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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Set11

Discursos Sobre a Cidade - Por José Carlos Barros

 

A Arte de Furtar

 

texto de José Carlos Barros

 

 

Pareceu-me reconhecê-la logo [conta João Marcos]. É verdade que dezasseis ou dezassete anos mais tarde temos pelo menos dezasseis ou dezassete anos a mais: mas uns olhos daqueles não esquecem: só podia ser ela. Encontrámo-nos num grupo de amigos comuns, numa noite com muito álcool e música techno, e ficámos ambos à defesa. Pensava eu. Acontece que a Luísa, ao segundo gin, começou a falar-me como se nunca nos tivéssemos conhecido. Como se nunca nos tivéssemos beijado. Como se nunca tivéssemos dormido e acordado juntos. Como se a memória desse tempo antigo não tivesse a ambos marcado a navalha na pele uma cicatriz indelével.


A conversa levou-nos aos livros. Livros que ela referia e eu não conhecia e que começava a sentir que podiam afastar-nos irremediavelmente. A Arte de Furtar, por exemplo. O quê? Eu não conhecia o Manuel da Costa? Defendi-me. Invoquei leituras, autores, edições: o Borges, o Borges do Jardim dos Caminhos que se Bifurcam ou da Seita da Fénix, o S. Paulo do Pascoaes, o Italo Calvino, a capa verde da edição de 1960 de As Mãos e os Frutos, um exemplar autografado da Carta ao Futuro. Tudo muito certo: mas como era possível que eu não conhecesse o Manuel da Costa?


A coisa correu mal. Luísa afastou-se ostensivamente, colou-se ao Afonso, saíram juntos, muito íntimos, com alguns risos a elevarem-se acima da linha de fumo e a sobreporem-se à música de bombos de feira.

 

No dia seguinte acordei a meio da manhã. A boca numa lástima, o estômago numa lástima, a cabeça numa lástima. Levantei-me, tomei o pequeno-almoço no Arsénio e corri à livraria do Carlos a perguntar se não tinha a Arte de Furtar, de um tal Manuel da Costa. Que raio: tinha vendido no dia anterior o único exemplar: «Uma sujeita: ontem à tarde. Vinha comprar o Público, acabou por levar o livro. Mas posso pedir à distribuidora, vê lá, é coisa de quatro ou cinco dias.»

 

Que não, obrigado.

 

Regressei ao Arsénio. Pedi uma imperial. Mergulhei no Diário de Notícias. O sol entrava pelo vidro grande da Avenida de Sangunhedo e incomodava-me. Levantei-me para mudar de sítio quando a Luísa acabava de entrar: calças de ganga, camisa de quadrados, uns óculos escuros, cara de quem dormira pouco. Fiquei especado a olhá-la. A história repetia-se: era como se não me conhecesse. Sentou-se na mesa do canto, levantou o braço a exigir a atenção do Arsénio. Atrevi-me, aproximei-me: «Como está, Luísa?» Olhou-me com despeito, que desculpasse, que não me conhecia, que lhe desse licença. Pediu uma água das Pedras.


Paguei e saí. Fiquei por instantes no passeio de granito polido, as pessoas passavam sem pressa. E, de súbito, uma mulher aproxima-se, olha-me, pára, olha-me de novo, corre na minha direcção, abraça-me, afasta-se ligeiramente, olha-me mais uma vez, abraça-me de novo. «Lembras-te de mim? Meu Deus, há que séculos que a gente não se vê...» Era a Luísa e sorria. Trazia um vestido de Verão, esvoaçante, verde e azul. E, na mão esquerda, o livro de Manuel da Costa: a Arte de Furtar. Virei-me num sobressalto, olhei para o interior do café através do vidro grande: mas não havia ninguém na mesa do canto: não havia nenhuma mulher, nenhum copo, nenhuma garrafa verde de água com gás.

Os cotovelos apoiados no balcão, a cara amparada nas mãos, o Arsénio seguia com o olhar os movimentos de uma mosca que subia e descia, em piruetas aflitas, investindo contra a vidraça do café deserto.

 

30
Set11

13º + 2 dias sem telefone e internet

 

13+2 dias sem telefone e internet, mas nesta segunda fase até me vou conformando, não com a espera e a ausência dos dois serviços, mas com a verdade e a realidade da situação, agora explicada, e quando assim é, temos que nos render e compreender por muito que a realidade custe. Felizmente ainda há gente com bom senso dentro das empresas que nos trata como pessoas e não como números. Com isto, não quero desculpar os maus serviços prestados, esperas, incompetência e o engano constante do serviço de avarias (o tal nº 16208).

 

Agora informado que (possivelmente) antes do dia 7 de Outubro não terei telefone e internet, vou até lá deixar os desabafos de parte, mas a contagem diária vai continuar e assim, servirá de pretexto para uma foto diária num post extra.

 

Até amanhã com o 13º+3 dias sem telefone e internet.

 

Já a seguir, mais um “Discurso sobre a cidade” de autoria de José Carlos Barros.

