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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Nov11

Chaves, a cidade da névoa

 

Ora, ele aí está, de volta como sempre, depois das chuvas chega o nosso nevoeiro e digo nosso, porque ele faz parte do ser flaviense e embora às vezes se lamente o frio, todos ficamos impávidos e serenos que nem o Duque da Praça.

 

 

Aliás se o nevoeiro é nosso, flaviense, o ficar impávido e sereno também é bem nosso, mas este já é nacional. Impávidos e serenos, vivemos sempre conformados com aquilo que nos dão ou nos tiram…

 

 

29
Nov11

Pedra de Toque - Vila Real

 

Vila Real

 

Em Novembro de 1959, após uma breve passagem pelo Liceu Alexandre Herculano no Porto, aterrei em Vila Real para frequentar o 6º e 7º ano, alínea de Direito (em Chaves não havia), no Liceu Camilo Castelo Branco.

 

Hospedei-me numa casa onde já vivia uma prima minha, cujos proprietários, família Lima Teixeira, foram extremamente gentis e simpáticos comigo, tratando-me quase como se filho fosse. Uma dívida de gratidão que me penitencio por nunca ter pago. A ideia de uma necessária visita foi sempre adiada pelo ritmo frenético de vida.

 

Soube há dias, o que me entristeceu deveras, do falecimento do patriarca senhor António Lima Teixeira.

 

Lá onde estiver não duvidará da minha estima e do meu eterno agradecimento.

 

Fui muito feliz em Vila Real.

 

Sobretudo porque aí fiz amizades sinceras, fortes que perduram.

 

Já são muito poucas as que residem na Vila. Fui encontrando outras nas lides forenses.

Revê-los é sempre gratificante, motivo de satisfação.

 

Foi em Vila Real, naqueles saudosos anos, que cimentei com solidez a minha formação cultural e política.

 

Sobre esses anos e os amigos de então, alguns já desaparecidos, voltarei a falar noutra ocasião.

 

Não quero terminar sem realçar a descoberta do poeta que ainda hoje está no lote dos meus livros de cabeceira e que releio religiosamente.

 

Já o conhecia levemente dos dois ou três poemas que apareciam nos livros de leitura dos primeiros anos de liceu.

Mas foi em tertúlia de amigos de então, em Vila Real, que me fascinei com a dimensão, com a genialidade do poeta dos heterónimos, o grande Fernando Pessoa.

 

Se por mais não fora e foi por tanto, de 1959 a 1961, fui imensamente feliz na cidade de Vila Real.

 

António Roque

28
Nov11

Quem conta um ponto... O fim da História: uma narrativa de idiotas

 

O fim da História: uma narrativa de idiotas

 

Esta rapaziada que está no governo é toda bem-falante, são bons fazedores de discursos. São, especialmente, especuladores de maus sentimentos e ases no assédio verbal. O primeiro-ministro parece um adolescente fascinado por coca-cola que, com a lata na mão, a agita para depois ver a espuma toda a sair. Parece o maestro de uma orquestra que nos vai matando com os sons dos violinos, dos clarinetes e com o ribombar dos tambores e dos pratos.

 

Este executivo, cada vez mais se assemelha a uma patrulha de cobradores de impostos dos tempos da Idade Média: espoliam o povo dos seus parcos rendimentos, avisando-o de que tem o direito democrático de pagar e calar. Aos funcionários públicos só falta mesmo castigá-los com um chicote e expô-los atados de pés e mãos no pelourinho.

 

Temos de reconhecer que toda a confiança e ilusão depositada neste governo de direita neo-neo-liberal se transformou, rapidamente, numa tremenda desilusão e que as suas boas intenções passaram de espetáculo risível a tragédia, que se não é grega anda lá muito perto.

 

Disseram, esses prestidigitadores neo-neo-liberais, que iam ser a energia cinética do país, fazendo com que Portugal entrasse definitivamente em movimento e assim se mantivesse, para bem de todos. Mas ao que assistimos é a um país que estagnou e começa a andar para trás a uma velocidade preocupante. O desemprego não para de aumentar, a inflação continua a subir, os impostos não cessam de crescer, o PIB vai baixar ainda mais e os vencimentos descem na mesma proporção. Ou seja, todos os indicadores económicos e financeiros se agravaram. Todos sem exceção. Todos. Todos. Todos. E a recessão não cessa de aumentar.

 

“Diz-me como falas, dir-te-ei quem és”, diz a voz popular. Basta ver como discursa o triunvirato arrogante deste governo (ministros das Finanças, da Economia e PM), para sentirmos que esta gente não discursa, dá golpes verbais de uma arrogância e de um cinismo preocupantes.

