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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Abr12

Intermitências - Por Sandra Pereira


I

 

Gente produtiva


Estava decidido. Desta vez não ia vacilar. Estava farta de ouvir, e sentir na pele, a vontade desperdiçada. “Não sigas os outros que esperam no café os 500 e poucos euros de cada mês…”. Palavra do primo João, seladas com a garantia que, nos “States”, muito trabalho faz sorrir e o “stress” mantém a gente activa, tão veloz como a rotação da Terra e em sintonia com a velocidade dos dias. Ainda seria o “El Dorado” da geração anterior? “Se ganhas 400, queres 1000. Se ganhas 1000, queres 3000… Mas pelo menos a malta aprende a ser gente produtiva! Quem fica na conversa, não interessa a ninguém”, apregoava o jovem emigrante nas escassas visitas à aldeia natal, despertando rubores, olhares fulminantes e pontas de inveja. Já não era como o pai, da remessa dos que deram “o salto”. O primo João já era da 4G(eração), como o telemóvel que ostentava no bolso, curtir a “Big Apple” fazia parte da sua agenda diária.


Também do Brasil, a tia Rosalina enviava cartas a informar que lá, “os velhos duram mais tempo”, pois “o Inverno é só em Julho e Agosto”. Com 80 anos e sem conhecer os mais novos da “família de Portugal”, dera-se, mesmo assim, ao trabalho de ir ao consulado informar-se de como podia ajudar essa geração “formada”, mas “à rasca” a vir trabalhar para o “futuro”. A 10 minutos do metro e a meia hora das areias de Copacabana. Que mais podia pedir?


E a Lili que se não calava com o Oriente! Fartava-se de postar fotografias dela no Facebook, a sorrir com os dentes todos nas ruas de Xangai (onde deambulava imbuída nos vibrantes néones publicitários depois do trabalho), numa praia da Tailândia (onde passara as últimas férias), ou a provar comidas bizarras no Japão (onde fora em viagem de negócios). No seu caso, tudo começara com um estágio de três meses, mas rápido a Lili se habituou ao ritmo das cidades que nunca dormem. Lá, sentia-se “viva” e “produtiva”, dizia-lhe muitas vezes no “chat”. De resto, até a mãe lhe falava do filho “engenheiro” dos vizinhos que correra atrás do “brilho” de Angola, ou do filho do patrão do pai, que convencera o “velho” a mostrar as “engenhocas” numa feira internacional na Alemanha e tinha agora viagem reservada para ir negociar para o Qatar. “E esta hein?”, ria-se a mãe.


Sempre estivera reticente. Fazia parte da geração “500 euros” com “emprego” na caixa do supermercado, mas pelo menos, convencera-se, podia dar-se ao luxo de ter tempo para pensar, aborrecer-se e escrever no blogue, o seu verdadeiro “trabalho”. “Gosto das tuas crónicas, mas porque não escreves sobre o mundo?”, disseram-lhe uma vez, numa noite de copos. O mundo? Que mundo? Sempre pensara ter um mundo sem fronteiras e inesgotável dentro da cabeça…

 

Guess what? I'm in Xangai!


Começou a reparar na vida diária. No final, resumiu as conversas de uma semana inteira em dois temas – falta de dinheiro e episódios amorosos de vidas alheias – e a sua auto-aprendizagem a um livro de 300 páginas que finalmente acabara de ler num espaço de… quatro meses. Foi nesse momento que percebeu que o tempo parara no seu país.