29
Set11

O Homem Sem Memória (69) - Por João Madureira

 

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

69 – Aquele foi o Verão do seu contentamento. Acordava cedo e lia, quando podia, ou então, quando se deitava tarde, dormia mais um pouco para arranjar forças para brincar. Havia mesmo manhãs em que se levantava com as galinhas e ia para o seu forte, que era o terraço que servia de telhado à casa de banho, esperar pelo nascer do sol. Ali, com o seu chapéu à Daniel Boone, chorava de emoção quando via os primeiros raios de sol expandirem-se por cima do cume das montanhas. Este exercício de vigilância territorial era repetido ao pôr-do-sol, quando o José endireitava o seu chapéu de pele de raposa e entoava com a boca, transformada em cornetim, o hino do recolher dos seus féis exércitos imaginários.


O estranho chapéu à Daniel Boone resultou de uma investida solitária ao monte em busca de inimigos, que tanto podiam ser índios, como cowboys renegados, ou rebeldes sulistas. Numa dessas incursões deparou-se com uma raposa ferida de morte. Assinalou o local e deixou o animal entregue à sua sorte. Podia ter sido ele a dar-lhe o golpe de misericórdia, mas deixou que fosse o tempo a finalizar a tarefa. O José não conseguia matar nem uma mosca, quanto mais um animal belo e agonizante como aquele.


Passou lá no outro dia e encontrou, como esperava, o corpo inerte e frio do animal. Trouxe-o para casa e pediu a um amigo peleiro que o esfolasse e curtisse a pele. Depois levou-a a um alfaiate para dela fazer um boné com base numa fotografia do Daniel Boone publicada numa revista.


Passou a ser o herói do bairro. O ídolo das raparigas, que namoriscava sem se comprometer com nenhuma. Muitos dos seus amigos achavam-lhe graça e, de certa forma, admiravam a sua propensão para a fantasia. Via-se que não era como os outros. Vivia num mundo muito próprio. Alimentava-se de mitos, sonhos e conquistas.


Arranjou um amigo tão estouvado e tão solitário como ele que tinha um nome feminino. Todas as tardes partiam à desfilada, nos seus cavalos loucos, para o meio dos montes onde construíram cabanas de pinheiros e giestas, onde assavam as galinhas e os láparos caçados nas capoeiras e nas coelheiras dos seus familiares, onde bebiam os licores de laranja e anis preparados à base de concentrado adquirido nas farmácias, ao qual misturavam aguardente bagaceira e uma boa dose de açúcar. Fumavam cigarros feitos de barbas de milho seco ou, quando encontravam uma tribo de índios amiga, fumavam fortes cachimbadas de ervas aromáticas, até ficarem atordoados, à volta da fogueira e bebiam a meias, de garrafas especiais, os licores balsâmicos e açucarados.


Pescavam nos rios bogas, escalos, panjorcas, percas-sol, pimpões, trutas mariscas e enguias que abriam e secavam ao sol, ou davam aos gatos, ou se atreviam a assá-las num bom braseiro, ou então vendiam o peixe a algumas famílias com posses, e o que ainda sobrava entregavam-no ao asilo dos velhinhos, com a nítida intenção de alimentar os mais necessitados, mas o peixe do rio ia sempre parar ao prato do senhor abade, e de uma ou outra freira mais próxima da influência eucarística do guia espiritual, numa boa sertã recheada de suculentas postas fritas com cebola, tomate e pimento, que acompanhava com batata cozida, broa centeia e vinho branco de uma colheita privada de Arcossó.


O Graça – assim se chamava o seu amigo – vivia com a avó, pois a sua mãe tinha morrido vomitando os bofes devido a uma intoxicação de gás provocada por uma fuga de um esquentador instalado dentro da casa de banho. O seu pai, um sargento do exército português condecorado pela sua coragem em combate em comissões de serviço nas províncias ultramarinas (e coleccionador de orelhas e dedos de turras), vivia agora um segundo casamento onde não cabia o seu primogénito. Houve ainda uma tentativa que correu muito mal, pois um dia o Graça insultou a sua madrasta dizendo-lhe obscenidades e mostrando-lhe o pénis de forma ostensiva. Esta era a sua forma de marcar terreno em relação às fêmeas. Quando o irritavam, ou o provocavam, ou olhavam muito para ele, de imediato baixava as calças e as cuecas e ostentava o falo como se fosse um troféu de caça.


Nesse mesmo dia, quando o pai chegou a casa, tratou de o amansar com um chicote (ó ironia das ironias) feito de pénis de boi que o deixou às portas da morte. Dali foi para o hospital em estado de coma. Quando recuperou, passados alguns dias, foi entregue aos cuidados da sua avó materna, que lhe dedicava um carinho especial e que era recíproco.


Um dia, o José e o Graça, resolveram envolver-se numa luta feroz contra um bando de escoteiros mirins comandados por um meia leca de calções e chapéu colonial emprestado pelo seu pai, que era soldado da GNR. Ambos e dois lhe tinham uma raiva muito particular. Sobretudo porque tinha a mania que era bom, que se sabia impor e arregimentar soldados para o seu pelotão. Verdade é que os tratava com uma varinha de salgueiro e os vigiava com monóculo de plástico de fabrico próprio, numa tentativa de imitar o seu herói preferido, o General Spínola. O zelo era tanto, que, por vezes, à falta de animal para cavalgar, montava no lombo de um dos seus apaniguados, que tinha uma queda especial para fazer de burro. Como também não tinha cães, socorria-se de outros dois rapazes que eram especialmente dotados para rosnar, ladrar, seguir pistas, mijar junto dos troncos das árvores alçando a perna, e morder a barriga das pernas do inimigo.