 

O que este pessoal fez é pouco menos do que perverso do ponto de vista económico. Com a história do papão da dívida conseguiram que as pessoas tenham medo de gastar dinheiro. O presidente da Confederação do Comércio, João Vieira Lopes, afirmou que “a seguir ao Natal muitas empresas de retalho vão encerrar porque o Natal não compensará a perda de faturação ocorrida durante o ano”.

 

É bom lembrar aos mais esquecidos que o senhor PM está a fazer precisamente aquilo que disse que não faria e está a ir ainda mais longe do que a troika lhe pede. E a sua luta é sempre contra os mesmos, que são os bodes expiatórios de todos os males de Portugal: os funcionários públicos e os pensionistas.

 

Foi este PM, na altura ainda Pedro Passos Coelho, que afirmou ser um enorme disparate a ideia de cortar o subsídio de Natal em 2012. O povo entendeu que o homem queria dizer que o seu caminho não era esse. Mas todos entendemos mal a mensagem: o líder do PSD queria dizer era que a sua ideia ia bastante mais longe, ele pretendia cortar não só o subsídio de Natal, como o subsídio de Férias, e não apenas em 2012, mas também em 2013, e, quem sabe, em 2014, 2015 ou mesmo definitivamente.

 

Exigia-se a um PM responsável, honesto, solidário e sensível, que entre defender os direitos legítimos do seu povo e os direitos questionáveis dos credores, que nos querem sugar até à última gota de sangue, se pusesse ao lado dos seus concidadãos. O nosso PM devia batalhar ferozmente nas instâncias internacionais no sentido de minimizar os sacrifícios que todos vamos ter de suportar.

 

Mas não senhor, a criatura apenas consegue ser forte com os fracos e fraco com os fortes. Este governo não tem a menor noção de que com estas medidas está a destruir, com carácter permanente, a frágil teia de relações que sustentam a nossa coesão política e social. O PM português diz que a culpa é da troika. A troika diz que daí lava as suas mãos, como Pilatos. Mas se o Pilatos da troika é leviano, como lhe compete, o nosso é um atrevido intrujão.

 

Já o principal líder da oposição escolheu o papel de bombo da festa, abstendo-se na votação do orçamento em troca de uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Além disso, o ministro do logro, das meias palavras e de língua viperina, Miguel Relvas, quando ainda se discutia o decisão do PS, e sabendo que havia muita boa gente na comissão política nacional que defendia o voto contra, levou António José Seguro ao engano garantindo publicamente a possibilidade de uma discussão e de um entendimento sobre a posposta do corte de apenas um mês de subsídio aos funcionários públicos e aos pensionistas.

 

Mas o bombo da festa, em troca dos elogios bacocos e venenosos por parte do PSD e do CDS, que o apelidam de homem com sentido de Estado, enquanto se riem à socapa, vestiu o seu melhor fatinho e, numa pose de poeta de romance russo, comprometeu-se com um documento iníquo, estúpido, discriminador e patético.  

 

O guião desta série de suspense ainda tem outros traços de mau gosto e péssimo desempenho verbal. Pedro Passos Coelho afirmou que “só vamos sair desta crise empobrecendo”. Está claro que, com esta sua política de destruição do tecido social e económico da nação, tal afirmação é verdadeira, mas o PM, enquanto tal, devia ter cuidado com aquilo que diz. Não há memória de um líder político conseguir mobilizar os seus cidadãos contra a adversidade afirmando que com os seus penosos sacrifícios ainda vão ficar pior do que o que estão. Este homem pode saber o que diz, mas, definitivamente, não sabe aquilo que faz.

 

O executivo do PSD/CDS recuperou a ideia de Fukuyama: 2012 e 2013 serão os anos do fim da História. Acabaram as ideologias, os direitos políticos e sociais e o desenvolvimento. Agora só nos resta empobrecer.

 

PS – O PSD e o CDS apregoavam à boca cheia que para sair da crise bastava eliminar as gorduras do Estado. Por isso aconselhava uma cura de emagrecimento. Quando chegou a hora da verdade, e depois de uma procura intensa, a putativa ideia resumiu-se a eliminar os dois subsídios anuais a funcionários públicos e pensionistas. Convenhamos que é de génio.

 

 Estamos em crer que, mesmo assim, o Estado ainda fica com imensa gordura: o mês de férias que pagam ao pessoal, as férias propriamente ditas, os feriados e os fins-de-semana também pagos, o subsídio de refeição, a ADSE e os abonos de família. Isto para não falar no gás e na eletricidade que esses calaceiros gastam nos locais de trabalho, no papel, nas esferográficas, nas cadeiras, mesas, computadores, que podem trocar por máquinas de escrever, nas máquinas de calcular, que podem trocar por ábacos, nas lâmpadas, que podem trocar por velas ou candeias, e mesmo nos carros de serviço que podem trocar por carroças ou mesmo por burros, pois os cavalos são gado caro. E também pôr os polícias e a GNR a fazer as suas patrulhas a penates como no tempo do meu saudoso pai.