Via a “crise” como um feitiço assombrado que transforma tudo o que é lindo em coisas feias. Como se o facto de haver limitações de dinheiro tivesse também limitado totalmente a capacidade de movimento das pessoas. Na televisão, sucedem-se “dramas reais”, “vidas difíceis”, “vergonhas escandalosas”, e aqueles irritantes apelos ao “empreendedorismo” dos “jovens” que só querem ser empregados, ou como já vira em letras gordas num jornal, receber “sem mexer uma palha”, num país que afinal lhes coloca a todos uma corda ao pescoço, que aperta mais a uns que a outros. Pior do que isso, procuram-se culpados! Pois condenem-se os pais, que quiseram aproveitar a oportunidade que a democracia lhes deu de ver os filhos “estudados” em vez de os deixar a “amargar” no campo! Condene-se o sistema de ensino, cuja cartilha sempre privilegiou o intelecto, a teoria e o “marranço”, sem se preocupar com a aplicação dos mesmos ao grande mercado que é a vida! Condenem-se os políticos e as elites, cuja ganância e novo-riquismo lhes cega o bom senso e corta o apetite de satisfazer as vontades do povo que os elegeu, optando antes por construir um país de “compadres”? Houve tempos em que todo um país acreditou na utopia do progresso, mas, ontem como hoje, lá se vai ouvindo por aí: “salve-se quem puder”.

 Gente Produtiva

 

Hoje é tempo de voltarmos ao mar, acredita-se. Hoje também é esta a cartilha, e aqui o “salve-se quem puder” também serve. Ela chegara ao ponto de revisitar os livros de História para perceber quem foi o “pobre esfomeado” que lançou a ideia dos Descobrimentos. Quem lhe disse que havia mais e melhor terra que a dele? Quais seriam as suas chagas quotidianas para largar amarras, partir sem medos e ainda convencer uns quantos a segui-lo?


No momento em que percebeu que o país parado era uma má influência para ela, de acção desperdiçada e coração despedaçado, começou a apontar a bússola e deixou de ouvir fado, para não cair na tentação de equacionar a malfadada saudade na lista dos “prós e contras” da partida. Tal como os antepassados, a geração actual também tinha aperfeiçoado os instrumentos de navegação: internet e “social network” eram os mais sofisticados. Compilado em duas folhas digitais, o seu “jovem potencial motivado e determinado” chegava em segundos aos quatro cantos do mundo. Então e a mãe que a criara? Bem, no fundo esta só desejava que a filha “Historiadora de formação – professora de História desempregada – funcionária (temporária) de supermercado – escritora amadora” tivesse a mesma sorte que o filho “engenheiro” dos vizinhos, em vez de a ver envelhecer com ela.


Mas, e agora? Onde iria ser “gente produtiva”? Da Europa, ninguém lhe estendera a mão. Como num casamento, os países da União Europa juraram “amor eterno” na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, “até que a morte os separe”, e agora com algumas esposas em “cuidados continuados”, era um continente inteiro que estava deprimido. Infelizmente teria mesmo de esvaziar a conta-poupança para paragens mais longínquas.


Tanto “network”, tanto “know-how”, tanta “connection” e nenhuma resposta ao fim de 250 CVs enviados para os destinos do primo João, da tia Rosalina e da amiga Lili. Havia dias em que sentia que, em nome da evolução profissional, crescimento pessoal e conforto financeiro, tinha de remar contra a maré fatalista nem que regressasse três meses depois quando o visto expirasse. Outros dias, achava que em nenhum outro lugar conseguiria combinar de modo tão perfeito aconchego, amor, amizade, lazer e comida como na sua terra. De qualquer modo, nenhuma resposta “curricular” chegava, ao contrário dos incentivos cada vez mais frequentes dos seus “emigrantes”.


Não, não. Estava decidido. Desta vez não ia vacilar. Precisava de confirmar o seu valor e ser acarinhada e cobiçada por “gente produtiva” em países que avançam, precisava de estar no "futuro". Sim, sim. Estava decidido. Ela própria se iria armar em profeta e bater portas nos próximos três meses.


No dia da partida para Xangai, além do aperto apreensivo no estômago e da adrenalina a acelerar-lhe o coração, na mala levava o Fernando Pessoa, a companhia ideal para as horas solitárias e nostálgicas, a “Viagem à India” de Gonçalo M. Tavares, a versão da epopeia de Luís de Camões “adaptada a almas jovens e angustiadas”, e um texto do seu filósofo preferido, Eduardo Lourenço. Neste último, tinha sublinhado uma frase: “Não viajamos para nenhum paraíso. Todas as viagens são sempre um regresso ao passado de onde nunca saímos”. Face ao exagero de lágrimas descontroladas da mãe antes do embarque, ela sorria. Algures, ia ser escritora.