O pai deste garboso capitão mirim era conhecido por, usando o seu carisma e prestígio de GNR zeloso e autuador, pois passava multas por tudo e por nada, conseguir alimentar a família à custa do povo temerário que ele patrulhava na companhia de outro imbecil do mesmo calibre. Sempre que as batatas, as cebolas, as couves, os grelos, as galinhas, os coelhos, um que outro cabrito ou cordeiro para os dias festivos, um que outro leitão para cevar lá em casa, atingiam o ponto crítico na despensa ou na corte, e o fumeiro desaparecia na arca do centeio, o mirim sénior fazia-se encontrado com determinado agricultor e encomendava-lhe aquilo que lhe faltava a troco de um próximo pagamento. Quando recebesse o vencimento prometia pagar, até com juros. Lá prometer prometia, mas nunca cumpria. Os pobres homens tinham-lhe medo e metiam-se em copas. Algum, menos avisado, a princípio ainda teve a ousadia de ir pedir-lhe o que lhe era devido. Ele prometeu-lhe, mais uma vez, ir pagar-lhe no dia seguinte. E cumpriu com o prometido. Mas, imediatamente a ter feito o pagamento, inspeccionou tudo o que tinha a inspeccionar, desde a licença e as vacinas dos cães, o tamanho da ponta metálica da aguilhada, as chedas dos carros de bois, a licença e porte de armas da caçadeira, as vacinas dos bovinos, a permissão de abate dos cabritos e dos porcos, a autorização para os galináceos que andavam pelas eiras e pelos caminhos a invadir propriedade privada, a autorização para a venda dos restantes animais, das batatas e dos feijões, a licença das navalhas e dos isqueiros espanhóis, enfim tudo o que podia ser escrutinado foi-o duplamente e o dinheiro que tinha recebido nem sequer deu para um décimo da multa que se viu obrigado a pagar ao Estado. Foi lição definitiva. Todos vendiam ao GNR a troco de um sorriso e de uma promessa de pagamento que era de imediato esquecida.  


70Emboscada ao capitão escoteiro mirim do monóculo de plástico. Cena 1(take 3). O capitão escoteiro de chapéu colonial e monóculo, batendo ...

 

(continua)


29
Set11

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves

 

Normalmente escrevo a crónica de quarta na terça-feira à tarde ou à noite para dar tempo ao Fernando para a poder ilustrar com a sua arte de fotógrafo. Isto quando a necessidade ou o azar não alteram os planos.


Curiosamente, já nos vimos em situação inversa.


O Fernando era um jovem inquieto, quando me pediu que ilustrasse a capa de um livro de poemas de sua autoria, que por certo venceu então um Prémio Ferreira de Castro, destinado aos jovens valores que se destacassem nas letras.


O livro que eu possuía perdeu-se no pó do tempo e apenas tenho uma fotocópia do esquiço, algures arquivado. Estou farto de pedir, diria mesmo implorar, que me ceda um exemplar que ainda tenha lá pelo sótão, na arca de recordações, mas o Fernando, por uma razão ou outra tem-me negado o acesso.


De tal modo, que, perante tanta insistência minha e subterfúgios dele, dá para crer, que neste assunto há grosso mistério, ou então o livro extinguiu-se, devorado pelas chamas da pira das ilusões juvenis e comungando no mesmo destino as minhas pretensões artísticas.


Logo na altura, foram contestadas por outro jovem talentoso, crítico de arte “in potentia”, que me acusou do nefando e execrável crime de plágio.


O que disse antes, repito agora: Inocente!


O tempo, principalmente este, tem desbastado esta minha ambição, não por falta de qualidades, que ainda creio ter, mas primo a vidinha, que mesmo assim muito desperdicei, ganhar o “pão-nosso” diário e depois a devoção.


Que isto das artes é coisa de boémios e de valdevinos sem eira nem beira.


Mais ao menos o que me sucedeu quando disse ao meu pai que pretendia seguir um curso de letras e ele se encarregou num ápice de me desvanecer os sonhos, espetando-me abruptamente: “Então vai para Direito, que sempre ganharás coisa que se veja e és tratado por doutor!”


Recentemente visitei a casa de um amigo e colega da mesma geração, a quem fiz uma caricatura a tal preceito, que a colocou no quarto de dormir, já então de casal. Não acredito que fosse um elemento decorativo muito apropriado para um sítio de tanta intimidade, mas não posso ocultar o prazer e a vaidade que me davam tal proeminência no seio familiar.


Ora, acontece que neste reencontro, não deixei de espreitar para o quarto, mas a caricatura tinha desaparecido e em seu lugar encontrava-se um destes quadros, que pendurados da forma que se entender, aquilo sempre ganha alguma expressão e espavento e faz as visitas ficarem invejosas e pespegarem outro igual em sua casa.