 

Esta rapaziada do Regisconta, que sabe trajar de fato azul, gravata bordeaux, camisa branca e sapato de couro castanho bem engraxado, e que se diz pronta a reformar o país de cabo a rabo, já abriu a caixa de Pandora. Um secretário de Estado, do desporto, creio, aconselhou mesmo os portugueses mais jovens e qualificados a emigrarem.

 

Até era bem feito que o bom povo português levasse o desafio à letra. Dessa forma ficavam eles, os cobradores de impostos e perseguidores de funcionários públicos e pensionistas, por cá a governarem as vacas, os burros, os porcos e as galinhas, que é para o que têm jeito.

 

Está visto, este governo não pretende apenas acabar com as gorduras do Estado, deseja acabar com o próprio Estado.

 

João Madureira

 

 

                                                                                                                              

27
Nov11

LÉXICO-GLOSSÁRIO TRANSMONTANO - Letra C

 

Para melhor entender o porquê deste LÉXICO-GLOSSÁRIO TRANSMONTANO, ficou tudo explicado aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/710026.html

 

C

 

 

cabaça - espécie de abóbora que se emprega no fabrico dos ‘chouriços de cabaça’

cabaçote - legumes em forma de cabaça, bons para guizar

cabo – cebolas entrançadas para pendurar e guardar

cabra - pequena mancha de centeio que fica por segar “o bom segador não deixa cabras pr’a trás”

cacabina - cogumelo (agaricus)

caçafelhos - girinos, cabeçudos

cacha - metade de batata cozida, “comi duas cachas de batatas com umas couves cozidas”

cacheira (tacheira) - alguidar grande onde se fazem as alheiras

caçar trutas com as barbas enxutas - comer do que os outros apanham

caçoeira - pedra superior da boca do forno

caçoulo - tacho de barro, recipiente para cozinhar

cadelo - cão

cagalhetas - excrementos esféricos de cabra, coelho…

caga-lume -  pirilampo

caganças - prosápias, manias

caincar - ganir do cão quando ferido ou em perseguição do coelho (onomatopaica)

caíu-me a alma aos pés - fiquei assustado, fiquei sem pinga de sangue

calaceiro - preguiçoso

calceta - calçada

caldeiro - balde

caldo - sopa

 

Caleiro numa Rua de Redondelo - Chaves


caleiro (a) - cano de água, canos abertos para regadio, canos que recolhem a chuva sob os beirais

cambados - tortos

cambas - peças laterais da roda do carro de bois, em madeira de freixo

cambalhotas - conjunto de chouriças atadas por um fio

camilha - espécie de cobertura de mesa

canada - medida correspondente a dois litros

canalha - crianças

cancelo (ê) - cancela pequena

 

 

 Um cancelo em Sobreira, Chaves, para proteger a cortinha

candil - candeia

canelha - caminho entre paredes

cangaço – resto dos cachos de uvas depois de esmagados ou retirados os bagos

cangote - corpo, lombo, “moeu-lhe o cangote com pancada”

canhota - espingarda, caçadeira

canhoto - tronco grosso, “bota um canhoto bô a arder na lareira”

capão - molho de vides

cápias - pedras que ajudam a segurar o colmo dos telhados, pedras mais planas para acabamento dos muros

carabunha - caroço(cereja,azeitona…), “não botes as carabunhas pr’ó chão”

cara de bonserás - apalermado, de aspecto pacato

caralho - expressão comum em linguagem popular,usada também frequentemente como interjeição, “Está um frio do caralho!”

carambelo (carambina ) - gelo, geada, formações de gelo penduradas das árvores, dos telhados e de todos os objectos no exterior, “tenho as mãos com’ó carambelo”

 

 

Um dia de carambelo no planato da Serra do Brunheiro, Chaves

carapela - crosta de ferida

caras ao povo - em direcção à aldeia, “Meteu a direito, e desceu, caras ao povo…”

cardiela - muito frio, bebedeira

careto (ê)- mascarado de carnaval

caroca - alto da cabeça

carolo - pão dos mortos, No Barroso, pão que a família do falecido distribuía a quem vinha de fora para o funeral, acompanhado de uma malga de vinho

carpins - peúgas de lã cardada

carrachulas – cavalitas, levar às costas, encavalitar

carranhas - moncos

carranhoso - sujo, pouco higiénico

carrar - transportar

carreira - corrida

carrego - peso

carrejo - transporte de produtos em carro de bois, carroça ou carreta

carreta - carro de mão

carreto - carregamento, carga, “já hoje fiz três carretos de lenha”

carro - carro de bois, “Botar o carro adiante dos bois”

