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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Jun11

A Missa do 7º Dia (6) - Por Luís Fernandes


 

VI

 

Depois de confirmadas todas as instruções e recomendações, os arrumos no sítio, os pais daninhas lá foram para a «carreira» que os levaria até à capital do Barroso.

 

Meia hora antes do "mei-dia novo", O Demar meteu-se no táxi, que era seu, atravessou a Ponte, fez que olhou para o estabelecimento do Benjamim Eugénio Leite, e misgou a varanda da casa da «sua Madalena». Ficou contente por ver lá pendurado o tal avental «sacramentado» para dar o sinal de «avançar».

 

Foi ao To Manco atestar de "gasoil".

 

Entrou pela Rua de S. Roque, foi pela Rua do Rajado e parou na Rua do Campo da Fonte.

 

E, para sua alegria, logo apareceu na porta a Aninhas com as trouxas emaladas.

 

Se o motor do automóvel trabalhasse ao ritmo daqueles corações, já onde iriam!...

 

A recta de Faiões passaram-na sem dar conta e chegaram à Bulideira num abrir e fechar de olhos. Aí pararam. Afagos e beijinhos acalmaram o desassossego da aventura.

 

Com o espírito mais sereno, desceram até à Ponte da Pulga. Logo à frente apareceu uma placa da JAE onde a Aninhas julgou ler "PERDOA-ME".

 

O Demar guiava devagar, sentindo pelas costas os amanheceres nevoeirentos do Arrabalde e vendo pela frente o risonho futuro com a «sua Madalena».

 

- É PEDOME! - disse-lhe, à Aninhas.

 

- Ora! Devia ser "ABENÇOO-VOS! - refilou a Aninhas, alegre e meigamente, com um beijinho na carinha do «seu Demarzinho».

 

Logo chegaram a Lebução, que fica dois passos à frente de Pedome. Vinhais não era longe. Mas era melhor comerem já qualquer coisa, pois o relógio apontava próximo do «mei-dia velho».

 

E lá foram almoçar numa Casa de Pasto de Lebução.

 

Satisfeitos, divertidos, contentes com o sucesso da aventura, até atrapalhavam os pensamentos com o entusiasmo de se falarem e ouvirem ao mesmo tempo.

 

De repente, o Demar calou a boca, fechou os olhos e levou as mãos à cabeça.

 

A Aninhas assustou-se com o repentino inesperado.

 

- Que foi?! - perguntou, mais assustada que curiosa.

 

Demar suspirou, fez uma pausa quaternária, respirou fundo, pegou-lhe nas mãos, e falou-lhe, com  palavras envolvidas em mágoa:

 

- Ninhas, nunca mais me lembrei! Amanhã é a Missa de Sétimo Dia pelo meu pai. Sou o irmão mais velho, e o rancho é de Sete - eu, cinco raparigas e outro rapaz, o mais novo de todos. Seria um escândalo, uma vergonha, um mau exemplo, eu faltar à Missa do 7° dia pela morte do meu pai. Temos de voltar para trás e deixar a fuga para outra ocasião.

 

Aninhas ficou sem fala.

 

Nem soube se foi a surpresa, se o amor, se a decepção que lhe deram força para dizer, com desfalecimento:

 

- Como quiseres!

 

Lebução ficou para trás.

 

A placa da JAE, que agora lhes apareceu, parecia ter escrito "PERDEU-ME", mas dizia PEDOME.

 

O Mercedes do Demar vinha carregado de silêncio.

 

Depressa chegaram às Açoreiras de Cima. E, nas Açoreiras do Meio, o Demar perguntou, amargurado:

 

- Ninhas, vais bem?

 

Nunca mais enxugavam as lágrimas daquela Madalena!

 

E um dique mais forte rebentou quando acenou um sim com a cabeça.

 

O Demar parou o carro numa berma mais larga da es­trada, ainda antes de Faiões.

 

Ambos compreenderam, e compreendiam, que ela ti­nha de voltar para casa com melhor cara.

 

- Vamos! -    disse a Aninhas, depois de uns largos minutos a ensopar mais um lenço, a assentar ideias e a ganhar forças para entrar em casa e subir para o seu quarto, dali a pouco.

 

O carro parou no mesmo lugar de onde ambos parti­ram.

 

Aninhas pegou nas malas, abriu a porta de casa e fechou-se no quarto.

 

À noite, os pais regressaram de Barroso.

 

VII

 

Na 6ª fª, lá na Rua do Olival, o Demar estava retirado, tristonho, acabrunhado, cabisbaixo.

 

Colegas e amigos não estranharam. Tinha sido …

 

(continua no próximo sábado)

04
Jun11

Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas


 

 

Meã culpa…

 

A cidade está linda, há épocas assim, mesmo as ruínas denotam beleza e cunho ancestral e emitem sensações de recetividade a qualquer maquilhagem, em murmúrios de mantenham-me a traça…


A distribuição das pessoas faz-se pelas ruas mais apelativas à diversidade do vestir de fomes e sedes ao apetite sensorial possível  de cada um.


A primavera empenha-se em dar oportunidades de humores vestiu as árvores de verdes esperança, deixou florir giestas mimosas e afins.


Não nos lembramos dos anos transatos e dizemos que este ano vai assim ou vai assado, o vento diverte-se em baloiçar as folhas que riem suave e infantilmente em mornas de jardim.


Até os cinismos se inibem de sair em tempo assim, urge descobrir um culpado para ocupar o pasquim…


Então!


