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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Mai11

Nossa Senhora das Brotas - Chaves


 

 

Pois é, a cidade de Chaves quase nem deu por isso, mas neste fim-de-semana foi a festa da Nossa Senhora das Brotas, como sempre, nas proximidade e dentro do recinto do Forte de S.Neutel. Não eram só três na festa, mas muito longe, bem longe mesmo, dos bons tempos desta festa, aliás ela só ainda existe graças à carolice dos organizadores que teimam em festejar esta festa da cidade, e temos pena, não pela teimosia mas pela festa quase nem acontecer.

 

 

 

 

 

 

Não falo pelos dias anteriores porque não fui lá, mas como sempre dou uma espreitadela no seu dia da festa, com pouca gente, muito pouca e continuamos a ter pena, pela festa que não acontece num belíssimo espaço e anfiteatro que pede festas grandes. Talvez seja da crise, que nesta festa já é bem real há muitos anos.

 

 

 

 

Já agora, e à margem da festa, ainda gostava de saber porquê é que um pedaço da história da cidade está a servir de degrau no acesso à capela?  

 

 

 

 

02
Mai11

Quem conta um ponto... Divagações


 

 

 

Divagações

 

Saímos do café e dirigimo-nos ao jardim. O R. deteve-se algum tempo a contemplar o parque, aspirando o cheiro da folhagem. Faz isto sempre que se sente um pouco agitado. Disse-me, visivelmente emocionado, que cada vez pensa mais nos homens que ficam sozinhos, grupo no qual se inclui com todo o direito. “É terrível perder a mulher que se amou, mas ainda é perda maior não ter mulher para amarrar nos braços antes de a desgraça nos bater à porta…”, filosofou olhando na direcção de um pássaro morto espezinhado entre as ervas do jardim.

 

O meu amigo é um homem que normalmente acorda com a sensação de perda. E como nestes tempos todos perdemos diariamente sempre qualquer coisa, é o amigo certo para tempos incertos. Há uns anos atrás, como não havia nada de palpável que pudesse censurar a si próprio de ter perdido, encontrava a necessária puerilidade na actualidade e no desporto. Agora é a política o que lhe mete medo. Mas nem sempre foi assim.

 

Quando jovem pensou enveredar por uma carreira no mundo das artes. Acabou em caixeiro-viajante, não sem antes passar por uma infinidade de pequenos empregos inadequados e de ter namorado mulheres igualmente inadequadas. Um emprego significava sempre uma namorada nova.

 

A sua grande paixão abandonou-o por o considerar frouxo e frívolo. Ele prometeu-lhe ser um rochedo quando antes era nuvem passageira. Ela avisou-o: “Não vais nada. É conduta que não faz parte da tua natureza.” Ele replicou ofendido: “Não cuidei eu de ti quando estiveste doente?”Ao que ela atirou certeira: “Sim. És maravilhoso para mim quando estou doente. O problema é que quando estou boa não me serves para nada.”Foi mais ou menos por essa altura que nos tornámos íntimos. Os amigos são para as ocasiões.

 

Andámos na mesma escola. Aí fomos sempre mais rivais do que amigos. Mas, tenho de vos confessar, a rivalidade também pode durar toda uma vida. Apesar de poder parecer o contrário.

 

A sua inocência desviou-o sempre da verdade (crueldade?) da vida. Foi sempre um efabulador. Pagava a amizade em copos de bebidas caras nos bares onde a maioria dos seus amigos não tinha dinheiro para frequentar. Descrevia-nos com um assinalável nível de pormenores as suas aventuras eróticas. Falava-nos das suas boémias com cara de caso. Mimava-se a si próprio com fatos caros e, sobretudo, aos sábados de manhã, frequentava as barbearias onde lhe punham sobre a pele toalhas quentes molhadas com perfume de alfazema, ao mesmo tempo que se falava de futebol e política a sério.