 

Não atingia grandes velocidades mas o carro de bois era um todo-o-terreno de carga indispensável nas aldeias transmontanas

carrulos - nódulos da massa do pão

carvalheira - carvalho arbustivo, touça de carvalhos miúdos

cascar - descascar, bater, “virou-se a ele e cascou-lhe bem”

cascarrolho - picanço (lanius excubitor)

cascudo - bofetada, pancada no pescoço

casqueiro - pão de côdea dura, centeio de casca grossa

castanho - castanheiro, “esta mesa é em madeira de castanho”

castiçar - cobrir para reprodução

castinçal - mata de castanheiros

castinheiro - castanheiro

caterva (catervada, catrefada) - quantidade, grande número, multidão

catinga - cão mestiçado de podengo

catotas - emaranhado de pêlos com sujidade

cavada - terreno grande a que se arrancam os torgos para semear o centeio

cavalona – Maria rapaz

cavanhão - cavadela, “cada cavanhão sua minhoca”

cebolo - planta da cebola, “vou plantar o cebolo”

ceibe - diz-se da terra que fica livre de culturas e já pode ser pastada

ceitoura - foice

ceivar - deitar fora a água

cepeira - cepo de castanheiro de onde brotam novos rebentos

cerdeira - cerejeira

cerrar olho – adormecer, “não pude cerrar olho em toda a noite”

cessão – humidade, “se a terra guarda sessão é boa para hortaliça”

ceva - porca já criada

cevar - (reco)engordar o porco

chambereira - grade de madeira onde se arrumam as louças

chamiças - arbustos comuns de pequeno porte, bons para acendalhas

chamo - data marcada para trabalho comunitário, “ninguém pode faltar ao chamo”

chamorro – mixomatose, doença dos coelhos

chanato - chinelo, sapato velho

 Os chanatos ficam sempre à porta

 

chão - terreno, planície

charca - poça para a rega

charrela - perdiz cinzenta

cháspera (chaspa) - panela, tacho baixo

chavilhão - peça em ferro, ou madeira, em forma de chave, usada para segurar os arados e os carros de bois ao jugo

chedeiros - peças em madeira de negrilho, onde se encaixam os estadulhos e que definem a forma ‘em barco’ de um carro de bois

chega - luta entre dois bois

cheiriscar – observar, “que andas aqui a cheiriscar?”

chiba - cabra

 

Uma das chibas do pastor Fernando de Pereiro de Agrações

 

 

chícharros - feijão frade

chicharreiras - plantas dos chícharros

chicheiro - talhante, vendedor de carne

chimpar - saltar

china - pedaço de minério de volfrâmio, “mal topava umas chinas de vôlfo, ia logo passá-las a patacos”

chiscar - chamar a atenção dissimuladamente por toques, com o cotovelo, a mão, um pauzinho… “não parava de me chiscar por baixo da mesa”

chisme - artilúgio, engenhoca

chispas - faúlhas

choinas - faúlhas apagadas, “sai d’ó pé do lume, que ficas com o cabelo coberto de choinas”

chono - o último a chegar de uma fila de segadores, “o Alberto, é fraco segador, o mais das vezes, fica em chono”

choqueira - mulher desleixada

chouriço de cabaça - peça de fumeiro confeccionada com uma espécie de abóbora

chuço - guarda chuva

chupão - abertura para saída do fumo, chaminé

chusma - grupo de gente, magote de gente, ajuntamento

cibo – bocado, “estás a ficar um cibo gordo”, alimento que o pássaro leva no bico, “leva cibo no bico, deve ter por ali ninho”

cimo – alto, topo, subida, “fica no cimo do povo”, “esta ladeira é sempre ao cimo”

cinco coroas – moeda de vinte e cinco tostões, ou dois mil e quinhentos (réis)

 

 

Que saudades das cinco coroas ou vinte e cinco tostões de rebuçados...

cisma - pensamento fixo

clondrina - erva dos muros,   (chelidonium majus)

coador – passador, utensílio de cozinha

coanho - mistura de grãos e palhas moídas nas malhadas

coanheira (coalheira) - arreio em forma de chumaço de roda do pescoço do cavalo

cobrar ânimo – reavivar, “só quando o médico o sossegou é que voltou a cobrar ânimo”

coca - mau cheiro, veneno

coça - tareia

coceira – comichão

côdeas - mesquinho, avaro

coeiras - linhas de centeio sobre a eira em que está a ser malhado

coiracha - pele da barriga do porco

colmar - cobrir a casa com colmo ou palha centeia

combarro - alpendre da lenha

combradoiro (cambalhão) - caminho na croa dos lameiros

comércio - loja de venda a retalho

como a cobra que perdeu o coxo - ficar desanimado, abatido

como assim - seja como for, de qualquer maneira, “como assim, o que estava feito já não se podia desfazer”