Meã culpa…

 


Para quê sentir assim, alterar o curso de águas que sempre correram a carpir, repetem-se num desaguar onde todas vão dormir, despertam para si próprias sob pena de mentir.


Bem mas a vida é assim…


Vejamos só outra variante de como se divide para reinar.


Vamos esgotando o trajeto circular e a diversidade de probabilidades.


 Nem sequer é uma questão de acreditar, já é rotina, tem que ser…


Saudemos mais uma época do esporádico, democratizar de um cumprimentarem série, que fenece num ciclo vital de borboleta.

 

 

Claro que vou, fui sempre, mais um dever e direito de cidadania, votar(…).

 

Isabel  Seixas

 

 

04
Jun11

Aldeias, Reflexões e Eleições da Crise


 

Como habitualmente aos fins-de-semana, as aldeias  de Chaves marcam presença aqui no blog. Mas hoje também é dia de reflexão para as eleições que vão acontecer amanhã. Não quero aqui reflectir, porque isso vou-o fazendo todos os dias e não é uma campanha eleitoral, nem um dia de reflexão, que me fazem mudar de opinião. Tenho a minha bem formada há muito tempo não sendo assim um dos indecisos que faz pender balanças para um ou outro lado. A psicologia diz que os adultos se formam na adolescência (entenda-se esta formação como sendo a da personalidade), pois na minha adolescência, bem a meio dela, aconteceu o 25 de Abril de 1974.


Fui formado com os ideais da democracia, da liberdade, do 25 de Abril e, passados todos estes anos, continuo a ver Abril por cumprir em liberdade, democracia e ideais. Peço desde já que não interpretem mal as minhas palavras, pois eu sei perfeitamente que vivemos em liberdade e democracia e a prova, está nas eleições de amanhã, pois penso que democraticamente hoje já se vota em liberdade, e também sou adepto daqueles que pensam que mesmo com os defeitos que a democracia tem, ainda é o melhor sistema que temos. Mas, o 25 de Abril convenceu-me de que tudo que trazia com ele, era para todos. E eu acreditei que a democracia era para todos, a  Liberdade era para todos, a justiça era para todos, a “paz, pão, habitação, saúde” – como se dizia então – era para todos. É aqui que falta cumprir Abril, pois todos sabemos que a igualdade do todos, continua a não ser para todos igual. Como se costuma dizer, há sempre uns, que são mais iguais que outros, e em tempos de crise (como os tempos actuais) todos estamos à beira do tal abismo, como alguém ousou dizer durante a campanha que terminou, só que uns, ainda estão a meia dúzia de passos dele, outros mesmo a beirinha de cair, conseguem tentear-se, mas há muitos que, como sempre estiveram à beira do abismo, não têm força para resistir contra toda a multidão que se juntou e os empurra para o passo final.

 

Longe de mim de, com este discurso, insinuar sequer que devem votar num ou noutro partido, votem em quem quiserem que a mim tanto me faz. Reparem que eu disse em quem quiserem, pois isto hoje já não é coisa de partidos, mas de pessoas, e não é só cá em Portugal, pois em todo o mundo democrático é assim. Se lhes perguntar quem ganhou as ultimas eleições nos Estados Unidos, todos me responderão que foi o Obama, mas se vos perguntar qual é o partido dele, a grande maioria não me sabe responder… por cá é igual, os partidos passaram a máquinas, empresas de eleger homens para o poder, depois logo se verá que tal ele é (o homem), de resto, é como na bola, o que interessa é a cor do equipamento, o clube, pois os jogadores, treinadores e presidentes, só valem e servem enquanto lá estão, e sem eles, continuará tudo sem eles… o que interessa é marcar golos e ganhar, dá-lhes a felicidade da vitória, mesmo que em casa o pão continue a faltar…

 

Mas votem, não deixem de votar, todos, para verdadeiramente se saber aquilo que o povo português quer e se não tiverem clube, assistam ao jogo…

 

Por mim, se acompanha este blog, não será necessário dizer o que quero. Desde há 6 anos para cá que o vou dizendo. Queria ver aldeias com gente, com crianças na rua, com escolas abertas e as casas com gente dentro. Queria que tivessem o seu trabalho e a sua dignidade na terra onde nasceram. Queriam que deixa-se-mos de ser um povo que é obrigado a ser emigrante só com bilhete de ida porque a sua terra já não tem futuro pela tal ausência “ da paz, do pão, habitação, saúde” que hoje tem outros nomes como dignidade, educação, trabalho, oportunidades, justiça, futuro para os filhos… já lá vai o tempo em que as necessidades das nossas aldeias eram a electricidade, as comunicações, a água canalizada e o saneamento – os homens do poder demoraram tempo a mais em disponibilizar essas necessidades básicas e esqueceram que há muitas mais necessidades, bem mais importantes, que as necessidades básicas, porque essas, como o próprio nome indica – são básicas – mas há muitas outras que são necessárias para que com elas, as populações fiquem nas suas terras porque querem ficar – são essas que nos poderão levar a um desenvolvimento sustentado – está nos livros, só que a gente do poder ou depressa esquece aquilo que aprende ou então não anda a ler os livros certos.

 

E com esta me vou. Amanhã não deixem de ir votar, mesmo que não tenham em quem!

 

Hoje ainda vamos ter por aqui os “Pecados e Picardias” de Isabel Seixas e “A missa do 7º dia” de Luís Fernandes.

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