 

Namorou com uma rapariga tão parecida com a Madalena Iglesias que todos nós equacionámos a possibilidade de ela ser a própria Madalena Iglesias revista e aumentada. Mas nunca conseguiu manter uma relação amorosa por muito tempo. As mulheres deixavam-no sempre. É verdade que o R. dançava com elas de rosto junto e era bom de ver como todas elas lhe entregavam as suas almas em confidência. Mas uma coisa é ser o confessor de uma mulher. Outra bem distinta é ser o seu amado. Era por ser engraçado que elas confiavam nele. Apenas por isso.

 

Uma coisa é certa, o R. foi sempre um amante falhado mas um esquerdista emproado. Nunca conseguiu ser mais nada, a não ser um marxista bastante deprimido. Nas últimas eleições legislativas perguntei-lhe se ia votar no Bloco de Esquerda. Ele fez-se distraído e nada respondeu. Eu voltei a insistir. Então, visivelmente irritado, atirou-me com esta: “Acabaste de me enfiar num estereótipo. E nada existe de mais constrangedor do que estereotipar os amigos.” Eu pedi-lhe de imediato desculpa. Ele voltou à liça: “Foram os estereótipos o que nos lixou a vida enquanto nação. Todos os nossos inimigos se tornaram mais fortes depois de os combatermos. Nestas como noutras coisas, ficou claro que os rufiões são aqueles que acabam por se derrotar a si próprios.” Eu argumentei que a vergonha é um assunto privado. Um assunto de família. E que quando alguém da nossa família age erradamente é nosso dever dizer-lhe. Não boicotá-lo.

 

Ele argumentou: “Sou filósofo, não tenho a certeza de nada. Mas tu não és definitivamente o meu oráculo.”Eu respondi-lhe: “Eu sou adepto do Sócrates. É tudo quanto me basta de filosofia.” Ele insistiu: “És um demagogo.” Eu resolvi terminar com a conversa: “Eu não alinho em linchamentos públicos. Combatam-se as ideias, mas não se persigam homens para eliminá-los na praça pública. E não te esqueças, lá diz o povo na sua ancestral sabedoria: atrás de mim virá quem bom de mim fará.”

 

João Madureira

 

 

 

02
Mai11

Apenas uma imagem


 

 

Às vezes a internet prega-nos umas partidas. No fim da tarde de ontem foi o mail da SAPO que resolveu não distribuir mail’s por ninguém e que ia pondo em risco a habitual crónica que acontece aqui sempre às segundas-feiras às 9 horas. Pelo-sim-pelo-não resolvi preparar uma imagem para preencher a possível ausência de crónica, mas felizmente, no início da madrugada tudo voltou à normalidade e os mail’s começaram a cair na minha caixa de correio. Assim, vamos ter crónica, mas como já tinha uma imagem na algibeira, resolvi partilhá-la e simultaneamente partilho a escuridão dos céus carregados que nos últimos dias de Abril resolveram invadir a cidade, com muita chuva também, mas a permitir imagens bem interessantes. Espero que gostem.

 

Até mais logo, às nove em ponto.

 

 

01
Mai11

Homenagem Póstuma ao Padre Manuel Pita


Alguma distracção e muitos afazeres fazem com que este post chegue aqui com um dia de atraso, mas ainda chega a tempo, além de chegar num dia cheio de significados, não fosse o dia do Trabalhador e o dia da Mãe, que condiz na perfeição com o trabalho de amparo dos “actores” que hoje vão estar aqui.

 

Dentro das Comemorações dos 75 anos da Casa de Santa Marta em Chaves inaugurou-se ontem no Arquivo Municipal de Chaves uma Exposição Documental em Homenagem Póstuma ao Padre Manuel José Pita.

 

 

 

 

Embora já muitas vezes foi aqui mencionado o seu nome, pois o Padre José Pita além de um Ilustre Flaviense é um benemérito, vamos aprofundar mais um bocadinho sobre o seu ser e vida.

