Pedra de Toque - Os Emigrantes
OS EMIGRANTES
Estão por cá.
Vieram muitos, mas já não são os mesmos que por cá gozaram férias nas décadas de sessenta e setenta.
Já não ambicionam a moradia construída na aldeia, já não compram os prédios (terrenos), na terra que os viu partir.
Na vila ou na cidade só compram muito pouco ouro ou nenhum e gastam menos nos estabelecimentos comerciais. A crise está em toda a Europa, em todo o mundo.
Chegam com filhos e netos, alguns deles estudados, que em boa parte, infelizmente, só falam francês.
Muitos já vão gozar uns dias de praia antes de virem abraçar os familiares que os esperam.
Com a sua presença, neste Agosto acalorado, enchem os restaurantes, cafés e supermercados da cidade, e perturbam (no bom sentido, claro) a pacatez e sossego das aldeias onde são recebidos com alegria pelas populações.
Não perdem o arraial da terra que animam e para o qual contribuem, não deixando de enriquecer os andores da procissão ornamentados com cetim colorido e com esmolas para a padroeira.
Nos países onde labutam são estimados e considerados gente de trabalho.
Os mais velhos ainda mantêm muitas saudades deste nosso velho rincão.
Saíram numa aventura difícil em busca de vida digna mas dos países onde se encontram procuram ajudar a Pátria mãe que não esquecem, e que já foi madrasta, não deixando nunca de vibrar com o nó na garganta e lágrima no olho, quando o Hino soa.
São também a diáspora no velho continente.
Porque são nossos compatriotas, porque trabalham duramente mas com dignidade, pelas economias que vão enviando para o país e pelo seu amor a Portugal, merecem que os recebamos de braços abertos.
António Roque





