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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Nov11

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves


 

Eu não sei porque a segurança dos cidadãos e do património, são valores normalmente associados ao conservadorismo e de parecerem ser repudiados pelos progressistas.

 

Não quero situar historicamente a questão, nem fazer valer como factos indesmentíveis, categóricos, aqueles conceitos.

 

No entanto, não posso deixar de reconhecer que existem em determinadas circunstâncias, grupos avessos a qualquer evolução, seja ela qual for, por comodidade, por se sentirem melhor perante quadros sociais perfeitamente definidos, se tal é possível, e por crerem, definitivamente, que o presente com as sua imperfeições, sempre é melhor que uma actualidade em mutação, na qual o mais certo é verem a sua própria condição contestada, assim como os cimentos da sua própria existência ou do modelo da sociedade, na qual, grande parte viveram.

 

Para maior complexidade, a verdade é que, nem sempre as alterações sociais, implicam necessariamente a desordem, o banditismo ou outros fenómenos semelhantes.

 

E como esta não é a escrita, deliberadamente, usada nestas crónicas, nem o fim que nelas se prossegue é a análise social ou o folhetim, inteiramente legítimos, antes e por opção, notas esparsas, ligeiras e simultaneamente com alguma intenção de estimular a reflexão, com pretensões de bem-humoradas, nem sempre conseguidas e com raízes na naturalidade, direi e como comentário comum às reacções da crónica da semana passada, que, implantada a República, em 5 de Outubro de 1910, foi o povo aderente à revolução que se preocupou em defender a ordem pública, nomeadamente opondo-se de armas nas mãos às possíveis pilhagens de bancos e outras instituições.

 

Assim nem sempre o passado é melhor … é simplesmente passado.

 

E conhecendo muito bem o falecido Chefe Oliveira, que prestou serviço na PSP de Chaves, pessoa que estimei, assim como parte de sua família - que chegou a residir em frente de minha morada na então Rua da Cadeia, actualmente Bispo Idácio, designadamente uma filha que casou com o meu bom amigo Alcino, antigo jogador do Desportivo -, não posso deixar de referir que a sua actividade, embora com uma eficácia reconhecida, não gera a aprovação geral quanto aos processos, que, apesar de comuns à época, à luz dos dias de hoje, seriam no mínimo controversos.

 

 

É inegável que há muito existe um problema de ordem pública no chamado Centro Histórico de Chaves e pretender ocultá-lo, minimizá-lo ou como às vezes oiço, considerando-o como natural no presente e uma mera consequência da rebeldia juvenil, então … meus Senhores, estaremos a amamentar as crias que mais tarde nos vão devorar.

 

Por outro lado é certo que no centro histórico habitam cada vez menos cidadãos eleitores, mas também não deixa de ser verdade, que ainda é o coração da cidade.

 

E se ao pretender-se governar em função dos cadernos eleitorais é uma atitude pouco ética, mesmo criminosa, de profundo desrespeito pelas minorias, ignorar as pessoas que trabalham no centro histórico, no comércio ou nos serviços nele existentes e que constatam a insegurança dos moradores, é rematada estupidez, e a consequência mais lógica será estes começarem a pôr as barbas de molho, aqueles que as têm, pois não tardará muito a viverem a mesma preocupação e angústia.

 

Em França, a esposa de Luís XVI, Maria Antonieta, observando a insatisfação e a antipatia que a sua pessoa gerava nas classes menos abastadas, na sua incredulidade altaneira, interrogou um dos seus lacaios das razões daqueles sentimentos.

 

Consta-se que o humilde servo respondeu:

 

- É a falta de pão, Majestade.

 

Ao que a Rainha, surpreendida, objectou:

 

- Que comam “brioche”!

 

E como sabem, acabou no cadafalso.

 

A coisa não será para tanto e há aqui um evidente exagero, mas não como à primeira vista, possam pensar.

 

Que diria, após uma noite mal dormida pelo ruído exterior, os olhos ainda estremunhados, e visse os vidros da montra de seu comércio ou da porta de entrada de sua casa partidos, ou a frente da sua habitação ornamentada de “minis”, e se queixasse às autoridades, fossem elas as que fossem, e obtivesse como resposta:

 

-Vá para um condomínio fechado!

 

Claro, que se fosse um autarca, nas próximas eleições não votaria nele.

 

Pelo menos, não deveria, que ele há gente para tudo.

 

Apesar do aviso, que esta não era uma crónica “normal” cedi à tentação do momento e prossegui no mesmo. Paara acabar, só mais uma coisa.

 

Durante o mandato de Rudolph Giuliani, como “mayor” de Nova Iorque, foi muito comentada a sua política “de vidro partido”, tendo mesmo sido recebida com grande entusiasmo por parte dos meios liberais.

 

Essa política assentava no princípio, que não se prestando atenção a um vidro partido, tal iria incitar a que mais vidros fossem quebrados.

 

Sendo certo que a criminalidade baixou consideravelmente, aquela prática, sem deixar de ter algum sucesso como atrás disse, aparentemente foi abalada por um caso de corrupção que envolvia o chefe da polícia de Nova Iorque, familiar próximo do próprio Giuliani.

 

Actualmente é contestada por recentes trabalhos de sociólogos “avant garde”.

 

No entanto tenho para mim, que o pior é a indiferença, a condescendência, o “deixa andar…”, “atrás de mim quem vier, feche a porta”.

 

 

 

Já aqui falei da República e também no escrito da outra semana mencionei o Coronel Bento Roma.

 

Em família, e principalmente às minhas tias do Correio Velho, sempre lhes escutei que o Coronel Bento Esteves Roma, seria parente do meu avô paterno.

 

Ora, este era monárquico, e como não ignoram, Bento Roma, além de militar distinto, e com uma carreira ilustre no Corpo Expedicionário Português, na administração civil e militar, tanto em Portugal como nas antigas Colónias, até a um relativo obscurecimento, a que não seria estranho, em 1949, ter apoiado a candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República e pertencido à sua Comissão Central, teve papel preponderante na contenção das incursões monárquicas.

 

Pelo quê, também não surpreende que o meu avô, um dia, dado a acentuada costela republicana de Bento Roma, chegasse a casa e exclamasse:

 

- Roma ardeu!

 

A minha avó:

 

- Ai! Credo! Que desgraça e houve muitos mortos e casas …

 

- Ó mulher, não foi a capital de Itália, foi o parente, a quem não mais volto a dar uma palavra!

 

Mário Esteves

 

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