 

Padre Manuel José Pita Lages

 

O Boletim Eclesiástico diz que nasceu na Vila de Chaves, freguesia de Santa Maria Maior, em 4.6.1874 e aí faleceu, em 30.10.1951. No entanto, uma sua prima sua afirma que ele nasceu em Carvela, onde jaz em campa rasa. Mais tarde foi colocada sobre a campa uma laje rectangular, sem qualquer inscrição.

 

Numa das suas vindas a Portugal, o Bispo D. António Joaquim de Medeiros (natural de Vilar de Nantes, Chaves) e prelado em Macau, levou consigo três jovens da região: Manuel José Pita Lages, Victorino Domingues dos Reis (de Vilarelho da Raia, onde nasceu em 27.4.1873 e faleceu em 26.11.1950) e um outro jovem de apelido Videira, natural de Monsalvarga, concelho de Valpaços. Todos entraram no seminário de S. José, em Macau, tendo-se ordenado sacerdotes os dois primeiros, como missionários. O Padre Lages foi ordenado em 9.7.1899 na Capela Episcopal e logo foi enviado para a ilha de Hainan (China),como missionário. Por razões de saúde, veio várias vezes a Portugal, voltando a Macau e dali a Hainan.

 

Em 3.9.1924 foi a Roma representar a Diocese de Macau, na Exposição Missionária do Vaticano. Em 21.12.1927, a seu pedido, foi desligado do serviço da diocese, regressando a Portugal em 14.1.1928.

 

Deixou uma obra notável em Hainan, quer no aspecto apostólico, quer económico, pois ele próprio contribuiu para a instalação de teares caseiros para ocupar as mulheres que viviam com muitas dificuldades. Fez diversos estudos que publicou em jornais e revistas sobre aquela ilha e sobre Macau.

 

 

Instalações actuais da Casa de Santa Marta

 

 

No regresso a Chaves, não acomodado à sua aposentadoria, fundou um Asilo na Quinta da Nora que comprara quando ainda estava em Macau. Como o dinheiro de que dispunha não chegava para concluir a obra, vendeu a própria casa familiar que possuía na Madalena, na altura por 170 contos, para levar a bom termo, a sua obra. Infelizmente morreu antes de ver concretizado o seu sonho, no entanto o asilo fez-se uma realidade com a ajuda preciosa das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados, que o Padre Pita anos antes tinha colhido e apoiado na sua missão aquando elas chegaram a Chaves fugidas das perseguições de que eram alvo durante a Guerra Civil de Espanha.

 

O Padre Pita acolheu Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados desde a sua chegada a Chaves em 1936, estabelecendo-as inicialmente na Madalena e mais tarde convida-as para colaborar com a Santa Casa da Misericórdia de Chaves, que, já então tinha um asilo para velhinhos. Embora tivessem aceitado, a sua passagem pela Santa Casa foi breve. Ao que consta, divergências com a Direcção da Santa Casa da Misericórdia levaram à decisão da construção do Asilo dos Velhinhos no Bairro do Telhado nos moldes das Casa de Santa Marta fundada em Espanha pelo Padre Saturnino Lopes Nova e por Santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars, no ano de 1873.

 

É neste contexto que agora o Padre Pita recebe esta homenagem póstuma coincidindo com as Comemorações dos 75 anos da Casa de Santa Marta em Chaves.

 

Padre Manuel Pita ao qual a Câmara Municipal de Chaves há mais de 20 anos já tinha consagrado o seu esforço atribuído o seu nome a uma rua da cidade no zona do Campelado.

 

 

Instalações actuais da Casa de Santa Marta

 

 

À Casa de Santa Marta este blog já dedicou alguns post’s, onde num deles, aquando do seu 70º Aniversário, se fez uma breve abordagem da sua obra em Chaves que poderá consutar aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/7467.html

 

Ainda dentro das comemorações dos 75 anos da Casa de Santa Marta, no dia 7 de Maio, pelas 10H30 no salão polivalente da Casa de Santa Marta, será apresentado o livro monográfico sobre a Instituição, estando essa apresentação a cargo de Dom Amândio Tomaz, Bispo Coadjutor de Vila Real.

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