 


Intrigado pelo destino da minha obra-prima, fui acompanhando o amigo pelas divisões da casa até descermos à garagem, na qual mantinha uma pequena oficina a que se dedicava nos momentos de lazer e todo eu tremi quando olhei para a parede e senti as dolorosas setas da postergação… Entre ferramentas, um calendário do ano corrente, lá estava o meu fruto de génio incompreendido.


Com o olhar compungido, o amor-próprio pelo solo, escutei:


“- Como vês ainda aqui continua a fazer-me companhia…”


Mas o mais amargo trago ainda estava para vir.


Em tempos estava num restaurante, na companhia de um arquitecto e um futuro proprietário de um estabelecimento de entretenimento nocturno, que se preparava para nos próximo dias inaugurar, não o tendo ainda baptizado nem ideias para decorar a fachada principal.


Acabado o jantar, cada um, foi debitando nomes e sugestões, até que eu, num guardanapo de papel, depois de alisado com todo o cuidado, adoptando uma grafia própria, rabisquei um nome e sentenciei:


- Bem, o nome vai ser este, a colocar nesta caligrafia na fachada e a decoração exterior, na minha opinião …


E desfiei a meu gosto qual o aspecto exterior que deveria ter a fachada.


O arquitecto agarrou no bocado do papel e exclamou:


“- Esplêndido e também concordo com a decoração…”


O proprietário embora tivesse outros nomes e outro tipo de decoração em mente, vendo o entusiasmo do arquitecto, acabou por concordar com as minhas sugestões e acredito que até acabou por aceitá-las como inspiradas e com satisfação.


E assim ocorreu.


Todavia, também aqui a sanha do tempo e uma gerência incomodada pela minha influência e de certo modo, pelas minhas peugadas temporariamente imortalizadas no local, não descansou enquanto não as fez desaparecer, arrancando o primitivo anúncio e até alterar o nome!


Quando passamos pelo Largo de Camões, é já com algum temor que olhamos para as montras das agências funerárias que existem em frente e para os papéis nelas afixados:  “É com profundo pesar que família enlutada comunica …”; e vacilamos quando neles vemos em destacado, nomes e fotografias de amigos ou tão só conhecidos; também idêntica sensação de perda e profunda tristeza temos quando algum vizinho abandona a nossa rua e vai morar para outro local, quase sempre afastado do centro histórico de Chaves.


Desta vez é uma família, várias gerações a viverem na rua do Bispo Idácio e a trocá-la por paragens mais tranquilas e menos perigosas. Podem dizer que sucede por todo o lado. No entanto não é apenas um abandono, nem só a rua que definha … é Chaves. Ou pelo menos um certo conceito da cidade. Poderá não ser moderno, nem actual, mas não creio que o presente modelo que à força ou de forma subtil nos vão impondo, deixará tantas saudades.


O amigo Luís Geraldes, o justo afamado Lila, jogador do Flávia Sport Club e do Desportivo, o génio dos dribles incríveis, que até se dizia dele, passar por baixo das pernas dos adversários, foi não a sirene, mas o relógio de ponto que marcava o fim da jornada, fosse de manhã ou à tardinha, saísse do Café Geraldes ou da Papelaria.


Subia a rua de Santo António, a ladeira da Brecha e chegado à rua Bispo Idácio, estava em casa. Pelo caminho, cumprimentos amigos a toda a gente, à dona do antigo Bar Mondariz, à dona Palmira, mais recente, e quando eu o via passar, sabia que eram horas de fechar o escritório.


Agora deixou de subir a Ladeira da Brecha e dá a volta pela rua Direita e depois corta na primeira travessa, onde o João sapateiro, tira o avental, arruma os trabalhos e prepara-se para fechar a oficina até ao dia seguinte.

 

Mário Esteves

29
Set11

13º + 1 dia sem telefone e internet

 

Hoje vou directo ao assunto da PT Comunicações, S.A., mas com uma pequena diferença, pois em vez de entrar no 14º dia consecutivo se telefone e internet, entrei no 13º+1 dia sem esses serviços. Eu explico melhor : Ontem dizia eu a este respeito que poderia ser que o nº 13 me trouxesse sorte em vez de azar, mas resolveu trazer-me as duas coisas, pois durante a manhã um técnico que trabalha para a PT resolveu o assunto das ligações mas meia hora depois já estava outra vez sem telefone e internet graças a um incêndio nas proximidades da minha casa, e, embora graças à rápida intervenção dos bombeiros pouco tivesse ardido, ardeu o suficiente para queimar os cabos da PT.  Estou condenado. Entro assim no dia 13+1 sem telefone e internet. Mas nem tudo é mau, pois graças a esta contagem, sempre vou publicando mais uma fotografia da terrinha por dia.

 

Prevejo que esta contagem seja mais um até amanhã, com o dia 13+2.

 

Já a seguir, deslocada do dia habitual, a crónica de Mário Esteves com as “palavras colhidas do vento”. Mais logo, lá para o meio-dia, a habitual crónica de João Madureira com “Um homem sem memória”.