como pertence - como é devido, faz parte

companha - grupo de trabalhadores

comparância - comparação, por exemplo

compasso - visita pascal

compor - consertar, arranjar, ajeitar, “fui ao sapateiro mandar compor uns sapatos”

composta - arranjada, consertada, bem recheada, “a mesa da boda estava bem composta”

com sua licença - expressão que acompanha o uso de palavras julgadas menos próprias, como ‘reco’, ‘burro’, ‘merda’… “fui botar a lavagem aos recos, com sua licença”

cona chorosa - mulher lamechas, lamurienta, mulher que se queixa constantemente

considerar-respeitar,guardar consideração

consoante - conforme “consoante me cheguei à beira dele, desatou aos coices”

corda de povos - grupo de aldeias da mesma região “não há melhor rebanho em toda esta corda de povos”

corga - vale apertado entre dois montes

cornato - corno pendurado à cinta, onde se guarda a pedra de afiar a gadanha

cornizele - calha de forma em v por onde escorrem os grãos de cereal da tremonha para a mó

coroa (croa) - moeda de cinquenta centavos

corrimancar - correr a mancar

cortar o ar - andar sem fazer nada

cortinha - terra lavradia e cercada

costela - armadilha para pardais

coto - maneta, resto de braço amputado

couto - reunião do povo

couto misto - territórios da fronteira luso-galaica, onde os habitantes mantinham a dupla nacionalidade

coxo - erupção cutânea de insecto peçonhento “ela é quem sabe rezar ò coxo(cortar o coxo)”

cravos - verrugas da pele

crias - vitelos, animais domésticos na côrte

crianço – raparigo, criança

 

Também os montes têm croas, umas aguçadas, outras arredondadas e outras assim-assim. Estas são de Seara Velha.

 

croa (coroa) - cimo “está um gaio na croa daquele castanheiro”

croça - capa de junco

croços - espigas de milho ainda em formação, que servem para alimentar os recos

croinha – cimo, topo

crucho (corucho) - espécie de croça curta que cobre a cabeça, remate do cimo das medas de centeio, carrapito no cabelo

cruzes - parte das costas sobre os rins “hoje não me aguento, das cruzes”

cuidar - pensar, julgar “cuidavas que eu te pagava mais?”

curiosa - mulher com determinadas habilidades de interesse social (ex: parteira…)

curgidade – desembaraço, ser filho da curgidade ou ser de pai incógnito

 

Herculano Pombo

26
Nov11

Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas

 

Da razão

 

-Então pá  fazes greve?

 

-Na, para quê? Já perdi a esperança que adiante alguma coisa e ainda fico sem o dinheiro .

 

Não me digas, tu já pensaste bem  no que nos estão a fazer, na redução da qualidade de vida, a começar pelos custos dos bens essenciais, pela redução de possibilidades  no acesso à saúde, na esperança  de um futuro melhor , na inibição da empregabilidade dos jovens…

 

Pois … mas faz-me falta o dinheiro, bem sei que tens razão, que devia mostrar o meu descontentamento face a estas medidas , ainda por cima tenho a noção que estamos a abdicar de direitos.

 

Então achas que quem faz greve tem razão?

 

Oh se tem razão e razões, e quem não faz também tem muita razão e muitas razões.

 

Bem, assim fica confuso decidir e  é por essas e por outras que ninguém se entende e as pessoas não sabem o que querem… Todos a ter razão…

E digo-te mais não ajudamos nada o país …

 

Ai não, então até ajuda o estado que o que não tem remédio está remediado e ainda poupa em remunerações.

 

Também não é bem assim, o trabalho não é feito da mesma maneira e a forma de luta demonstra que mesmo com perda de regalias as pessoas mantêm a sua voz discordante e a capacidade de reivindicar os seus direitos…

 

Olha os mais prejudicados são os usuários dos serviços.

 

E então afinal tu fazes greve ou não?

 

Não posso…

 

_(…)?

 

Tenho de ir trabalhar.

 

Bem visto, tens razão.

 

Isabel Seixas

 


25
Nov11

Mudo mas com imagens que valem mais que mil palavras

 

Não sei qual o valor que esta imagem terá daqui a 100 anos, mas pelo menos servirá para demonstrar que em 2011, no Centro Histórico de Chaves, embora com as suas habitações maioritariamente abandonadas, ainda tinha algumas com vida dentro.

 

Mas estou certo que estará bem longe da preciosidade de imagens para as quais a seguir vos vou deixar um link. Imagens de filme, num documentário sobre Chaves em 1925 e que foi recuperado para vídeo pela Cinemateca Portuguesa.

