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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Mai11

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves


 

 

 

No domingo de manhã, perto do meio-dia, estava na Travessa das Caldas, onde esta dá inicio à Rua de Santa Maria, e mesmo ao lado ficava a mercearia do “João Pequeno” e hoje está a Dr.ª Isabel Viçoso com a fraternal Antígona, não a de Sófocles, mas uma loja de “antigo(n)idades”, na qual, os livros ocupam um lugar preponderante e que para mim constituem um abismo e simultaneamente uma atracção difícil de resistir, por aqueles serem santos da minha devoção e mafarricos da minha algibeira.

 

Como falei dum lado, para equilibrar a balança, falo do lado oposto, em direcção à Igreja Matriz, onde havia uma frutaria que era duma irmã do “Lelo da Tenda”, que lá para o meio e fim da minha infância e de outros, provocavam os mesmos sentimentos e provações.

 

Não era tanto a bola de “cauchu”, que era um sonho, uma ilusão, uma utopia, pois não conheci ninguém a quem tivesse a sorte de lhe sair ou de a ganhar!

 

Nem os minúsculos rebuçados comprados a tostão. A febre eram os cromos dos jogadores de futebol e dos ciclistas que vinham embrulhados nos rebuçados e depois colávamos numa caderneta.

 

 

 

 

Apesar das trocas e baldrocas nunca acabei por completar alguma. E até, por vezes, fui obrigado a confessar-me, pela explosão de palavras feias, por determinados jogadores e ciclistas, tantas vezes se repetirem…

 

De facto ter duas ou três equipas repetidas, sentir o vazio dos “craques” e ver a caderneta a meio e nalguns casos a um quarto, era muito aborrecido!

 

Estava nesse lugar fatídico, do qual só faltou dar as coordenadas, e preparava-me para prosseguir o caminho para comprar os jornais, como faço sempre, quando escutei:

 

-“Esto es muy pequerrecho, en dos vueltas y ya lo vimos todo…”

 

“Esto” era Chaves.

 

Voltei-me e deparei com três “majas” e disse para mim: Lá está a arrogância castelhana.

 

Continuei a remoer a antipatia crescente por aquele cacarejo e até murmurei: “a mulher e a sardinha querem-se pequeninas”.

 

 

 

 

Não sei por que me ocorreu dizer isto, mas, o pequerrucho dito assim… daquela forma, com a altivez que lhe atribuí, referindo-se à minha cidade natal, enervou-me, que logo procurei algo que se opusesse àquela suposta afronta, mesmo que parecesse deslocado ou até absurdo.

 

No entanto, muitas vezes, sente-se pela cidade natal ou por aquela onde temos o gosto de estar, o afecto, a intensidade, a veemência que possamos ter por uma mulher.

 

Tenho para mim que Chaves não sendo uma metrópole, não é uma cidade pequena. Nalguns aspectos até poderá ser, condescendo. Mas tem muitos monumentos… as termas… jardins… as margens do rio… e comecei a emudecer, porque cada vez que repetia algo que engrandecia a cidade, aparecia qualquer pormenor que a diminuía. Além do mais o “pequerrecho” martelava-me o cérebro…

 

…Era Domingo e 1.º de Maio. Não queria de forma alguma estragar ambos. Cada vez que vivo um 1.º de Maio, recordo com nostalgia o do ano de 1974 e as extraordinárias sensações que vivi nesse dia.

 

No Estádio Universitário, no Jardim da Sereia, por toda Coimbra que já não era dos doutores, era … apenas dos cidadãos a viverem momentos fraternos, únicos, históricos…

 

… E depois, pensando bem, ir ao Continente, ao E. Leclerc e tentar a sorte no casino, é uma forma bem pequerrucha de conhecer uma cidade, seja por quem for e em que país for.

 

Mário Esteves

 

 

 

 

04
Mai11

Cartas do Zé


As Cartas do Zé costumam ser publicadas aqui no blog aos Domingos, no entanto neste último Domingo não houve carta e tudo, porque ela chegou atrasada, mas chegou. Assim, é hoje publicada. No próximo Domingo cá teremos nova carta do Zé.

