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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

14
Mai11

A Missa do 7º Dia (3) - Por Luís Fernandes


 

 

 

 

III

Do Largo do Arrabalde, o “Demar” vigiava a Ponte, com a secreta esperança de que alguma vez a «sua Madalena» a atravessasse sozinha, para lhe poder falar em sossegado.

 

E um dia calhou.

 

A Mãe andava a fazer umas costuras, à máquina, e precisou, de repente, de um carrinho de linhas número 30.

 

Mandou-a aos «Machados». Que fosse num pé e viesse noutro, recomendou.

 

Junto ao Quiosque do Arrabalde, o Demar estava na laracha com os engraxadores e, como nem quer a coisa, viradinho para o rio.

 

Que salto lhe deu o o coração!

 

Parecia-lhe ela, lá no meio da ponte.

 

Que susto, quando viu que era ela mesmo que vinha ali já em frente às escaleiras da Pensão do capitão Souto – “ A Comercial”!

 

Atravessou para o passeio do “Silva Mocho”, desceu para as Longras e chegou à esquina da rua com a Ponte ao mesmo tempo que ela, a «sua Madalena», chegava à esquina da Ponte com a Rua das Longras.

 

Olharam-se.

 

Os «Machados» eram mesmo em frente.

 

A esquina foi aquela frinchinha da janela por onde se puderam, a medo, falar.


- Amo-te! – sussurrou ele.


- Adoro-te! Murmurou ela.

 

O estremecimento da voz de ambos até lhes fez a vista turba.

 

Ele virou para a Canelha das Longras. Ela atravessou para os «Machados».

 

O Coração parecia-lhes querer saltar do peito.


 

 

 

O Sol já virava para Curalha. Mas até lhes pareceu ter-se levantado um bocadinho para abençoá-los e lhes dar um bafo de conforto. Foi coisa de um raiozinho cor-de-rosa que bateu nos olhos da Aninhas quando ia atravessar para a loja, e, batendo na frontaria da Pensão Rito, fez reflexo indo direitinho à vista do Demar quando se virou a caminho da Canelha.

 

Ah! S. João de Deus fizera-se padrinho da Aninhas. Nossa Senhora da Lapa, madrinha de um gabitu da cidade.

 

A hora de ir ao pãp, fresco, do dia, é à hora da primeira missa do dia.

 

A Aninhas começou a vir ao pão, ali à Padaria das Longras, que era a Padaria Rito, logo ao lado da entrada da Pensão Rito.

 

Pela «sua Madalena», o rapaz começo a madrugar, mais do que a aurora.

 

Descia a rua do Olival, sumia-se pelas escadas do Mercado, atravessava este, e parava junto ao portão que dá para as Longras. Metia conversa, ora com a regateira da fruta, ora com a regateira dos frangos e coelhos. Pelo canto do olho vigiava quem se aproximava da esquina da Rito.

 

Hoje, amanhã, depois, e depois de tanta vigília, sempre chegou a hora de o seu palpite acertar – a “Madalena” viera ao pão!

 

O coração do rapaz palpitou desgovernado com o acerto do palpite.

 

Ele viu-a à entrada da Padaria.

 

Ela viu-o à saída do portão do Mercado.

 

Ela rezava para que os seus passos dessem para um compasso de espera lá na esquina, antes da «sua Madalena» sair do pão.

 

Ela, com a saca do pão pendurada no braço; ele, com o chapéu puxado para os olhos, deram as mãos, prometeram as bocas e acordaram abraçados, com o trepar dos socos do Ti’Aniceto, que ia para a veiga.

 

E, para que a mãe não desconfiasse de nada, combinaram ela vir ao pão, numa semana, às 3ªs.Fªs, noutra, às 5ªs.Fªs.

 

Depois veria-se!

 

IV


O amor entre a Aninhas da Madalena e o gabiru da cidade crescia a olhos visto.

 

Os olhares colhidos com as subidas e descidas das…


 

(continua no próximo sábado)

14
Mai11

Sexta-Feira 13 - Montalegre


 

 

 

Ontem foi sexta-feira 13 e como tal, já nem é necessária a publicidade, Montalegre encheu-se com um mar de gente vestida de negro e chapéus em bico, vindos, sabe-se lá de onde. É o dia das bruxas e da bruxaria que durante toda a noite enche as ruas, restaurantes, cafés e bares, improvisam-se outros tantos ao virar de cada esquina, o que importa é que a cerveja não falte ou a queimada lá para os lados do castelo. É dia de festa em Montalegre que leva à vila mais forasteiros (nacionais e estrangeiros) que ao Senhor da Piedade (a festa anual de Montalegre) mas também umas centenas largas de flavienses que já não perdem uma sexta-feira 13 de Montalegre, mobilizados em grupos e caracterizados a rigor, ou individualmente e, vale a pena a viagem.