 

Agradeço ao Luis de Boticas e ao companheiro de viagem Humberto Serra o terem-me enviado o alerta para estas imagens a não perder:

 

Aqui fica então o link:

 

http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=25237&type=Video

 

24
Nov11

O Homem sem Memória (77) - Por João Madureira

 

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

77 – Mas uma coisa é falar e outra bem diferente é fazer. Passado uma semana lá andava o José no arraial da festa de Boticas tão fresco e prazenteiro como se não tivesse memória.


Foi para lá no carro do Asdrúbal, ou melhor, do pai do Asdrúbal, que lho emprestou para ir de Santo Amaro ao Sport, que são para aí uns mil metros bem medidos, e voltar. No regresso a casa, com o carro apinhado de onze gandulos, o Asdrúbal resolveu fazer um desvio por Boticas, que eram à vontade uns sessenta quilómetros entre o ir e o voltar.


Demoraram cerca de uma hora bem contada, pois as curvas eram muitas e boas, a noite estava escura e os faróis do carro pouco mais alumiavam que uma lanterna a pilhas. A juntar a todas estas contrariedades, o Asdrúbal viu-se e desejou-se para meter a segunda e a quarta velocidades, pois o José seguia escarrapachado entre os dois bancos da frente a um palmo da manete das mudanças.


Chegaram à festa já o arraial tinha começado há um bom pedaço. Primeiro rondaram as tascas ambulantes, pois, como todos sabemos, uma das características da juventude é ter um apetite insaciável e uma sede persistente. Sentados num banco corrido em frente de uma tábua suspensa em dois suportes de madeira mal talhada e pobremente assentada, mandaram vir um ovo cozido para cada um, que descascaram e polvilharam com sal e pimenta. Depois do ovo mastigado, botaram um copo de tinto, deram um murro no peito e, em duo, foram buscar parelha para dançar.


Antes de dispersarem, o Asdrúbal avisou que às quatro em ponto todos deviam estar junto à porta principal da Igreja Matriz para rumarem caras a Névoa. Quem não fosse pontual ficava em terra.


Escusado será dizer que o José fez parelha com o Carlos Trolaró. Deram uma volta pelo recinto, visitaram a igreja que estava toda iluminada por dentro e por fora, apreciaram o andor da Nossa Senhora da Livração, que era uma santa em tudo semelhante a todas as santas espalhadas por esse Portugal fora, visitaram a enorme imagem de São Cristóvão no meio do ribeiro do Fontão, com o Menino Jesus ao ombro, admiraram o foguetório estrelejante de início de noite e foram, mais uma vez, comer e beber. Mas só o fizeram porque o Carlos Trolaró convidou e pagou, pois o José estava teso como um carapau seco ao sol. O seu pecúlio deu à justa para pagar a quota-parte da gasolina ao Asdrúbal, para o ovo cozido e para um copo meado de vinho tinto.


Desta vez comeram sardinhas e fêveras assadas, desbastaram um rico melão de Almeirim e beberam três canecas de vinho do real. Por cima botaram uma cigarrada bem absorvida e percorreram todo o recinto à cata de um duo de raparigas que aparentassem uma certa liberdade de movimentos e uma positiva independência em relação à família e aos vizinhos. A última experiência do José tinha servido para os colocar numa orientação onde predominava a precaução e, sobretudo, a imprescindível destreza da fuga.


O José com um copo a mais ficava eufórico e, sobretudo, atrevido. O Carlos, por seu lado, aguentava melhor a pressão e o vinho. Depois de várias experiências, nem sempre bem sucedidas, encostaram-se a um par de moçoilas emigrantes em França que revelavam uma acidental independência de espírito e uma positiva liberdade de expressão e movimentos. Estavam na festa sós e com a firme intenção de se divertirem o mais que pudessem. “Esta vida são dois dias. N'est-ce pas?”, disseram elas. Ao que eles responderam: “Mais oui, bien sur.” E durante muito tempo dançaram toda a espécie de ritmos: passodobles, tangos, valsas, chachachas, rock e música popular portuguesa. Além de se cansarem, como era óbvio, estabeleceram uma certa intimidade da qual resultaram ternos beijos florais, alguma cumplicidade erótica e uma subida de adrenalina que apenas podia resultar num acto sexual redentor. Por alturas da apoteose do fogo-de-artifício, combinaram ir vê-lo para um lugar recatado. O que melhor encontraram foi uma pequena leira de ervas depois de um giestal. O Carlos, numa momice de generosa loucura, regressou à Vila para comprar uma garrafa de champanhe fresco e mercar um bolo, por muito pindérico que fosse. Quando se iniciou a girândola do fogo preso, o Carlos Trolaró abriu a garrafa de vinho espumante e dela beberam entre sorrisos, beijos e borbulhas refrescantes. No chapéu do José confeccionaram umas sopas de amante cansado.


