Pedra de Toque - Vila Real
Vila Real
Em Novembro de 1959, após uma breve passagem pelo Liceu Alexandre Herculano no Porto, aterrei em Vila Real para frequentar o 6º e 7º ano, alínea de Direito (em Chaves não havia), no Liceu Camilo Castelo Branco.
Hospedei-me numa casa onde já vivia uma prima minha, cujos proprietários, família Lima Teixeira, foram extremamente gentis e simpáticos comigo, tratando-me quase como se filho fosse. Uma dívida de gratidão que me penitencio por nunca ter pago. A ideia de uma necessária visita foi sempre adiada pelo ritmo frenético de vida.
Soube há dias, o que me entristeceu deveras, do falecimento do patriarca senhor António Lima Teixeira.
Lá onde estiver não duvidará da minha estima e do meu eterno agradecimento.
Fui muito feliz em Vila Real.
Sobretudo porque aí fiz amizades sinceras, fortes que perduram.
Já são muito poucas as que residem na Vila. Fui encontrando outras nas lides forenses.
Revê-los é sempre gratificante, motivo de satisfação.
Foi em Vila Real, naqueles saudosos anos, que cimentei com solidez a minha formação cultural e política.
Sobre esses anos e os amigos de então, alguns já desaparecidos, voltarei a falar noutra ocasião.
Não quero terminar sem realçar a descoberta do poeta que ainda hoje está no lote dos meus livros de cabeceira e que releio religiosamente.
Já o conhecia levemente dos dois ou três poemas que apareciam nos livros de leitura dos primeiros anos de liceu.
Mas foi em tertúlia de amigos de então, em Vila Real, que me fascinei com a dimensão, com a genialidade do poeta dos heterónimos, o grande Fernando Pessoa.
Se por mais não fora e foi por tanto, de 1959 a 1961, fui imensamente feliz na cidade de Vila Real.
António Roque