 

 

 


 

Claro que vale a pena, não só por uma noite bem passada, pela boa mesa que Montalegre sempre apresenta a quem a visita mas por todo um espectáculo que a Vila proporciona aos visitantes, feito já com muito profissionalismo de luz e som, muita música e teatro de rua que acontece também um pouco por todo o lado, embora o momento alto aconteça junto às torres do castelo, transformando-se estas em gigantes telas de projecção de um espectáculo de luz e som a par ou maior que os grandes espectáculos nacionais e internacionais do género a que tenho assistido. Isto não é exagero, que vai lá e assiste ao espectáculo, pela certa que não terá qualquer problema em testemunhar a veracidade das minhas palavras.


 

 

 

 

 

Dizem que é tudo graças ao Padre Fontes, e muitos lamentam não ter uma Padre Fontes na sua terra, mas convenhamos (e sem minimizar o valor do padre) que um homem sozinho, por muito genial que ele seja, pouco ou nada faz se não tiver o apoio da sua população e da sua autarquia. As boas ideias, só por si, não vão a lado nenhum. Montalegre pode ser apontada como um exemplo de uma vila transmontana na produção de eventos, onde uma ideia que inicialmente até parecia disparatada, se concretizou e virou a êxito, fazendo já tradição, pois em qualquer sexta-feira 13, todos os caminhos vão dar a Montalegre.


 

 

 

 

 

Um bem-haja para Montalegre que me faz sentir honrado por dela ter uma costela, embora não seja essa a razão de hoje Montalegre estar aqui no Blog Chaves, mas antes, porque já é também uma festa de muitos flavienses.

 

 

 

 

14
Mai11

Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas


 

 

 

Dos sonhos nos caminhos


Esboçam-se sorrisos sérios à passagem da procissão, somos os quereres das minorias difusas de solidão na multidão, vamos cabisbaixos como quem pede perdão sem estar arrependido apenas gesto mandado fazer pela religião, sem humildade sustentada, sem devir de mudança, pedidos na mente abre-se a mão, num rosário de sonhos  pedidos de ter até mais não…


Caminha-se a passos de ritual uns imbuídos de bem e outros de bem  querer, deixar o mal, sonham-se paisagens sonhadas nos horizontes de pecado original, travam-se pensamentos lúdicos  como quem escorraça um desleal, erige-se purificação num protocolo abismal como se fosse possível dissociar-Nos  do  vulgar de banal.


E não há sonhos sozinhos nem solteiros com beiral, casam com os dividendos de esperas demoradas envelhecidas na moral, nem se sabe bem porquê, só que é tudo normal porque são sonhos possíveis aludindo ao trivial. Os sonhos do Ter, essa mistura explosiva  de escuridão na luz do Ser, falseada na maquilhagem do centralizar o haver e na procura ofegante vai caindo como errante na procissão  o pequeno sonho sem nascer.


Não que haja pressa de chegar só à hora marcada, a junção não foi espontânea foi toda toda planeada, não que o Sr. sofredor o melhor ator  espere milagres, no fundo é um passeio a ritmo de poucas rotações  a lembrar que o fazer pela vida é fomentar o amor fazer pulsar corações reduzindo entraves ao caminhar dos sonhos;


Mas é um Lembrar… Para logo Esquecer.


Dos sonhos nos caminhos pisados por pensadores rezam histórias em pergaminhos de insondáveis amores, sem lágrimas visíveis em poeiras levantadas, todos têm quota parte nas memórias enterradas, até a menina de tranças a pontapear a terra já vislumbra o seu caminho quando a procissão encerra…


De repente numa fração de segundo atinge-se a reciprocidade e é Dor sem doer, manada todos todos a percorrer ,uma caminhada unânime qual Pátria a torcer no mesmo sentimento por um território, qual multidão de adeptos por uma  mesma taça de glória e não há pobreza nem riqueza nem diferença sequer e a doença é só a saúde  intensa a  querer  aquiescer …


E Nós; ainda que por momentos a beleza da bonança parida da crueza do sofrer, como num ciclo vital somos o sonho também  alvorada no amanhecer…


Amanhecer  tardio, frescura na tarde de estio, entardecer na manhã da noite num crepúsculo ténue, nascidos  madrugadas do breu, autenticas alvoradas de sonhos que no viver são ilusão que feneceu…

 

Isabel Seixas

 

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