Por fim aconteceu o inevitável, cada par procurou o seu terreno de cópula e copularam aquilo que quiseram e da forma que melhor se lhes adequou. Nestas coisas do amor físico, o corpo é que manda.


O fogo-de-artifício durou cerca de meia hora, que foi o tempo necessário a cada par ter o seu desempenho sexual de forma mais ou menos satisfatória. Por vezes o céu enchia-se de luz, o que permitia a cada um visualizar as partes pudentes do seu parceiro como se fossem espaços sagrados. Orgasmos, se é que os houve, e nós estamos em crer que sim, foram conseguidos de forma tão natural quanto possível. Dizem que o amor meteórico também é uma forma de amor. Pelo menos essa foi a sensação com que os quatro ficaram depois de se despedirem.


Às quatro em ponto chegaram à porta da Igreja Matriz onde o Asdrúbal já os esperava impaciente. A noite, nas suas palavras, tinha-lhe corrido mal. Só lhe calharam em sorte donzelas virgueiras que apenas permitiam a dança com os respectivos corpos a meio metro de distância. O condutor do carro ainda perguntou aos demais rapazes como tinha sido a noite. Todos foram unânimes no relatório: o arraial tinha sido uma autêntica desilusão. Mas, como bem sabemos, nem todos estavam a dizer a verdade. E a verdade, naquele amena situação, aproveitava a quem? Comer e calar é atributo dos sábios. 


Dos onze jovens, apenas dez compareceram a tempo. Como estava com os azeites, o Asdrúbal proferiu: “Eu avisei, quem não está a horas fica em terra.”


Todos os presentes, visivelmente cansados, desiludidos, bêbados e frustrados, enfiaram-se no carro como puderam. Mesmo com menos um parecia que iam lá dentro mais três ou quatro. Fins de festa provocam ressaca e irritação. Curva aqui, curva ali, curva acolá, lá se sujeitaram à corajosa subida até Névoa.


Numa curva mais apertada, uma porta mal fechada abriu-se e fechou-se logo num de repente. Alguém mais sóbrio pensou ouvir um grito estranho. Mas foi apenas uma conjuntura fugaz. Pelo menos foi aquilo que pareceu.


Tarde e a más horas a carga foi deixada onde o permitiu a fúria juvenil do Asdrúbal. Por isso, o seu generoso pai o pôs a desfolhar videiras na encosta da quinta familiar de Arcossó durante um dia completo.


Souberam mais tarde que o Manuel Chupeta foi internado no hospital de Névoa com uma perna partida e um traumatismo craniano devido ao insólito facto de ter sido projectado, na curva do Leite, sem que alguém se tivesse apercebido do arremesso. 

 

78 – Naquela época, as verbenas do Jardim Público em Névoa eram célebres e, talvez por isso ...

 

(Continua)

23
Nov11

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves

 

Eu não sei porque a segurança dos cidadãos e do património, são valores normalmente associados ao conservadorismo e de parecerem ser repudiados pelos progressistas.

 

Não quero situar historicamente a questão, nem fazer valer como factos indesmentíveis, categóricos, aqueles conceitos.

 

No entanto, não posso deixar de reconhecer que existem em determinadas circunstâncias, grupos avessos a qualquer evolução, seja ela qual for, por comodidade, por se sentirem melhor perante quadros sociais perfeitamente definidos, se tal é possível, e por crerem, definitivamente, que o presente com as sua imperfeições, sempre é melhor que uma actualidade em mutação, na qual o mais certo é verem a sua própria condição contestada, assim como os cimentos da sua própria existência ou do modelo da sociedade, na qual, grande parte viveram.

 

Para maior complexidade, a verdade é que, nem sempre as alterações sociais, implicam necessariamente a desordem, o banditismo ou outros fenómenos semelhantes.

 

E como esta não é a escrita, deliberadamente, usada nestas crónicas, nem o fim que nelas se prossegue é a análise social ou o folhetim, inteiramente legítimos, antes e por opção, notas esparsas, ligeiras e simultaneamente com alguma intenção de estimular a reflexão, com pretensões de bem-humoradas, nem sempre conseguidas e com raízes na naturalidade, direi e como comentário comum às reacções da crónica da semana passada, que, implantada a República, em 5 de Outubro de 1910, foi o povo aderente à revolução que se preocupou em defender a ordem pública, nomeadamente opondo-se de armas nas mãos às possíveis pilhagens de bancos e outras instituições.

 

Assim nem sempre o passado é melhor … é simplesmente passado.

