Umas no cravo outras na ferradura, ou será serradura…?
Na ausência da habitual crónica das terças-feiras, a “Pedra de Toque” de autoria de António Roque, que continua de férias, convidamos o “Repórter de Serviço” a dar uma voltinha pela cidade para ver aquilo que toda a gente vê, alguns ignoram, muitos não estranham e a maioria está a marimbar-se para o assunto tratando a coisa pública como uma coisa que não é de ninguém e sobre a qual não tem responsabilidades nenhumas, e esse, é o grande mal de muita gentinha. Eu costumo dizer que este alheamento do que é de todos está ligado à falta de chá para curar algumas maleitas ao longo da vida das pessoas. Falta de chá em casa, mas também nas escolas onde a educação extra-curricular, ou educação cívica, ou formação, ou aquilo que lhes queiram chamar, na prática não existe, e os professores (a grande maioria embora não todos) se excluem dessa missão de educar (o extra-curricular) defendendo muitos que a educação é em casa que se dá e isto, não são contas de outro rosário, mas deste rosário que é o de viver com os outros onde o que é público e o respeito pelo que é publico é de todos e só assim não é entendido, pela tal falta de chá que leva as pessoas ao alheamento. É assim que penso até que alguém me prove o contrário e o mais grave, é que esta atitude individual acaba por tomar de assalto atitudes das instituições, empurrando de umas para as outras os problemas e alheando-se elas próprias da coisa pública.
Por outro lado também não faltam por aí alguns iluminados que se acham detentores de toda a sabedoria, que não aceitam críticas, que são duros de ouvido e que quando lhes é dado um pouquinho de poder decisório que seja, tendem em tornar-se donos da(s) coisa(s) pública(s), e não estou a falar só de políticos, mas também de outros iluminados de instituições e até técnicos que são chamados a colaborar com esses iluminados e impõem a sua vontade pessoal à vontade pública e ao bom censo que sempre deve imperar em tudo na vida.
Depois há também o “deixa andar”, o passar ao lado, o ignorar. Desde que ninguém chateie ou levante ondas, é muito mais cómodo, não dá chatices e sempre deixa mais tempo para alguns devaneios e só depois da casa arrombada é que se metem as trancas na porta, como costuma dizer o povo e muito bem, tal como diz que os males devem atacar-se pela raiz ou mais vale prevenir que remediar.
Para hoje o repórter de serviço trouxe algumas imagens que ilustram bem algumas das partes do texto (para alguns, pois muitos nada verão nestas imagens). Coisas muito simples e pequenas de fácil resolução até, como no caso da última imagem onde finalmente o Monsenhor Alves da Cunha teve direito a um lugar (à sombra), não tão nobre como o que ocupava antes, mas está na Praça com o seu nome, o que já é alguma coisa. Coisas simples e pequenas que podem fazer a diferença, pois quanto às grandes, essas sim, já são contas de outro rosário que não podem ser tratadas aqui com a leviandade de um repórter de serviço.