 


28
Set11

Chaves não muito antiga e mais uma vez Obrigado PT

 

Muito antes das campainhas eram estes os batentes que chamavam às portas das casas. À modernidade ainda resistem alguns, mesmo que ao lado esteja uma campainha.

 

E é precisamente no 13º dia sem telefone e sem internet que eu espero que a campainha da minha porta também toque e que do outro lado da porta apareça um técnico da PT Telecomunicações S.A., pelo menos foi essa a promessa de ontem, quando pela primeira vez a PT me contactou. Há que ter esperança que este 13 seja de sorte.

 

 

 

Esperança também de ainda hoje termos por aqui as “palavras colhidas do vento”, de Mário Esteves. Enquanto não chegam, ficam duas imagens de Chaves não muito antiga mas já algo diferentes do estado actual, principalmente nesta última do Arrabalde, ainda povoado de clipes e ainda sem escavações arqueológicas em frente ao tribunal.

 

 

27
Set11

Ocasionais - O Coração da Cidade

 

“O CORAÇÃO da CIDADE”

 

 

O coração da cidade!


Era nas “Freiras”!


Os “Bombeiros”, a “GNR”, a “Caixa Geral de Depósitos”, os “Correios”, o “Xavier”, o “Aurora”, o “Lopes”, o Liceu, o “Maximino Vilanova” e o “Sport” formavam uma moldura que lhe acrescentava brilho e encanto.


Violetas e amores-perfeitos salpicavam com sorrisos os canteiros.


E os arbustos floriam em competição com as roseiras.


Nas copas das árvores, alguns piscos e tantos pardais jogavam ao romisco. À sua sombra estacionavam os automóveis dos ricaços e dos morgados.

 


A meio da tarde, o Tio John americano de Vila Meã dava voltas ao Jardim das Freiras com o seu Oldsmobile-Garden-State descapotável cheio de lindas raparigas!


Só um Volvo V18, cor de tijolo, lhe discutia a competência!


De hora a hora, crianças do 1º Ciclo (1º e 2º Ano do Liceu) davam corridas à volta dos canteiros, brincando à apanhadinha.


De hora a hora, jovens do 2º Ciclo (3º, 4º e 5º Ano) sentavam-se nos bancos do Jardim a «tirar dúvidas» de Físico-Química ou de Geografia e a tentar resolver equações apaixonadas.


De hora a hora, meia dúzia, ou dúzia e meia, de raparigas e rapazotes do 3º Ciclo (6º e 7º Ano) atravessavam para o “Ibéria”, onde tomavam café e estímulos visuais nas revistas clandestinas   -   não, que a moral e a censura impunham limites às tentações pelo olhar, quanto mais pelo sentir ou apalpar!

 


Subia-se a «Ladeira da Trindade» para se ir dar umas tacadas no “Brasília”; subia-se a ladeira dos Bombeiros para uma jogatina de futebol na Lapa.


Os parzinhos mais comprometidos aproveitavam o intervalo para dobrar a esquina da Rua do Olival, à esquerda ou à direita, e regressar ao Liceu, cada um pelo passeio contrário; ou o «furo», para subirem à Lapa, fingindo ir assistir ao «Jogo de Futebol», mas virando à direita pelas traseiras dos “Bombeiros”, em direcção à Rua do Olival, conquistando o espaço entre as árvores entroncadas e frondosas.


Pelas portas do “Maximino Vilanova” entravam e saíam juízes e conselheiros, lavradores e carpinteiros, “passadores” e contrabandistas para trocar escudos por pesetas, logo cambiadas em Feces, por caramelos, bacalhau, polvo, pedras de isqueiro ou «Tabu”.


Usava-se chapéu.


Mas a boina dava mais classe ao olhar de esguelha com que se media a distância do soquete à bainha da saia plissada da rapariga que se trouxesse debaixo de olho.


Só um Afonso é que nunca, até aos dias de hoje, deixou de usar boné!


Talvez aí se esconda o segredo da sua genialidade!


… era nas “Freiras”!

 

Luís Fernandes


27
Set11

Chaves não muito antiga e mais uma vez Obrigado PT

 

Hoje vamos passar pela Rua da Ordem Terceira, um cantinho que já não existe, assim, como está na foto, pois um incêndio na madrugada de 6 de Abril de 2009 destrui as duas habitações que se vêm ao fundo da imagem.

 

Antes de terminar, fica aqui, mais uma vez, o já habitual agradecimento à PT Comunicações, S.A., por me brindar com o 12º dia consecutivo sem telefone e internet.

 

Obrigado PT Comunicações.

 

Já a seguir, uma “Ocasional” de Luís Fernandes.

 


26
Set11

Intermitências - Ainda há potes ao lume em Trás-os-Montes

 

 

Ainda há potes ao lume em Trás-os-Montes


A geração nascida no pós 25 de Abril lembra-se vagamente dos potes ao lume. Junto às lareiras das cozinhas das minhas avós, lá estavam eles: numerosos, imponentes, sujos de cinza e senhores do seu lugar, a ferver as batatas, as couves, as linguiças e as orelhas de porco.


