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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Mar12

Discursos Sobre a Cidade - Por Luís Fernandes


 

CONVERSAS  com  ZEUS

 

=XVI=

 

“Pedrito  de  Massamá”

 

Zeus tem andado distraído com as «primárias» americanas, as secundárias francesas, a sucessão de Kim Li Jung, o contrabando de peles no Tibete e de barbatanas de tubarão nos mares da China.

 

Tinha-lhe prometido uma «marelinha» das Eiras. Mas como ainda não a arranjei, mandei-lhe uma garrafa de água do Poço de Boliqueime.

 

Mal uma das Náiades pegou na garrafa franziu a «brancelha» e quis ser ela a abri-la e a proβar a água.

 

Abrir, abriu-a. Proβá-la, «quéto»!

 

Zeus ficou espantado.

 

Que fedor era aquele?!

 

Espantado, irritado, desconfiado, pega no telefone cor-de-laranja e liga-nos.

 

 

- ‘stá,lá?

 

 

- Claro que estou, meu lapantim!

 

Nem me digas nada de mais nada!

 

Sei muito bem por que me estás a ligar. Se te tivesse mandado uma alheira de Valdanta, um salpicão de Segirei, uma linguiça de Águas Frias, um palóio de Travancas, uma sêmea de Lebução, um trigo de três cantos de Faiões, uma raba de Santo Estêvão, um cabaçote de Vila Meã, umas castanhas de France, umas nozes de Vidago, um quartilho de Arcossó e um pipito da «marelinha» das Eiras ou da Granginha olha que não era por isso que me ias telefonar.

 

 

--- Ouβe…

 

 

- Não há Ouβe, nem meio Ouβe!

 

Ouve tu, meu mal-agradecido.

 

Há que tempos não vens por aqui. Descuidaste-te, e, agora, Portugal está transformado num protectorado alemão, num «départment» francês e num sobado angolano!

 

Na nossa Veiga já só se plantam «couves sabóia» e «couve-bruxelas». Do mar só saem chernes e robalos para, e por, encomenda! Da sardinha, carapau e faneca nem espinhas!

 

 

--Já t’entendi, meu gabirum.

 

Tens tod’à razão!

 

Por aqui já me andava a cheirar mal. Não sabia bem porquê. Mas agora sei que é das cagalhetas de coelho e das de alguns cabrões e pavões que por aí andam a dar cabo desse «jardim à … plantado».

 

Mas que é que tu queres?!

 

Tu e todos os portugueses não passais de uns «piegas».

 

Ficastes uns medrosos merdosos, segundo declarou o “oficial de diligências” angélico.

 

A «Troika» arregalou-vos os olhos; nomeou meia dúzia de capatazes cheios de fanfarronice e vós encolhestes-vos todo.

 

Só vos resta «gramar e não bufar».

 

Deixastes de ter direito à velhice e ao trabalho.

 

A Justiça perdestes - la por um canudo.

 

“Pirai-vos”, antes que os capatazes troikistas vos expulsem.

 

Já vos cortaram a ponta da Língua com o acordo ortográfico. Estão a expulsar-vos de casa com o «lixo tóxico». Estais desacreditados nos bancos porque não conseguiste assento em cadeiras. Agora só tendes é de «dar o frosques», como decretou o vosso “Pedrito de Massamá”.

 

 

-Zeus, não gozes com os pobres, se não ‘inda empobrecemos mais do que nos querem pôr.

 

Arreliados já andamos nós com as prepotências dos nossos Governantes e a particular desfaçatez dos mais responsáveis.

 

“CUSTE o que CUSTAR”, o descendente do «Remexido» todos os dias arranja maneira de meter a mão no bolso dos Portugueses, de maneira a sustentar lautamente os do seu bando, e os aparentados. Não que ele soube bem aprender com os antecessores.

 

Ele e os que «são mais iguais do que os outros» continuam a dinastia dos salafrários que engramparam os “Vinte e Cinco de ABRIL”.

 

Fez de Portugal um País de Reformados.

 

Só que os dividiu em reformados e REFORMADOS. Isto é, os que trabalharam enquanto a saúde ou a idade lhes deixou; e os que fazem um biscate na RDP, na CGD, na EDP, na PT, no BP, no Parlamento, no Tribunal Constitucional, numa Comissão política, e, enquanto têm vida sendo saudáveis ou só convenientes.

 

Aos reformados aumenta-lhes o desconto sobre a Pensão, as taxas de serviços públicos, o preço dos transportes, dos medicamentos, e manda-os apertar o cinto; aos REFORMADOS, multiplica-lhes os rendimentos mensais, aumenta-lhes as mordomias, atribui-lhes louvores e condecorações, e enche-lhes a pança como quem ceva um reco.

 

 -No que te pões a falar! Reco! Atão quando mandas umas alheiras embrulhadas num molho de grelos?

 

E depois queres tu que eu faça qualquer coisa por vós!

 

Tal como dizia um(a) Pessoa, andastes a gramar «um Pinóquio de merda», um tal neto de Vilar de Maçada; passastes a gramar «um Pinóquio de caca», um tal neto de Vale de Nogueiras.

 

Nunca mais tomais emenda!

 

-Está bem, Zeus.

 

Em vez de greves, faremos manifestações de veneração e apreço ao

 

 

Pedrito de Massamá, Mohamed I de Portugal!

 

 

Mas lembra-te, se não nos acudires a tempo e horas, depressa ficaremos a

 

pão e água!

 

 

Zeus pousou devagarinho o telefone, e nós ainda lhe ouvimos murmurar:

 

 

-“Que grande seca vai lá por Portugal”!

 


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