 

 

 

 

Caro amigo

 

Que me dizes do casamento do príncipe camone? Aquilo foi uma boda e tanto! Gostei de ver. Gosto da ideia de que em breve, uma bela princesa plebeia, vai correr o mundo defendendo todas essas ”causas perdidas” que as princesas e primeiras damas abraçam.

 

A falecida princesa Diana foi um bom exemplo. Fim da fome, das minas terrestres, da SIDA... Em tudo se empenhou com graça, elegância e grande dinamismo.

 

Puro marketing, dizem os cépticos. Claro que é marketing. Eu sei. Mas quantas senhoras não terão copiado os seus gestos altruístas para além claro, do seu penteado, roupas e jóias? Quantas damas não terão trocado o conforto do sofá pelo trabalho voluntário em hospitais, asilos, ou ONG’s?

 

Também em Portugal temos alguns exemplos do empenho de primeiras damas. Lembro o trabalho das esposas de Mário Soares e Cavaco Silva na Cruz Vermelha Portuguesa...

 

Tá bom! Tratava-se, na sua maioria de emprestar a sua presença em festas e leilões para recolha de fundos, mas o impacto dos seus gestos tem repercussão bastante positiva no país. As palavras esperança, solidariedade, altruísmo parecem de novo ganhar sentido.

 

E em Chaves? O que fazem as primeiras damas? Há damas ou a malta da política só joga xadrez? Confesso que não sei, não vi, não conheço, mas quero comentar.

 

Acredito que no dia de todos os santos, uma ou outra tenha pegado na caixa de moedas da Cruz Vermelha e não esqueço a beleza que um dia tiveram os jardins da nossa cidade. Mas é só. Acho pouco. Nem sequer é de considerar isso como trabalho voluntário. As caixas de moedas são distribuídas pela própria organização e a engenheira técnica cumpria horário de trabalho.

 

Mas então que fazem as primeiras damas de Chaves para ocupar os seus tempos livres? Porque é que os jornalistas da terra não divulgam o seu trabalho em obras de beneficência. Penso que a agenda social dessas mulheres deveria ser do conhecimento público e assim poder influenciar positivamente a sociedade flaviense.

 

Estou certo que a foto de uma primeira-dama fazendo trabalho voluntário no hospital de Chaves, ou no asilo de Nantes, aumentaria o número de trabalhadores voluntários nessas instituições. Acredito que a notícia de uma primeira-dama, ensinando a separar o lixo num bairro da periferia, aumenta de modo definitivo os índices de higiene do próprio bairro e da mesmíssima reciclagem na nossa cidade.

 

Porque estamos num país e numa cidade em crise, porque o trabalho de todos é necessário para ultrapassar estes tempos difíceis e porque é preciso provar que “atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher”, quero pedir aos jornalistas flavienses que divulguem as ocupações da nossa primeira-dama.

 

Sugiro um conjunto de entrevistas com a primeira-dama, a esposa de um deputado, de um presidente de clube de futebol, da região de turismo, das águas, instituições escolares, prisionais, militares, policiais, enfim, um conjunto de entrevistas com a cara-metade do pessoal que “leva o cabresto” da cidade. Se a primeira-dama for macho, também serve. É bom saber o que o moina faz pelo próximo.

Quem sabe se pelo meio dessa gente não haverá algum exemplo inspirador a seguir e assim ajudar a amenizar o sofrimento dos mais necessitados.

 

Sim, porque isto de ir de braço dado ao café, missa dominical e inauguração de obra pública ou exposição de artes é pouco. Muito pouco.

 

Da minha parte fica a promessa de que o dia do meu regresso a Chaves será também o dia de recrutamento para trabalho voluntário numa instituição da minha cidade ou região.

 

Sem outro assunto de momento recebe aquele abraço solidário e do tamanho do oceano.

 

O amigo que te estima,

 

Zé Moreira

 

 

 

 

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