- “Não sabes o que é bom!”, dizia-me o meu pai, enquanto eu acompanhava a minha insossa batata de uma fatia de fiambre pensando como era possível uma alma, seja de que tempero e por que frio fosse, gostar de uma carne peganhenta, esponjosa e… branca. “Quando era pequeno, também não gostava de couves!”, argumentava o meu pai, exibindo-me o seu garfo, que segurava uma generosa folha verde fumegante, ainda a escorrer água.


- “Agora é tudo assim… Habituam-nos mal!”, metia-se a minha avó. E logo continuava: “No meu tempo…”


Pois no meu, “graças a Deus”, já se comiam Suissinhos, Chocapics, Bollycaos, Tulicreme, pastilhas Gorilla, gelados Perna de Pau e Calipos, batatas fritas Matutano, pudins Boca Doce… E a lista bem podia continuar para confrontar e amaldiçoar os frigoríficos das minhas avós, quando em busca de um reconfortante prazer, a única coisa comestível que encontrava era uma manteiga Planta, um doce de abóbora e, de longe a longe, um pedaço de queijo flamengo. “E eu é que não sei o que bom…”, pensava para com os meus botões, discretamente sentada no escano, não me fossem obrigar a ingurgitar a “carne gorda” e as couves com a técnica do “não sais da mesa enquanto não acabares o que tens no prato”, o que acontecia frequentemente com sopa e tudo o que envolvesse legumes e a fruta sem brilho do quintal.


Volvida mais de uma década, não me imagino a passar um Inverno sem couves e grelos, uma Primavera sem cerejas, um Verão sem alface e um Outono sem maçãs, uvas, castanhas e os “carecas” do quintal do meu avô. O que mudou? Tudo e nada ao mesmo tempo. As coisas só têm a importância que lhe atribuímos. No que ao estômago diz respeito, “as notícias do país e do mundo” mostram que o que “está a dar” é a “agricultura biológica” e tudo ganha mais sabor. Certamente uma grande confusão na cabeça das minhas avós, que toda a vida só praticaram o que hoje chamam “agricultura biológica” que não é nem mais, nem menos, do que… agricultura. Faltava-lhe apenas devolver-lhe o natural valor que outrora tinha e que as gerações anteriores à nossa davam, num tempo em que não havia tomate espanhol, leite romeno, banana chilena importada de avião ou “fruta de beber”.

 

Fotografia de Sandra Pereira


Já falando de gerações, mesmo que todos saibam que não há melhores ou piores, porque são diferentes, a conversa do “no meu tempo” volta sempre. “Porque antes ninguém morria de bactérias com nomes esquisitos e envelhecia-se com saúde”, dirão uns. “Porque antes não se comiam prazeres tão variados e saborosos como crepes de chocolate com uma ou duas ou três(!) bola(s) de gelado ou generosos hambúrgueres, e poucos saberiam definir a sensação de fartura ou a de jantar num restaurante”, dirão outros.


A problemática geracional, que tantas vezes gera incompreensões, amarguras, mágoas, rejeições, separações e até ódios, não é uma questão de perspectiva. É apenas uma questão de valor. E de amor. Cada geração ama o seu tempo porque já o viveu e acredita que a seguinte ainda não o viveu, mas tem de o viver. Só que “cada época entrega às seguintes apenas aquilo que não foi”, resume o nosso génio nacional Fernando Pessoa. No final todas as gerações cometem um mesmo pecado: esquecem-se de valorizar o presente.


Hoje devoro couves (mesmo sem azeite), tal como o meu pai, que também ele não gostava delas quando era miúdo. Saboreio uma bela posta à transmontana de faca afiada como nunca algum dia sonhei ser capaz. Bebo vinho transmontano com deleite (quem diria?). Olho para a veiga flaviense com ternura, admitindo que um dia até poderei aqui envelhecer. Ouço as histórias agridoces e “malaguetas” da aldeia, dos bailaricos, da tropa, da guerra em África, da emigração “mala de cartão” para França, EUA, Suíça, e as dos “retornados” com genuíno interesse. Paro para acenar a conhecidos quando tropeço nos acasos da vida – “Ainda te lembras de mim? Da última vez que te vi, eras assim, pequenina. Agora estás uma mulher! E os teus pais estão bons?”.


E no entretanto, a minha geração procura dar rumo(s) à vida e um futuro ao estado de coisas. Afinal as gerações anteriores à nossa dizem mais de nós do que aquilo que queremos acreditar.

 

Sandra Pereira

26
Set11

Quem conta um ponto... Por João Madureira

 

O golfe, a feira medieval e a agenda cultural

 

R. virou-se de repente para mim e disse: “Um estudo recente feito por especialistas revelou que a cultura do golfe tem um efeito extraordinário na consolidação e desenvolvimento da democracia, do mercado livre e no incentivo para uma sociedade mais aberta. Os países, com uma cultura do golfe raramente entram em guerra e, quando o fazem, nunca lutam entre si. Já os países onde essa cultura não está implementada possuem um perfil marcadamente mais belicoso.”

 

“É um facto”, concordou o F. com uma pontinha de sarcasmo. 

