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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Ago11

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves


 

O Ary regressou do Rio Grande do Sul para os tachos de um dos muitos restaurantes e casas de pasto de Chaves, nesta época a mudarem a cor da contabilidade, que desceu dos falsos onde no resto do ano vivem ou subiu da cave onde sobrevivem.

 

Nos dias de feira disputam-se lugares, como no casino, sítios às mesas ou às máquinas de tavolagem.

 

Casino que é agora o mesmo que a torre da igreja da paróquia ou a torre de menagem do castelo de Chaves ou de Santo Estêvão, omnipresentes no passado, e também guias de romeiros ou viajantes.

 

De tal modo, se o nobre fidalgo, D. Quixote, e o seu celebrado companheiro de andanças, Sancho Pança, trocassem os páramos de Castela e a Mancha, ou as terras de Extremadura, e campeassem pelo veiga de Chaves, na vez do célebre: “… con la iglesia hemos topado, Sancho…”; exclamaria: “…con el casino hemos dado…” 

 

O nosso amigo Ary, a par das panelas e se dedicar à generosa obra de recompor estômagos alheios, faz férias na terra natal, descansa a legítima, vigia mais de perto a administração de uns apartamentos no Algarve e quando a saudade gaúcha lhe oprime o peito, obriga o patrão a comprar carne de vitela de primeira e faz um assado…

 

Só falta o chimarrão!

 

Pelo meio ainda tem tempo, para debitar solenes brocardos, réstias de uma licenciatura em direito, inacabada, e uns tímidos trinados, temperos que pairam das comidas fumegantes, cibos de um afecto antigo e sempre presente pela música, que o levou a ter aulas de canto e gravar um CD, que empresta, entre tímido e orgulhoso, a quem mais dele se aproxima e tem trato amistoso.

 

Apesar da aparente desfeita de não poder usar a beca ou a toga doutoral, ganhou foros na cozinha, património quanto baste, um lindo lugar para viver em boa parte do ano, e no resto, entre as gentes das caldas, o regozijo, de verem melhoras na saúde e o apetite recobrado.

 

Bem-vindo Ary!

 

 

Como bem-vinda é a amiga Anne, professora de filosofia em Paris, que visita Chaves, todos anos, por esta altura. Mulher de meia-idade, cabelo louro aparado curto, pele trigueira onde resplandece o sol do entardecer. Dona de uns olhos azuis aquosos e lábios suaves, como escarabunhas de romã e um sorriso sereno e acolhedor.

 

Numa das pequenas conversas, que mantemos às refeições, de mesa para mesa ou quando nos despedimos no final, deu para entender quanto gosta da profissão e o seu desânimo actual.

 

“E em Portugal, como é ser professor?”

 

Respondi, que provavelmente, o mesmo que em França.

 

Foi então, que ela, mantendo o sorriso perene quando fita alguém, pela primeira vez mostrou ligeiras rugas na fronte e sombras pairaram sobre o azul-marinho dos olhos.

 

“Ah! A educação dos jovens … e os pais?” - suspirou.

 

Como lhe era visivelmente desagradável, passou a falar de como gostava da cidade, das pessoas, da comida e do prazer que tinha de aprender e falar a língua portuguesa, o que já fazia muito bem, sem sotaque e pronúncia perfeita, embora por vezes não compreendesse uma ou outra palavra ou expressão. Denotava atenção e estudo. 

 

Ironicamente, mesmo ao lado, uma família de emigrantes portugueses em França, abjurava da língua natal.

 

Quando saí do restaurante, ainda com a imagem da encantadora Anne na mente, dei por mim a recordar o valente pontapé no rabo, que levei do doutor Ângelo e que me fez projectar directamente para o passeio, sem pôr os pés nos degraus exteriores do baixo que dava para a rua Direita, onde ele e o irmão – este no compartimento contíguo e interior -,  davam explicações de matemática e física.

 

Por coincidência no mesmo instante passavam os meus pais. O doutor Ângelo empalideceu.

 

Os meus pais sorriram, condescendentes e disseram-lhe: “Não se preocupe, certamente foi porque o mereceu.”

 

Só muitos segundos depois, o antigo veterinário municipal, conseguiu balbuciar:

 

-“ Este rapaz é muito inquieto e desatento…”

 

 

 

Logo de imediato e como se estivesse a percorrer com os dedos fichas de arquivo, surgiu o doutor Costa, e um famoso estalo que dele levei – digo famoso, porque estou sempre a repetir a história -, numa aula, desta vez sem razão que o justificasse. Quando o doutor Costa se apercebeu, da injusta punição, consolou-me:

 

-“ Deixa lá, rapaz, na próxima diz que tens um de crédito!”

 

Não demorou muito que o feitio azougado e a vontade infantil de ser gracioso, me levasse a fazer qualquer maroteira, pois podia o professor esquecer-se…

 

Quando a fiz, já o doutor Costa tinha a mão no ar… Eu, já descrente da escrituração contabilística do vice-reitor do Liceu Nacional de Chaves, consegui dizer:

 

- “ Sô doutor, tenho um de crédito…”

 

A mão fechou-se em punho e apenas recebi um ligeiro toque com os nós dos dedos na cabeça.

 

- “ Agora, já sabes, estamos quites!”

 

 Mário Esteves

 

03
Ago11

El contador do Castelo


 

 

 

Há coisa de um ano deixava aqui um post com o mesmo título. Como o post ainda continua actual, simplesmente o deixo aqui de novo. Claro que o número do contador aumentou:

 

 

Este blog é assim, vai perdendo umas crónicas, mas vai ganhando outras, principalmente aquelas que se relacionam ou pretendem fazer um serviço público à cidade de Chaves. O Repórter de Serviço continua a andar por aí e vai continuar a andar, mas hoje surge com uma nova crónica “El Contador” e pretende ir de encontro a promessas, obras e afins que entraram em fase de esquecimento ou há muito estão esquecidas. Coisas geralmente simples de resolver, mas que fazem a diferença e em nada contribuem para uma cidade de Chaves melhor, principalmente aos olhos de quem nos visita.

 

É tempo de contar o tempo que o tempo demora a resolver esses pequenos pormenores que fazem grandes diferenças. Uma rubrica que se irá repetir aqui a contar os dias que determinados “casos” demoram a resolver, iniciando hoje com as obras do Castelo (Torre de Menagem), cuja história se resume em poucas linhas:

 

A História

 

Em Agosto de 2008 um turista que visitava o castelo reclamou pelo mau estado de conservação do telhado da torre de menagem. De imediato e a fim de se proceder à reparação do telhado, a Câmara Municipal mandou encerrar o terraço do Castelo. Se a pronta decisão foi de aplaudir, já não o é o tempo em que as tais obras demoram a fazer ou a iniciar, ainda para mais tendo em conta que o terraço do castelo é um autêntico miradouro sobre o centro histórico e o principal atractivo para a penosa subida de toda a escadaria. Sei que a maior parte dos visitantes reclama (por sentir-se enganado) por lhe ser vedado o acesso ao terraço e às vistas sobre a cidade. O Facto é que já lá vão mais de 2 anos e nada (nem sinais) do raio das obras de substituição de meia dúzia de telhas se iniciarem. Já é tempo do tempo ditar por aqui o tempo que essas obras demoram a fazer. Assim, a partir de hoje, vamos iniciar o contador do tempo, em dias, que o terraço do castelo fechou para obras:

 

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Contador actualizado

 

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Os factos

 

Continua-se a aguardar que a Stª Engrácia se decida, para já, a iniciar as obras!

 



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