Sandra Pereira

 

 

23
Abr12

Quem conta um ponto... Da expetativa ao imobilismo (XII): António e os passarinhos


 

 

Da expetativa ao imobilismo (XII): António e os passarinhos

 

Desta vez tinha o firme propósito de escrever sobre os passarinhos, a primavera, as flores, a melopeia dos riachos e a música sinfónica ou coisa pelo estilo. Juro que sim. Olhando à minha volta, subiu por mim acima essa vontade de ser agradável aos estimados eleitores e de ser sincero com a mãe natureza. Juro que queria. Juro mesmo. Eu queria porque estava necessitado de fazer uma pausa em relação aos problemas da nossa cidade. Mas os tempos que vivemos não estão para distrações.

 

Mal me pus a escutar o meu entorno, em vez de ouvir os pássaros, chegaram-me aos ouvidos os gritos de protesto e indignação dos funcionários da Misericórdia de Chaves que já não recebem os seus salários há seis meses. Ensaiei concentrar-me nos pássaros e nos riachos mais a sua melopeia, mas as palavras dos manifestantes bateram-me mais forte. Sobrepuseram-se. Mas eu tentei de novo concentrar-me nos chilreios das aves: chriu, chriu, chriu…

 

Mas as palavras gritadas pelos manifestantes impunham-se: “Assim não pode ser, trabalhar sem receber.” E eu de novo a pensar na melopeia dos riachos e nos chilreios dos pássaros: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as palavras singelas dos trabalhadores da Misericórdia a baterem-me na cabeça como badalos aflitos: “Vivo numa situação muito complicada, já desliguei o frigorífico porque está vazio. O meu filho vai para a escola sem um cêntimo no bolso porque não tenho dinheiro para lhe dar.”

 

E eu a tentar concentrar-me na musiquinha suave dos riachos e das fontes e a tentar assobiar: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… na companhia das aves. E a realidade da vida dos meus conterrâneos a dar-me bofetadas geladas: “Passei a Páscoa com 50 cêntimos no bolso.” E os passarinhos lá nas árvores: chriu, chriu, chriu… e as águas dos riachos a sussurrarem limpidez e tranquilidade. E eu a tentar concentrar-me na primavera, no sol, a tentar desviar o pensamento. Mas a ingrata realidade a dar-me murros no estômago, a dar-me a provar o fel do desespero: “As pessoas começaram a ouvir falar de crise agora, nós já estamos a vivê-la há muito tempo…”

 

E os pássaros: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E a realidade: “Somos nós que estamos a segurar a Santa Casa, nunca abandonámos o serviço.” E eu a tentar assobiar como os passarinhos: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E os passarinhos a assobiar como os passarinhos: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as águas tranquilas dos riachos a correrem para o Tâmega. E a realidade pura e dura a dar-me bofetadas: “Há pessoas que não têm dinheiro para vir trabalhar, nem para comer e sobrevivem graças à ajuda familiar.”

 

E os pássaros: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E o senhor Provedor, militante ativo do PSD local e com responsabilidades políticas evidentes na maioria que governa a nossa autarquia, a assobiar para o lado, afirmando que compreende a indignação dos funcionários. E o Governo a dizer que disponibiliza as verbas mas a não transferir o dinheiro. E os passarinhos: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E eu: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as águas tranquilas dos riachos a correrem encosta abaixo pelo meio das ervas e das fragas.

 

E o senhor Provedor, que apenas por mero acaso é um militante destacado do PSD flaviense, a mostrar-se impotente para resolver a situação e a visitar as bruxas de Montalegre em noite de forte chuvada. E Deus a desconfiar da santidade da Santa Casa. E eu: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E os passarinhos: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as águas dos ribeiros a correrem tranquilamente para o vale. E o senhor presidente da Câmara a sorrir já não sabendo bem para quê, nem porquê. E o seu vice, que veio para os jornais afirmar-se como o provedor dos velhinhos, das mulheres desprotegidas e das crianças desvalidas, em parte incerta.