 

“Faz todo o sentido”, continuou o R., “pois o golfe é o desporto da burguesia por excelência. E o que pretende a burguesia? Paz, claro está. E também pretende ordem e segurança. E deseja, ainda, uma estrutura social que seja propícia ao negócio, para que possa fazer aquilo que sabe fazer melhor, ganhar muito dinheiro. É esse o efeito civilizador da classe média, e, sem ela, a democracia morre na praia.”

 

“O problema é que no nosso país ela está a desaparecer”, lembrou o M. “E quando a classe média não consegue jogar golfe aproxima-se a bancarrota…”, “Ou uma revolução”, augurou o L.

 

Eu tentei por uma pouco de água na fervura: “Como muito bem diz Anatole Kaletsky, no seu livro Capitalismo 4.0, o mundo é demasiado complexo e imprevisível para que qualquer mecanismo de tomada de decisões seja consistentemente correcto, quer se baseie em incentivos económicos, quer se baseie em incentivos políticos. A experimentação e o pragmatismo têm, portanto, de se tornar palavra de ordem…”

 

“Tu lês muito”, atirou-me à cara o R. “És um poço de sabedoria.”

 

Ao que eu retruquei: “Leio muitos livros, mas não os suficientes para me considerar um intelectual. Nunca o fui e nunca o serei. Posso afirmar que nem golfe sei jogar. E isso, como muito bem quis dizer o R., é um entrave à democracia e ao desenvolvimento social. Na verdade, nunca me especializei em coisa nenhuma, nem em mulheres, nem em vinhos, nem em futebol, nem em cinema, nem em política. Considerei que era muito classe média-média, pois gosto de estar no silêncio do meu escritório, na modorrice do meu quarto silencioso e no conforto da minha sala a ver televisão em alta definição. Pensava que dessa forma contribuía para o aprofundamento da democracia, para a consolidação do mercado, para o estímulo de uma sociedade mais livre e aberta. Para a paz. Mas, sei-o agora, como não sou capaz de acertar com um taco numa bola pequena e enfiá-la num buraco exíguo, estou a contribuir para a bancarrota, ou para o eclodir de uma guerra, ou duma revolução.

 

“Todas as guerras deviam ser à maneira antiga, decididas em duelos de espada, cada qual utilizando a sua inteligência, a sua força e a sua habilidade”, lembrou com um brilhozinho nos olhos o F.

 

O D., que esteve calado até esse momento, foi quase logo ao que lhe interessava. Primeiro demoliu o golfe, que, na sua opinião, é um jogo para meia dúzia de manientos. Ele, que se afirma um rural empedernido, diz que gosta da tradição. Mas a tradição já não é o que era. Mesmo assim lembrou-se de dar como exemplo de boas práticas a realização da Feira Medieval. Disse que sim senhor, que esteve bem. Que na Idade Média é que se vivia com todo o recato. Gente simples, que ia feirar com o que tinha, sem se preocupar com o futuro. “Nessa altura”, lembrou o D. “vivia-se o dia-a-dia com simplicidade e agrado. E assim é que devia ser. O progresso matou a tradição, assassinou o convívio, estraçalhou a honra, depenou o amor, aviltou a amizade e defenestrou as relações sociais.”

 

O F. lembrou-lhe que na Idade Média as pessoas morriam como coelhos, passavam fome de rato, matavam-se por dá cá aquela palha e trabalhavam como escravos. “Por isso te digo que esses arremedos de feiras medievais que por aí se realizam são sucedâneos dos filmes de aventuras e, por isso mesmo, puros exercícios de ficção para enganar papalvos e vender bugigangas. Além disso, o que tu viste em Chaves tem muito pouco de feira portuguesa, ou ocidental. O rigor histórico é ínfimo. A falcoaria era apanágio de ricos, os encantadores de serpentes eram islâmicos, como islâmicas eram as danças do ventre, os suk, os karavansai e as jaymas. Isto já para não falar nas lendas tuaregues e berberes, importadas, especialmente, do Magrebe.”

 

“A mim”, disse o L. com toda a ronha do mundo, “o que me fascinou foi o parque infantil medieval. Isso diz tudo acerca das patranhas que por aí se vão efectuando com o nome de Feiras Medievais.”

 

Eu tentei pôr um pouco de água na fervura: “Se calhar isso é o que menos interessa. De facto, o circo foi interessante. Aquilo é um espectáculo montado para atrair pessoas. Para as divertir. Para…”

 

Mas o F. adiantou-se: “Para enganar papalvos. Para ir fazendo campanha eleitoral mesmo com as eleições ainda longe. É por estas e por outras que o país está à beira da bancarrota. Gasta-se aquilo que não se tem com objectivos de propaganda. Desbarata-se dinheiro em inutilidades. E depois quem paga somos todos nós que não fomos tidos nem achados nas decisões. É o pão e o circo para entreter o povo. E tudo isto sucede enquanto o país não cria empregos para oferecer aos desempregados e aos jovens, enquanto se corta na saúde, na educação e na segurança social. Faz-me lembrar o Titanic, que enquanto a orquestra tocava o navio se afundava, inexoravelmente.”