 

E conhecendo muito bem o falecido Chefe Oliveira, que prestou serviço na PSP de Chaves, pessoa que estimei, assim como parte de sua família - que chegou a residir em frente de minha morada na então Rua da Cadeia, actualmente Bispo Idácio, designadamente uma filha que casou com o meu bom amigo Alcino, antigo jogador do Desportivo -, não posso deixar de referir que a sua actividade, embora com uma eficácia reconhecida, não gera a aprovação geral quanto aos processos, que, apesar de comuns à época, à luz dos dias de hoje, seriam no mínimo controversos.

 

 

É inegável que há muito existe um problema de ordem pública no chamado Centro Histórico de Chaves e pretender ocultá-lo, minimizá-lo ou como às vezes oiço, considerando-o como natural no presente e uma mera consequência da rebeldia juvenil, então … meus Senhores, estaremos a amamentar as crias que mais tarde nos vão devorar.

 

Por outro lado é certo que no centro histórico habitam cada vez menos cidadãos eleitores, mas também não deixa de ser verdade, que ainda é o coração da cidade.

 

E se ao pretender-se governar em função dos cadernos eleitorais é uma atitude pouco ética, mesmo criminosa, de profundo desrespeito pelas minorias, ignorar as pessoas que trabalham no centro histórico, no comércio ou nos serviços nele existentes e que constatam a insegurança dos moradores, é rematada estupidez, e a consequência mais lógica será estes começarem a pôr as barbas de molho, aqueles que as têm, pois não tardará muito a viverem a mesma preocupação e angústia.

 

Em França, a esposa de Luís XVI, Maria Antonieta, observando a insatisfação e a antipatia que a sua pessoa gerava nas classes menos abastadas, na sua incredulidade altaneira, interrogou um dos seus lacaios das razões daqueles sentimentos.

 

Consta-se que o humilde servo respondeu:

 

- É a falta de pão, Majestade.

 

Ao que a Rainha, surpreendida, objectou:

 

- Que comam “brioche”!

 

E como sabem, acabou no cadafalso.

 

A coisa não será para tanto e há aqui um evidente exagero, mas não como à primeira vista, possam pensar.

 

Que diria, após uma noite mal dormida pelo ruído exterior, os olhos ainda estremunhados, e visse os vidros da montra de seu comércio ou da porta de entrada de sua casa partidos, ou a frente da sua habitação ornamentada de “minis”, e se queixasse às autoridades, fossem elas as que fossem, e obtivesse como resposta:

 

-Vá para um condomínio fechado!

 

Claro, que se fosse um autarca, nas próximas eleições não votaria nele.

 

Pelo menos, não deveria, que ele há gente para tudo.

 

Apesar do aviso, que esta não era uma crónica “normal” cedi à tentação do momento e prossegui no mesmo. Paara acabar, só mais uma coisa.

 

Durante o mandato de Rudolph Giuliani, como “mayor” de Nova Iorque, foi muito comentada a sua política “de vidro partido”, tendo mesmo sido recebida com grande entusiasmo por parte dos meios liberais.

 

Essa política assentava no princípio, que não se prestando atenção a um vidro partido, tal iria incitar a que mais vidros fossem quebrados.

 

Sendo certo que a criminalidade baixou consideravelmente, aquela prática, sem deixar de ter algum sucesso como atrás disse, aparentemente foi abalada por um caso de corrupção que envolvia o chefe da polícia de Nova Iorque, familiar próximo do próprio Giuliani.

 

Actualmente é contestada por recentes trabalhos de sociólogos “avant garde”.

 

No entanto tenho para mim, que o pior é a indiferença, a condescendência, o “deixa andar…”, “atrás de mim quem vier, feche a porta”.

 

 

 

Já aqui falei da República e também no escrito da outra semana mencionei o Coronel Bento Roma.

 

Em família, e principalmente às minhas tias do Correio Velho, sempre lhes escutei que o Coronel Bento Esteves Roma, seria parente do meu avô paterno.

 

Ora, este era monárquico, e como não ignoram, Bento Roma, além de militar distinto, e com uma carreira ilustre no Corpo Expedicionário Português, na administração civil e militar, tanto em Portugal como nas antigas Colónias, até a um relativo obscurecimento, a que não seria estranho, em 1949, ter apoiado a candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República e pertencido à sua Comissão Central, teve papel preponderante na contenção das incursões monárquicas.

 

Pelo quê, também não surpreende que o meu avô, um dia, dado a acentuada costela republicana de Bento Roma, chegasse a casa e exclamasse:

 

- Roma ardeu!

 

A minha avó:

 

- Ai! Credo! Que desgraça e houve muitos mortos e casas …

 

- Ó mulher, não foi a capital de Itália, foi o parente, a quem não mais volto a dar uma palavra!

 

Mário Esteves

 

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