 

E João Batista a receber do sindicato dos trabalhadores a moção de protesto e a debater-se com a sua impotência operacional, com a insensibilidade dos “seus” governantes, com este pingue-pongue absurdo entre as culpas e a irresponsabilidade de uns e a inoperância de outros. E o João Batista a atrair a si os dossiês difíceis para libertar o seu vice para a campanha. E o António a dar de “frosques” enquanto os nossos munícipes passam as passas do Algarve.

 

E de repente os passarinhos levantam voo e vão chilrear para outras bandas. E eu sento-me num banco de um velho jardim destruído e tento lembrar-me da parte de uma peça qualquer de Bach. Eu gosto muito de Bach. Mas tenho dificuldade em apanhar assim de repente o seu cravo bem temperado. Ao longe observo os manifestantes a rumarem cabisbaixos a suas casas para provarem o sabor de amêndoa amarga das promessas de atenção dos nossos autarcas na sua infeliz Páscoa.

 

Entretanto abro um jornal da terra e dou de caras com o vice de João Batista. Afinal quem se quer bem sempre se encontra. Eu pelo menos encontro-o desde há uns meses a esta parte sempre nas páginas dos jornais tentando pôr-se em bicos de pés para dar nas vistas. Sempre em bicos de pés.

 

Numa página par do jornal, a subalterna em termos de importância de informação e publicidade, vem a notícia de que “a indefinição da posição da autarquia quanto ao GD Chaves levou a Comissão Administrativa do Desportivo a entender que não tinha condições para apresentar a candidatura que a levasse a assumir um mandato como Direção”. Concluo que a tal Comissão se fartou das belas palavras de João Batista, do seu sorriso militante e das inúmeras promessas por cumprir por parte da Câmara relativas a subsídios de atividades desportivas e a infraestruturas prometidas e nunca realizadas.

 

Leio depois que a Câmara de Chaves emitiu um comunicado reagindo às críticas da citada Comissão. Independentemente da letra do documento, que é uma afirmação de serôdios princípios, não vem assinado por ninguém. Ou seja, a posição é de toda a Câmara. Desta vez nem João Batista se mostrou disponível para arcar com toda a responsabilidade para cima das suas costas. E, estou em crer, o seu vice também fugiu dela com muita subtileza. Uma coisa é dizer-se que se faz. Outra é fazer. E o António é muito bom na primeira premissa, mas é péssimo na segunda.

 

No final, a tal CMC, não sabemos bem em nome de quem, diz que “não cede a pressões.” Deixem-me rir. Ai não que não cede. Não tem feito outra coisa desde que tomou posse. Sempre cedeu no interesse dos poderosos e no dos seus apaniguados. Só nunca cedeu numa coisa: na insignificância que permanentemente atribuiu aos verdadeiros interesses das nossas populações, nomeadamente na qualidade da educação, na defesa dos cuidados de saúde de todos os flavienses, na defesa da nossa agricultura e na defesa da cultura enquanto motor impulsionador de desenvolvimento. Relativamente à cultura sempre a tratou como um bem descartável, subsidiário, como um reclame luminoso que se põe numa montra para enganar pacóvios.

 

Na tal página ímpar, a guardada para as notícias mais importantes, aparece António Cabeleira e João Neves em distintas fotografias a distribuir medalhas a crianças que participaram num torneio de escassa importância, com o pomposo nome de “Torneio Pavão”. A notícia são meia dúzia de linhas. No entanto fotos são nove. E em duas delas aparece, e passo a citar: “António Cabeleira, vereador da CMC…” Desta vez o nosso estimado vice aparece a sorrir. Timidamente é certo, mas a sorrir. Para o semanário regional o António deixou cair o posto de vice para assumir o de simples vereador. Mas lá sobrevém sempre em bicos de pés, para se fazer notar.

 

Talvez porque lhe pese a consciência saber da situação dos flavienses que trabalham há meio ano sem receber um tostão e de nada ter feito para desbloquear a situação. Então a política apenas serve para entregar medalhas às crianças e dizer que vai fazer isto e aquilo para apoiar os idosos, as mulheres violentadas e as crianças desvalidas? E lá está o António a dançar o malhão em pontas para dar nas vistas.