 

Depois de o deixar desabafar, tornei a teimar: “O público até interagiu com os músicos e os actores. É festa, é festa…”

 

“A festa acontece sempre antes da tragédia…”, tornou a perseverar no seu pessimismo o F.

 

Mas eu tornei a teimar: “Venderam-se produtos da terra, roupa, petiscos…”

 

Mas o F. tornou a interromper: “Isso vende-se sempre. Seja Feira Medieval, Feira dos Stocks, Feira dos Chás, etc. Além disso, e para vergonha nossa, as alheiras e as linguiças vieram da Guarda.”

 

Mas eu tornei a teimar: “Reconheço que este pagode já o vi em muitos outros lugares. O espectáculo é montado por uma empresa especializada. No entanto, foi agradável de seguir. Os artesãos…”

 

“Artesãos? Os poucos artesãos que por lá vi eram todos de fora”, exagerou, como é seu costume, o F.

 

Com a toleima com que o F. argumentava, não deu para continuar a conversar sobre a feira. Ele, quando quer, é mesmo mau. Por isso, resolvi ir para casa ver o debate no parlamento. Lá também teimam muito uns com os outros, exaltam-se e berram, como se fossem todos surdos. Isto apesar de terem microfones com muito bom som. Manias. Mas consigo ouvi-los sem me chatear, pois não são meus amigos. Além disso, aquilo que eles dizem entra-me por um ouvido e sai-me logo pelo outro. Se um diz bem de uma coisa, de imediato outro vem explicar o contrário. Parecem garotos. Ninguém se leva muito a sério. É tudo retórica. Tudo encenação.

 

Já um pouco fora da Feira Medieval e do Parlamento, abri a agenda cultural para me inteirar, e para vos dar conta, do que de mais relevante se passou na cidade, isto na perspectiva dos senhores que a elaboram, identificados no documento como o putativo “Gabinete de Apoio Técnico à Eurocidade Chaves-Verin”, seja lá isso o que for.

 

Informo os estimados leitores que, desde logo, a apresentação me fascina. A sua dimensão em harmónio é um dos seus elementos mais sedutores, senão mesmo o primordial. E os seus títulos em escada são, também eles, um elemento gráfico muito atraente, além de prático, pois a busca é instantânea. A capa da edição de Setembro traz dois saxofones. E eu também gosto muito de saxofones. E o fundo é azul. E eu também gosto muito do azul. Bastava apenas isso para ter o meu apoio. Mas toda ela é sumarenta e repleta de surpresa, evidenciando, desde logo, o forte apoio às artes por parte da autarquia e a oferta cultural no nosso concelho, que é vigorosa, diversificada e de grande qualidade.

 

Senão vejamos: Com a identificação de “todo o mês”, temos três actividades de topo, pois são as iniciativas com mais destaque na agenda: o mundo dos livros, a hora do conto e o curso de teatro. No entanto, relativamente à primeira iniciativa ela não passa de uma proposta, que se pode realizar… ou não, dependendo de marcação prévia por parte de grupos organizados. E também não é durante todo o mês, como erroneamente se veicula, mas apenas às terças-feiras, ou seja apenas quatro dias em vinte e tal possíveis. A hora do conto sofre do mesmo problema, pois só se realiza às quintas-feiras. Relativamente ao curso de teatro, não são prestadas informações específicas, limitando-se a agenda a informar os interessados que estão abertas as inscrições.

 

Claro que nas páginas da agenda também existem algumas propostas de música e uma que outra exposição. Mas o prato forte da agenda cultural continua a ser as concorridíssimas palestras no SPA do Imperador, nada mais, nada menos, do que seis, um workshop e três caminhadas. A interessantíssima temática da podologia deu agora lugar à alimentação e outras temáticas convergentes. A primeira foi sobre o rastreio de nutrição, a segunda foi o primeiro remake da edição de Agosto (Osteoporose e os seus factores preventivos), a terceira evidenciou a menopausa e a alimentação, a quarta abordou os mitos da alimentação, a quinta foi outro remake da edição de Agosto (A alimentação dos nosso filhos e netos) e a sexta abordou a nutrição e as doenças cardiovasculares. O workshop (com a exigência de uma inscrição de sete euros) foi dedicado às ervas aromáticas e às especiarias. Mas as Termas de Chaves – SPA do Imperador, arranjou ainda forças, e capacidade logística, para organizar três caminhadas, com uma inscrição de cinco euros, mas com direito a assistir à actuação de um rancho folclórico.

 

Podemos dizer, sem nenhum exagero, que se não fossem a Biblioteca Municipal e as palestras do SPA do Imperador, a agenda corria o sério risco de ter edições com espaços em branco para as iniciativas de Chaves e todo o restante preenchido com a divulgação dos filmes clássicos que passam em Verin. Com este tipo de vida cultural no nosso concelho, estamos em crer que mudar é preciso. Para mais informações, esperem pela próxima semana. Até lá. E agora desculpem-me que vou ali vestir o fato de treino, calçar as sapatilhas ortopédicas, pegar no bordão e meter dez euros ao bolso, pois não posso perder a caminhada do SPA.

 

João Madureira

 


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