caravaggio!
Isso são os deputados das últimas filas do Parlamento, os administradores das PPP’s, das Empresas Municipais, os eternos dirigentes sindicais, os clientes do BPN, os reitores das Novas Oportunidades e os sortudos do Rendimento Mínimo (aqui com a principesca oportunidade de se “inserirem socialmente”).
Como todos ultrapassaram os objectivos previstos receberam chorudos prémios e foram-lhes abertas «Janelas de Oportunidades» para gozarem, à grande e à francesa, estas Férias de Páscoa.
-Ai! P á s c o a!....- interrompeu-nos.
Dioniso bem lembrou a Zeus que já ia muito tempo sem ele fazer uma visita à Cornualha Ibérica, e especialmente à Normandia Tamegana.
As almôndegas vietnamitas, o kaisehi japonês, o echon e o lambanog filipino têm – lhe dado cabo da saúde.
E não é que está mesmo a calhar-lhe bem uma vinda nestes dias?!
P á s c o a!.....Lembra o amigo!
Ora aí está!
Um cabritinho da Padrela ou do Alvão, um cordeirinho de Castelões, assados no Forno do Poβo de uma dessas Aldeias dos arredores de CHAVES, uma pinga de Balcerdeira, de Vidago ou Vila Meã!...
Espere lá!
Mas esta semana não calha naquela particular e especial altura em que essas Flavínias sacerdotisas do Lar, das Lareiras e dos lareiros fazem um abençoado pão, dum marelinho mais doirado que a luz dos sóis, recheadinho com uns cibinhos «disto, daquilo, doutro e daqueloutro» com mil paladares, fofinho e a derreter-se-nos na boca e a derreter-nos de consolo, quer logo na primeira dentada no primeiro carolinho, quer depois, se benzido com um, dois (três…trinta, trinta e três!...) goles de pingota de qualquer pipote ou «lumínio» - ou mesmo até com uma boa malga de café ou com uma «Sagres» ou «super bock»?!
Ah! Lá pelos corredores dos palacetes de Zeus até já se falou em «ovos de pita pedrês»!
Será que….
-P’ra secretário está tão bem esclarecido como um ministro! - interompemos.
Não se esqueça de que aqui onde o recebemos os pitos são de aviário, e o marelinho dourado dos “cro-à-sans” se deve a umas pinceladas com anilina.
Para proβar do que está a falar temos de nos pôr a caminho do próximo dia de Aleluia. Mal se tope o Minhéu, é deixarmo-nos cair ……bem, podemos começar em ………….. Souto Velho, num petiscanço de «Rojões com mel» acompanhados com um «arcossó reserva».
Em seguida, em seguida…….só nos resta mandar parar o sol e, de vez em quando, ir às Caldas beber uns copos, «’tás a ver, ó meu?!».
-Quem me dera! Quem me dera!
Mas estou tão preocupado com a fraqueza de Zeus e o fastio de Dioniso que vou, mas é, já fazer uma escala no Campo da Roda, rumo a Nantes a apanhar o Pluto, arrombo as portas do Anjo e pego no Dinis e, de braço dado com eles, vou aos sítios mais secretos e eleitos que só eles conhecem, encho os bornais e os odres, e «ala que se faz tarde»!
Disse FOLAR?!
-AH! Seu «aldrabas”! Sabes a missa toda!
Mas fica a saber que não te digo onde fica a Feira do Folar de Valpaços!
Toma lá um salvo-conduto para depois poderes gabar-te que te regalaste com um «Pastel de Chaves» feito por uma Helena!
Ou tu julgas que só vós tendes uma Helena!
A vossa só sabia fazer olhinhos!
A nossa faz uns ricos «Pastéis de Chaves»!
A vossa é de Tróia.
A nossa é d’ ABOBELEIRA!
Ora proβa aqui deste salpicão que ainda nos resta, dos reais, dos de lá de cima, e põe-te a mexer, que é para chegares a horas.
E diz a Zeus que, lá porque o profeta falso, João Baptista, só gosta de patrocinar Festivais e Congressos virtuais, onde nenhum concorrente ou orador põe a pata em Chaves, os LUMBUDUS estão «operacionais» para que, na Cidade de Trajano, ele realize o próximo Congresso “di (n) – vino”!
V e r i t a s!
E V O È!!!!!!!!!!!!
Tupamaro