 

Por cima de mim voavam novamente os pássaros a chilrear chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as águas dos ribeiros a correr tranquilamente para o vale. E eu a arrepiar-me. E as palavras a baterem-me forte: “Assim não pode ser, trabalhar sem receber.” E eu a tentar de novo pensar na melopeia dos riachos, nos chilreios dos pássaros: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as palavras singelas dos trabalhadores da Misericórdia a reverberarem na minha cabeça: “Vivo numa situação muito complicada, já desliguei o frigorífico porque está vazio. O meu filho vai para a escola sem um cêntimo no bolso porque não tenho dinheiro para lhe dar.” E os pássaros a chilrear chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as águas dos ribeiros a correrem tranquilamente para o vale. E o António Cabeleira e o João Neves a distribuir medalhas às crianças para aparecerem na fotografia e a realidade a bater-me forte: “Passei a Páscoa com 50 cêntimos no bolso.” E os passarinhos lá nas árvores: chriu, chriu, chriu… E as águas dos riachos a sussurrarem limpidez e tranquilidade. E o António Cabeleira e o João Neves a distribuir medalhas às crianças para aparecerem na fotografia e a realidade a bater-me ainda mais forte: Há pessoas que não têm dinheiro para vir trabalhar, nem para comer e sobrevivem graças à ajuda familiar.” E eu: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E os passarinhos: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as águas dos ribeiros a correrem tranquilamente para o vale. E o António Cabeleira e o João Neves a distribuir medalhas às crianças para aparecerem na fotografia e a realidade a bater-me ainda forte: “As pessoas começaram a ouvir falar de crise agora, nós já estamos a vivê-la há muito tempo…” E os passarinhos: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as águas dos ribeiros a correrem tranquilamente para o vale. E o António Cabeleira e o João Neves a distribuir medalhas às crianças para aparecerem na fotografia e a realidade a bater-me ainda mais forte: trabalhar sem receber… chriu, chriu, chriu… frigorífico vazio… chriu, chriu, chriu… sem um cêntimo no bolso… chriu, chriu, chriu… passei a Páscoa com 50 cêntimos no bolso… chriu, chriu, chriu… sem dinheiro para vir trabalhar, nem para comer… chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu…

 

E na página 24 e 25 do jornal uma enorme entrevista de António Cabeleira com o título de uma sua resposta: “Neste período de crise que estamos a viver pretendemos que o número de clubes mantenha a sua atividade…” E a puta da realidade a bater cada vez mais forte: “As pessoas começaram a ouvir falar de crise agora, nós já estamos a vivê-la há muito tempo…” E os passarinhos: chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E as águas dos ribeiros a correr tranquilamente para o vale. E o António Cabeleira: “Neste período de crise que estamos a viver pretendemos que o número de clubes mantenham a sua atividade…”  E a realidade dos trabalhadores a malhar forte: trabalhar sem receber… chriu, chriu, chriu… frigorífico vazio… chriu, chriu, chriu… sem um cêntimo no bolso… chriu, chriu, chriu… passei a Páscoa com 50 cêntimos no bolso… chriu, chriu, chriu… sem dinheiro para vir trabalhar, nem para comer… chriu, chriu, chriu… chriu, chriu, chriu… E o António Cabeleira: “Neste período de crise que estamos a viver pretendemos que o número de clubes mantenha a sua atividade…” 

 

 

23
Abr12

Elogio à Primavera


 

Para iniciar a semana fica apenas uma imagem de um elogio à primavera.

 

Mas já que estou aqui, hoje não ficamos só pelos elogios, é também dia de crónicas. Às 9 horas a habitual crónica semanal de João Madureira com "Quem conta um ponto..." e às 17H30 a habitual crónica quinzenal de Sandra Pereira, com as suas "Intermitências". Até lá e façam o favor de não esquecer gozar a primavera com tudo que ela tem para nos dar.

 

 

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